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Frango sobe 6,6% em abril fica mais barato que carnes de boi e porco

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O preço do frango resfriado subiu 6,6% na primeira quinzena de abril, passando de cerca de R$ 6,73/kg em março para R$ 7,18/kg, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq). A alta foi puxada principalmente pelo aumento do frete, pressionado pelo diesel, e pela melhora no consumo no início do mês.

Na comparação com a carne bovina, o frango voltou a ganhar vantagem. Hoje, enquanto o frango gira em torno de R$ 7/kg, o boi no atacado (carcaça) opera na faixa de R$ 20 a R$ 22/kg, o que coloca a relação em cerca de 3 vezes mais caro para a carne bovina. É o maior diferencial dos últimos anos, o que favorece a troca no consumo: quando o boi sobe, o consumidor migra para o frango.

Já frente à carne suína, o cenário é inverso. A carcaça suína caiu e hoje gira próxima de R$ 12 a R$ 13/kg, reduzindo a diferença para o frango e tornando o suíno mais competitivo. Na prática, o frango ganha mercado do boi, mas perde espaço para o porco.

No campo, o impacto vai além do preço da carne. O aumento do frete pesa diretamente no custo da cadeia — do transporte de ração ao escoamento da produção — e limita ganhos maiores ao produtor.

O Brasil é um dos maiores players globais da proteína de frango. Em 2025, a produção ficou próxima de 15 milhões de toneladas, com exportações ao redor de 5 milhões de toneladas, segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal. Isso significa que cerca de 65% a 70% da produção fica no mercado interno, que segue como principal destino da carne de frango.

O consumo doméstico continua elevado. O brasileiro consome, em média, 45 a 47 quilos de carne de frango por ano, o maior entre as proteínas. Esse volume explica por que pequenas variações de preço têm impacto direto no mercado.

Para o produtor, o momento é de atenção. O preço reage, mas os custos — principalmente transporte e insumos — seguem pressionados. Para o consumidor, o frango continua sendo a proteína mais acessível frente ao boi, mas começa a disputar espaço com o suíno, que ficou mais barato nas últimas semanas.

Fonte: Pensar Agro



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Exportações do agro crescem 21% e superam R$ 20 bilhões em outubro

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O desempenho foi acompanhado pela expansão de produtos agroindustriais, como carne de frango e celulose. Outras cadeias, porém, seguiram na direção contrária: carne bovina e açúcar registraram queda de receita. O resultado mostra que o aumento das exportações brasileiras chega de maneira diferente às atividades do campo.

No conjunto da economia, as exportações somaram aproximadamente R$ 105,78 bilhões, enquanto as importações alcançaram R$ 75,82 bilhões. A diferença resultou em superávit de R$ 29,97 bilhões. Na base comparativa apresentada pelo MDIC, as vendas externas cresceram 33,5%, acima dos 21,5% das compras internacionais.

O levantamento ainda é parcial e não representa o fechamento de outubro. Também é necessário distinguir o valor comercializado da quantidade embarcada: a receita varia tanto pelos volumes negociados quanto pelos preços dos produtos.

Na agropecuária, além da soja, as exportações de animais vivos, exceto pescados e crustáceos, avançaram 242,8%. Em contrapartida, as vendas de produtos hortícolas frescos ou refrigerados caíram 24,5%, e as de especiarias recuaram 11,6%. O grupo de sementes de girassol, gergelim, canola, algodão e outras oleaginosas apresentou redução de 53,6%.

Os produtos processados pela agroindústria aparecem em outra classificação do levantamento: a indústria de transformação. Nesse grupo, as exportações de carnes de aves e miudezas cresceram 41,5%, enquanto a celulose avançou 48,2%. A carne bovina fresca, refrigerada ou congelada teve queda de 24,4%, e açúcares e melaços recuaram 28,4%.

Por isso, os R$ 20,56 bilhões classificados como agropecuária não representam todas as exportações do agronegócio. Carnes, açúcar e celulose também integram cadeias ligadas à produção rural, mas entram nas estatísticas industriais.

Do lado das importações, houve redução de 15% no valor das compras de adubos e fertilizantes químicos, exceto os classificados como brutos. O grupo que reúne inseticidas, fungicidas, herbicidas, reguladores de crescimento, desinfetantes e semelhantes apresentou recuo de 16,2%.

A diminuição do gasto externo com esses produtos, entretanto, não comprova que o preço entregue na fazenda tenha caído. O resultado também depende da quantidade importada e dos tipos de insumos adquiridos. Para o agricultor, a comparação precisa considerar a cotação do fornecedor, o frete, o prazo de entrega e as condições de pagamento.

As importações da agropecuária somaram cerca de R$ 1,51 bilhão, alta de 23,3%. Entre os produtos, o valor das compras de trigo e centeio não moídos aumentou 27%, enquanto o de soja avançou 36,5%.

Fora do agro, o petróleo contribuiu para o crescimento das exportações nacionais. A indústria extrativa registrou expansão de 70,7%, com vendas equivalentes a R$ 32,18 bilhões. Esse avanço ajuda a explicar por que o resultado geral do comércio exterior supera o crescimento observado na agropecuária.

De janeiro até a terceira semana de outubro, o Brasil acumulou exportações equivalentes a R$ 1,54 trilhão e importações de R$ 1,19 trilhão, consideradas pela mesma taxa de conversão. O saldo positivo chegou a aproximadamente R$ 343,64 bilhões.

Para o produtor, a expansão das vendas externas é um sinal favorável ao escoamento da produção, mas precisa ser acompanhada por produto. Receita de exportação maior não garante, sozinha, preço melhor na propriedade: custos, câmbio, fretes e condições locais de comercialização continuam determinantes para a margem da atividade.



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