Mato Grosso
Poder Público e entidades se unem para discutir acolhimento de pessoas
Mato Grosso
Reunião na Secid envolveu 26 pessoas e durou cerca de quatro horas; encaminhamentos serão enviados à prefeitura e Assembleia Legislativa
Da Redação
Representantes de mais de 10 órgãos públicos e entidades se reuniram para discutir a transferência de dependentes químicos e moradores em situação de rua que vivem na região do Largo do Rosário, chamada de Ilha da Banana, no Centro de Cuiabá, durante o processo de demolição do local. O encontro, marcado pelo secretário de Estado das Cidades, Wilson Santos, durou cerca de quatro horas na sede da Secretaria de Estado das Cidades (Secid), e culminou em sete resoluções para a questão, que serão encaminhadas à Prefeitura de Cuiabá, Assembleia Legislativa de Mato Grosso e ao Grupo de Trabalho de Rua, que acompanham o processo.
“Todos os encaminhamentos tirados dessa grande reunião vou levar ao prefeito Emanuel Pinheiro, ao GT de Rua e pedirei ainda à Assembleia Legislativa uma audiência pública sobre o assunto. Estamos colocando o Estado à disposição da prefeitura”, enfatizou o secretário Wilson Santos, na manhã desta terça-feira (11.06).
Desde o início das demolições, no domingo, 43 pessoas já aceitaram deixar um dos casarões da Ilha da Banana, bem como localidades próximas ao Morro da Luz e estão alojadas agora em sete comunidades terapêuticas, que abraçaram a causa. Nessas unidades, o grupo recebe higienização e alimentação. Todo o trabalho vem sendo feito por voluntários das casas, assistentes sociais ligados ao município e representantes da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), com apoio do Governo do Estado. Outras 10 pessoas receberão passagens para retornarem a suas cidades de origem.
Durante a reunião, o secretário Wilson Santos explicou aos presentes que a remoção das pessoas em situação de rua não vai interferir na demolição dos imóveis do Largo do Rosário, que continuará normalmente. “Vamos atuar com todo o cuidado com as pessoas que ali ainda se encontram, mas vamos concluir a demolição rigorosamente no prazo que foi estabelecido. Nós temos autorização da Justiça, do Ministério Público Federal (MPF), do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), da prefeitura e iremos demolir”, destacou ele. A previsão da Secid é que o serviço seja finalizado em um mês. No total, dos 15 imóveis instalados no complexo, o Estado já possui parecer positivo para retirar 13.
O titular da Secid lembrou ainda que a derrubada das edificações da Ilha da Banana vem ocorrendo sem nenhum incidente apesar do local ainda contar com usuários de drogas e moradores em situação de rua. Segundo ele, a remoção dessas pessoas é realizada consensualmente, sem qualquer ação coercitiva, como indicou a Justiça de Mato Grosso ao dar parecer contrário a liminar impetrada pela Defensoria Pública do Estado, que tentou barrar as demolições.

Tratativas
Apesar da desocupação da Ilha da Banana ter sido o foco da reunião na Secid, todos os participantes do debate foram unânimes em afirmar que é preciso aproveitar a ocasião para tratar de frente o problema social e evitar que Cuiabá continue a formar novas “Cracolândias”, locais que reúnem usuários de entorpecentes e traficantes.
Entre os encaminhamentos tirados da reunião estão: a revitalização do Morro da Luz; a reativação do Centro POP (a definir o local); o fechamento de prostíbulos no Centro Histórico da capital; o fechamento total de imóveis abandonados (pelos proprietários ou pelo município); a aceleração da implantação da rede de atenção psicossocial (Raps), com a respectiva implantação do Centro de Atenção Psicossocial (Caps 3) e unidades de acolhimento infanto-juvenil e adulto; ampliar o atendimento para pessoas com transtorno mental (infanto-juvenil) por 24 horas; acelerar a apreciação do Projeto de Lei (PL) na Assembleia Legislativa, que prevê a implantação da política pública de assistência à população em situação de rua.
Ainda durante a discussão, o assessor especial da Secretaria de Estado de Trabalho e Assistência Social (Setas-MT), José Rodrigues Rocha, propôs a criação de uma mesa de negociação que traga para os debates os Ministérios Públicos, a Justiça, Defensoria Pública, parlamentos municipal e estadual, e órgãos públicos envolvidos. “Temos que separar a discussão de hoje em três: demolição a Ilha da Banana, política voltada à moradores em situação de rua e a segurança pública. Precisamos de todos os autores envolvidos para o processo não pare e tenha resolução efetiva”, acrescentou ele.
O secretário municipal da Ordem Pública, o coronel da reserva da Polícia Militar de Mato Grosso, Leovaldo Emanoel Sales da Silva, também pontuou que esse é o momento de congregar todos os entes e instrumentos disponíveis para pacificar o Centro de Cuiabá. “A área da Ilha da Banana, por exemplo, é um dos espaços mais vulneráveis de Mato Grosso, com altos índices de roubos, furto e tráfico. É um momento de unir todos os instrumentos para construirmos um local mais seguro”, opinou.
Representantes do comércio também alegaram que tudo que mais querem é trabalhar com sensação de segurança. “Queremos poder abrir nossas portas e vender nossos produtos”, colocou o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), Nelson Soares. Para isso, disse que o setor está à disposição da prefeitura para colaborar.
Ao final, o secretário Wilson Santos acrescentou que reuniões como a desta terça-feira (13.06) podem ser o começo para adoção de políticas públicas efetivas voltadas à população que vive nas ruas. “Um assunto é a demolição da Ilha da Banana, que estamos tratando agora, outra é a criação uma política pública para essa população, que vocês já partem de uma Legislação Federal, o que fica mais fácil. Agora, todos os envolvidos precisam sentar e encaminhar a matéria para Assembleia e Câmara Municipal”, finalizou ele.
Participaram da reunião representantes da Secid-MT, da Setas-MT, da Secretaria de Estado de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh-MT), Polícia Militar, da Prefeitura Municipal de Cuiabá (Assistência Social e Saúde), do Comércio, de comunidades terapêuticas, do Grupo de Trabalho de Rua e representantes de instituições religiosas.
Mato Grosso
MPMT capacita servidores sobre planejamento de contratações e uso de IA
O Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional (Ceaf) – Escola Institucional Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT) promoveu, nos dias 24 e 25 de setembro, uma capacitação voltada aos servidores da área-meio sobre planejamento de contratações públicas e o uso de novas tecnologias no desenvolvimento dos documentos exigidos pela legislação. Com o tema “O planejamento da contratação com base na Lei 14.133/2021 – construindo ETPs e TR com uso do ChatGPT e outras tecnologias para servidores do MPMT”, o curso foi ministrado pelo professor Sandro Bernardes, auditor do Tribunal de Contas da União (TCU).Ao longo dos dois dias, os participantes tiveram contato com aspectos relacionados ao planejamento das contratações, especialmente à elaboração de documentos como o Estudo Técnico Preliminar (ETP) e o Termo de Referência (TR), além de conhecerem possibilidades de aplicação da inteligência artificial e de outras ferramentas tecnológicas na rotina de trabalho.Para o assessor especial da Subprocuradoria-Geral de Justiça Administrativa, José Fabrício Silva, a capacitação ocorre em um momento importante de adaptação às exigências trazidas pela nova legislação de contratações públicas.“Esse tipo de capacitação é fundamental por dois aspectos essenciais. O primeiro é que as equipes que constroem essas demandas de contratação ainda precisam de formação sobre a estrutura dos documentos e tudo o que precisa ser preparado para que uma contratação seja realizada”, explicou.José Fabrício também destacou a utilização da inteligência artificial como uma ferramenta capaz de auxiliar os servidores diante do volume e da complexidade dos documentos produzidos no processo de contratação. “São documentos, às vezes, de muitas páginas, de uma estrutura que a lei exige que seja feita. A capacitação realmente veio para ajudar no dia a dia”, afirmou.Na avaliação do servidor, a incorporação de novas tecnologias à administração pública tende a fazer parte cada vez mais da rotina. “Quanto mais capacitadas as pessoas para darem conta de acompanhar esse avanço, que não é só no setor público, mas também no setor privado, melhores serão os resultados para a administração e, consequentemente, para a população”, ressaltou.A servidora Débora Luz, que atua na Coordenadoria de Engenharia e acompanha atividades relacionadas ao departamento, também destacou a importância da formação continuada. Entre suas atribuições estão o assessoramento na elaboração de documentos relacionados às contratações de engenharia, com atenção à legislação e às normas aplicáveis.Para ela, cursos dessa natureza são fundamentais para o aprimoramento dos processos de contratação do Ministério Público. “Não só importante, como essencial, fundamental. Uma condição sem a qual não é possível nós evoluirmos nossas contratações e licitações aqui no Ministério Público”, afirmou.Débora defendeu ainda que a capacitação seja realizada de forma permanente, permitindo o aprofundamento dos conhecimentos e a aplicação prática dos conteúdos. “A cada etapa, a cada curso, você permite se aprofundar mais na matéria e aplicar na sua prática. Então, sem uma reincidência, um retorno disso, eventualmente até com alguns mesmos professores ou mesmas temáticas, a gente não consegue andar evoluindo os resultados”, explicou.Para a servidora, a participação de especialistas com experiência na administração pública federal também contribui para aproximar o conteúdo apresentado da realidade enfrentada pelas equipes do MPMT.O professor Sandro Bernardes ressaltou que a atualização dos servidores é essencial diante das transformações pelas quais passa a administração pública. Segundo ele, o curso integra um processo de desenvolvimento de capacidades e habilidades necessárias aos profissionais que atuam em todas as etapas da contratação pública, desde o planejamento até a entrega do objeto à sociedade. “Não existe retrocesso” no uso da inteligência artificial, afirmou o professor, ao destacar que essas ferramentas tendem a ser incorporadas cada vez mais ao cotidiano profissional.O instrutor também chamou atenção para o papel da tecnologia como instrumento de apoio ao trabalho dos servidores, e não como substituta da atuação humana. Para ele, ferramentas de inteligência artificial podem potencializar o trabalho, proporcionando maior celeridade e novas possibilidades de pesquisa e análise, mas a supervisão humana permanece indispensável. “O que as plataformas, os chats e as IAs que temos à disposição vão fazer por nós é potencializar o nosso trabalho”, explicou.Sandro Bernardes destacou ainda que a responsabilidade pelas decisões continua sendo humana, especialmente no serviço público, que tem como finalidade atender às necessidades da sociedade. “A supervisão humana ainda é necessária, primeiro pela responsabilidade que a gente tem diante da comunidade civil. A plataforma nunca vai se comportar como ser humano; ela vai emular, vai usar algoritmos, números para tentar traduzir aquilo que considera como interesse público”, afirmou.Segundo o professor, a tecnologia pode ampliar as possibilidades de atuação dos servidores, mas não substitui aspectos próprios da experiência humana, como a capacidade de compreender contextos, interpretar situações e manter proximidade com a sociedade.
Fonte: Ministério Público MT – MT
-
Política4 dias atrásSérgio Ricardo detona ausência de conselheiros em sessão do TCE-MT: “Desrespeito ao povo e ao Tribunal”
-
Polícia6 dias atrásPolícia Militar prende quatro homens após roubo a mineradora em Nossa Senhora do Livramento
-
Política4 dias atrásPonte sobre o Rio Paraguai recebe nome de ex-prefeito de Porto Murtinho
-
Economia5 dias atrásSenacon vai investigar 70 postos por aumento abusivo de preços
-
Cidades5 dias atrásEducação recebe R$ 1,04 bilhão e Prefeitura apresenta balanço de ações em Cuiabá
-
Economia5 dias atrásRenda de PCDs equivale a 70% do rendimento de pessoas sem deficiência
-
Economia4 dias atrásJuca do Guaraná aparece entre os 10 nomes mais lembrados para deputado estadual em nova pesquisa
-
Economia4 dias atrásBeneficiários com NIS de final 5 recebem Bolsa Família de setembro


Você precisa estar logado para postar um comentário Login