Opinião
Setembro Verde: a colonoscopia no diagnóstico do câncer de intestino
Opinião
A campanha Setembro Verde tem como objetivo orientar a população sobre a prevenção do câncer de cólon e reto. Terceiro tipo mais frequente em homem e o segundo mais frequente em mulher, o câncer colorretal deve fazer 36.360 novas vítimas no Brasil somente neste ano, segundo estimativa do INCA (Instituto Nacional do Câncer). São cerca de 15 mil óbitos por ano, que podem ser evitados com a detecção precoce. Uma das maneiras mais eficientes para detectar a doença é colonoscopia.
A colonoscopia, exame endoscópico do cólon e do reto, é indicada para pacientes assintomáticos a partir dos 50 anos. Pacientes com histórico de câncer de intestino na família devem começar a fazer o exame por volta dos 30 anos ou conforme orientação médica.
Pacientes com mais de 50 anos e com antecedentes familiares de câncer de intestino formam um grupo de risco para câncer de cólon e reto. Sangramento intestinal, anormalidades diagnosticadas por outros exames de imagem e esclarecimentos de anemia são outras indicações para a realização do exame. A frequência depende dos sintomas e dos achados, variando em cada caso.
A colonoscopia é um exame que permite ao médico analisar a mucosa (revestimento interno) do intestino grosso e reto. Ela é indicada para identificar pólipos, tumores, inflamações, úlceras e outras alterações do órgão, é considerada um dos principais métodos de rastreamento do câncer do cólon e reto.
De acordo com ela, durante o exame de colonoscopia, também é possível realizar procedimentos como a coleta de biópsia ou mesmo a retirada de pólipos, que são uma alteração causada pelo crescimento anormal da mucosa. Em um primeiro momento, são pequenos e benignos, mas podem crescer e se tornar malignos.
Por isso, é muito importante retirá-los durante o exame. A colonoscopia também pode ser indicada como um método terapêutico, já que permite a cauterização de vasos sanguíneos que podem estar sangrando.
A colonoscopia é feita com a introdução de um fino tubo através do ânus, geralmente, sob sedação, para um melhor conforto do paciente. Este tubo tem acoplado a si uma câmera para permitir a visualização da mucosa intestinal e, durante o exame, pequenas quantidades de ar são injetadas dentro do intestino para melhorar a visualização. O exame costuma durar entre 20 e 40 minutos. O paciente deve ficar um período em recuperação.
Para que o médico consiga realizar a colonoscopia e visualizar as alterações, é necessário que o cólon esteja completamente limpo, ou seja, sem qualquer resíduo de fezes ou alimentos e, para isto, deve ser feito um preparo especial para o exame, que é indicado pelo médico ou clínica que irá realizá-lo.
Normalmente, o preparo é iniciado pelo menos um dia antes do exame, quando o paciente passa a ter uma dieta de fácil digestão, a base de pão, arroz e massas brancas, líquidos, sucos sem polpa da fruta, peixe e ovos cozidos, iogurte sem frutas ou pedaços. O paciente também deve evitar leite, frutas, frutos secos, verduras, legumes e cereais.
Nas 24 horas que antecedem o exame, é indicada uma dieta líquida, para que não sejam produzidos resíduos no intestino grosso. Importante ressaltar que hoje a colonoscopia não mais compromete o dia a dia do paciente, sendo realizada com conforto e sem efeitos adversos.
Opinião
ELIÇÕES NO BRASIL QUARENTA ANOS DEPOIS O PÊNDULO POLÍTICO MUDOU DE LADO
Há eleições que simplesmente escolhem governantes e parlamentares. Outras encerram ciclos, reorganizam forças e revelam mudanças profundas na sociedade. O Brasil viveu uma dessas eleições em 1986. Quarenta anos depois, em 2026, parece viver um movimento de direção inversa.
Em 1986, o país ainda respirava os primeiros ares da redemocratização depois de 21 anos de regime militar, iniciado em 1964. A eleição ocorreu sob o impacto da Nova República, das Diretas Já, da eleição de Tancredo Neves e também da enorme popularidade inicial do Plano Cruzado. O resultado foi avassalador: o PMDB conquistou 22 dos 23 governos estaduais e elegeu 260 dos 487 deputados federais e sozinho, 53% da Câmara. Na eleição para o Senado, conquistou 38 das 49 vagas então disputadas.
Do outro lado estava principalmente o sistema partidário que carregava parte da herança política do regime anterior. O PDS, sucessor da Arena, que sustentara politicamente os governos militares, sofreu uma derrota histórica: ficou com apenas 33 deputados federais, dois senadores eleitos e nenhum governador. O PFL, nascido de uma dissidência do próprio PDS e aliado do governo Sarney, porém, conquistou 118 deputados. Isso demonstra que 1986 não representou simplesmente uma vitória da “esquerda”, mas uma gigantesca reorganização do poder em favor das forças da redemocratização.
O próprio PMDB reunia correntes progressistas, moderadas e conservadoras. Tanto que, durante a Assembleia Constituinte, uma parcela importante de seus parlamentares participou do chamado Centrão. Ainda assim, naquele momento histórico, conceitos como democracia, direitos sociais, participação popular, ampliação das liberdades e construção de uma nova ordem constitucional ocupavam o centro da agenda nacional. O Congresso eleito em 1986 produziria a Constituição de 1988.
Quarenta anos depois, o pêndulo mudou de direção.
As eleições de 2026 apresentam uma fotografia quase inversa na correlação de forças. O PL elegeu 121 dos 513 deputados federais, ampliando sua bancada em 24 cadeiras e tornando-se, com enorme vantagem, o maior partido da Câmara. A federação PT-PCdoB-PV ficou com 82 deputados.
No Senado, a mudança é ainda mais impressionante. Das 54 cadeiras disputadas, o PL conquistou 19. Considerados também os parlamentares com mandato até 2030 e as alterações decorrentes das eleições estaduais, a legenda deverá iniciar 2027 com 28 dos 81 senadores, contra nove do PT e oito do MDB. Será a maior bancada partidária no início de uma legislatura do Senado desde a Constituição de 1988.
O simbolismo histórico é extraordinário. Em 1986, o PMDB conquistou 38 das 49 cadeiras senatoriais em disputa; em 2026, o PL conseguiu 19 das 54. São magnitudes diferentes, mas os dois resultados expressam momentos de forte reorganização do sistema político. Em 1986, o partido identificado com a redemocratização ocupava o centro do poder. Em 2026, uma força política de identidade predominantemente conservadora assume a maior bancada das duas Casas do Congresso.
Há, portanto, uma interessante simetria histórica. 1986 foi uma eleição marcada pelo desejo de afastamento da ordem política construída durante o regime militar; 2026 revela o fortalecimento de forças conservadoras depois de quatro décadas nas quais direitos sociais, Constituição de 1988 e agendas progressistas tiveram enorme presença no debate político brasileiro.
Isso não significa que o Brasil tenha permanecido progressista durante quarenta anos, tampouco que tenha se tornado integralmente conservador agora. A história política brasileira nunca foi tão linear. Houve governos de centro, centro-direita, centro-esquerda e coalizões extremamente heterogêneas. O próprio segundo turno presidencial de 2026 ainda será disputado, demonstrando que a sociedade permanece profundamente dividida.
Mas o Congresso que saiu das urnas oferece um dado impossível de ignorar: o conservadorismo deixou de ser apenas uma força de resistência às mudanças e passou a ocupar uma posição central na organização institucional do poder.
Em 1986, o eleitor brasileiro ajudou a enterrar eleitoralmente boa parte da estrutura partidária herdada do regime militar. Em 2026, quarenta anos depois, o eleitorado promove outra mudança de eixo.
A história raramente se repete da mesma maneira. Ela trabalha por movimentos, contradições e reações. O pêndulo que em 1986 se deslocou em direção à redemocratização e à expansão dos direitos agora se movimenta em direção ao conservadorismo.
Quarenta anos depois, não estamos assistindo à repetição de 1986. Estamos assistindo, em muitos aspectos, ao seu movimento inverso.
* João Edisom de Souza – Analista político e professor universitário
-
Política5 dias atrásTRE-MT informa ausência de denúncias de fake news e destaca ações conjuntas com a ALMT
-
Polícia6 dias atrásMárcia Pinheiro passa por cirurgia de seis horas e família atualiza estado de saúde
-
Política7 dias atrásAbilio pede desculpas a Erika Hilton após acordo com a PGR por episódio na CPMI
-
Esporte7 dias atrásBrasil vira sobre a Austrália e vence por 4 a 2 em amistoso
-
Política7 dias atrásEmanuelzinho aparece na frente em pesquisa para deputado federal em Cuiabá
-
Economia6 dias atrásTermina nesta quarta prazo para pedir dinheiro do fundo PIS/Pasep
-
Polícia6 dias atrásTRE suspende propaganda de Natasha até 1º de outubro e eleva multa para R$ 100 mil
-
Agricultura13 horas atrásSetor produtivo prepara cobrança de pautas aos eleitos de MT

