Polícia
Polícias Civis de MT e do Piauí deflagram operação para combater família especializada em estelionato digital
Polícia
A Polícia Civil de Mato Grosso, deflagrou, nesta quarta-feira (8.7), em apoio à Polícia Civil do Piauí, a Operação Falso Elo, com o objetivo de combater fraudes e desarticular um grupo criminoso responsável pela prática sistemática de estelionatos por meios eletrônicos.
A investigação foi conduzida pela Delegacia de Polícia de Baixa Grande do Ribeiro (PI), com o suporte da Diretoria de Inteligência da Polícia Civil (DIPC) do Piauí e apoio da Delegacia Especializada de Estelionato de Cuiabá, e teve início após a denúncia de um idoso, morador de Ribeiro Gonçalves (PI), vítima do golpe conhecido como “intermediário de vendas”, aplicado no comércio de veículos pela internet.
Nesta quarta-feira (8), foram cumpridos 12 mandados de busca e apreensão, sendo 11 em Cuiabá, pela equipe da Delegacia Especializada de Roubos e Furtos de Cuiabá (Derf), e um em Barra do Garças, pela equipe da 1ª Delegacia de Barra do Garças.
Estelionato digital
De acordo com as investigações, os criminosos utilizavam a plataforma OLX para induzir a vítima a acreditar que realizava uma compra legítima. O investigado manipulou as conversas entre comprador e o vendedor real, fazendo com que o automóvel fosse exibido sem que o proprietário revelasse o valor verdadeiro de venda.
Mediante comprovantes falsificados e outros artifícios fraudulentos para simular legalidade, o grupo conseguiu que o idoso transferisse valores expressivos diretamente para contas controladas por eles, gerando grave e substancial prejuízo financeiro.
No decorrer das apurações, o trabalho de inteligência policial conseguiu identificar e mapear a estrutura operacional responsável pelas fraudes. Foi constatado que o esquema era operado e comandado por integrantes de uma família moradora de Cuiabá (MT), que atuava de forma reiterada, aplicando fraudes semelhantes.
As diligências técnicas demonstraram ainda que o grupo criminoso possuía alcance nacional e internacional, com registros de pessoas lesadas não apenas em diversas unidades da Federação, mas também residentes no exterior, evidenciando uma elevada capacidade operacional e logística na pulverização de golpes digitais.
Além do crime de estelionato digital, a investigação também apura a prática de outros delitos relacionados, entre eles a falsificação de documento e a associação criminosa, sem prejuízo da identificação de outras infrações penais eventualmente evidenciadas no decorrer do procedimento.
Operação
Com base nos elementos probatórios reunidos durante o inquérito policial, as forças de segurança representaram pelas medidas cautelares cabíveis de busca e apreensão domiciliar e prisões temporárias.
Os mandados judiciais foram expedidos pela Central Regional de Inquéritos IV – Polo Floriano do Tribunal de Justiça do Piauí e cumpridos em Cuiabá e Barra do Garças, onde as equipes localizaram as bases do grupo.
A operação contou com o suporte do Núcleo de Inteligência de Parnaíba (NUINT/PHB) e com a cooperação operacional da Derf Cuiabá e da 1ª Delegacia de Barra do Garças, demonstrando a importância da integração entre as instituições de segurança pública no enfrentamento às facções criminosas de caráter interestadual.
Durante o cumprimento das medidas judiciais nos endereços confirmados, foram apreendidos aparelhos celulares e equipamentos de informática utilizados pelos investigados. Os dispositivos serão submetidos à perícia e à extração forense de dados, etapa considerada fundamental para o aprofundamento das investigações.
A análise técnica poderá identificar novas vítimas, revelar a real extensão da atuação criminosa, desvelar a cadeia de movimentação financeira e reunir provas cabíveis para a completa responsabilização penal de todos os envolvidos.
“A internet não serve como escudo para a impunidade, e a cooperação técnica e tática entre os estados e o Ministério da Justiça foi decisiva para desarticular a estrutura do grupo criminoso, visando estancar o prejuízo das vítimas e garantir a punição rigorosa dos envolvidos perante a Justiça”, afirmou o delegado Mário Santiago, titular da Derf Cuiabá.
O delegado orienta que os cidadãos adotem cautela em negociações virtuais e, caso identifiquem indícios de fraude, procurem imediatamente uma unidade policial, preservando mensagens, comprovantes, capturas de tela e links das plataformas utilizadas, elementos que são essenciais para o sucesso dos trabalhos investigativos.
Falso Elo
O nome da operação, Falso Elo, simboliza a atuação das forças de segurança para quebrar o vínculo fraudulento criado pelos criminosos, que manipulavam as comunicações entre compradores e vendedores reais no ambiente virtual para lesar cidadãos de boa-fé.
A operação reafirma o compromisso institucional em utilizar investigação especializada, inteligência digital e cooperação interestadual para neutralizar redes de estelionato cibernético que atuam de forma transfronteiriça.
As investigações prosseguem sob sigilo para análise de todo o material telemático e documental arrecadado, identificação de outras possíveis fraudes e completo esclarecimento dos fatos.
Fonte: Policia Civil MT – MT
Polícia
CPI da Saúde questiona ex-secretário sobre R$ 1,1 bilhão em indenizatórios
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) ouviu nesta quarta-feira (14), o ex-secretário de Estado de Saúde (SES), Gilberto Figueiredo, na condição de investigado, para esclarecer questões relacionadas aos contratos firmados pela pasta entre 2019 e 2025. Durante a oitiva, conduzida pelo presidente da comissão, deputado estadual Wilson Santos (PSD), foram feitas cerca de 70 perguntas. O depoente, que estava acompanhado de advogado, abriu mão do direito ao silêncio para apresentar a sua defesa.
Ao ser questionado sobre a participação nas contratações, nos reconhecimentos de dívidas e nos pagamentos realizados pela Secretaria de Estado de Saúde, Gilberto explicou que as decisões não dependiam exclusivamente de sua autorização e que os processos passavam por diferentes departamentos e recebiam pareceres e observações de integrantes das nove secretarias adjuntas da pasta e que o seu papel era tomar a decisão final sobre os processos previamente analisados.
Em relação aos pagamentos indenizatórios que somaram R$ 1,1 bilhão ao longo de sete anos, com base no Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) nº 01/2019, ele confirmou o montante e afirmou que, durante o período em que esteve à frente da SES, o orçamento da pasta ultrapassou R$ 31 bilhões. “Os pagamentos indenizatórios não nascem na sala de um secretário e, sim, por uma atividade que foi realizada, contratada ou adquirida e que depois o Estado está obrigado a pagá-la por questão de não ter risco de enriquecimento ilícito”, justificou.
Wilson Santos contestou a explicação e observou que a pandemia da Covid-19 foi uma situação excepcional, durante a qual houve flexibilização da legislação, mas que o pagamento por indenização parece ter se tornado uma prática mantida mesmo após o período emergencial. Ele acrescentou que houve um crescimento de quase 500% no número de pagamentos indenizatórios no período pós-pandemia.
Em resposta, Gilberto afirmou que não houve acomodação da gestão diante da situação e defendeu a existência de procedimentos para comprovar os serviços prestados. “Nós tomamos as decisões e reformulamos a estrutura da SES. Não acostumei. Vou querer aprofundar sobre essa situação (indenizatórios). Não existe pagamento que não esteja com um robusto processo de comprovação de serviços realizados”, declarou.
O ex-secretário também esclareceu que o TAC teria sido firmado inicialmente com duração de dois anos e afirmou que o instrumento permanecia vigente. O presidente da CPI, por sua vez, contrapôs a informação, alegando que o prazo havia se encerrado em 31 de agosto de 2026. Logo, Gilberto confirmou que a atual gestão da SES prorrogou o acordo por mais 60 dias. “Eu mesmo fui autor do comunicado ao Ministério Público Estadual que era o TAC nº 01/2019. O objetivo primeiro era não paralisar e não colapsar o serviço de saúde. No TAC existe o compromisso elaborado tanto na questão da gestão de pessoal como também na contratação de serviço”, explicou.
Diante das informações apresentadas, a CPI vai requisitar novos esclarecimentos sobre a tramitação do TAC para a Secretaria de Estado de Saúde. Outras indagações feitas ao ex-secretário foram referentes aos motivos pelos quais a pasta não teria atendido a alertas de órgãos de controle, como a Controladoria-Geral do Estado (CGE) e a Procuradoria-Geral do Estado (PGE), que identificaram irregularidades e recomendaram a suspensão ou a correção de determinados procedimentos.
Gilberto Figueiredo esclareceu que interromper a prestação de um serviço de saúde poderia colocar vidas em risco e que, diante dessas situações, cabia ao gestor avaliar os pareceres e tomar decisões. “O gestor, sim, ele é assessorado por parecer, mas ele está sentado no cargo para tomar a decisão. Eu nunca fui omisso, nunca abri mão de tomar uma decisão por causa de alerta para não deixar o paciente morrer. Eu tive o coração de correr os riscos. E estou sujeito a eles. Vou passar pelos escrutínios”, afirmou o investigado.
Outro ponto abordado durante a oitiva foi a contratação de empresas sem processo licitatório e a ocorrência de irregularidades envolvendo prestadoras de serviços. O depoente afirmou que é difícil para a administração pública acompanhar mudanças na composição societária, na razão social ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) das empresas.
“Tem empresas que têm mais de 100 sócios. Eu apurei e fui buscar. Como um gestor vai conseguir controlar isso? Tomei conhecimento, sim, fiz demanda junto da PGE de como poder evitar isso. Infelizmente, tem empresas que não cumprem contrato e no outro dia nasce com um outro nome ou outro CNPJ e o governo não tem como impedir”, declarou.
A CPI também questionou o ex-secretário sobre a pessoa mencionada em autos de processos investigatórios relacionados à Operação Espelho como a “Mulher da SES”, apontada no contexto das investigações sobre contratos e licitações. Gilberto contestou a referência e afirmou que não existia uma pessoa identificada dessa forma, mas um quadro de aproximadamente 6,5 mil servidores na Secretaria, dos quais 4.194 seriam mulheres. Diante da resposta, Wilson Santos informou que apresentará requerimento para convocar, na condição de testemunha, a atual secretária adjunta de Orçamento e Finanças da SES, Ivone Rosset. “Eu não vou ficar dando nomes às pessoas que estão legalmente investidas nos cargos publicados em Diário Oficial”, disse o ex-secretário.
Ao final da oitiva, Gilberto solicitou que um exemplar de seu livro “Sem tempo para respirar”, fosse incluído nos autos da CPI da Saúde. Segundo ele, a obra apresenta detalhes da atuação da SES durante a pandemia e das medidas adotadas para salvar vidas. “Não fico feliz com os óbitos que ocorreram, mas fico feliz, se muitos de nós estamos aqui hoje, é porque trabalhamos muito para que isso acontecesse. Criamos o maior centro de triagem de Covid-19 e atendemos milhares de pessoas”, declarou.
Também participaram da reunião o relator da CPI, deputado estadual Beto Dois a Um (União), e os membros Dilmar Dal Bosco (União) e Chico Guarnieri (PSDB).
Fonte: ALMT – MT
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