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“Cuidados de saúde na primeira infância começam quando o casal decide ter filhos”, afirma pediatra

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Foto: FaceBook/Divulgação

Dia das Crianças também é dia de falar sobre a saúde; confira a entrevista com a pediatra Natasha Slhessarenko, credenciada ao plano MT Saúde

O MT Saúde, por ocasião do Dia das Crianças (12.10), entrevistou a médica Natasha Slhessarenko, pediatra e patologista credenciada ao plano pela Clínica Vida, sobre os cuidados com a saúde dos pequenos.

De acordo com a pediatra, os primeiros anos de vida da criança, chamados de primeira infância, correspondem ao período que vai desde a concepção do bebê e gestação, até os seis anos de idade.

É nessa etapa da vida que se desenvolvem as habilidades emocionais, físicas e cognitivas. “Principalmente nos três primeiros anos de vida quando áreas fundamentais do cérebro são desenvolvidas”, explica.

O ideal, segundo ela, é que os primeiros cuidados surjam no momento em que o casal deseja ter filhos. Tanto a mulher quanto o homem, que desejam ser pais, devem se preparar para gerar uma criança. Confira abaixo a entrevista completa e as dicas da pediatra para uma infância saudável.

Cuidados iniciais

Quando o casal deseja ter filhos, é ideal que ambos gozem de boa saúde, mantendo adequados o peso e os níveis de vitaminas (especialmente D, E e B12), ácido fólico, ferro e outros microelementos (iodo, zinco e selênio). Além disso, é importante que estejam com as sorologias em dia e sem doença infecciosa detectada.

Já durante a gestação, comentou a médica, a grávida deve se alimentar bem, com muitas frutas, verduras e legumes, além de carnes para garantir o aporte de ácidos graxos que serão importantíssimos para o desenvolvimento do bebê, especialmente ômega 3, fundamental para o desenvolvimento cerebral.

A curto prazo, a gestante desnutrida pode gerar fetos com menor ganho de peso e menor ganho de comprimento, revelam estudos. Já a gestante obesa, pode gerar fetos com maio ganho de peso. “É importante ressaltar, ainda, que os bebês de ambas as gestantes apresentam maior risco para o desenvolvimento de doenças metabólicas e cardiovasculares a longo prazo. Por isso, devem iniciar as consultas de pré-natal o mais cedo possível”, recomenda.

Minuto de ouro
É fundamental que na sala de parto esteja presente o profissional habilitado em reanimação neonatal para recepcionar o bebê e oferecer o melhor da assistência.

Segundo a profissional, no minuto de ouro, que corresponde ao primeiro minuto de vida da criança extra útero, “a respiração deve estar regular dentro deste tempo, caso contrário, esta criança poderá ter repercussões para o resto da vida”, alerta. “Outro fator importante é a via de parto. A via vaginal favorece a colonização de ‘bactérias do bem’ no intestino da criança”, ressaltou.

Amamentação e os primeiros exames
Oferecer leite materno na primeira hora de vida faz com que o útero da mãe se contraia mais rapidamente e diminui sangramentos. Além disso, ajuda na “descida do leite”, explica a pediatra, promovendo o vínculo afetivo entre a mãe e o bebê e o contato da criança com os micro-organismos da pele da mãe, que vão protegê-lo contra infecções durante toda a vida.

É essencial que logo após o nascimento, o bebê passe por alguns exames, entre eles o Teste do Pezinho, para descartar doenças congênitas e infecciosas. O exame certificará os pais de que não existem problemas com a saúde da criança, ou, caso exista, para que iniciem o tratamento o mais cedo possível para evitar problemas no seu desenvolvimento.

Além deste exame, recomenda-se fazer o Teste do Olhinho, que avalia a transparência das câmaras oculares; o Teste da Orelhinha, que avalia audição; e o Teste do Coraçãozinho, que avalia doenças cardíacas graves.

Introdução alimentar

A alimentação complementar deve começar aos seis meses de vida com papa de frutas e na sequência de verduras, legumes e cereais. Não deve ser dados alimentos ultraprocessados (enlatados e conservas; extratos ou concentrados de tomate; frutas em calda e cristalizadas; macarrão instantâneo; bolachas recheadas) e nem embutidos (salame, presunto, salsicha). Também não é recomendado dar suco para as crianças.

“Vale ressaltar que o aleitamento materno exclusivo nos primeiros meses de vida da criança, previne de verminoses, doenças respiratórias, alergia, doenças de pele, infecções de ouvido e diarreias, além disso evitar que a ela fique desnutrida”, destaca Slhessarenko.

A obesidade infantil também é outro fator que deve ser levado em consideração na primeira infância, assinala a pediatra. Estudos apontam que crianças obesas têm mais chance de serem adultos obesos e ter mais doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), que incluem a hipertensão arterial, diabetes, osteoporose e a síndrome metabólica. Segundo dados do Ministério da Saúde, uma em cada três crianças, entre 3 a 5 anos de idade, está com sobrepeso ou obesidade no Brasil.

Vacinação
As vacinas são um meio de proteger as crianças contra várias doenças. Por isso, conforme a médica pediatra, a família deve ter o cuidado de seguir o esquema programado para cada idade. “É importantíssimo que os pais tenham consciência de que precisam vacinar seus filhos”, reforça.

“As coberturas vacinais estão muito baixas desde 2016, tanto que o Brasil voltou a ser um país de alto risco para a poliomielite (paralisia infantil)”, completou.

Lazer, amor e dedicação

As crianças precisam de momentos de lazer e descontração, bem como de acompanhamento “de perto”, segundo a pediatra, de suas atividades na escola. “Devemos manter-nos atentos aos cuidados com sua segurança e saúde mental, tudo com muito amor e dedicação”, acrescentou.

Outro ponto de atenção levantado pela profissional foi a exposição à telas (televisão, computador e celular) pelos pequenos. “Não devemos deixar que crianças com menos de dois anos sejam apresentadas às telas. Com relação as maiores, a recomendação é que fiquem, no máximo, duas horas”, observou.

“Em resumo a todas essas dicas, queremos que os pais se sensibilizem da necessidade e da importância do acompanhamento médico periódico da criança nos primeiros anos de vida para que possamos ter adolescentes e adultos saudáveis, que vivam até os 100 anos de idade com saúde”, finalizou Slhessarenko, ressaltando: “que se nenhuma criança de 0 a 6 anos de idade no Brasil passar fome de comida, de estímulo e de afeto, teremos um outro país em pouco tempo”.

Dra. Natasha Slhessarenko é pediatra e patologista, conselheira do Conselho Federal de Medicina (CFM) e professora da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).

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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não

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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.

Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.

O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.

A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.

É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.

Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.

Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.

A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.

No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.

Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar



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