Economia
Alckmin anuncia R$ 10 bilhões para modernização de máquinas agrícolas
Economia
O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, anunciou neste domingo (26) a criação de uma nova linha de R$ 10 bilhões em crédito para a modernização de máquinas e implementos agrícolas.

O anúncio foi feito durante a abertura da Agrishow, em Ribeirão Preto (SP). Os recursos integram uma nova modalidade do programa MOVE Brasil, voltada ao setor agropecuário.
“São R$ 10 bilhões para financiar trator, implementos, colheitadeiras, toda a parte de máquinas agrícolas. Pela própria Finep, diretamente, ou pelos parceiros: cooperativas, bancos privados e o Banco do Brasil”, disse Alckmin.
Ele destacou que os recursos serão disponibilizados no prazo de três semanas, “com juros bem mais baixos para poder financiar a modernização e a troca de máquinas e equipamentos”.
Renegociação de dívidas rurais
O vice-presidente afirmou ainda que o governo prepara um programa de renegociação de dívidas rurais, medida que, segundo ele, pretende contemplar produtores inadimplentes e adimplentes. O objetivo é ampliar a capacidade de investimento e a competitividade do setor.
“O governo vai tratar dessa questão. Para quem está inadimplente e até para quem está adimplente, vai ter um empenho na renegociação das dívidas”, antecipou.
A nova linha segue o modelo do MOVE Brasil lançado para renovação da frota de caminhões, em janeiro deste ano. Segundo o vice-presidente, o crédito foi esgotado em cerca de 60 dias.
Crédito e inovação
A nova modalidade do MOVE Brasil utilizará recursos do superávit do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, sob gestão da Finep, com foco em conteúdo nacional, inovação e pesquisa e desenvolvimento.
A previsão é que os financiamentos estejam disponíveis em 20 a 30 dias.
Pela primeira vez, cooperativas agrícolas poderão acessar diretamente crédito da Finep para financiar máquinas, equipamentos e soluções de agricultura digital.
Avaliação de ministros
Durante o evento, a ministra do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Fernanda Machiavelli, afirmou que a iniciativa contribui para a mecanização e a tecnificação da agricultura familiar, com apoio da indústria nacional.
Já o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, destacou que o setor deve ser impulsionado pela entrada em vigor do acordo Mercosul–União Europeia, prevista para 1º de maio, com redução tarifária para produtos agropecuários.
Economia
Orçamento de 2027 limita reajuste real de servidores públicos
A estimativa de déficit primário em R$ 52 bilhões em 2026 fez o governo federal propor, em 2027, um gatilho para o crescimento das despesas com servidores públicos. Os pagamentos não poderão crescer 0,6% acima da inflação.

A medida consta do projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027, enviado nesta segunda-feira (31) ao Congresso Nacional.
Instituído pelo Artigo 6 do arcabouço fiscal, o mecanismo é acionado quando o governo registra déficit primário, resultado negativo nas contas do governo sem os juros da dívida pública. Como houve resultado negativo em 2025 e há previsão de novo déficit em 2026, a limitação deverá valer para 2027.
O gatilho só poderá deixar de ser aplicado quando as contas públicas voltarem a registrar superávit primário.
Limite aos salários
Pela regra, enquanto houver déficit primário até 2030, as despesas com pessoal não poderão crescer mais de 0,6% ao ano acima da inflação. O limite abrange gastos com servidores ativos, aposentados e pensionistas, mas não abrange o pagamento com sentenças judiciais, nas quais estão incluídas os precatórios.
Na prática, a regra impede que o governo conceda, em 2027, reajustes que representem ganho real para o funcionalismo federal, caso as contas permaneçam no vermelho.
Como funciona
O déficit primário ocorre quando as receitas do governo ficam abaixo das despesas, sem considerar o pagamento de juros da dívida pública. Já o superávit primário acontece quando as receitas superam as despesas, também sem levar em conta os juros.
O arcabouço fiscal, aprovado em 2023, estabelece que o crescimento das despesas deve corresponder a até 70% da alta das receitas, respeitado o limite de 2,5% ao ano acima da inflação.
No fim de 2024, o Congresso aprovou novas regras para reforçar o controle das contas públicas. Entre elas está a restrição a incentivos e benefícios tributários em caso de déficit primário, além do limite para o crescimento das despesas com pessoal.
Acordo com categorias
A restrição ocorre após o governo ter firmado, em 2024, acordos salariais com a maior parte dos servidores do Executivo federal. As negociações contemplaram reajustes para 2025 e 2026 e reestruturações de carreiras.
Na época, o governo informou que os acordos alcançavam 98,2% dos servidores federais. A ministra da Gestão e Inovação, Esther Dweck, afirmou que as negociações garantiriam a reposição da inflação durante o mandato, além de ganho real para as categorias.
Com a nova limitação fiscal, porém, o espaço para novos aumentos acima da inflação em 2027 fica reduzido enquanto o governo permanecer em situação de déficit primário.
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