Opinião
“Cuidados de saúde na primeira infância começam quando o casal decide ter filhos”, afirma pediatra
Opinião
Dia das Crianças também é dia de falar sobre a saúde; confira a entrevista com a pediatra Natasha Slhessarenko, credenciada ao plano MT Saúde
O MT Saúde, por ocasião do Dia das Crianças (12.10), entrevistou a médica Natasha Slhessarenko, pediatra e patologista credenciada ao plano pela Clínica Vida, sobre os cuidados com a saúde dos pequenos.
De acordo com a pediatra, os primeiros anos de vida da criança, chamados de primeira infância, correspondem ao período que vai desde a concepção do bebê e gestação, até os seis anos de idade.
É nessa etapa da vida que se desenvolvem as habilidades emocionais, físicas e cognitivas. “Principalmente nos três primeiros anos de vida quando áreas fundamentais do cérebro são desenvolvidas”, explica.
O ideal, segundo ela, é que os primeiros cuidados surjam no momento em que o casal deseja ter filhos. Tanto a mulher quanto o homem, que desejam ser pais, devem se preparar para gerar uma criança. Confira abaixo a entrevista completa e as dicas da pediatra para uma infância saudável.
Cuidados iniciais
Quando o casal deseja ter filhos, é ideal que ambos gozem de boa saúde, mantendo adequados o peso e os níveis de vitaminas (especialmente D, E e B12), ácido fólico, ferro e outros microelementos (iodo, zinco e selênio). Além disso, é importante que estejam com as sorologias em dia e sem doença infecciosa detectada.
Já durante a gestação, comentou a médica, a grávida deve se alimentar bem, com muitas frutas, verduras e legumes, além de carnes para garantir o aporte de ácidos graxos que serão importantíssimos para o desenvolvimento do bebê, especialmente ômega 3, fundamental para o desenvolvimento cerebral.
A curto prazo, a gestante desnutrida pode gerar fetos com menor ganho de peso e menor ganho de comprimento, revelam estudos. Já a gestante obesa, pode gerar fetos com maio ganho de peso. “É importante ressaltar, ainda, que os bebês de ambas as gestantes apresentam maior risco para o desenvolvimento de doenças metabólicas e cardiovasculares a longo prazo. Por isso, devem iniciar as consultas de pré-natal o mais cedo possível”, recomenda.
Minuto de ouro
É fundamental que na sala de parto esteja presente o profissional habilitado em reanimação neonatal para recepcionar o bebê e oferecer o melhor da assistência.
Segundo a profissional, no minuto de ouro, que corresponde ao primeiro minuto de vida da criança extra útero, “a respiração deve estar regular dentro deste tempo, caso contrário, esta criança poderá ter repercussões para o resto da vida”, alerta. “Outro fator importante é a via de parto. A via vaginal favorece a colonização de ‘bactérias do bem’ no intestino da criança”, ressaltou.
Amamentação e os primeiros exames
Oferecer leite materno na primeira hora de vida faz com que o útero da mãe se contraia mais rapidamente e diminui sangramentos. Além disso, ajuda na “descida do leite”, explica a pediatra, promovendo o vínculo afetivo entre a mãe e o bebê e o contato da criança com os micro-organismos da pele da mãe, que vão protegê-lo contra infecções durante toda a vida.
É essencial que logo após o nascimento, o bebê passe por alguns exames, entre eles o Teste do Pezinho, para descartar doenças congênitas e infecciosas. O exame certificará os pais de que não existem problemas com a saúde da criança, ou, caso exista, para que iniciem o tratamento o mais cedo possível para evitar problemas no seu desenvolvimento.
Além deste exame, recomenda-se fazer o Teste do Olhinho, que avalia a transparência das câmaras oculares; o Teste da Orelhinha, que avalia audição; e o Teste do Coraçãozinho, que avalia doenças cardíacas graves.
Introdução alimentar
A alimentação complementar deve começar aos seis meses de vida com papa de frutas e na sequência de verduras, legumes e cereais. Não deve ser dados alimentos ultraprocessados (enlatados e conservas; extratos ou concentrados de tomate; frutas em calda e cristalizadas; macarrão instantâneo; bolachas recheadas) e nem embutidos (salame, presunto, salsicha). Também não é recomendado dar suco para as crianças.
“Vale ressaltar que o aleitamento materno exclusivo nos primeiros meses de vida da criança, previne de verminoses, doenças respiratórias, alergia, doenças de pele, infecções de ouvido e diarreias, além disso evitar que a ela fique desnutrida”, destaca Slhessarenko.
A obesidade infantil também é outro fator que deve ser levado em consideração na primeira infância, assinala a pediatra. Estudos apontam que crianças obesas têm mais chance de serem adultos obesos e ter mais doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), que incluem a hipertensão arterial, diabetes, osteoporose e a síndrome metabólica. Segundo dados do Ministério da Saúde, uma em cada três crianças, entre 3 a 5 anos de idade, está com sobrepeso ou obesidade no Brasil.
Vacinação
As vacinas são um meio de proteger as crianças contra várias doenças. Por isso, conforme a médica pediatra, a família deve ter o cuidado de seguir o esquema programado para cada idade. “É importantíssimo que os pais tenham consciência de que precisam vacinar seus filhos”, reforça.
“As coberturas vacinais estão muito baixas desde 2016, tanto que o Brasil voltou a ser um país de alto risco para a poliomielite (paralisia infantil)”, completou.
Lazer, amor e dedicação
As crianças precisam de momentos de lazer e descontração, bem como de acompanhamento “de perto”, segundo a pediatra, de suas atividades na escola. “Devemos manter-nos atentos aos cuidados com sua segurança e saúde mental, tudo com muito amor e dedicação”, acrescentou.
Outro ponto de atenção levantado pela profissional foi a exposição à telas (televisão, computador e celular) pelos pequenos. “Não devemos deixar que crianças com menos de dois anos sejam apresentadas às telas. Com relação as maiores, a recomendação é que fiquem, no máximo, duas horas”, observou.
“Em resumo a todas essas dicas, queremos que os pais se sensibilizem da necessidade e da importância do acompanhamento médico periódico da criança nos primeiros anos de vida para que possamos ter adolescentes e adultos saudáveis, que vivam até os 100 anos de idade com saúde”, finalizou Slhessarenko, ressaltando: “que se nenhuma criança de 0 a 6 anos de idade no Brasil passar fome de comida, de estímulo e de afeto, teremos um outro país em pouco tempo”.
Dra. Natasha Slhessarenko é pediatra e patologista, conselheira do Conselho Federal de Medicina (CFM) e professora da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).
Opinião
ELIÇÕES NO BRASIL QUARENTA ANOS DEPOIS O PÊNDULO POLÍTICO MUDOU DE LADO
Há eleições que simplesmente escolhem governantes e parlamentares. Outras encerram ciclos, reorganizam forças e revelam mudanças profundas na sociedade. O Brasil viveu uma dessas eleições em 1986. Quarenta anos depois, em 2026, parece viver um movimento de direção inversa.
Em 1986, o país ainda respirava os primeiros ares da redemocratização depois de 21 anos de regime militar, iniciado em 1964. A eleição ocorreu sob o impacto da Nova República, das Diretas Já, da eleição de Tancredo Neves e também da enorme popularidade inicial do Plano Cruzado. O resultado foi avassalador: o PMDB conquistou 22 dos 23 governos estaduais e elegeu 260 dos 487 deputados federais e sozinho, 53% da Câmara. Na eleição para o Senado, conquistou 38 das 49 vagas então disputadas.
Do outro lado estava principalmente o sistema partidário que carregava parte da herança política do regime anterior. O PDS, sucessor da Arena, que sustentara politicamente os governos militares, sofreu uma derrota histórica: ficou com apenas 33 deputados federais, dois senadores eleitos e nenhum governador. O PFL, nascido de uma dissidência do próprio PDS e aliado do governo Sarney, porém, conquistou 118 deputados. Isso demonstra que 1986 não representou simplesmente uma vitória da “esquerda”, mas uma gigantesca reorganização do poder em favor das forças da redemocratização.
O próprio PMDB reunia correntes progressistas, moderadas e conservadoras. Tanto que, durante a Assembleia Constituinte, uma parcela importante de seus parlamentares participou do chamado Centrão. Ainda assim, naquele momento histórico, conceitos como democracia, direitos sociais, participação popular, ampliação das liberdades e construção de uma nova ordem constitucional ocupavam o centro da agenda nacional. O Congresso eleito em 1986 produziria a Constituição de 1988.
Quarenta anos depois, o pêndulo mudou de direção.
As eleições de 2026 apresentam uma fotografia quase inversa na correlação de forças. O PL elegeu 121 dos 513 deputados federais, ampliando sua bancada em 24 cadeiras e tornando-se, com enorme vantagem, o maior partido da Câmara. A federação PT-PCdoB-PV ficou com 82 deputados.
No Senado, a mudança é ainda mais impressionante. Das 54 cadeiras disputadas, o PL conquistou 19. Considerados também os parlamentares com mandato até 2030 e as alterações decorrentes das eleições estaduais, a legenda deverá iniciar 2027 com 28 dos 81 senadores, contra nove do PT e oito do MDB. Será a maior bancada partidária no início de uma legislatura do Senado desde a Constituição de 1988.
O simbolismo histórico é extraordinário. Em 1986, o PMDB conquistou 38 das 49 cadeiras senatoriais em disputa; em 2026, o PL conseguiu 19 das 54. São magnitudes diferentes, mas os dois resultados expressam momentos de forte reorganização do sistema político. Em 1986, o partido identificado com a redemocratização ocupava o centro do poder. Em 2026, uma força política de identidade predominantemente conservadora assume a maior bancada das duas Casas do Congresso.
Há, portanto, uma interessante simetria histórica. 1986 foi uma eleição marcada pelo desejo de afastamento da ordem política construída durante o regime militar; 2026 revela o fortalecimento de forças conservadoras depois de quatro décadas nas quais direitos sociais, Constituição de 1988 e agendas progressistas tiveram enorme presença no debate político brasileiro.
Isso não significa que o Brasil tenha permanecido progressista durante quarenta anos, tampouco que tenha se tornado integralmente conservador agora. A história política brasileira nunca foi tão linear. Houve governos de centro, centro-direita, centro-esquerda e coalizões extremamente heterogêneas. O próprio segundo turno presidencial de 2026 ainda será disputado, demonstrando que a sociedade permanece profundamente dividida.
Mas o Congresso que saiu das urnas oferece um dado impossível de ignorar: o conservadorismo deixou de ser apenas uma força de resistência às mudanças e passou a ocupar uma posição central na organização institucional do poder.
Em 1986, o eleitor brasileiro ajudou a enterrar eleitoralmente boa parte da estrutura partidária herdada do regime militar. Em 2026, quarenta anos depois, o eleitorado promove outra mudança de eixo.
A história raramente se repete da mesma maneira. Ela trabalha por movimentos, contradições e reações. O pêndulo que em 1986 se deslocou em direção à redemocratização e à expansão dos direitos agora se movimenta em direção ao conservadorismo.
Quarenta anos depois, não estamos assistindo à repetição de 1986. Estamos assistindo, em muitos aspectos, ao seu movimento inverso.
* João Edisom de Souza – Analista político e professor universitário
-
Política5 dias atrásTRE-MT informa ausência de denúncias de fake news e destaca ações conjuntas com a ALMT
-
Polícia6 dias atrásMárcia Pinheiro passa por cirurgia de seis horas e família atualiza estado de saúde
-
Política7 dias atrásAbilio pede desculpas a Erika Hilton após acordo com a PGR por episódio na CPMI
-
Esporte7 dias atrásBrasil vira sobre a Austrália e vence por 4 a 2 em amistoso
-
Política7 dias atrásEmanuelzinho aparece na frente em pesquisa para deputado federal em Cuiabá
-
Economia6 dias atrásTermina nesta quarta prazo para pedir dinheiro do fundo PIS/Pasep
-
Agricultura13 horas atrásSetor produtivo prepara cobrança de pautas aos eleitos de MT
-
Polícia6 dias atrásTRE suspende propaganda de Natasha até 1º de outubro e eleva multa para R$ 100 mil

