Agricultura
Safra cresce em área, mas recua em volume e expõe limite da produtividade
Agricultura
O Brasil deve colher 344,1 milhões de toneladas de cereais, leguminosas e oleaginosas em 2026, segundo o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). É um volume 0,6% menor que o de 2025, apesar do avanço da área colhida para 82,9 milhões de hectares, alta de 1,6% na mesma comparação. Em outras palavras: o país planta mais, mas a produção total recua, sinal de que o centro da disputa no campo está cada vez menos na expansão de área e cada vez mais no rendimento por hectare.
O dado mais importante do levantamento não é apenas a perda de 2 milhões de toneladas em relação ao ano passado, mas o contraste entre culturas e regiões. A soja deve bater novo recorde, com 173,3 milhões de toneladas, alta de 4,3% sobre 2025, sustentada por clima mais favorável em boa parte das áreas produtoras e pela recuperação do Rio Grande do Sul. Já o milho, que é peça central para ração, proteína animal e mercado interno, deve cair 5,3%, para 134,3 milhões de toneladas. O principal problema está na segunda safra, estimada em 105,4 milhões de toneladas, com retração de 9,1% frente ao ciclo anterior.
Esse desequilíbrio ajuda a explicar por que a safra total recua mesmo com a soja em máxima histórica. O grão avança, mas outras culturas perdem força. O arroz deve cair 8%, para 11,6 milhões de toneladas. O algodão herbáceo, o sorgo e o feijão também aparecem com retrações anuais no levantamento. Para o produtor, a leitura é direta: a expansão de uma cultura não compensa automaticamente perdas em outras, sobretudo quando o milho segunda safra perde produtividade.
No mapa da produção, o Centro-Oeste segue dominante, com 167,9 milhões de toneladas, o equivalente a 48,8% da safra nacional. Ainda assim, a região deve recuar 6% em relação a 2025. O Sul, por sua vez, projeta 95,2 milhões de toneladas, ou 27,7% do total, com crescimento de 10,3%, puxado em parte pela recuperação gaúcha. O Nordeste também avança, enquanto Norte e Sudeste mostram queda. O retrato regional reforça que a safra brasileira continua altamente concentrada e dependente do desempenho de poucos polos produtivos.
Entre os Estados, Mato Grosso mantém a liderança nacional. Na soja, o Estado projeta 48,5 milhões de toneladas, mesmo com recuo de 3,3% sobre 2025. O Paraná aparece com 22,3 milhões de toneladas e deve registrar o segundo maior volume do país, com alta de 4,3%. Mato Grosso do Sul deve crescer 14%, para 15 milhões de toneladas, enquanto Goiás é estimado em 19,5 milhões de toneladas. Esses números mostram que a safra brasileira não está em queda generalizada, mas em recomposição desigual, com ganhos em algumas áreas e perda de fôlego em outras.
No milho segunda safra, porém, o sinal continua de cautela. Mato Grosso, responsável por 47,4% da produção nacional dessa etapa, deve colher 50 milhões de toneladas, queda de 8,5%, com retração de quase 10% no rendimento médio. O Paraná, segundo maior produtor da safrinha, é estimado em 17,5 milhões de toneladas, com queda anual de 0,8%, apesar do aumento de área. O recado para o produtor é claro: em 2026, o ganho de área não garantiu ganho de volume, e o rendimento voltou a ser o fator decisivo da conta.
Outro destaque do LSPA está fora dos grãos. O café deve atingir 64,1 milhões de sacas, recorde da série do IBGE iniciada em 2002, com alta de 11,5% sobre 2025. Minas Gerais concentra o avanço do arábica, com 31,9 milhões de sacas e 72,6% da produção nacional da variedade. O dado reforça que 2026 tende a ser um ano de desempenho misto no agro: pressão em culturas estratégicas de grãos, mas recuperação forte em segmentos específicos.
No fim da conta, o LSPA mostra um agro menos dependente da abertura de novas áreas e mais exposto ao comportamento do clima, à eficiência tecnológica e à gestão dentro da porteira. Quando a área cresce e a produção total recua, o sinal é inequívoco: o desafio do campo brasileiro não é só produzir mais, mas produzir melhor, com estabilidade de rendimento em um ambiente cada vez mais volátil.
Fonte: Pensar Agro
Agricultura
Maior produtor de carne bovina do Brasil, MT apresenta potencial produtivo em encontro em Hong Kong
Maior produtor de carne bovina do Brasil, Mato Grosso apresentou seu potencial produtivo e as oportunidades comerciais da proteína animal durante um encontro internacional realizado na última segunda-feira (2), em Hong Kong, na Ásia. O evento reuniu representantes brasileiros e asiáticos para discutir o mercado de carne halal e as possibilidades de negócios no setor de alimentos.
Promovido pelo Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), em parceria com o Conselho de Desenvolvimento do Comércio de Hong Kong (HKTDC), o encontro teve a participação do Invest Mato Grosso, do Sistema Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-China de Sorriso e de outras instituições ligadas ao setor produtivo.
Entre os participantes de Hong Kong estavam representantes do Islamic Community Fund of Hong Kong, organização ligada à comunidade islâmica local, e da empresa Tai Po Chun Hing.
A realização do evento ocorre em um momento de crescimento das exportações de carne bovina de Mato Grosso. Entre janeiro e agosto de 2026, o estado exportou 564,1 mil toneladas da proteína, o equivalente a 25,6% de todo o volume comercializado pelo Brasil no mercado internacional. As vendas movimentaram US$ 3,2 bilhões, segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec).
O encontro teve como tema central o papel de Hong Kong como porta de entrada para o mercado asiático de alimentos halal, segmento que segue critérios específicos de produção e processamento estabelecidos pela tradição islâmica. A certificação halal é uma exigência para a comercialização de carne em diversos mercados consumidores muçulmanos e representa uma oportunidade de diversificação dos destinos da proteína bovina brasileira.
Para o diretor de Projetos do Imac, Bruno de Jesus Andrade, a realização de eventos internacionais é importante para apresentar a capacidade produtiva de Mato Grosso e fortalecer o relacionamento com mercados estratégicos.
“Mato Grosso tem uma posição de destaque na produção de carne bovina e reúne condições para atender diferentes mercados internacionais, tanto em volume quanto em qualidade. Estar em Hong Kong é uma oportunidade de apresentar o trabalho desenvolvido pelos nossos pecuaristas, mostrar os investimentos em tecnologia e fortalecer o diálogo com representantes de um mercado que tem grande importância para as exportações brasileiras”, destacou o diretor de Projetos do Imac.
(Fonte: Assessoria Imac)
-
Política3 dias atrásEquipe da ALMT visita veículos de comunicação para incentivar inscrições ao Troféu Parlamento
-
Cidades2 dias atrásMuseu do Morro da Caixa D’Água Velha recebe exposição fotográfica coletiva “À Beira”
-
Cidades3 dias atrásPrefeitura instala aduelas para reconstruir travessia na comunidade Terra Nova
-
Esporte3 dias atrásConmebol define horário e preços da final da Libertadores entre Palmeiras e Estudiantes
-
Cidades3 dias atrásReformas avançam em unidades de saúde e melhoram estrutura da rede municipal de Várzea Grande
-
Esporte3 dias atrásGrêmio vence o Athletico-PR, deixa o Z4 e joga o Internacional para a zona de rebaixamento
-
Esporte3 dias atrásPalmeiras vence o Vasco e abre vantagem na semifinal da Copa do Brasil
-
Agricultura3 dias atrásSenado prepara novas regras para atividades que não podem parar


