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Meio ambiente, saúde e qualidade de vida

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Foto: FaceBook/Divulgação

A sustentabilidade geralmente é associada às questões ambientais, na capacidade de produção de bens, auto reparação de recursos naturais e atividades econômicas. Porém, também está relacionada à vida em vários aspectos através de uma visão integrada, que envolve toda a sociedade, seja no âmbito social, cultural, educação e, obviamente, possui total relação com a saúde.

Quando pensamos em não poluir os rios e mares, vias públicas, evitar desmatamentos, praticar alimentação sustentável, fazer coleta de lixo seletiva, cuidar do ecossistema, estamos praticando ações que visam o equilíbrio do meio ambiente, sem prejudicá-lo, para vivermos melhor a longo prazo, proporcionando maior sobrevida ao planeta em que vivemos.

Diante do contexto, é importante a reflexão sobre a relação desta temática com o campo da promoção em saúde, visto que cada vez mais as políticas e ações de sustentabilidade aproximam-se das demandas e ações dos serviços de saúde, diante dos custos elevados que observamos para haver manutenção e recuperação da saúde da população.

A degradação dos ambientes naturais num ritmo acelerado, como por exemplo a emissão de gases poluentes aumentando o efeito estufa, a redução da qualidade e disponibilidade da água, aumentam muito o risco de desenvolvimento de doenças, mortes e resulta em prejuízos à qualidade de vida e saúde das pessoas e gerações futuras. Sem contar com o aparecimento das doenças conhecidas como zoonóticas.

Assim como para promoção e prevenção da saúde, vale ressaltar que a principal forma de contribuir com a sustentabilidade é a mudança de comportamento das pessoas, principalmente adquirindo hábitos saudáveis de vida, reduzindo os impactos e preservando o meio ambiente para garantir assim saúde e bem-estar para todos.

Portanto, a sustentabilidade é essencial para promoção da saúde pois estão interligados, e o incentivo ao desenvolvimento sustentável favorece locais físicos e sociais para realizar por exemplo, práticas como redução da toxicidade alimentar, poluição do ar e ambiente, água limpa e saneamento básico, serviços de saúde de qualidade, o que reflete diretamente em um indivíduo saudável.

Importante também ressaltar aqui o papel fundamental da iniciativa privada na adoção de práticas sustentáveis, as empresas sustentáveis e a economia verde.

Por fim, muitos componentes da vida social que contribuem para uma vida com qualidade são também fundamentais para que indivíduos e populações alcancem um perfil elevado de saúde, para além dos hábitos de vida individuais.

É necessário mais do que o acesso a serviços médico-assistenciais de qualidade, é preciso enfrentar os determinantes da saúde em toda a sua amplitude, o que requer políticas públicas saudáveis, uma efetiva articulação intersetorial do poder público e a mobilização da população.

Dra. Natasha Slhessarenko é medica, professora da UFMT, conselheira do CFM e empresária

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ELIÇÕES NO BRASIL QUARENTA ANOS DEPOIS O PÊNDULO POLÍTICO MUDOU DE LADO

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Há eleições que simplesmente escolhem governantes e parlamentares. Outras encerram ciclos, reorganizam forças e revelam mudanças profundas na sociedade. O Brasil viveu uma dessas eleições em 1986. Quarenta anos depois, em 2026, parece viver um movimento de direção inversa.

Em 1986, o país ainda respirava os primeiros ares da redemocratização depois de 21 anos de regime militar, iniciado em 1964. A eleição ocorreu sob o impacto da Nova República, das Diretas Já, da eleição de Tancredo Neves e também da enorme popularidade inicial do Plano Cruzado. O resultado foi avassalador: o PMDB conquistou 22 dos 23 governos estaduais e elegeu 260 dos 487 deputados federais e sozinho, 53% da Câmara. Na eleição para o Senado, conquistou 38 das 49 vagas então disputadas.

Do outro lado estava principalmente o sistema partidário que carregava parte da herança política do regime anterior. O PDS, sucessor da Arena, que sustentara politicamente os governos militares, sofreu uma derrota histórica: ficou com apenas 33 deputados federais, dois senadores eleitos e nenhum governador. O PFL, nascido de uma dissidência do próprio PDS e aliado do governo Sarney, porém, conquistou 118 deputados. Isso demonstra que 1986 não representou simplesmente uma vitória da “esquerda”, mas uma gigantesca reorganização do poder em favor das forças da redemocratização.

O próprio PMDB reunia correntes progressistas, moderadas e conservadoras. Tanto que, durante a Assembleia Constituinte, uma parcela importante de seus parlamentares participou do chamado Centrão. Ainda assim, naquele momento histórico, conceitos como democracia, direitos sociais, participação popular, ampliação das liberdades e construção de uma nova ordem constitucional ocupavam o centro da agenda nacional. O Congresso eleito em 1986 produziria a Constituição de 1988.

Quarenta anos depois, o pêndulo mudou de direção.
As eleições de 2026 apresentam uma fotografia quase inversa na correlação de forças. O PL elegeu 121 dos 513 deputados federais, ampliando sua bancada em 24 cadeiras e tornando-se, com enorme vantagem, o maior partido da Câmara. A federação PT-PCdoB-PV ficou com 82 deputados.
No Senado, a mudança é ainda mais impressionante. Das 54 cadeiras disputadas, o PL conquistou 19. Considerados também os parlamentares com mandato até 2030 e as alterações decorrentes das eleições estaduais, a legenda deverá iniciar 2027 com 28 dos 81 senadores, contra nove do PT e oito do MDB. Será a maior bancada partidária no início de uma legislatura do Senado desde a Constituição de 1988.

O simbolismo histórico é extraordinário. Em 1986, o PMDB conquistou 38 das 49 cadeiras senatoriais em disputa; em 2026, o PL conseguiu 19 das 54. São magnitudes diferentes, mas os dois resultados expressam momentos de forte reorganização do sistema político. Em 1986, o partido identificado com a redemocratização ocupava o centro do poder. Em 2026, uma força política de identidade predominantemente conservadora assume a maior bancada das duas Casas do Congresso.

Há, portanto, uma interessante simetria histórica. 1986 foi uma eleição marcada pelo desejo de afastamento da ordem política construída durante o regime militar; 2026 revela o fortalecimento de forças conservadoras depois de quatro décadas nas quais direitos sociais, Constituição de 1988 e agendas progressistas tiveram enorme presença no debate político brasileiro.

Isso não significa que o Brasil tenha permanecido progressista durante quarenta anos, tampouco que tenha se tornado integralmente conservador agora. A história política brasileira nunca foi tão linear. Houve governos de centro, centro-direita, centro-esquerda e coalizões extremamente heterogêneas. O próprio segundo turno presidencial de 2026 ainda será disputado, demonstrando que a sociedade permanece profundamente dividida.
Mas o Congresso que saiu das urnas oferece um dado impossível de ignorar: o conservadorismo deixou de ser apenas uma força de resistência às mudanças e passou a ocupar uma posição central na organização institucional do poder.

Em 1986, o eleitor brasileiro ajudou a enterrar eleitoralmente boa parte da estrutura partidária herdada do regime militar. Em 2026, quarenta anos depois, o eleitorado promove outra mudança de eixo.
A história raramente se repete da mesma maneira. Ela trabalha por movimentos, contradições e reações. O pêndulo que em 1986 se deslocou em direção à redemocratização e à expansão dos direitos agora se movimenta em direção ao conservadorismo.
Quarenta anos depois, não estamos assistindo à repetição de 1986. Estamos assistindo, em muitos aspectos, ao seu movimento inverso.

* João Edisom de Souza – Analista político e professor universitário



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