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Fique atento aos sinais de surdez na criança

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Foto: Assessoria/Divulgação

Uma vigilância na audição deve acontecer durante todo o curso da infância para triar a surdez, porque a criança dificilmente se queixa de má audição antes dos 10 anos de idade. Trazemos este tema oportunamente neste mês em que se comemora o Dia das Crianças (12 de outubro).

Diferente do que acontece com a visão, a audição dos bebês é mais acurada desde o nascimento. Tanto que ao ouvirem a voz da mãe, muitos recém-nascidos param de chorar. Ainda não é uma audição 100%, mas logo que chegam ao mundo, eles já têm de responder a ruídos externos.

É por meio da audição que percebemos o que ocorre ao nosso redor, interagimos uns com os outros ou podemos simplesmente sentar e apreciar uma bela música.

Pode parecer simples, mas na verdade demanda um processo complexo que tem início ainda na vida intrauterina, aos 5 meses de gestação.

A triagem começa logo após o nascimento, chamada TANU (Triagem Auditiva Neonatal Universal), preferencialmente ainda na maternidade. Se o bebê falhar neste teste, ele deve ser encaminhado a um médico otorrinolaringologista para exames mais complexos e completar o diagnóstico. Detectada a perda auditiva, o uso de aparelhos auditivos e terapia fonoaudiológica devem ser iniciados até os 6 meses de idade para que esse bebê tenha as mesmas condições de fala que uma criança ouvinte normal.

Em recém-nascidos, a perda auditiva pode ocorrer por causas pré-natais e neonatais como: Antecedente familiar com surdez; Malformações da orelha interna, Infecções congênitas (rubéola, citomegalovírus, herpes, toxoplasmose, sífilis, HIV; Permanência na UTI por mais de 5 dias ou a ocorrência de qualquer uma das seguintes condições: ventilação extracorpórea, ventilação assistida, exposição a antibióticos e/ou diuréticos; Hiperbilirrubinemia.

Também pode ter origem em distúrbios degenerativos (Ataxia de Friedreich, Síndrome de Charcot-Marie-Tooth; perinatal; anóxia perinatal grave; apgar neonatal de 0 a 4 no primeiro minuto de vida, ou de 0 a 6 no quinto minuto; peso inferior a 1500 gramas ao nascer; Anomalias craniofaciais envolvendo a orelha e o osso temporal; síndromes genéticas que usualmente expressam deficiência auditiva (como Waardenburg, Alport, Pendred, entre outras); infecções bacterianas ou virais pós-natais como citomegalovírus, herpes, sarampo, varicela e meningite; traumatismo craniano e quimioterapia.

O normal é que o bebê reaja a ruídos como palmas desde o primeiro mês e , aos poucos , inicie a reconhecer de onde vêm os sons- você vai notar que ele move a cabeça em direção ao barulho. Ao redor dos 2 meses, o bebê já pode começar a balançar as pernas e braços ou até sorrir enquanto conversam com ele. Além de conversar, estimule a audição com músicas calmas e histórias.

São sinais de surdez em bebês: quando não há reação a sons altos; quando falta reconhecimento à origem do som, exemplo quando algo produz som e a criança não se vira em direção ou olha para o local ou objeto de onde veio o som; quando não faz sons com a boca (em tentativa de fala como má, dadá, etc.).

Pode acontecer de o bebê não ter nenhuma alteração de audição no nascimento e perdê-la parcial ou totalmente nos meses seguintes por conta de uma série de fatores como meningite, catapora, lesões, infecções no ouvido etc.

Os exames para o diagnóstico adequado dependem da faixa etária da criança a ser avaliada, ou seja, para cada idade, o médico otorrinolaringologista indicará os testes específicos e adequados.

Abaixo, uma escala para acompanhamento do desenvolvimento da audição e linguagem :

Recém-nascido: acorda com sons fortes;

0 a 3 meses: Acalma com sons moderadamente fortes e músicas;

3-4 meses: Presta atenção nos sons e vocaliza;

6-8 meses: Localiza a fonte sonora, balbucia sons (ex: “dadá”)

12 meses: Aumenta a frequência do balbucio e inicia a produção das primeiras palavras, entende ordens simples como “dá tchau”;

18 meses: Fala, no mínimo, seis palavras;

2 anos: Produz frases com duas palavras;

3 anos: Produz sentenças.

Em pré-escolares o baixo rendimento pode estar associado a perda auditiva. A presença de cera nos ouvidos, infecções e uso de fones de ouvidos em altas intensidades podem levar a perda auditiva por diferentes causas que não devem ser negligenciadas. Daí, novamente a importância de uma avaliação com um médico otorrinolaringologista.

Fique atento ao comportamento do seu filho. A deficiência auditiva foi considerada uma doença severamente incapacitante por muitos séculos. A fim de minimizar seus efeitos, dispositivos eletrônicos vêm sendo desenvolvidos e aprimorados, sempre com vistas a melhor qualidade da comunicação do deficiente auditivo.

Em quase todos os casos de perda auditiva há como melhorar a qualidade de vida do indivíduo, seja por meio de tratamento clínico, cirúrgico, uso de aparelhos auditivos ou implantes cocleares. Saiba mais sobre perda auditiva em @fonovanessamoraes.

Vanessa Moraes é fonoaudióloga e audiologista na Sonicon.

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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não

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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.

Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.

O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.

A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.

É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.

Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.

Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.

A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.

No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.

Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar



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