Jogos Paralímpicos
Carol Santiago quebra recorde em dia com cinco finalistas
Além de Carol Santiago, nova recordista paralímpica dos 50m livre da S13, Edênia Garcia, Maiara Barreto, Beatriz Carneiro e Débora…
Esporte
A natação feminina do Brasil contou com seis atletas participando de eliminatórias na manhã desta segunda-feira (2) nos Jogos Paralímpicos Paris-2024. Cinco delas se garantiram na briga por medalhas, com destaque para Carol Santiago.
Nadadora da classe S12, ela disputou os 50m livre da S13, quebrou o recorde paralímpico de ambas as categorias e chega favorita ao ouro. Além dela, estão na final Edênia Garcia e Maiara Barreto, nos 50m costas S3, e Beatriz Carneiro e Débora Carneiro, nos 100m peito SB14.
Recordista paralímpica
O nome dela é Maria Carolina Gomes Santiago, mais conhecida na natação como Carol Santiago, dono de seis medalhas paralímpicas na história, sendo quatro de ouro. Nesta segunda, na terceira eliminatória dos 50m livre S13, a brasileira, nascida em Pernambuco, deu show na piscina da La Defense Arena, na capital francesa. Com excelente desempenho, ela nadou para 26s71, novo recorde paralímpico das classes S12 e S13 e melhor marca mundial da S12.
A australiana Katja Dedeking, recordista mundial da S13, com 26s56, estava credenciada como uma das favoritas ao ouro, no entanto, fez apenas o 10º tempo (28s23) e está apenas como uma das atletas reservas da final. A nadadora com mais chances de desafiar Carol Santiago na disputa por medalhas é a estadunidense Gia Pergolini, a segunda mais vez do dia com 27s52. A brasileira Lucilene Sousa também participou da prova, mas não se classificou para a final. Ela anotou apenas a 12ª marca com 28s65.
Duas finalistas nos 50m costas
Carol Santiago não foi a primeira brasileira a cair na água. Edênia Garcia e Maiara Barreto foram as primeiras mulheres do Brasil a competir nesta segunda. Ambas participaram da primeira semifinal dos 50m costas da classe S3 e estão na final. Elas ficaram, respectivamente, na segunda e terceira colocações da bateria, atrás somente de Zoia Shchurova, atleta russa que participa de Paris-2024 com a bandeira neutra. A primeira delas se classificou com tempo de 1min04s03 e a segunda fez a marca de 1min07s64.
Shchurova, líder da eliminatória delas, nadou a prova para 58s12 e se garantiu na decisão com a segunda melhor marca. A vencedora da segunda eliminatória foi a britânica Ellie Challis, que chega na final dos 50m costas S3 como a mais rápida, com 53s86. A terceira finalista com melhor tempo é a espanhola Marta Fernandez Infante: 58s63. Edênia se classificou em sexto lugar e Maiara avançou na sétima posição. A disputa por medalhas dessa prova está marcada para essa segunda, às 13h05 (horário de Brasília).
Irmãs na final com melhores tempos
A segunda prova com brasileiras na piscina foi os 100m peito da classe SB14. As irmãs Beatriz Carneiro e Débora Carneiro caíram na água e confirmaram presença na disputa por medalhas. Beatriz participou da primeira bateria e ganhou com tempo de 1min16s99. Já Débora esteve na segunda das duas eliminatórias e venceu registrando a marca de 1min16s04, a mais rápida da distância, deixando a compatriota com segundo melhor resultado entre as finalistas. A definição do pódio será às 13h19 (horário de Brasília).
Fonte: R7 Esportes – https://esportes.r7.com/olimpiada-todo-dia/carol-santiago-quebra-recorde-em-dia-com-cinco-finalistas-02092024/
Esporte
Quando perder músculo também ameaça o cérebro
Durante muito tempo, falar em obesidade significava olhar apenas para o peso e para o IMC. Hoje sabemos que isso é insuficiente.
Duas pessoas com o mesmo peso podem ter condições completamente diferentes. Uma pode apresentar boa massa muscular e força preservada. A outra pode acumular gordura, especialmente abdominal, enquanto perde músculo e capacidade funcional.
Essa combinação é chamada de obesidade sarcopênica.
Ela reúne dois problemas importantes: excesso de gordura corporal e redução da massa ou da força muscular. Além de aumentar o risco de fragilidade, quedas, diabetes e doenças cardiovasculares, novas evidências mostram que essa condição também pode estar associada a maior risco de demência.
O que a ciência mostra :
Um grande estudo publicado na revista Clinical Nutrition avaliou dados de centenas de milhares de pessoas e analisou a relação entre composição corporal, força muscular e desenvolvimento de demência.
Os resultados mostraram que tanto a sarcopenia isolada quanto a obesidade sarcopênica estavam associadas a um risco maior de declínio cognitivo. Um dos achados mais relevantes foi a importância da força de preensão manual, medida por dinamometria.
Quanto menor a força e quanto maior sua redução ao longo dos anos ,maior foi o risco observado.
Isso reforça uma mudança importante na forma de avaliar a saúde: Não basta saber quanto peso uma pessoa perdeu. Precisamos saber quanto músculo e quanta força ela conseguiu preservar.
Emagrecer , nem sempre significa melhorar a saúde ?
Uma perda de peso mal conduzida pode incluir perda significativa de massa muscular, principalmente em pessoas mais velhas, sedentárias, submetidas a dietas muito restritivas ou a tratamentos sem acompanhamento adequado.
Mesmo com o avanço dos medicamentos para obesidade, o objetivo não deve ser apenas reduzir o número na balança. O tratamento precisa preservar músculo, reduzir gordura visceral, melhorar o metabolismo e manter a autonomia.
O paciente não deve apenas ficar mais leve. Deve ficar mais saudável, mais forte e funcionalmente mais capaz.
Por que o músculo influencia a saúde cerebral?
A relação entre músculo e cérebro é complexa, mas alguns mecanismos ajudam a explicá-la.
A perda muscular pode piorar a resistência à insulina, reduzir o gasto energético, aumentar o sedentarismo e favorecer inflamação crônica. Ao mesmo tempo, fatores como hipertensão, diabetes, apneia do sono e colesterol elevado afetam os vasos sanguíneos que irrigam tanto o coração quanto o cérebro.
Por isso, preservar músculo é muito mais do que uma questão estética. É uma estratégia de proteção metabólica, cardiovascular, funcional e possivelmente cognitiva.
Como enfrentar cientificamente esse problema ?
O primeiro passo é avaliar mais do que o peso. Circunferência abdominal, composição corporal, força de preensão, velocidade da marcha, capacidade funcional e exames cardiometabólicos ajudam a identificar riscos que o IMC isolado não mostra.
O treinamento de força deve ocupar posição central. Caminhar é importante, mas pode não ser suficiente para preservar ou recuperar massa muscular. Exercícios resistidos, progressivos e individualizados são fundamentais.
A alimentação também precisa garantir quantidade adequada de proteínas e energia, distribuídas ao longo do dia e ajustadas à idade, função renal, rotina e condição clínica.
Além disso, é essencial tratar fatores que aceleram a perda muscular e o envelhecimento vascular, como sedentarismo, diabetes, hipertensão, alterações do sono, tabagismo e obesidade visceral.
Envelhecer bem ,exige preservar força
A obesidade sarcopênica mostra por que o cuidado não pode ser fragmentado. Peso, metabolismo, coração, músculo e cérebro fazem parte do mesmo sistema.
Entendemos que o acompanhamento precisa ir além da balança. Avaliamos composição corporal, força, risco cardiovascular, alimentação, sono, rotina e capacidade funcional para construir estratégias verdadeiramente individualizadas.
Porque o objetivo não é apenas perder peso. É preservar autonomia, proteger o cérebro, fortalecer o corpo e construir saúde antes que a doença se manifeste.
Saúde não é sorte. É rotina.
Dr. Max Wagner de LimaCardiologista — CRM 6194 | RQE 2308 Prevenção cardiovascular, cardiometabolismo e medicina de antecipação.
Maristela Luft — CRN -16431Nutricionista e Mestre em nutrição clínica, composição corporal e cuidado cardiometabólico.
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