Cidades
O ouro marcou a origem de Cuiabá, enquanto o agronegócio impulsiona seu futuro
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A partir deste 8 de abril, Cuiabá começa a escrever seus 307 anos de história. Nascida do brilho do ouro, sua trajetória não teve brilho fácil, mas a coragem daqueles que venceram a distância e a teimosia. Celebrar a data é mais que festa, é também fazer um retrospecto da consolidação de uma transformação que vence limites neste território chamado Brasil.
No início do século XVIII, quando as primeiras notícias de jazidas ecoaram pelos sertões do interior do Brasil, homens partiram em expedições longas, audaciosas e não menos perigosas, atravessando rios desconhecidos e matas densas. Foram muitas lutas e batalhas até que, em 1719, à beira do rio Coxipó, surgia um pequeno arraial que, aos poucos, deixaria de ser promessa para se tornar permanência. Em 1722, o sorocabano Miguel Sutil, dono de roças à beira do rio Cuiabá, teria enviado dois indígenas em busca de mel. Estes, ao retornarem, em vez de mel, levavam pepitas de ouro, encontradas no leito do córrego da Prainha, afluente do rio Cuiabá.
É certo que, naquele tempo, o ouro era mais que riqueza, era esperança, pois motivou famílias inteiras a suportarem o isolamento, o calor intenso e a incerteza constante. Foi assim que Cuiabá cresceu, entre lutas, suor e sonhos. Suas primeiras ruas não foram planejadas no papel, mas desenhadas pelos passos de quem acreditava que aqui poderia existir futuro. E existiu.
Com o passar dos anos, o ciclo do ouro foi se esgotando, e o que antes era abundância ficou na história e nos memoriais. Em tempos sombrios, Cuiabá ficou praticamente estagnada desde o fim das jazidas de ouro até o início do século XX. Mas não desapareceu com o ouro. Ao contrário, reinventou-se, sustentada não mais pelo que se extraía do solo, mas pelo que se construía sobre ele.
Vieram novos tempos, novas vocações. A terra, antes apenas cenário da mineração, revelou sua verdadeira força. O cerrado, que muitos julgavam improdutivo, mostrou-se generoso nas mãos de quem aprendeu a compreendê-lo e se dispôs a desenvolver seu potencial. Assim, lentamente, o agro passou de alternativa a protagonista.
Hoje, Cuiabá carrega em si uma dualidade que a diferencia de outras capitais: nasceu do ouro, mas floresce pelo campo. O passado ainda vive nas igrejas antigas, nas ruas históricas e no sotaque acolhedor. O presente pulsa nas lavouras extensas, na tecnologia que avança sobre o campo e na produção que alimenta o país e o mundo.
Há, em Cuiabá, um tipo raro de continuidade. Uma cidade que não esquece de onde veio, mas também não teme para onde vai. O ouro pode ter sido o começo, mas foi a resiliência de seu povo que garantiu sua projeção. Mais do que ciclos econômicos, Cuiabá é feita de permanência, adaptação e de uma identidade que resiste ao tempo.
Não se pode negar que, entre o brilho do passado e a força do presente, Cuiabá segue “quente”, viva e profundamente humana.
Fundação
Cuiabá está situada no Centro Geodésico da América do Sul, na margem esquerda do rio Cuiabá, que também a divide com o município vizinho de Várzea Grande. Faz limite com Chapada dos Guimarães, Campo Verde, Santo Antônio do Leverger, Jangada e Acorizal. Está a cerca de 100 quilômetros da região pantaneira e foi uma das 12 cidades-sede da Copa do Mundo FIFA de 2014.
Surgiu no início do século XVIII, durante as expedições dos bandeirantes, que buscavam capturar indígenas e encontrar riquezas. Em 1719, a descoberta de ouro na região do rio Coxipó transformou o local em um centro de mineração, dando origem aos primeiros arraiais, como o da Forquilha.
Com o crescimento da atividade mineradora, Cuiabá ganhou importância administrativa. Em 1727, foi elevada à categoria de vila com o nome de Vila Real do Senhor Bom Jesus de Cuiabá. Em 1818, tornou-se cidade e capital da Capitania de Mato Grosso.
No século XIX, após o declínio da mineração, a economia voltou-se para a agropecuária e o comércio. Nesse período, ocorreram conflitos políticos, como a Rusga (1834), e a região foi afetada pela Guerra do Paraguai (1865–1870) e por uma epidemia de varíola.
Com o tempo, a abertura do rio Paraguai impulsionou o comércio e trouxe melhorias urbanas, como transporte, iluminação e abastecimento de água. No século XX, Cuiabá passou por períodos de crescimento e crise, voltando a se desenvolver a partir da década de 1930 com projetos de urbanização.
A partir de 1960, a cidade cresceu rapidamente, tornando-se um polo regional ligado à ocupação da Amazônia e ao agronegócio. Hoje, Cuiabá é o principal centro político, econômico e de serviços de Mato Grosso, conhecida também como “Cidade Verde” por sua arborização.
Quanto à origem do nome Cuiabá, ela é incerta e alvo de diversas interpretações. Entre as principais hipóteses:
O padre José Manoel de Siqueira sugeriu que viria de “Cuuyyaavá”, significando “gente caída”.
Hercule Florence afirmou que derivaria dos indígenas “cuiabases”, embora não haja comprovação da existência desse povo.
Outra versão diz que o nome vem das árvores às margens do rio, cujos frutos eram usados para fazer cuias, interpretando-se como “rio criador de vasilhas”.
Há também explicações de origem indígena, como “rio da lontra brilhante”.
Alguns autores defendem significados como “vale dos índios das águas” ou “lugar onde se pesca com flecha e arpão”.
Apesar das várias teorias, a certeza é que o nome da cidade veio do rio Cuiabá.
Colaborou o historiador e coordenador do Museu da Imagem e do Som de Cuiabá (MISC), Francisco das Chagas Rocha.
Fonte: Prefeitura de Cuiabá – MT
Cidades
Em meio ao calor extremo, piscina da Emeb Maria Dimpina amplia acesso ao esporte, inclusão e bem-estar
Em meio às altas temperaturas registradas em Cuiabá, a piscina semiolímpica da Emeb Maria Dimpina Lobo Duarte se tornou uma importante opção para amenizar o calor e, ao mesmo tempo, ampliar o acesso ao esporte, à inclusão e ao desenvolvimento de crianças e adolescentes. O espaço é utilizado pelos alunos da unidade e também está aberto à comunidade escolar, além de atender ao Centro de Referência Paralímpico de Cuiabá, em parceria com o município por meio da Secretaria Municipal de Esportes, ampliando as oportunidades de iniciação esportiva e treinamento para pessoas com deficiência.
Para a diretora Fernanda Rosa Alves de Lima, a utilização da piscina representa um ganho significativo para a rotina escolar. “O espaço proporciona aos estudantes uma nova possibilidade de atividade física, importante diante das altas temperaturas registradas em Cuiabá. Também tem papel importante no atendimento às crianças neurodivergentes da nossa escola e ao público externo, que é do Centro Paralímpico”, explicou.
As atividades na piscina contribuem para o desenvolvimento físico, emocional e comportamental. Os reflexos são perceptíveis tanto na sala de aula como na vida familiar. “Serve para regular o atendimento, amplia a autonomia e o controle das emoções. O esporte é uma das melhores atividades para trabalhar vários sentimentos, como a perda, a vitória, a alegria e a frustração. A natação entra nesse contexto, acalma e proporciona bem-estar”, explicou Fernanda.
Duas vezes por semana, às terças e quintas-feiras, a piscina é utilizada pelos alunos da Emeb. Às segundas, quartas e sextas-feiras, o espaço recebe o público do Centro de Referência Paralímpico, com a natação conduzida pela professora de Educação Física Kelly Regina da Silva Almeida, do próprio Comitê, em uma ação possível por meio da parceria com o município. O trabalho é considerado um marco importante por ampliar o acesso de crianças com deficiência ao esporte.
“O Centro faz parceria com os municípios para levar o esporte para as crianças com deficiência dentro de cada município. Em Mato Grosso, atualmente temos três polos, entre eles o de Cuiabá. O projeto atende crianças com deficiência intelectual, física e visual. Em Cuiabá, são oferecidas seis modalidades esportivas: natação, atletismo, bocha, parabadminton, tiro com arco e tênis de mesa, sendo que a natação acontece aqui na Emeb Maria Dimpina e as demais, no Complexo Dom Aquino”, explicou Kelly.
Especificamente as crianças autistas que frequentam a escola desenvolvem a atividade chamada aquatividade. O trabalho acontece de forma lúdica, contribuindo para a adaptação à água, a interação e a estabilização emocional.
Para garantir um atendimento individualizado e seguro, a turma é composta por, no máximo, 12 crianças.
Claudinéia Domingas da Silva tem um filho de 7 anos, autista, que participa do projeto há cerca de dois meses. Ela conta que ficou na espera para conseguir uma vaga e considera a oportunidade uma grande bênção. “É um sonho, é muito caro pagar particular e não tenho condições. Sem dúvidas, é uma grande oportunidade. Ele já apresenta melhoras no comportamento. Precisaria de mais locais como este. É muito difícil para nós, mães com filhos neurodivergentes. A gente vive em função deles e tem muitas mães esperando uma vaga”, frisou.
Rosenda Silva Batista da Costa tem um filho de 26 anos que é atendido pelo projeto e enfrenta muitos desafios. Apesar da idade, ela diz que ele tem a mentalidade de uma criança de 4 anos. “Ele ama a piscina, o que ajuda muito no desenvolvimento físico e psicológico, além de acalmá-lo”, pontuou.
Beatriz Melo Oliveira tem uma filha de 13 anos, que é totalmente dependente e possui deficiência intelectual, esquizofrenia e transtorno do desenvolvimento global. A natação melhorou a coordenação motora e o humor, além de diminuir a obesidade. “O projeto ajuda muito. Sem a piscina aqui seria muito difícil. Já precisei me deslocar de ônibus com ela para fazer outras atividades em Várzea Grande. Moro no Jardim União, em Cuiabá, e aqui facilita bastante”, destacou.
As atividades de natação para o público do Centro Paralímpico são distribuídas em diferentes horários, com turmas às 8h, 9h e 10h e às 14h, 15h e 16h. A participação varia de acordo com as condições climáticas, questões de saúde e outros fatores, mas o atendimento pode alcançar entre 30 e 40 crianças por período.
A piscina da Emeb Maria Dimpina também já foi aberta à comunidade aos domingos, período em que recebeu principalmente adolescentes e jovens interessados em atividades esportivas e de lazer. A iniciativa fazia parte de uma proposta de ampliar o acesso ao esporte para pessoas que não tinham outras opções de espaços públicos para a prática de atividades físicas, utilizando também a quadra esportiva do local.
Atualmente, a abertura aos domingos está suspensa devido à necessidade de manutenção e tratamento da água e à organização das atividades realizadas durante a semana.
Além das atividades de iniciação esportiva, o projeto do Centro Paralímpico em parceria com a Secretaria Municipal de Esportes também revela potencial para o esporte de rendimento e competição, com participantes que avançam para uma etapa mais especializada de treinamento.
“A piscina vai além de uma estrutura escolar e continua atendendo estudantes, crianças neurodivergentes e pessoas com deficiência, contribuindo para o desenvolvimento emocional e a interação social. O espaço demonstra como a integração entre escola, esporte e comunidade pode gerar oportunidades e inclusão”, frisou o secretário municipal de Educação, Reginaldo Teixeira.
Fonte: Prefeitura de Cuiabá – MT
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