urgência
Maior sonho da família é cirurgia para a filhinha
Há 4 meses, Wellington está desempregado e não conseguiu um novo emprego
Saúde
Foto Ilustrativa
Vivendo muito precariamente, o casal Jenifer Gabriele Proença Siqueira, 19, e Wellington Vitor da Silva Santos, 27, aguarda por dias melhores junto a filhinha Maitê Gabriele, de 4 meses, no residencial Jonas Pinheiro 3, em Cuiabá. Quase sem alimentos, a realidade da família é agravada por problema de saúde enfrentado por Maitê. “Nosso sonho, neste natal, é iniciar o tratamento da nossa filha. Não conseguimos até agora pelo Sistema Único de Saúde e não temos condições de pagar a cirurgia”.
A garotinha nasceu com os dois pés tortos. Em consulta no posto de saúde, o médico relatou que seria caso cirúrgico e que precisaria realizar o exame ultrassom para dar início ao tratamento. “Não temos condições de pagar pelo exame, também tentamos o encaminhamento para uma unidade especializada e não deu certo. Sofremos muito com a situação da Maitê”.
Segundo Jenifer e Wellington, a maior preocupação é a filha crescer sem tratamento adequado e sofrer com as sequelas de viver com os pés tortos. “Estamos apreensivos com isso, temos medo da demora no tratamento e as sequelas serem irreversíveis. Nossa maior urgência, além da necessidade da alimentação adequada, é a Maitê. Não podemos deixar que ela fique sem tratamento”.
Jenifer relatou que não trabalha e se dedica aos cuidados da filha. O casal ressalta que logo terá que introduzir outro tipo de leite a Maitê. “O leite materno está ficando escasso, nem sempre supre a fome dela. Acho que está acabando. Uma vez ganhei lata de leite Ninho, mas ela regurgitou tudo que mamou. Minha preocupação é ter que comprar leite, não sei qual ela vai se adaptar e o leite é caro, não temos como adquirir”.
O casal relata que quando o leite não é suficiente, tenta introduzir caldo de feijão. “Quero muito oferecer uma fruta, mas não conseguimos comprar esse tipo de alimento”. No armário da cozinha, o casal mostrou o que tinha. Havia apenas arroz, sal e um resto de açúcar.
Há 4 meses, Wellington está desempregado e não conseguiu um novo emprego. Atuava como mecânico em uma oficina no CPA 1, mas o local fechou e, desde então, a renda da família foi abalada. “A nossa situação financeira já não era boa, sem salário certo piorou ainda mais. Tenho minhas próprias ferramentas, às vezes surge um serviço, mas é esporádico”.
Ele explica que no momento realiza bicos, mas não são suficientes. “Preciso de um emprego fixo”. Wellington destaca que para conseguir um novo emprego terá que refazer os documentos pessoais. “Para piorar a situação perdi toda a minha documentação, estou esperando entrar algum dinheiro para refazer”.
Outra dificuldade enfrentada é a tentativa frustrada da família de conseguir o benefício do governo federal. Jenifer explica que há 8 meses está tentando, mas não dá certo. “Já fui ao Centro de Referência de Assistência Social e fiz o cadastro único, mas até agora não recebi o benefício. Desde a minha gestação tento resolver isso, expliquei minhas dificuldades, que precisava receber para dar melhor condição a minha filha, ninguém se sensibilizou”.
Praticamente sem eletrodoméstico e eletroeletrônicos, o casal explica que o pouco que tinha foi danificado com a oscilação na parte elétrica. “A gente luta para ter água e luz. Agora que vai começar a instalar os postes de energia. No momento é irregular e vem fraco. Oscila muito e queima os equipamentos”. Wellington revela que a única pessoa que ajuda a família quando pode é a sua irmã que trabalha como faxineira. “Quase todas as coisas que a Maitê tem foi a minha irmã que conseguiu. Ela se preocupa e vem nos visitar. Quando não temos nada em casa, ela acolhe a gente na casa dela. Às vezes, ficamos uma semana lá”.
Jenifer revela que tem pouco contato com a mãe. Relata que a família é humilde e não tem condições de colaborar. “Minha mãe visitou a Maitê apenas uma vez quando nasceu. Ela mora longe e não tem como vir”. O casal explica que também não tem condições de ficar pagando transporte público. “Só saímos quando precisamos levar a nossa filha ao posto. Não temos como ficar pagando passagem e com bebê é ruim sair, o ponto é longe, temos que andar mais de 400 metros”.
Saúde
HMC recebe quase metade dos pacientes regulados pelas UPAs e reforça papel estratégico na saúde de Cuiabá
Da Redação
O Hospital Municipal de Cuiabá (HMC) consolidou sua posição como principal unidade de retaguarda da rede municipal de urgência e emergência. Levantamento referente aos meses de maio e junho de 2026 mostra que o hospital foi responsável por 44,8% de todas as transferências realizadas pelas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) de Cuiabá, recebendo 661 dos 1.479 pacientes regulados no período.
Os números evidenciam a importância da unidade na organização da assistência hospitalar. Sozinho, o HMC recebeu quase quatro vezes mais pacientes que o segundo hospital com maior volume de transferências, contribuindo para garantir maior agilidade na internação de pacientes e desafogar as UPAs.
A secretária municipal de Saúde, Deisi Bocalon, destacou que os resultados refletem o fortalecimento da rede pública de saúde.
“Os números demonstram que o Hospital Municipal de Cuiabá cumpre um papel essencial na organização da nossa rede de urgência e emergência. Ser responsável por praticamente metade das transferências das UPAs significa garantir acesso mais rápido à internação, desafogar as unidades de pronto atendimento e oferecer um cuidado mais resolutivo à população. Nosso compromisso é continuar fortalecendo a rede municipal com planejamento, investimentos e ampliação da capacidade assistencial”, afirmou.
Liderança nas internações em enfermaria
O desempenho do HMC torna-se ainda mais expressivo quando analisadas apenas as internações em enfermaria. Nos dois meses avaliados, a unidade recebeu 638 pacientes — 335 em maio e 303 em junho —, concentrando 53,6% de todas as transferências destinadas a leitos clínicos e cirúrgicos da rede.
Nas admissões em Unidade de Terapia Intensiva (UTI), a maior demanda foi absorvida pelo Hospital Municipal São Benedito (HMSB) e pelo Hospital e Pronto-Socorro Municipal de Cuiabá (HPSMC), responsáveis por 27,3% e 24,9% das vagas, respectivamente. O HMC respondeu por 8% das internações em terapia intensiva, reforçando sua vocação como principal retaguarda para leitos de enfermaria.
Além do HMC, o HPSMC e o HMSB receberam 170 e 164 pacientes regulados, respectivamente. Outro destaque foi o Hospital Estadual de Câncer, que registrou crescimento superior a 200% nas transferências entre maio e junho, passando de 25 para 79 pacientes.
Gestão destaca eficiência e qualidade da assistência
A diretora-geral da Empresa Cuiabana de Saúde Pública, Kelluby de Oliveira, atribuiu os resultados ao trabalho integrado das equipes e ao fortalecimento da gestão hospitalar.
“O protagonismo do HMC é resultado do empenho diário de equipes multiprofissionais altamente qualificadas e de uma gestão comprometida com a eficiência e a humanização da assistência. Além de sermos referência em urgência, emergência, politrauma e tratamento de queimados, temos ampliado a oferta de cirurgias eletivas e procedimentos especializados, garantindo mais acesso e qualidade no atendimento prestado aos usuários do SUS”, destacou.
Hospital amplia serviços especializados
Referência estadual em urgência, emergência, politrauma, traumato-ortopedia e tratamento de queimados, por meio do Centro de Tratamento de Queimados (CTQ), o HMC funciona em regime de portas abertas para atendimentos de urgência e emergência.
A unidade dispõe de enfermarias adulta e infantil, Hospital Dia, centros cirúrgicos, salas de medicação e decisão médica, seis leitos destinados à saúde mental e estrutura completa para assistência ambulatorial e hospitalar.
Nos últimos meses, o hospital também ampliou a oferta de procedimentos especializados. Entre junho e julho, iniciou um mutirão de cirurgias de vesícula por videolaparoscopia, com previsão de 30 procedimentos para reduzir a fila de espera do Sistema Único de Saúde (SUS).
Outra ação inédita colocou Cuiabá em destaque no cenário nacional. O HMC promoveu um mutirão exclusivo de cirurgias reparadoras para vítimas de queimaduras elétricas decorrentes de acidentes de trabalho, tornando-se a única unidade do país a realizar uma iniciativa voltada exclusivamente para esse público. Aproximadamente 20 pacientes foram atendidos durante a ação.
Para o diretor técnico do HMC, Dr. Eduardo Andraus, os indicadores confirmam a capacidade da unidade em atender pacientes de média e alta complexidade.
“O HMC foi concebido para ser um hospital de alta resolutividade. Nossa capacidade de receber pacientes regulados das UPAs permite que essas unidades continuem atendendo novos casos de urgência e emergência. Contamos com equipes preparadas, protocolos bem estabelecidos e uma estrutura capaz de atender desde casos clínicos até situações de alta complexidade, como politrauma, queimados e cirurgias especializadas. Os resultados de maio e junho demonstram que estamos cumprindo essa missão com eficiência”, concluiu.
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