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Prefeitura de Várzea Grande e IFMT estudam parceria na implementação de projetos socioeducacionais

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Da redação

A Prefeitura Municipal de Várzea Grande e o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Mato Grosso, campus de Várzea Grande (IFMT-VG), estudam firmar Termos de Cooperação Técnica para viabilizar projetos socioeducacionais nas diversas áreas da Administração Pública, no município. A ideia de parceria surgiu após a prefeita de Várzea Grande, Lucimar Sacre de Campos, conhecer na tarde de terça-feira (27/06), projetos desenvolvidos pelo Instituto bem como seus resultados positivos.

“Temos certeza que uma futura parceria com uma instituição como o IFMT vai beneficiar crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social, e talvez consigamos ampliar esses benefícios para outros públicos, pois, devido à grande variedade de cursos técnicos e de graduação ofertados pelo Instituto, poderemos levar conhecimento e benefícios diversos para além da instituição de ensino conforme vimos exemplos reais apresentados pela diretora geral. Eu e minha equipe técnica ficamos maravilhadas com os projetos que já existem e podem em um futuro próximo beneficiar a sociedade várzeagrandense, a exemplo de aulas de línguas, formação de corais, orquestra, regularização fundiária, entre outros. Também observamos que essa parceria fortaleceria não somente as ações da Prefeitura nas mais diversas áreas como também as ações do IFMT que poderá oportunizar aos seus alunos um processo de formação mais completo e humanizado, ao aplicar na prática o conhecimento adquirido em sala de aula, garantindo inclusão cultural, valorização e preservação da memória, difusão de conhecimento e de cidadania”, avaliou a prefeita Lucimar Campos.

Ao citar como valorosa a participação da Prefeitura de Várzea Grande na instalação do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Mato Grosso no município, a diretora geral do Campus, Sandra Maria de Lima, enfatizou “que uma aproximação maior com a Prefeitura irá ajudar o IFMT a concretizar projetos e atingir os nossos objetivos. A universidade tem papel comunitário e obrigação em participar de iniciativas de inclusão social. Além disso, é um processo que vai beneficiar professores e acadêmicos com a possibilidade de atuação na comunidade”, afirmou, lembrando que vários cursos poderão se incluir no projeto de parceria com  atividades extraclasse.

Para o Reitor do IFMT, professor Willian Silva de Paula, a aplicação na prática de atividades extraclasse só poderá de fato se tornar realidade com a iniciativa e o compromisso das partes em firmar o Termo de Parceria. “A vontade política de fazer o melhor para a cidade de Várzea Grande que a nossa prefeita tem demonstrado nos seus atos e feitos administrativos, irá garantir também o apoio necessário para essa instituição de ensino pública  na solidificação da parceria. Nosso papel é garantir  qualidade e excelência do ensino superior e técnico, e temos  a obrigação de garantir aos nossos alunos e à sociedade em geral o melhor. A prefeita entendeu a importância de se garantir o bom funcionamento do Instituto por isso nos cedeu espaço físico para funcionamento enquanto a construção definitiva do Campus não é finalizado, o que também demonstra seu compromisso em manter e consolidar o IFMT no município”, ratificou o reitor.

Entre os projetos explanados à chefe do Executivo Municipal e sua equipe técnica destacaram-se o “Resgate da Humanidade” que visa implantar uma orquestra e o Coral IFMT de Várzea Grande; o projeto “Jovem Educador” onde os melhores alunos em línguas estrangeiras do instituto multiplicam o conhecimento com alunos da rede pública municipal de ensino; projeto “Plantart” que tem condições de contribuir com até 90 regularizações fundiárias de moradias urbanas por semestre; além, dos projetos “Expedição Secular”; “Jornada Científica”;  “Semana da Adversidade”; “Pauta Viva”; “Inclusão em Libras”, “Pinacoteca”, “Ecolog”, entre outros.

De acordo com o secretário municipal de Educação, Cultura, Esporte e Lazer, Silvio Fidelis, logo após o recesso escolar de julho, os técnicos da secretaria buscarão o IFMT para consolidar as propostas apresentadas e iniciar o intercâmbio de projetos. “Ter junto à secretaria municipal de Educação a  presença do Instituto, uma das mais importantes instituições de ensino do Estado, será a união da educação e cultura para a melhoria da qualidade de vida da população e para a excelência educacional no município”, frisou.

O desenvolvimento da pesquisa na prática junto aos mais carentes e vulneráveis foi um dos pontos citados pela secretária municipal de Assistência Social, Kathe Martins, sobre a parceria com o Instituto. “Todos sabemos que o IFMT é uma instituição de excelência em educação. E, se estão dispostos a estender ações sociais que irão agregar conhecimento e benefícios ao mesmo público alvo nosso, que é a sociedade em vulnerabilidade social, não podemos perder mais essa chance que vai nos ajudar a conquistar um município melhor para se viver”, disse.

Também participaram do encontro os vereadores Ícaro Reveles e Gisa Barros, o Pró-reitor de Extensão do IFMT, Marcus Vinicius Taques de Arruda, a coordenadora de gestão escolar da Secretaria Municipal de Educação, Benedita Ponce, a superintendente da subprefeitura do Cristo Rei, Isabela Guimarães, além de toda equipe diretora educacional do Campus.

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Encontro de almas: diligência abriu as portas da paternidade para agente da Infância e Juventude

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Foto horizontal dos anos 1990 que mostra o agente da Infância e Juventude Aparecido Donizete abraçado com a filha Érica, que tinha cerca de 10 anos na foto. Ela era uma menina de pele clara com longos cabelos loiros e cacheados.

Das histórias de tantas crianças e adolescentes que ajudou a reescrever, enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete da Silva, atualmente lotado na Comarca de Várzea Grande, encontrou em uma de suas diligências, em 1990, a primeira página de sua própria jornada enquanto pai.

Uma bebê foi abandonada pela mãe na casa da parteira, uma senhora muito pobre e sem condições de cuidar da criança, em Barra do Bugres. Nomeado guardião legal da criança, Aparecido levou a bebê com apenas quatro dias de nascida para casa. Ele e a então esposa cuidaram da recém-nascida até que ela restabelecesse a saúde, ao longo de três meses. O cuidado foi tamanho que o servidor, que também trabalhava como professor no período noturno, deixou este emprego para se dedicar ao cuidado com a menina.

Aparecido revela que não tinha interesse em adotar, mas, após três meses de acolhimento daquela bebezinha, decidiu que queria ficar com ela para sempre e pediu para entrar na fila da adoção. O processo levou tempo, pois investigações foram feitas e a mãe biológica foi identificada. Ela teve que registrar a criança, mas acabou perdendo o pátrio poder e, então a menina pôde participar do processo de adoção. “Ela veio como um presente de Deus”, afirma Aparecido.

Já estava escrito

“Eu acho que tudo já estava escrito pra ser dessa forma. Ele já era meu pai, só foi me buscar”, afirma Érica Taiane Buzato da Silva, 36 anos, filha mais velha de Aparecido, que sente o mesmo. “Pra mim, já existia uma paternidade de verdade, o vínculo, o cuidado e o amor vieram antes da ‘chegada’. Quando ela diz isso, eu sinto que a nossa história confirmou o que a gente viveu todos os dias”, diz o servidor.

Érica conta que seus “pais do coração” sempre foram transparentes em relação à sua origem e que, mesmo passando anos questionando o porquê do abandono, o amor que recebeu da família a levou a superar todas as dores.

“Eu sempre soube que eu era adotada. Fui a primeira filha deles. Depois, eu tive mais dois irmãos e a gente cresceu muito feliz. O meu pai é uma pessoa maravilhosa na minha vida! Não sei nem como agradecer porque, se não fosse ele, eu não sei o que poderia ter acontecido comigo. Sou muito grata ao meu pai e à minha mãe porque cuidaram de mim com todo amor, sem nenhuma diferença de mim e os meus irmãos”, diz.

A gratidão relatada por Érica é sentida também por parte do pai dela. “Me sinto profundamente grato e em paz. Olhando pra trás, vejo que o acolhimento que demos à Érica foi mais do que cuidados: foi amor que sustentou a ela e a mim”, afirma. Em relação à paternidade, que começou com a chegada de Érica em sua vida, Aparecido conta que sempre viu como algo muito simples a educação dada a ela e aos demais filhos, Evili e Lucas. “Nunca vi a Érica diferente, mas sim como filha, igual aos outros”, conta.

Foto vertical antiga que mostra o agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete, com a ex-mulher, duas filhas e o filho ainda crianças, em uma festa. Eles posam sorrindo para a foto.Legado construído com exemplo

Aparecido destaca que sempre priorizou transmitir aos filhos valores como honestidade, caráter e determinação para batalhar pelos objetivos. “Eu sempre busquei passar esses valores no comportamento e nas escolhas do dia a dia, sendo honesto, firme e batalhador, para que eles aprendessem com a nossa convivência, não só com palavras”, pontua.

Para Érica, ficaram desses ensinamentos a admiração e o desejo de seguir os mesmos passos do pai. “Meu pai é uma pessoa de muito caráter, muito esforçado, inteligente, batalhador. Eu sei que a vida dele também foi muito difícil. Eu não sou igual a ele, mas tento ser e me espelho nele porque é uma pessoa maravilhosa. Ele me ensinou a ser uma pessoa honesta e a lutar pelos meus objetivos, pela minha felicidade. Eu conto tudo pra ele, então, a gente tem realmente uma ligação muito forte”, afirma Érica.

Ela destaca que se considera parecida até fisicamente com Aparecido. “É estranho, mas eu acho que a convivência faz a gente ficar parecido. Dizem que pai é quem cria, mas, pra mim, é mais do que isso: meu pai é meu porto seguro, minha referência”.

Por sua vez, Aparecido diz ser muito gratificante e emocionante ver os frutos do seu amor de pai. “Saber que a minha presença ajudou a formar o caráter dela e que hoje existe essa conexão me dá orgulho, e também me faz querer continuar fazendo o certo todos os dias”.

Apoio incondicional

Encontrar nos pais um porto seguro fez com que Érica tivesse coragem para encarar de frente seu passado e, depois de adulta, buscar suas origens. “Eu não perguntava por que achava que era algo que machucava eles, de certa forma. Mas, quando eu perguntei, ele foi atrás, conseguiu o contato de outro pai que também tinha adotado a minha outra irmã. Meu pai me ajudou e eu conheci ela e outro irmão, filho dessa minha mãe biológica. E foi muito legal conhecê-los porque faz parte da minha história, de certa forma, porque têm o meu sangue”, relata Érica. Ao reencontrar os irmãos biológicos, sua genitora havia falecido um ano antes.

Da parte de Aparecido, ele conta que ajudar Érica nesse processo de resgatar o contato com a família biológica foi um misto de carinho e responsabilidade. “Eu entendia o desejo dela de conhecer as origens e apoiei esse caminho. Ao mesmo tempo, eu precisava respeitar o tempo dela e garantir que essa busca não virasse dor ou culpa. Ver que ela conseguiu se aproximar com segurança me deixa muito satisfeito”, avalia.

Imagem quadrada gerada com auxílio de inteligência artificial que mostra o agente da Infância e Juventude Aparecido Donizete e sua filha Érica abraçados, com um fundo verde de um parque. Ele é um homem pardo de cabelo grisalho e ela uma jovem branca e loira.

Há oito anos morando na Europa, Érica afirma ser difícil estar longe da família, especialmente em datas comemorativas, como o Dia dos Pais, mas que a única palavra que vem à sua mente nessas horas é gratidão. “Quero que ele saiba que é o melhor pai do mundo, que eu sou muito grata a ele por cada gesto, por cada abraço. Minha maior certeza na vida é que eu amo muito ele. Mesmo distantes fisicamente, graças a Deus somos muito próximos, pois, de certa forma ele me deu a vida”, assevera Érica.

Pai e apoiador, Aparecido confirma que a distância aperta o coração, mas que, ao mesmo tempo, sente orgulho ao ver que Érica está correndo atrás dos próprios objetivos com coragem. “A gente procura estar presente do jeito que dá, com diálogo, apoio e carinho. E isso ajuda a transformar a saudade em motivação”.

Adoção

Enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido ressalta que a Justiça tem um papel fundamental em garantir que toda criança tenha o direito de crescer em um ambiente seguro, com afeto, dignidade e oportunidades. “A adoção não é apenas um ato jurídico; é a construção de uma família baseada no amor e na responsabilidade”, avalia.

Ele lembra que, desde quando adotou Érica até os dias atuais, a legislação evoluiu muito. “Hoje, o processo de adoção é mais estruturado, transparente e voltado, acima de tudo, ao melhor interesse da criança e do adolescente. Há uma preparação maior das famílias, acompanhamento técnico e mecanismos que buscam reduzir o tempo de permanência de crianças em acolhimento institucional, sempre preservando seus direitos”, explica.

Aparecido aproveita este Dia dos Pais para deixar uma mensagem a todos os pais: “Aos pais biológicos, que valorizem o privilégio de acompanhar o crescimento dos seus filhos com amor, presença e responsabilidade. E aos pais de coração, que nunca duvidem da força do amor que escolheram oferecer. A verdadeira paternidade não é definida pelo sangue, mas pela presença, pelo cuidado, pelo exemplo e pelo compromisso de estar ao lado do filho em todos os momentos da vida. É esse amor que transforma histórias, fortalece famílias e constrói seres humanos melhores”, declara.

Érica, por sua vez, afirma: “Adoção não é sobre preencher um vazio, mas sobre transbordar o amor, porque é isso que eu sinto”.

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT



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