Mato Grosso
Obras de asfalto e esgoto avançam no Grande Parque do Lago e no Ikaray
Mato Grosso
Ritmo das obras se intensifica com o início do período de estiagem
Da redação
Contrariando os críticos de sua gestão que apontam para a existência de obras de pavimentação apenas nos locais onde já existe pavimento, a prefeita Lucimar Sacre de Campos esteve visitando as obras do PAC – Programa de Aceleração do Crescimento de pavimentação e esgotamento sanitário em diversos bairros da cidade.
“Estamos acompanhando todas as obras que se encontram sendo executadas em toda Várzea Grande e que representam uma melhor qualidade de vida para a população de uma maneira em geral”, disse a prefeita convicta de que é possível avançar ainda mais em se concretizando uma série de recursos já pleiteados e aprovados como empréstimos, emendas parlamentares e convênios.

A prefeitura retomou as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), após o fim do período de chuvas. Desde o final de abril, duas fases do programa estão em execução, sendo realizadas de maneira simultânea em bairros do Grande Parque do Lago e suas adjacências, além do Jardim Ikaray.
As duas frentes juntas estão injetando mais de R$ 18 milhões em investimentos na melhoria da qualidade de vida e da valorização imobiliária dessas regiões, além de gerar milhares de empregos e proporcionar uma maior circulação de dinheiro no mercado local.
Nesse momento, a obra mais adiantada é a do Parque São João, no Grande Parque do Lago. Conforme última medição, cerca de 85% do projeto foi finalizado. “Todo o bairro está pavimentado, restando uma interligação na rede de esgoto e finalizações em alguns pontos que receberam o asfalto mais recentemente”, explica o assessor especial da prefeitura de Várzea Grande, e que gerencia as obras do PAC, Manoel Tereza dos Santos.
A prefeita Lucimar Sacre de Campos assinalou que essas obras estão sendo executadas com maior cuidado e planejamento, pois além de galerias pluviais elas também tem rede coletora de esgoto dentro do seu escopo, o mesmo dizendo da rede de água.
“Todo nosso esforço é no sentido de assegurar obras com maior durabilidade, ou seja, elas estão sendo concebidas para que não se precise furar para fazer ligações de água ou esgoto”, disse Lucimar Sacre de Campos.

Além das obras que ainda seguem no Grande Parque do Lago, a prefeitura também dá continuidade aos investimentos do PAC em outro lado da cidade, no Jardim Ikaray, bairro que faz parte da segunda fase do Programa.
O assessor frisa que com o fim do período de chuvas, os trabalhos, principalmente no Ikaray, serão intensificados. “Mesmo durante o período das chuvas nenhuma frente foi interrompida, no entanto, o ritmo passa a ser mais lento, pois fica cadenciado conforme o clima do dia”.
No Ikaray, como avalia, as obras estão bem adiantadas com a primeira parte do esgotamento sanitário sendo realizada, com drenagem e limpeza/desobstrução de ruas. A próxima etapa prevê a construção de duas estações elevatórias de esgoto. “O asfaltamento é a última etapa dos projetos”.
O PAC em Várzea Grande, prevê obras de drenagem, saneamento básico, pavimentação e sinalização e foram iniciadas em novembro de 2015, na primeira fase, quando lançadas no Grande Parque do Lago, e em outubro do ano passado, abrindo a segunda fase do Programa no Município.
O bairro Altos do Boa Vista, no Grande Parque do Lago, que foi o primeiro a estar 100% pronto, já pôde vivenciar uma temporada de seca no ano passado, livre da poeira em boa parte do bairro e agora enfrentou as chuvas sem lamas. “O bairro está revitalizado, não apenas pelas obras em si, mas pelo retorno imediato da população que respondeu com investimentos em calçadas, arborização, algumas delas em parceria com a própria prefeitura, reformas de fachadas, pinturas de casas, construção de muros, em fim, o asfalto trouxe autoestima e valorização à região”, avalia.

Manoel Tereza pontua que mesmo com obras em execução, as frentes de trabalho que já foram concluídas melhoraram o dia-a-dia de inúmeros moradores que já sentiram no último período de chuvas, significativo avanço. “Vários pontos críticos foram sanados, facilitando o escoamento das águas ou a compactação do solo, reduzindo a poeira”.
O PAC – A primeira fase do PAC foi lançada na região do Grande Parque do Lago beneficiando os bairros Parque São João, Jardim das Oliveiras, Altos do Boa Vista e Dom Diego com obras orçadas, orçadas em R$ 10,5 milhões e totalizando 16 quilômetros de asfalto entre ruas e avenidas dos bairros contemplados pelo projeto.
Mato Grosso
Encontro de almas: diligência abriu as portas da paternidade para agente da Infância e Juventude

Das histórias de tantas crianças e adolescentes que ajudou a reescrever, enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete da Silva, atualmente lotado na Comarca de Várzea Grande, encontrou em uma de suas diligências, em 1990, a primeira página de sua própria jornada enquanto pai.
Uma bebê foi abandonada pela mãe na casa da parteira, uma senhora muito pobre e sem condições de cuidar da criança, em Barra do Bugres. Nomeado guardião legal da criança, Aparecido levou a bebê com apenas quatro dias de nascida para casa. Ele e a então esposa cuidaram da recém-nascida até que ela restabelecesse a saúde, ao longo de três meses. O cuidado foi tamanho que o servidor, que também trabalhava como professor no período noturno, deixou este emprego para se dedicar ao cuidado com a menina.
Aparecido revela que não tinha interesse em adotar, mas, após três meses de acolhimento daquela bebezinha, decidiu que queria ficar com ela para sempre e pediu para entrar na fila da adoção. O processo levou tempo, pois investigações foram feitas e a mãe biológica foi identificada. Ela teve que registrar a criança, mas acabou perdendo o pátrio poder e, então a menina pôde participar do processo de adoção. “Ela veio como um presente de Deus”, afirma Aparecido.
Já estava escrito
“Eu acho que tudo já estava escrito pra ser dessa forma. Ele já era meu pai, só foi me buscar”, afirma Érica Taiane Buzato da Silva, 36 anos, filha mais velha de Aparecido, que sente o mesmo. “Pra mim, já existia uma paternidade de verdade, o vínculo, o cuidado e o amor vieram antes da ‘chegada’. Quando ela diz isso, eu sinto que a nossa história confirmou o que a gente viveu todos os dias”, diz o servidor.
Érica conta que seus “pais do coração” sempre foram transparentes em relação à sua origem e que, mesmo passando anos questionando o porquê do abandono, o amor que recebeu da família a levou a superar todas as dores.
“Eu sempre soube que eu era adotada. Fui a primeira filha deles. Depois, eu tive mais dois irmãos e a gente cresceu muito feliz. O meu pai é uma pessoa maravilhosa na minha vida! Não sei nem como agradecer porque, se não fosse ele, eu não sei o que poderia ter acontecido comigo. Sou muito grata ao meu pai e à minha mãe porque cuidaram de mim com todo amor, sem nenhuma diferença de mim e os meus irmãos”, diz.
A gratidão relatada por Érica é sentida também por parte do pai dela. “Me sinto profundamente grato e em paz. Olhando pra trás, vejo que o acolhimento que demos à Érica foi mais do que cuidados: foi amor que sustentou a ela e a mim”, afirma. Em relação à paternidade, que começou com a chegada de Érica em sua vida, Aparecido conta que sempre viu como algo muito simples a educação dada a ela e aos demais filhos, Evili e Lucas. “Nunca vi a Érica diferente, mas sim como filha, igual aos outros”, conta.
Legado construído com exemplo
Aparecido destaca que sempre priorizou transmitir aos filhos valores como honestidade, caráter e determinação para batalhar pelos objetivos. “Eu sempre busquei passar esses valores no comportamento e nas escolhas do dia a dia, sendo honesto, firme e batalhador, para que eles aprendessem com a nossa convivência, não só com palavras”, pontua.
Para Érica, ficaram desses ensinamentos a admiração e o desejo de seguir os mesmos passos do pai. “Meu pai é uma pessoa de muito caráter, muito esforçado, inteligente, batalhador. Eu sei que a vida dele também foi muito difícil. Eu não sou igual a ele, mas tento ser e me espelho nele porque é uma pessoa maravilhosa. Ele me ensinou a ser uma pessoa honesta e a lutar pelos meus objetivos, pela minha felicidade. Eu conto tudo pra ele, então, a gente tem realmente uma ligação muito forte”, afirma Érica.
Ela destaca que se considera parecida até fisicamente com Aparecido. “É estranho, mas eu acho que a convivência faz a gente ficar parecido. Dizem que pai é quem cria, mas, pra mim, é mais do que isso: meu pai é meu porto seguro, minha referência”.
Por sua vez, Aparecido diz ser muito gratificante e emocionante ver os frutos do seu amor de pai. “Saber que a minha presença ajudou a formar o caráter dela e que hoje existe essa conexão me dá orgulho, e também me faz querer continuar fazendo o certo todos os dias”.
Apoio incondicional
Encontrar nos pais um porto seguro fez com que Érica tivesse coragem para encarar de frente seu passado e, depois de adulta, buscar suas origens. “Eu não perguntava por que achava que era algo que machucava eles, de certa forma. Mas, quando eu perguntei, ele foi atrás, conseguiu o contato de outro pai que também tinha adotado a minha outra irmã. Meu pai me ajudou e eu conheci ela e outro irmão, filho dessa minha mãe biológica. E foi muito legal conhecê-los porque faz parte da minha história, de certa forma, porque têm o meu sangue”, relata Érica. Ao reencontrar os irmãos biológicos, sua genitora havia falecido um ano antes.
Da parte de Aparecido, ele conta que ajudar Érica nesse processo de resgatar o contato com a família biológica foi um misto de carinho e responsabilidade. “Eu entendia o desejo dela de conhecer as origens e apoiei esse caminho. Ao mesmo tempo, eu precisava respeitar o tempo dela e garantir que essa busca não virasse dor ou culpa. Ver que ela conseguiu se aproximar com segurança me deixa muito satisfeito”, avalia.

Há oito anos morando na Europa, Érica afirma ser difícil estar longe da família, especialmente em datas comemorativas, como o Dia dos Pais, mas que a única palavra que vem à sua mente nessas horas é gratidão. “Quero que ele saiba que é o melhor pai do mundo, que eu sou muito grata a ele por cada gesto, por cada abraço. Minha maior certeza na vida é que eu amo muito ele. Mesmo distantes fisicamente, graças a Deus somos muito próximos, pois, de certa forma ele me deu a vida”, assevera Érica.
Pai e apoiador, Aparecido confirma que a distância aperta o coração, mas que, ao mesmo tempo, sente orgulho ao ver que Érica está correndo atrás dos próprios objetivos com coragem. “A gente procura estar presente do jeito que dá, com diálogo, apoio e carinho. E isso ajuda a transformar a saudade em motivação”.
Adoção
Enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido ressalta que a Justiça tem um papel fundamental em garantir que toda criança tenha o direito de crescer em um ambiente seguro, com afeto, dignidade e oportunidades. “A adoção não é apenas um ato jurídico; é a construção de uma família baseada no amor e na responsabilidade”, avalia.
Ele lembra que, desde quando adotou Érica até os dias atuais, a legislação evoluiu muito. “Hoje, o processo de adoção é mais estruturado, transparente e voltado, acima de tudo, ao melhor interesse da criança e do adolescente. Há uma preparação maior das famílias, acompanhamento técnico e mecanismos que buscam reduzir o tempo de permanência de crianças em acolhimento institucional, sempre preservando seus direitos”, explica.
Aparecido aproveita este Dia dos Pais para deixar uma mensagem a todos os pais: “Aos pais biológicos, que valorizem o privilégio de acompanhar o crescimento dos seus filhos com amor, presença e responsabilidade. E aos pais de coração, que nunca duvidem da força do amor que escolheram oferecer. A verdadeira paternidade não é definida pelo sangue, mas pela presença, pelo cuidado, pelo exemplo e pelo compromisso de estar ao lado do filho em todos os momentos da vida. É esse amor que transforma histórias, fortalece famílias e constrói seres humanos melhores”, declara.
Érica, por sua vez, afirma: “Adoção não é sobre preencher um vazio, mas sobre transbordar o amor, porque é isso que eu sinto”.
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