Política
Wellington Fagundes trata briga no clã Bolsonaro como “questão familiar” e cita atuação do PL
Política
O senador Wellington Fagundes (PL) avaliou como um assunto de ordem privada os recentes desentendimentos entre o senador Flávio Bolsonaro e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Segundo ele, o episódio deve ser tratado como uma “questão familiar”, enquanto a condução política do caso estaria sendo feita pelo presidente nacional do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto.
“É uma decisão pessoal da família, cabe à família responder. Isso é um processo familiar e que o Valdemar [Costa Neto], como presidente do partido, está administrando”, afirmou.
A crise interna ganhou força após uma publicação de Michelle nas redes sociais, na qual ela fez críticas a Flávio Bolsonaro. No vídeo, a ex-primeira-dama afirmou ter sido desrespeitada e maltratada pelo enteado mais velho, que, segundo ela, teria defendido seu afastamento das decisões partidárias e colocado em dúvida seu entendimento sobre política.
O episódio provocou repercussão dentro da legenda e acendeu alertas sobre possíveis impactos eleitorais, especialmente entre o público feminino, diante da disputa presidencial associada ao grupo político de Jair Bolsonaro.
Ao comentar as declarações de Michelle sobre possível violência de gênero dentro do partido, Fagundes relembrou debates anteriores envolvendo sua participação em disputas eleitorais. Ele citou ainda nomes do próprio campo político ao abordar a representação feminina nas chapas majoritárias.
Tereza Cristina é pré-candidata ao Senado no Distrito Federal, mas pode rever sua participação na disputa após o episódio. Ela deixou recentemente a presidência do PL Mulher.
Fagundes também avaliou que faltaram oportunidades para maior presença feminina em composições eleitorais anteriores, citando o cenário da última eleição presidencial.
“Lá atrás, ela [Michelle] tinha possibilidade de ser candidata. Assim como na eleição passada defendemos que a Tereza Cristina fosse a vice do Bolsonaro. Foi um erro do [Jair] Bolsonaro à época”, afirmou.
O senador ainda reforçou sua defesa por maior participação de mulheres na política e lembrou uma proposta legislativa de sua autoria sobre o tema.
“E quem falou isso foi o próprio Valdemar e o próprio presidente Bolsonaro. Eu sempre entendo que a participação de todos é importante, tanto é que fiz um projeto de lei para que 30% das vagas do Legislativo sejam das mulheres”, encerrou.
Jair Bolsonaro também foi citado no contexto das declarações envolvendo decisões passadas sobre composição eleitoral.
Política
Comissão aprova projeto que amplia direitos de estudantes grávidas e lactantes nas escolas
A Comissão de Educação da Câmara dos Deputados aprovou projeto de lei que garante medidas de acolhimento a estudantes grávidas, no puerpério ou em período de amamentação em todos os níveis e modalidades de ensino.
O texto altera a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) para incluir como dever do Estado a adoção de medidas de acolhimento a essas estudantes, com as adaptações necessárias no ambiente das instituições de ensino.
O projeto também proíbe a cobrança de qualquer custo adicional da estudante que, em razão de gravidez, puerpério ou lactação, optar por modalidades de ensino a distância oferecidas pela instituição.
Universidades
Para as instituições de ensino superior, o texto estabelece diretrizes específicas de acolhimento. Entre elas, a flexibilização de:
- prazos para entrega de monografias, dissertações, teses e trabalhos de conclusão de curso; e
- critérios para o jubilamento — desligamento do aluno por excesso de tempo no curso.
As universidades também deverão adaptar seus espaços físicos para apoiar mães e seus filhos. Entre as ações que poderão ser adotadas, estão:
- instalação de creches para filhos de estudantes, docentes e servidores;
- fraldários;
- espaços reservados para amamentação e ordenha;
- lactários; e
- brinquedotecas.
Fica proibida qualquer prática vexatória em relação ao acompanhamento dos filhos nos espaços universitários.
Exercícios domiciliares
O projeto também atualiza a Lei 6.202/75, que trata do regime de exercícios domiciliares para estudantes gestantes.
Assim, a aluna passa a ter direito a:
- acompanhamento pedagógico com cronograma e plano de trabalho durante o período de afastamento;
- uso de instrumentos pedagógicos adequados — inclusive na forma remota, quando possível; e
- realização de todas as avaliações de aprendizagem, preferencialmente em consonância com o calendário escolar.
A estudante que adotar também terá direito ao regime de exercícios domiciliares, pelos mesmos prazos previstos na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).
Mudanças no projeto original
O texto aprovado é um substitutivo da relatora, deputada Franciane Bayer (Republicanos-RS), ao Projeto de Lei 1622/21, da ex-deputada Tia Eron (BA), e a outros quatro projetos analisados conjuntamente (PLs 1151/22, 2260/22, 4420/23 e 5189/23).
“A maternidade, em especial quando não acompanhada de políticas institucionais de acolhimento, impõe ônus desproporcionais às mulheres em seu percurso educacional”, disse Franciane.
Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua de 2022 indicam que, a cada cinco mulheres que abandonam os estudos antes de concluir o ensino médio, uma aponta a gravidez como motivo principal — e muitas jamais retomam os estudos.
Próximos passos
A proposta ainda será analisada, em caráter conclusivo, pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para virar lei, o texto deve ser aprovado pela Câmara e pelo Senado.
Reportagem – Tiago Miranda
Edição – Natalia Doederlein
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