Mato Grosso
PGE ajudou o Estado a recuperar mais de meio bilhão de reais em 2019
Mato Grosso
Da Redação
A Procuradoria Geral do Estado (PGE) conseguiu recuperar para os cofres estaduais, em 2019, R$ 506,29 milhões. Este valor pode ser ainda maior, uma vez que os números computados são de até o dia 19 de dezembro, enquanto os descontos de até 75%, em juros e multas, para os contribuintes quitarem seus débitos vencidos até 2016, terminaram nesta segunda-feira (30.12).
Este montante superou não só a meta de R$ 282 milhões estipulada pela própria Procuradoria Geral do Estado, como as recuperações dos anos anteriores. Com relação a 2018, a arrecadação de 2019 foi 89,32% superior aos R$ 267,42 milhões recuperados naquele período, 119,93% superior em relação aos R$ 230,2 milhões de 2017 e em 734,92% (sete vezes mais) em relação aos R$ 60,63 milhões de 2016.
Segundo o procurador-geral do Estado, Francisco Lopes, esta performance resultou de um pedido feito pelo governador Mauro Mendes no sentido de se trabalhar com mais efetividade na arrecadação. “Ele sempre enfatizou ser preciso tratar o contribuinte com respeito, fazê-lo se sentir bem, mas, simultaneamente, que ele entenda a necessidade de pagar seu tributo, até em respeito aos que pagam em dia”.
“Partindo desta premissa”, continua Francisco Lopes, “a PGE executou este trabalho de recuperação. Foi mais incisiva em alguns pontos. Precisou de usar meios como comunicações impressas e protestos em cartório. Desta forma, conseguimos recuperar praticamente o dobro de 2018. Por um lado, é motivo de satisfação; por outro, aumentou nossa responsabilidade, pois sabemos que em 2020 nossa meta será ainda maior.
O procurador-geral do Estado lembra que houve aumento de remessas de débito para a Dívida Ativa, impedindo sua prescrição. “Até 2018, créditos como IPVA e licenciamento estavam prescrevendo, porque não estavam sendo encaminhados à PGE para cobrança. Entendiam que não eram um valor significativo, por se tratar de R$ 126, se visto de forma individual”.
“Só que o montante é significativo. Em uma entrevista recente, o presidente do Detran afirmou que 52% dos veículos licenciados estão com licenciamento atrasado. Ou seja, é um valor muito alto, que o Estado estava deixando de arrecadar”.
Francisco Lopes conta que o Detran encaminhou estes débitos para a Dívida Ativa, enquanto a PGE fez um mutirão para enviá-los ao protesto e evitar sua prescrição. “Este foi um dos fatores que contribuíram para este aumento significativo da arrecadação da PGE”, completa.
Descontos
Além do empenho de toda a equipe da Procuradoria na recuperação dos R$ 506,29 milhões, ressaltado por Francisco Lopes, outro fator ajudou a aumentar significativamente esta arrecadação, especialmente no período entre setembro e dezembro.
Como os decretos 216 e 217, de 20 de agosto de 2019, que regulamentaram, respectivamente, o Refis e Regularize, aprovados por leis submetidas à apreciação da Assembleia Legislativa, cujos descontos sobre multas e juros chegaram a 75%.
Para se ter uma ideia, entre janeiro e agosto (oito meses) a arrecadação foi de R$ 231,5 milhões, enquanto entre setembro e dezembro (quatro meses) saltou para R$ 274,79 milhões, com especial ênfase no mês de dezembro, quando somente até o dia 19, a PGE conseguiu recuperar R$ 111,14 milhões. Durante o Mutirão Fiscal Fecha acordo, entre 1º e 29 de novembro, a PGE arrecadou R$ 49,02 milhões.
Valores recuperados pela PGE até 19.12.2019
| Mês | Realizado |
| Janeiro | 36.406.966,92 |
| Fevereiro | 29.312.114,63 |
| Março | 26.603.182,12 |
| Abril | 31.191.276,78 |
| Maio | 28.698.739,29 |
| Junho | 20.007.289,54 |
| Julho | 28.593.570,37 |
| Agosto | 30.689.853,63 |
| Setembro | 43.582.127,37 |
| Outubro | 71.045.307,31 |
| Novembro | 49.024.623,11 |
| Dezembro | 111.134.948,93 |
| Total | 506.295.135,67 |
Foto: Rodolfo Perdigão
Mato Grosso
TJ anula votação secreta e manda AL reanalisar veto a reajuste de 6,8%
O Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) anulou a votação secreta realizada pela Assembleia Legislativa (ALMT) que manteve o veto do Governo do Estado ao projeto que prevê reajuste salarial de 6,8% para os servidores do Poder Judiciário. Com a decisão, os deputados terão de analisar novamente o veto, desta vez em uma votação aberta e nominal.
A decisão foi tomada pela Turma de Câmaras Cíveis Reunidas de Direito Público e Coletivo do TJMT após recurso apresentado pelo Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário de Mato Grosso (Sinjusmat), que questionou a validade da votação realizada em dezembro de 2025.
O relator do processo, desembargador Márcio Vidal, destacou que o próprio Judiciário já havia reconhecido a inconstitucionalidade de dispositivos que permitiam o sigilo na apreciação de vetos. Para ele, não seria coerente manter uma votação baseada justamente em uma regra considerada inconstitucional.
“Não seria juridicamente coerente declarar inconstitucional a norma que autorizou o sigilo e, simultaneamente, preservar a votação realizada com fundamento direto nessa mesma disposição”, afirmou o magistrado.
A decisão, entretanto, não determina que o reajuste seja aprovado. O TJMT deixou claro que cabe à Assembleia decidir novamente se mantém ou derruba o veto do Executivo, apenas exigindo que o procedimento siga as regras constitucionais.
“Preserva-se a liberdade política da Assembleia Legislativa para deliberar acerca da manutenção ou da rejeição do veto governamental, sem que o Poder Judiciário interfira no conteúdo da decisão parlamentar”, destacou Vidal.
Na votação anulada, realizada em dezembro do ano passado, 12 deputados votaram pela manutenção do veto e 10 pela derrubada. Como a sessão ocorreu de forma secreta, não foi possível identificar como cada parlamentar se posicionou. Para derrubar o veto, eram necessários 13 votos.
O projeto havia sido aprovado anteriormente pela Assembleia e previa reajuste de 6,8% para os servidores do Judiciário. O então governador Mauro Mendes vetou integralmente a proposta, alegando que o aumento poderia provocar impacto nas contas públicas e gerar um efeito cascata sobre outras carreiras do funcionalismo.
Com a decisão do TJMT, a Assembleia deverá incluir novamente o veto na pauta e realizar uma votação pública, com registro nominal dos votos. O julgamento, portanto, não garante o reajuste aos servidores, mas reabre a discussão sobre a proposta e elimina o sigilo que marcou a primeira análise do veto.
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