DEFENSOR DA CAUSA ANIMAL
“Animais também são filhos de Deus”, afirma vereador Wender Madureira
Único representante eleito da causa animal no Legislativo de Várzea Grande, Wender Madureira afirma ser preciso maior conscientização humana em relação aos bichos
Política
Único parlamentar da causa animal eleito para compor a Câmara de Várzea Grande, o jovem Wender Madureira (Republicanos) externa desgosto ao falar sobre a indiferença humana ao drama diário dos bichos, vítimas de maldades horripilantes. Ele cita isso por experiência própria, pois tem salvado incontáveis animais em lugares ermos de VG e em outros municípios, seja doentes ou saudáveis.
Conforme o vereador, felizmente existe uma corrente do bem que tenta dissipar essa crueldade incompreensível e tão latente em vários setores da sociedade. Há casos, cita, em que determinados “humanos” preferem simplesmente matar os animais do que cuidar deles na fase de velhice ou quando doentes.
“Basta conversar com qualquer veterinário veterano e certamente terão ciência de casos semelhantes. Doutor Licínio, da antiga Clínica São Bernardo, contou ter ficado estarrecido quando um cliente recomendou eutanásia para um cão idoso”.
O mesmo “tutor” [ou seria carrasco] explicou ao veterinário que não teria como levar um animal idoso para seu novo lar, um apartamento. Mais fácil, então, que ele “descansasse” de vez.
Ao ouvir aquilo, o médico-veterinário fingiu que acataria tal instrução, e simplesmente adotou o cão destinado à morte. Ele viveu em sua companhia ainda por vários anos.
Situações do tipo, aponta o vereador Wender Madureira, são mais comuns do que se imagina, e ele nem tem ideia do momento em que nova concepção caridosa irá ser emoldurada para suplantar atitudes tão aberrantes.
“Friamente, acreditam que um animal deve ser descartado a partir do instante em que perdem sua serventia, tornando-se idosos e doentes. Aí, pergunto: agem corretamente aos olhos de Deus?”
Em suas perambulações pela causa animal, o vereador Wender Madureira já se deparou com situações de maus-tratos de animais de todos os tipos.

“Afora os que são jogados doentes para morrer em estradas desertas, há casos de animais amordaçados em sacos plásticos e lançados dentro de rios, ou em matas fechadas. Nas lixeiras, miados e latidos abafados denunciam que mais covardes agiram ali contra pequenos inocentes. Não fosse a atenção dos garis, centenas deles seriam triturados com os dejetos. São casos em que os criminosos devem responder judicialmente pelos atos insanos. As leis atuais são muito rígidas também nesse aspecto”.
Diante de tantas crueldades, o vereador tem buscado forças junto a Deus para que Ele consiga irradiar luz caridosa aos corações negros de quem maltrata animais.
“Só mesmo Deus para mudar essa cultura de cunho nazista que muitos insistem em praticar contra os animais. Por enquanto, somos minoria, mas a tendência é de aumentar o contingente de protetores, que serão orientadores aos que hoje maltratam animais. Vamos continuar lutando”.

MÉTODOS NAZISTAS
Wender citou que, em passado não muito distante, os Centros de Zoonose de Várzea Grande e Cuiabá tinham por objetivo chacinar os cães e gatos, animais apreendidos diariamente pela “carrocinha”. Realidade que mudou bastante, nos últimos tempos, comemora. O de Cuiabá tem até sede da Diretoria de Bem-Estar Animal, comandado pela veterinária Andréia Janaína. Dezenas de cães e gatos se encontram hoje protegidos nas dependências que já significaram o fim da vida…
“Esses Centros de Zoonoses agora dispõem de abrigos para que os animais aguardem o processo de adoção. Se chegam lá feridos, são tratados. Num passado negro, bem triste, eram colocados dentro de um quartinho fechado após três dias, prazo estipulado pelos CCZ para que os tutores os resgatassem. Na sequência, morriam asfixiados por monóxido de carbono proveniente da descarga do veículo – a “carrocinha”. Uma morte pra lá de horripilante”.
Em VG, recordou, na década de 90 a SEMA – Secretaria Estadual de Meio Ambiente flagrou cães sendo jogados vivos dentro de uma imensa fogueira no lixão. Os que saíam correndo dali, eram perseguidos e mortos a pauladas pelos funcionários do Centro de Zoonoses. Caso estampado nas folhas do jornal “A Gazeta”.
Um dos fiscais do órgão nessa época, Índio do Brasil, disse ter traumas disso até hoje. “Se fecho os olhos, escuto os ganidos de dor dos pobrezinhos sendo queimados vivos. Aquilo tudo lá foi monstruoso”.
POR JOÃO CARLOS DE QUEIROZ, jornalista Mtb 381.18-MT
Política
Flávia Moretti veta passe livre para autistas e pessoas com fibromialgia em Várzea Grande
A prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL), vetou integralmente o projeto de lei que ampliava o acesso ao transporte coletivo gratuito para pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e fibromialgia. A proposta, aprovada pela Câmara Municipal, também previa a concessão do benefício a acompanhantes quando houvesse necessidade comprovada.
O veto foi publicado na terça-feira (20) no Jornal Oficial Eletrônico dos Municípios de Mato Grosso. A decisão atinge o Projeto de Lei nº 211/2026, de autoria do vereador Miguel Angel Claros Paz Junior, que alterava a Lei Municipal nº 4.478/2019, responsável por regulamentar a gratuidade no transporte para pessoas de baixa renda com transtornos mentais em tratamento nos Centros de Atenção Psicossocial (Caps).
Com a mudança proposta pelos vereadores, pessoas com autismo e fibromialgia poderiam solicitar o benefício mediante apresentação de documentação médica e parecer social, conforme os critérios previstos na legislação.
A justificativa do Executivo para barrar a medida é a ausência de definição sobre a origem dos recursos necessários para financiar a ampliação do passe livre, além de questionamentos sobre os cálculos apresentados para estimar os custos da proposta.
Durante a tramitação do projeto, foi apresentada uma estimativa de impacto financeiro de R$ 83,6 mil mensais, o equivalente a R$ 1.003.200 por ano. O cálculo considerou 380 cartões de transporte, uma média de 44 viagens mensais por beneficiário e tarifa de referência de R$ 5.
Embora a Procuradoria Legislativa tenha reconhecido que a operação matemática estava correta, o parecer técnico apontou falta de informações que comprovassem os números utilizados. Entre as dúvidas estão a quantidade real de beneficiários, a frequência de uso dos ônibus e o número de acompanhantes que poderiam receber a gratuidade.
A análise também destacou a ausência de estudos sobre os efeitos da ampliação do benefício nos contratos do transporte coletivo e sobre a eventual necessidade de compensação financeira à empresa responsável pelo serviço.
Outro questionamento envolve a compatibilidade da despesa com o Plano Plurianual (PPA), a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e a Lei Orçamentária Anual (LOA).
Critérios para concessão também foram questionados
Além das questões financeiras, o parecer jurídico apontou dúvidas sobre os critérios de acesso ao benefício. A legislação original estabelece requisitos relacionados à baixa renda e ao acompanhamento pelos Caps, mas o projeto não teria esclarecido suficientemente como essas exigências seriam aplicadas às pessoas com autismo e fibromialgia.
Também foram levantadas questões sobre os profissionais habilitados a emitir os documentos exigidos, a necessidade de parecer social e os procedimentos para comprovar que o beneficiário precisa de acompanhante.
Apesar das ressalvas, a análise reconheceu a finalidade social da proposta e a competência da Câmara Municipal para legislar sobre a ampliação de benefícios no transporte público.
Na justificativa do veto, assinada em 14 de outubro, Flávia Moretti considerou que os problemas identificados comprometiam o projeto como um todo. Por esse motivo, optou por vetar integralmente o texto, em vez de barrar apenas parte dos dispositivos.
A Prefeitura indicou que uma nova proposta poderá ser apresentada, desde que inclua estimativa de impacto financeiro, fonte de custeio definida e critérios objetivos para a concessão da gratuidade.
Câmara poderá derrubar veto
Com o veto integral, a ampliação do passe livre prevista no projeto não entra em vigor neste momento. A decisão será encaminhada à Câmara Municipal, que poderá manter o veto da prefeita ou rejeitá-lo, conforme as regras do processo legislativo.
O impasse coloca em discussão tanto a ampliação do acesso ao transporte público para pessoas com autismo e fibromialgia quanto a definição de como o benefício seria financiado pelo município.
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