Opinião
O papel do vereador e a importância da escolha certa
O papel do vereador e a importância da escolha certa
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No dia 1º de outubro, comemorou-se o Dia do Vereador no Brasil, um momento oportuno para refletir sobre a importância dessa função no contexto político e social de nossos municípios. Os vereadores são peças fundamentais na administração pública local, representando a ligação direta entre a população e o poder legislativo. Em um período em que as eleições se aproximam, é crucial entender o papel desempenhado por esses representantes e a importância de uma escolha consciente no momento do voto.
A Função do Vereador
O vereador é o representante eleito para atuar no Legislativo Municipal, sendo responsável por elaborar, discutir e aprovar leis que impactam diretamente a vida da população local. Além disso, o vereador exerce o papel de fiscalizador, acompanhando as ações do prefeito e da administração pública, assegurando que os recursos municipais sejam usados de forma correta e em benefício da comunidade.
Entre suas principais atribuições, destacam-se:
- Elaboração de Leis Municipais: Propor leis que atendam às necessidades da população, como melhorias na saúde, educação, transporte e segurança.
- Fiscalização: Verificar se o prefeito e a equipe administrativa estão cumprindo suas funções de maneira transparente e dentro dos princípios legais.
- Aprovação do Orçamento Municipal: Analisar e aprovar o orçamento que define como serão investidos os recursos públicos ao longo do ano.
- Apoio à Comunidade: Estar presente e disponível para ouvir as demandas da população, encaminhando soluções e promovendo o diálogo com o Executivo.
A Importância de Escolher o Candidato Certo
Com a chegada das eleições, os eleitores têm a responsabilidade de escolher seus representantes de maneira cuidadosa. A escolha de um vereador comprometido com a ética, a transparência e o bem-estar coletivo é fundamental para o desenvolvimento do município e a construção de políticas públicas eficazes.
Alguns pontos que devem ser considerados na hora de escolher o candidato incluem:
- Histórico e Compromisso: É importante avaliar o histórico de ações e projetos já realizados pelo candidato, se ele já ocupou cargos públicos ou tem experiência na gestão de causas comunitárias.
- Propostas Realistas: As promessas de campanha devem ser viáveis e estar alinhadas com as necessidades da comunidade, mostrando soluções práticas para problemas reais.
- Transparência e Prestação de Contas: O candidato deve demonstrar compromisso com a transparência, sendo disposto a prestar contas de suas ações e manter um diálogo constante com a população.
O Voto como Ferramenta de Mudança
À medida que o dia da votação se aproxima, é importante que os eleitores reflitam sobre o impacto de seu voto. O vereador, como representante mais próximo da população, tem o poder de influenciar diretamente o cotidiano dos cidadãos por meio de políticas públicas locais. Por isso, o voto consciente é a principal ferramenta de mudança e de construção de uma cidade mais justa, segura e próspera.
Na reta final das campanhas eleitorais, os eleitores devem aproveitar a oportunidade para conhecer mais sobre os candidatos, suas propostas e seu comprometimento com a comunidade. Participar de debates, acessar materiais de campanha e dialogar com outros eleitores são formas de garantir que a escolha no dia da votação seja bem informada.
No Dia do Vereador, celebramos a importância desse representante para a vida pública e a responsabilidade que ele assume em defesa dos interesses de todos. Com o dia da eleição se aproximando, é fundamental que os eleitores escolham com sabedoria quem estará à frente das decisões que impactam o futuro de suas cidades. Um voto consciente é o primeiro passo para garantir uma administração pública que atenda às necessidades da população e promova o desenvolvimento sustentável de nossos municípios.
Ana Barros é jornalista e servidora pública em Cuiabá
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ELIÇÕES NO BRASIL QUARENTA ANOS DEPOIS O PÊNDULO POLÍTICO MUDOU DE LADO
Há eleições que simplesmente escolhem governantes e parlamentares. Outras encerram ciclos, reorganizam forças e revelam mudanças profundas na sociedade. O Brasil viveu uma dessas eleições em 1986. Quarenta anos depois, em 2026, parece viver um movimento de direção inversa.
Em 1986, o país ainda respirava os primeiros ares da redemocratização depois de 21 anos de regime militar, iniciado em 1964. A eleição ocorreu sob o impacto da Nova República, das Diretas Já, da eleição de Tancredo Neves e também da enorme popularidade inicial do Plano Cruzado. O resultado foi avassalador: o PMDB conquistou 22 dos 23 governos estaduais e elegeu 260 dos 487 deputados federais e sozinho, 53% da Câmara. Na eleição para o Senado, conquistou 38 das 49 vagas então disputadas.
Do outro lado estava principalmente o sistema partidário que carregava parte da herança política do regime anterior. O PDS, sucessor da Arena, que sustentara politicamente os governos militares, sofreu uma derrota histórica: ficou com apenas 33 deputados federais, dois senadores eleitos e nenhum governador. O PFL, nascido de uma dissidência do próprio PDS e aliado do governo Sarney, porém, conquistou 118 deputados. Isso demonstra que 1986 não representou simplesmente uma vitória da “esquerda”, mas uma gigantesca reorganização do poder em favor das forças da redemocratização.
O próprio PMDB reunia correntes progressistas, moderadas e conservadoras. Tanto que, durante a Assembleia Constituinte, uma parcela importante de seus parlamentares participou do chamado Centrão. Ainda assim, naquele momento histórico, conceitos como democracia, direitos sociais, participação popular, ampliação das liberdades e construção de uma nova ordem constitucional ocupavam o centro da agenda nacional. O Congresso eleito em 1986 produziria a Constituição de 1988.
Quarenta anos depois, o pêndulo mudou de direção.
As eleições de 2026 apresentam uma fotografia quase inversa na correlação de forças. O PL elegeu 121 dos 513 deputados federais, ampliando sua bancada em 24 cadeiras e tornando-se, com enorme vantagem, o maior partido da Câmara. A federação PT-PCdoB-PV ficou com 82 deputados.
No Senado, a mudança é ainda mais impressionante. Das 54 cadeiras disputadas, o PL conquistou 19. Considerados também os parlamentares com mandato até 2030 e as alterações decorrentes das eleições estaduais, a legenda deverá iniciar 2027 com 28 dos 81 senadores, contra nove do PT e oito do MDB. Será a maior bancada partidária no início de uma legislatura do Senado desde a Constituição de 1988.
O simbolismo histórico é extraordinário. Em 1986, o PMDB conquistou 38 das 49 cadeiras senatoriais em disputa; em 2026, o PL conseguiu 19 das 54. São magnitudes diferentes, mas os dois resultados expressam momentos de forte reorganização do sistema político. Em 1986, o partido identificado com a redemocratização ocupava o centro do poder. Em 2026, uma força política de identidade predominantemente conservadora assume a maior bancada das duas Casas do Congresso.
Há, portanto, uma interessante simetria histórica. 1986 foi uma eleição marcada pelo desejo de afastamento da ordem política construída durante o regime militar; 2026 revela o fortalecimento de forças conservadoras depois de quatro décadas nas quais direitos sociais, Constituição de 1988 e agendas progressistas tiveram enorme presença no debate político brasileiro.
Isso não significa que o Brasil tenha permanecido progressista durante quarenta anos, tampouco que tenha se tornado integralmente conservador agora. A história política brasileira nunca foi tão linear. Houve governos de centro, centro-direita, centro-esquerda e coalizões extremamente heterogêneas. O próprio segundo turno presidencial de 2026 ainda será disputado, demonstrando que a sociedade permanece profundamente dividida.
Mas o Congresso que saiu das urnas oferece um dado impossível de ignorar: o conservadorismo deixou de ser apenas uma força de resistência às mudanças e passou a ocupar uma posição central na organização institucional do poder.
Em 1986, o eleitor brasileiro ajudou a enterrar eleitoralmente boa parte da estrutura partidária herdada do regime militar. Em 2026, quarenta anos depois, o eleitorado promove outra mudança de eixo.
A história raramente se repete da mesma maneira. Ela trabalha por movimentos, contradições e reações. O pêndulo que em 1986 se deslocou em direção à redemocratização e à expansão dos direitos agora se movimenta em direção ao conservadorismo.
Quarenta anos depois, não estamos assistindo à repetição de 1986. Estamos assistindo, em muitos aspectos, ao seu movimento inverso.
* João Edisom de Souza – Analista político e professor universitário
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