Opinião

Sustentabilidade e ESG na construção civil

Publicado em

Opinião

O termo sustentabilidade sempre parece ser bem atual, afinal, cada segundo que vivemos é um pedaço do planeta que perdemos. Contudo, essa ideia surgiu no final do século XVII, quando os países europeus perceberam que poderiam reaproveitar as muitas sobras de madeiras – usadas para as construções de seus navios – para usar futuramente, evitando o descarte delas, dando, assim, um start à era do reaproveitamento.

O conceito de sustentabilidade no âmbito da construção civil carrega um compromisso com toda a cadeia de envolvidos – desde fornecedores, clientes até o consumidor final. São ações que se praticam já no projeto, no andamento e após as construções, com o objetivo de reduzir os impactos ambientais a fim de garantir qualidade de vida hoje e para as futuras gerações.

Nos grandes centros urbanos, onde o impacto ambiental é severo e em ascensão, o viés dessa tendência é sugerir na planta a preservação do verde, por exemplo. As árvores, plantas, frutíferas e toda área verde que foi preservada em áreas comuns em condomínios, entre uma torre e outra ou até mesmo em corredores são elementos do que foi previsto em um projeto sustentável.

O ESG é uma sigla em inglês (environmental, social and governance) que significa em tradução livre: ambiental, social e governança. A aplicação desse termo na esfera da construção civil consiste em práticas empresariais voltadas aos critérios ambientais, sociais e de excelência em governança empresarial. Além disso, a ESG tem como principal inclinação investimentos com critérios de sustentabilidade.

Os aspectos não-financeiros são abstraídos no molde do ESG, o que é de extrema relevância para uma organização que deseja ser sustentável. Esse modelo tem em sua vertente a abertura de informações e a medição de desempenho da gestão social e ambiental, bem como as práticas de governança de uma empresa. Sua sigla trás a visão financeira, o dinheiro dos investidores que sabem onde irão destinar seu capital.

Sustentabilidade, no entendimento moderno, é mais do que isso. É o pensamento estratégico da companhia, que integra esses aspectos não-financeiros considerados pelo ESG (sociais, ambientais e de governança) ao modelo de negócios voltado à geração de um impacto maior para a sociedade. Porém, a sustentabilidade pode ser lida ainda por muitos como um termo ultrapassado.

A construção civil sustentável se empenha em entregar mais que uma obra, mas sim um compromisso, uma experiência nesse conceito. As intervenções das construtoras visam diminuir ou cessar o aquecimento global, a poluição da água e do ar, as emissões de carbono e o desmatamento. Nessas ações também constam a gestão de resíduos, o reaproveitamento de água e a eficiência energética como elementos-chave durante o ciclo do projeto.

Segundo dados da pesquisa da Amcham (2021), com 178 lideranças de organizações no Brasil, 95% dos entrevistados afirmaram que as suas companhias estão engajadas no ESG, sendo que 37% destes têm um engajamento em planejamento ativo e estão mapeando os pontos a serem desenvolvidos; 31% dizem já ter um engajamento integral e integrado ao negócio, colocando a sustentabilidade na gestão estratégica; 26% vêm construindo este engajamento adotando práticas para minimizar seus impactos socioambientais; e 89% dos interrogados expressaram que já possuem algum nível de investimento direcionado para esse objetivo.

Enquanto a sustentabilidade tem por princípio minimizar os impactos negativos nas ações advindas do homem ao ambiente, o ESG observa os critérios e identifica oportunidades para definir um investimento responsável, sendo atualmente o termo preferido dos investidores e mercados de capitais. E, sim, o ESG está incorporado em sustentabilidade. É a direção de uma organização no sentido de um modelo de negócios sustentável.

 

*Rodrigo Luiz Sanchez é engenheiro civil e Diretor Comercial da MSB Sanchez Construtora e Incorporadora Ltda.

 

Foto: Divulgação

COMENTE ABAIXO:
Propaganda

Opinião

O jogo acaba. O “nós contra eles”, não

Publicados

em


A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.

Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.

O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.

A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.

É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.

Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.

Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.

A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.

No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.

Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar



COMENTE ABAIXO:
Continue lendo

POLÍTICA

POLÍCIA

ESPORTE

ENTRETENIMENTO

MAIS LIDAS DA SEMANA