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Dia do Surdo e a luta pela inclusão

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No dia 26 de setembro celebramos no Brasil o dia do surdo, considerado pela comunidade como setembro azul. A cor faz referência à faixa azul usada pelas pessoas com deficiência por imposição dos nazistas na segunda guerra mundial como forma de segregação social.

Esta data foi instituída em homenagem à primeira escola de surdos no Brasil, em 1857, no Rio de Janeiro, conhecida hoje como INES – Instituto Nacional de Educação dos Surdos, mantida hoje pelo Ministério da Educação.

No Brasil, os surdos constituem cerca de 3,2% da população e celebrar esta data é fazer memória das conquistas da comunidade surda, assim como olhar para sua luta diária por inclusão, acessibilidade e respeito. Uma dessas conquistas se deu a partir da lei nº 10.436/2.002, quando a linguagem brasileira de sinais foi reconhecida como meio de comunicação e expressão.

Hoje, graças a esta luta, a LIBRAS deve ser acessível nos meios públicos, sobretudo nas escolas, que deverão ofertar um ensino bilíngue e dispor de intérpretes capacitados a tornar a comunicação, as relações e as informações acessíveis às pessoas com algum grau de surdez.

A surdez tem várias causas, desde nascimento prematuro, infecção, uso prolongado de alguns medicamentos, propensão genética, exposição a ruídos de alta intensidade, traumas na cabeça, alterações congênitas, alergias, problemas metabólicos, tumores ou até mesmo o avanço natural da idade. O tratamento dependerá da sua causa podendo ser feito com uso de medicamentos, cirurgia ou uso de aparelho auditivo.

Este dia nos abre espaço para refletir e debater sobre os direitos e a luta pela inclusão das pessoas surdas na sociedade. É  também, uma oportunidade para pensar no cuidado com saúde auditiva e prevenção da perda auditiva.

Às gestantes, cabe o acompanhamento médico e exames regulares, pois doenças como sífilis, rubéola e toxoplasmose podem provocar perdas auditivas avassaladoras nas crianças.

Às crianças recém-nascidas, o teste da orelhinha é um exame que possibilitará o diagnóstico precoce e o tratamento adequado a fim de oferecer melhores possibilidades de desenvolvimento. Além disso, em caso de atraso no desenvolvimento da fala, é recomendado que se busque auxílio de um médico otorrinolaringologista e de uma audiologista para que, mediante uma avaliação, problemas auditivos possam ser identificados e a intervenção seja iniciada o mais precoce possível.

Aos trabalhadores expostos ao ruído, o uso de equipamentos de segurança é indispensável, além do acompanhamento periódico quando há riscos ocupacionais gerados pelo ruído.

 Mesmo com todo esse avanço, especialmente no ensino de Libras, há muito o que ser feito: projetos inclusivos em escolas públicas e particulares, cursos técnicos/ profissionalizantes, inclusão de surdos em universidades, padrão necessário em laboratórios, clinicas, postos de saúde para atender essas pessoas com deficiência auditiva.

O maior empecilho para um atendimento de qualidade é a impossibilidade de comunicação em Libras. Exatamente por isso, para um tratamento mais humanizado e eficaz se torna imprescindível que se tenha um ou mais membros das equipes de atendimento tenham a formação em Libras.

Foto: Assessoria/Divulgação.

Vanessa Moraes e fonoaudióloga e audiologista – @fonovanessacmoraes

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Saúde mental é inegociável

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O que aprendi em 10 anos liderando a pauta de saúde mental? Durante a última edição do Vittude Summit, subi ao palco diante de cerca de 1.800 pessoas e lembrei do primeiro evento que realizamos, em janeiro de 2020. Na época, a expectativa era reunir 200 participantes para discutir saúde mental no ambiente corporativo. Muitos acreditavam que ninguém apareceria: o evento recebeu 280 pessoas.

Poucos meses depois, a pandemia transformou definitivamente a forma como as empresas passaram a enxergar o tema. O que antes era tratado como assunto secundário passou a ocupar espaço nas agendas das lideranças. Em poucos anos, vimos crescer rapidamente o interesse das organizações por estratégias estruturadas de promoção da saúde mental.

Os números que não podem mais ser ignorados

Em 2025, o Brasil registrou mais de 546 mil afastamentos por transtornos mentais, o maior número da série histórica e o terceiro ano consecutivo de crescimento. O dado, porém, mostra apenas parte do problema. Ele considera apenas afastamentos superiores a 15 dias, deixando de fora atestados mais curtos e um fenômeno igualmente preocupante: o presenteísmo, quando o colaborador está presente, mas não consegue desempenhar plenamente suas atividades.

No Censo de Saúde Mental da Vittude, realizado com 175 mil trabalhadores de 35 grandes corporações, identificamos uma perda média de produtividade de 32%. Em outras palavras, de cada R$ 100 investidos em folha de pagamento, cerca de R$ 32 deixam de se converter em trabalho efetivo em função do adoecimento emocional. Ou seja, são perdas financeiras e humanas.

O papel da segurança psicológica

Um dos principais achados do estudo foi a relação direta entre segurança psicológica e saúde mental. Entre os colaboradores que relataram baixos níveis de segurança psicológica, todos os indicadores analisados pioraram significativamente. A ideação suicida passou de 14,75% para 19%, enquanto a propensão ao burnout saltou de 5,94% para 21%. Já entre aqueles que percebiam altos níveis de segurança psicológica, a propensão ao burnout foi praticamente nula.

Esses dados mostram que boa parte do adoecimento está concentrada em ambientes onde as pessoas não se sentem seguras para pedir ajuda ou expressar opiniões. Por isso, saúde mental não depende apenas da oferta de benefícios. Depende, principalmente, da cultura organizacional.

A prevalência de ideação suicida entre os trabalhadores avaliados no Censo (14,75%) foi inferior à observada na população brasileira em geral (18%, segundo estudo do Instituto Cactus). Isso mostra que o trabalho pode funcionar como fator de proteção quando oferece pertencimento, reconhecimento e relações saudáveis.

O problema é que muitos ambientes ainda não oferecem essas condições. Com a atualização da NR-1 já em vigor, o gerenciamento dos riscos psicossociais passou a integrar oficialmente as responsabilidades das empresas.

O que aprendemos na prática

Ao longo desses dez anos, ficou claro que os programas de saúde mental mais efetivos compartilham uma característica: método. Não basta contratar fornecedores ou oferecer benefícios. É preciso diagnosticar riscos, definir prioridades, acompanhar indicadores, testar iniciativas e envolver a liderança de forma consistente durante todo o processo.

Foi dessa experiência que surgiu o Método VITAL — Verificar, Idealizar, Testar, Amadurecer e Liderar — desenvolvido a partir do trabalho com organizações de diferentes setores. O aprendizado é simples: iniciativas isoladas dificilmente produzem mudanças duradouras.

Promover saúde mental exige planejamento, acompanhamento contínuo e compromisso da liderança.

Em dez anos, a pauta amadureceu.

Hoje, o cenário é diferente. Líderes, profissionais de RH, médicos do trabalho e executivos passaram a discutir segurança psicológica, riscos psicossociais e saúde mental com uma frequência que parecia improvável poucos anos atrás.

A atualização da NR-1 consolida essa mudança. E depois de uma década acompanhando essa transformação, vejo que chegamos a um ponto de virada. Ainda há muito a fazer, mas, pela primeira vez em muitos anos, há uma combinação de conscientização, evidências e compromisso institucional capaz de acelerar essa mudança. E isso, sem dúvida, é motivo de esperança.

* Tatiana Pimenta CEO da Vittude



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