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Garantia-Safra paga R$ 823 milhões, mas acesso e regras ainda limitam alcance no campo

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O Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) iniciou nesta semana o pagamento do Garantia-Safra 2024/2025, com liberação de R$ 823 milhões para cerca de 685 mil agricultores familiares. O programa atende principalmente produtores do semiárido e de regiões com histórico de seca ou excesso de chuva, como áreas do Nordeste, norte de Minas Gerais e parte do Espírito Santo.

Na prática, o Garantia-Safra funciona como um seguro básico: o agricultor recebe o benefício quando o município comprova perda de pelo menos 40% da produção. Essa verificação é feita com base em laudos do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), que analisa dados de chuva, solo e disponibilidade de água.

O programa é voltado a produtores com área entre 0,6 e 5 hectares, renda familiar de até 1,5 salário mínimo e cultivo de culturas como milho, feijão, mandioca, arroz e algodão. O pagamento é feito em parcela única pela Caixa Econômica Federal (Caixa).

Como o produtor acessa o programa

Para participar, o agricultor precisa estar inscrito previamente no Garantia-Safra por meio da prefeitura ou do sindicato rural da sua região. A adesão ocorre antes do plantio, com pagamento de uma pequena contribuição do produtor, além de aportes do município, do Estado e da União.

Se houver perda de safra:

  • o município comunica a quebra de produção;
  • técnicos validam os dados;
  • o governo autoriza o pagamento.

Quem teve o benefício bloqueado nesta rodada precisa acessar o sistema do programa e apresentar defesa. O prazo é de até 60 dias a partir de 18 de março. Sem isso, o recurso não é liberado.

Onde o programa pesa mais

O Garantia-Safra tem maior impacto em regiões mais vulneráveis ao clima, especialmente no Nordeste, onde a irregularidade de chuvas é recorrente. Nessas áreas, o benefício ajuda a manter o produtor na atividade e garante uma renda mínima após perdas.

Por outro lado, o modelo tem limitações. Como a regra considera a perda do município como um todo, produtores que tiveram prejuízo individual podem ficar fora se a quebra geral não atingir os 40%. Além disso, o valor pago cobre apenas parte dos custos, funcionando mais como apoio emergencial do que como recomposição da renda.

Para o agricultor familiar, o programa segue sendo uma das poucas ferramentas diretas de proteção contra perdas climáticas. Ainda assim, técnicos apontam que ele precisa avançar, principalmente na integração com crédito rural e seguro agrícola, para dar mais segurança ao produtor diante de eventos cada vez mais frequentes no campo.

Fonte: Pensar Agro



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Algodão reúne o setor para discutir preços, produtividade e novos mercados

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O algodão brasileiro chega ao seu principal congresso diante de um desafio que vai além de produzir mais: transformar grandes safras em renda para o produtor. O 15º Congresso Brasileiro do Algodão será realizado de 22 a 24 de setembro, no Expominas, em Belo Horizonte, reunindo produtores, pesquisadores, empresas e compradores para discutir os rumos de uma cadeia que ganhou espaço no mercado internacional, mas ainda enfrenta pressão sobre preços, custos e margens.

A produção brasileira de pluma deve ficar próxima de 4,1 milhões de toneladas na safra 2025/2026, segundo estimativas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O volume permanece perto do recorde registrado na temporada anterior e confirma o Brasil entre os maiores produtores e exportadores mundiais.

A expansão, entretanto, aumenta a necessidade de encontrar compradores. No ano comercial encerrado em julho de 2026, o país exportou o recorde de 3,37 milhões de toneladas de algodão. A China liderou as compras, seguida por mercados como Turquia, Paquistão, Vietnã e Índia.

Para o produtor, vender mais não significa necessariamente ganhar mais. A oferta elevada no Brasil e em outros países, somada ao crescimento mais lento do consumo mundial de fibras, limita a recuperação das cotações. Ao mesmo tempo, fertilizantes, defensivos, máquinas, combustível, financiamento e armazenagem continuam pesando no custo de produção.

Esse cenário ajuda a explicar por que mercado e estratégia comercial estarão entre os assuntos centrais do congresso. Com uma parcela crescente da produção destinada ao exterior, decisões tomadas por indústrias têxteis e compradores asiáticos têm influência direta sobre os preços recebidos nas fazendas brasileiras.

Qualidade e rastreabilidade também ganharam importância econômica. O comprador internacional quer conhecer a origem da pluma, as condições de produção, o uso de insumos e os resultados ambientais e sociais da propriedade. O cumprimento dessas exigências deixou de representar apenas uma vantagem de imagem e passou a determinar o acesso a determinados clientes.

Na prática, o produtor precisa combinar produtividade, padronização e controle de custos. Uma pluma contaminada, fora do padrão de comprimento ou com resistência inadequada pode sofrer descontos. Já os lotes classificados, rastreados e entregues dentro das especificações encontram maior facilidade de comercialização e podem disputar mercados mais exigentes.

No campo, a programação deverá abordar manejo de pragas e doenças, fertilidade do solo, produtividade, mecanização, biológicos, agricultura digital e adaptação às mudanças do clima. O objetivo é aproximar o conhecimento produzido pela pesquisa das decisões tomadas diariamente nas propriedades.

Um dos desafios permanentes da cultura é o bicudo-do-algodoeiro. A praga exige monitoramento, aplicações coordenadas e cumprimento rigoroso do vazio sanitário. Falhas de manejo em uma propriedade podem elevar a população do inseto e aumentar os custos de toda a região produtora.

O congresso também abre espaço para tecnologias capazes de reduzir desperdícios. Sistemas de aplicação localizada, imagens de satélite, sensores, máquinas conectadas e ferramentas de análise de dados permitem identificar diferenças dentro da lavoura e direcionar os insumos apenas para as áreas necessárias. O retorno, porém, depende da escala, do treinamento das equipes e da capacidade de transformar dados em decisões práticas.

Realizado pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), o encontro terá plenárias técnicas e estratégicas, espaços especializados, workshops, minicursos, apresentação de trabalhos científicos e exposição de produtos e serviços. A programação foi organizada para atender desde questões agronômicas até os cenários de mercado e as estratégias de posicionamento da fibra brasileira.

A escolha de Belo Horizonte também aproxima o evento de uma cadeia que vai além das grandes regiões produtoras do Centro-Oeste e do Matopiba. Minas Gerais reúne produção agrícola, beneficiamento, indústria têxtil, confecções e centros de pesquisa, permitindo discutir o algodão desde a lavoura até o consumidor.

Com o tema “Algodão brasileiro: fibra natural. Uma jornada com propósito, qualidade e transparência”, a 15ª edição ocorre em um momento decisivo. O Brasil já demonstrou capacidade para ampliar a produção e ocupar mercados. O próximo passo é garantir que essa liderança seja acompanhada por rentabilidade, previsibilidade e reconhecimento da qualidade da pluma brasileira.

SERVIÇO

Evento: 15º Congresso Brasileiro do Algodão
Data: 22 a 24 de setembro de 2026
Local: Expominas — Avenida Amazonas, 6.200, Gameleira, Belo Horizonte (MG)
Realização: Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa)
Inscrições: pelo site oficial do Congresso Brasileiro do Algodão

Fonte: Pensar Agro



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