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A empresa sustentável e sua importância para a vida

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O desenvolvimento sustentável exprime a relação entre crescimento econômico, conservação ambiental e preocupação social. E olhar para o meio ambiente e conceitos como sustentabilidade corporativa tem sido cada vez mais abordados pelas empresas.

Mas, o que é ser uma empresa sustentável. No nosso entendimento, ser sustentável é ter o olhar direcionado para o futuro, o que engloba não só a natureza, mas a própria empresa, seus colaboradores, clientes, parceiros e a comunidade.

Sendo assim, é natural que as organizações busquem maneiras de se diferenciarem a partir de novas práticas.

O principal benefício da sustentabilidade é a preservação ambiental por meio de medidas como economia de energia elétrica, utilização de fontes alternativas de energia, reciclagem de materiais, tratamento do lixo, diminuição na emissão de gases poluentes, fim do desmatamento e incentivo ao consumismo sustentável, utilização de produtos reciclados, entre outros.

Trazendo isto para dentro do meio corporativo, uma empresa sustentável é aquela que planeja suas ações econômicas contemplando atitudes éticas, conscientes e que colaboram para um mundo melhor. Ou seja, antes de colocar seus planos em prática, ela analisa se haverá algum impacto no meio ambiente e se, de alguma forma, estará beneficiando as pessoas ao seu redor.

A sustentabilidade garante que as próximas gerações possam viver em um mundo mais equilibrado, onde a tecnologia e o desenvolvimento social consigam evoluir sem causar danos aos ecossistemas e sem prejudicar o futuro do planeta.

A qualidade de vida que sonhamos para nossos filhos e netos só será alcançada se, hoje, adotarmos a sustentabilidade em nosso dia a dia e isso vale para as empresas, que, quando têm consciência ambiental, se revelam como mais inovadoras, porque estão constantemente revisando processos para encontrar novas soluções.

E é fato que, atualmente, os consumidores querem que as empresas não pensem apenas em seu próprio crescimento, mas que igualmente busquem atividades que elevem a qualidade de vida dos trabalhadores.

Naturalmente, as ações de sustentabilidade da empresa se refletem na comunidade onde está inserida e em toda a sociedade.

Importante destacar que é preciso que a consciência ambiental também seja praticada individualmente, que seja ampliada cada vez mais a percepção das relações entre a saúde do corpo e da mente e a saúde do planeta que nos convida à urgente transformação de nosso estilo de vida e, consequentemente, das inúmeras escolhas que fazemos no cotidiano.

Se praticamos a sustentabilidade de forma individual e coletiva no nosso dia a dia, é possível, sim, termos um futuro melhor para todos.

Roberto Barreto é médico gastroenterologista e endoscopista, vice-presidente da Sobed/MT e empresário

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ELIÇÕES NO BRASIL QUARENTA ANOS DEPOIS O PÊNDULO POLÍTICO MUDOU DE LADO

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Há eleições que simplesmente escolhem governantes e parlamentares. Outras encerram ciclos, reorganizam forças e revelam mudanças profundas na sociedade. O Brasil viveu uma dessas eleições em 1986. Quarenta anos depois, em 2026, parece viver um movimento de direção inversa.

Em 1986, o país ainda respirava os primeiros ares da redemocratização depois de 21 anos de regime militar, iniciado em 1964. A eleição ocorreu sob o impacto da Nova República, das Diretas Já, da eleição de Tancredo Neves e também da enorme popularidade inicial do Plano Cruzado. O resultado foi avassalador: o PMDB conquistou 22 dos 23 governos estaduais e elegeu 260 dos 487 deputados federais e sozinho, 53% da Câmara. Na eleição para o Senado, conquistou 38 das 49 vagas então disputadas.

Do outro lado estava principalmente o sistema partidário que carregava parte da herança política do regime anterior. O PDS, sucessor da Arena, que sustentara politicamente os governos militares, sofreu uma derrota histórica: ficou com apenas 33 deputados federais, dois senadores eleitos e nenhum governador. O PFL, nascido de uma dissidência do próprio PDS e aliado do governo Sarney, porém, conquistou 118 deputados. Isso demonstra que 1986 não representou simplesmente uma vitória da “esquerda”, mas uma gigantesca reorganização do poder em favor das forças da redemocratização.

O próprio PMDB reunia correntes progressistas, moderadas e conservadoras. Tanto que, durante a Assembleia Constituinte, uma parcela importante de seus parlamentares participou do chamado Centrão. Ainda assim, naquele momento histórico, conceitos como democracia, direitos sociais, participação popular, ampliação das liberdades e construção de uma nova ordem constitucional ocupavam o centro da agenda nacional. O Congresso eleito em 1986 produziria a Constituição de 1988.

Quarenta anos depois, o pêndulo mudou de direção.
As eleições de 2026 apresentam uma fotografia quase inversa na correlação de forças. O PL elegeu 121 dos 513 deputados federais, ampliando sua bancada em 24 cadeiras e tornando-se, com enorme vantagem, o maior partido da Câmara. A federação PT-PCdoB-PV ficou com 82 deputados.
No Senado, a mudança é ainda mais impressionante. Das 54 cadeiras disputadas, o PL conquistou 19. Considerados também os parlamentares com mandato até 2030 e as alterações decorrentes das eleições estaduais, a legenda deverá iniciar 2027 com 28 dos 81 senadores, contra nove do PT e oito do MDB. Será a maior bancada partidária no início de uma legislatura do Senado desde a Constituição de 1988.

O simbolismo histórico é extraordinário. Em 1986, o PMDB conquistou 38 das 49 cadeiras senatoriais em disputa; em 2026, o PL conseguiu 19 das 54. São magnitudes diferentes, mas os dois resultados expressam momentos de forte reorganização do sistema político. Em 1986, o partido identificado com a redemocratização ocupava o centro do poder. Em 2026, uma força política de identidade predominantemente conservadora assume a maior bancada das duas Casas do Congresso.

Há, portanto, uma interessante simetria histórica. 1986 foi uma eleição marcada pelo desejo de afastamento da ordem política construída durante o regime militar; 2026 revela o fortalecimento de forças conservadoras depois de quatro décadas nas quais direitos sociais, Constituição de 1988 e agendas progressistas tiveram enorme presença no debate político brasileiro.

Isso não significa que o Brasil tenha permanecido progressista durante quarenta anos, tampouco que tenha se tornado integralmente conservador agora. A história política brasileira nunca foi tão linear. Houve governos de centro, centro-direita, centro-esquerda e coalizões extremamente heterogêneas. O próprio segundo turno presidencial de 2026 ainda será disputado, demonstrando que a sociedade permanece profundamente dividida.
Mas o Congresso que saiu das urnas oferece um dado impossível de ignorar: o conservadorismo deixou de ser apenas uma força de resistência às mudanças e passou a ocupar uma posição central na organização institucional do poder.

Em 1986, o eleitor brasileiro ajudou a enterrar eleitoralmente boa parte da estrutura partidária herdada do regime militar. Em 2026, quarenta anos depois, o eleitorado promove outra mudança de eixo.
A história raramente se repete da mesma maneira. Ela trabalha por movimentos, contradições e reações. O pêndulo que em 1986 se deslocou em direção à redemocratização e à expansão dos direitos agora se movimenta em direção ao conservadorismo.
Quarenta anos depois, não estamos assistindo à repetição de 1986. Estamos assistindo, em muitos aspectos, ao seu movimento inverso.

* João Edisom de Souza – Analista político e professor universitário



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