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O dia do Professor

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Por Gilson Aguiar

Ele é lembrado hoje. Lamentável viver de lembranças. O professor se tornou uma retórica e uma ficção neste país. Não uma realidade que se tem como um sinônimo de mudança efetiva por ter as condições necessária para isso. O profissional que todos exaltam hoje será comemorado, não há dúvida. Autoridades irão falar dele e de sua importância. Muitos mestres serão lembrados. Dos professores primários aos do ensino-superior ou pós-graduação.

Receberemos hoje recados pela internet, postagem nas redes sociais e no whatsapp falando da importância do docente em nossas vidas. Mais uma vez, “parabéns” habitual sem mudança de condição. Parece que comemoramos todos os anos a lembrança de um “mártir vivo”. Herói sem causa.

Vale lembrar que a profissão também não endeusa. Traz consigo gente boa e ruim, um ser humano normal. Pela desvalorização constante costuma ter em seus “quadros” pessoas de má índole. O ser “professor” não abençoa a má conduta. Como alguns médicos, padres, pastores, ser professor já esteve ligado a má conduta.

Por isso, gostaria de lembrar da face humana do professor. Daquele que em regra optou pela profissão mesmo sabendo da baixa remuneração. E que olha para os lados e encontra parceiros que optaram por não terem outra opção. Professores que todos os dias se tornam reféns da má educação que buscam combater. E que muitos dos mal-educados são colegas de trabalho, frequentam a mesma instituição.

Queria homenagear hoje o professor que luta contra o preconceito, enfrenta dilemas na relação com seus alunos, busca superar a discriminação que ele mesmo sofre. Muitos professores ao se apresentarem são vistos como um fracasso. Na proporção que a sociedade rejeita homossexuais, mulheres, afrodescendentes, idosos, as vezes a profissão é rotulada e ser docente tem sua marginalização.

Logo, não vou deixar de parabenizar a função, o trabalho de muitos profissionais de buscar romper com a ignorância e dar oportunidade aos que são ignorados. Amo ser docente na proporção em que me tornei um. Conviver com pessoas e colaborar para o aprimoramento humano e todas as consequências que isso pode gerar é fantástico. Há resultado. Muitos dos alunos com quem convivi cresceram e se tornaram plenos. Mas nunca deixaram de ser humanos. Por se educa “seres humanos”.

Parabéns a todos os professores e em especial a aqueles que conseguem todos os dias entender a importância que o bom profissional tem. Mais que isso, que por de trás de uma pessoa com qualidades profissionais há professores. Que os de bom caráter tiveram educadores em casa, pais. Entendem que a educação não é somente a escola, a sala de aula, é todos os dias. Que ser professor é coisa que muitos são sem o rótulo da profissão.

Então, hoje é dia de homenagear a todos os EDUCADORES. A todos que de certa forma são professores, e mudam pessoas e não ficam lamentando a dificuldade da profissão. Ela existe, e nem por isso deixam de fazer o que deve ser feito, mudar e buscar solução onde todos cultuam e se beneficiam de problemas.

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ELIÇÕES NO BRASIL QUARENTA ANOS DEPOIS O PÊNDULO POLÍTICO MUDOU DE LADO

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Há eleições que simplesmente escolhem governantes e parlamentares. Outras encerram ciclos, reorganizam forças e revelam mudanças profundas na sociedade. O Brasil viveu uma dessas eleições em 1986. Quarenta anos depois, em 2026, parece viver um movimento de direção inversa.

Em 1986, o país ainda respirava os primeiros ares da redemocratização depois de 21 anos de regime militar, iniciado em 1964. A eleição ocorreu sob o impacto da Nova República, das Diretas Já, da eleição de Tancredo Neves e também da enorme popularidade inicial do Plano Cruzado. O resultado foi avassalador: o PMDB conquistou 22 dos 23 governos estaduais e elegeu 260 dos 487 deputados federais e sozinho, 53% da Câmara. Na eleição para o Senado, conquistou 38 das 49 vagas então disputadas.

Do outro lado estava principalmente o sistema partidário que carregava parte da herança política do regime anterior. O PDS, sucessor da Arena, que sustentara politicamente os governos militares, sofreu uma derrota histórica: ficou com apenas 33 deputados federais, dois senadores eleitos e nenhum governador. O PFL, nascido de uma dissidência do próprio PDS e aliado do governo Sarney, porém, conquistou 118 deputados. Isso demonstra que 1986 não representou simplesmente uma vitória da “esquerda”, mas uma gigantesca reorganização do poder em favor das forças da redemocratização.

O próprio PMDB reunia correntes progressistas, moderadas e conservadoras. Tanto que, durante a Assembleia Constituinte, uma parcela importante de seus parlamentares participou do chamado Centrão. Ainda assim, naquele momento histórico, conceitos como democracia, direitos sociais, participação popular, ampliação das liberdades e construção de uma nova ordem constitucional ocupavam o centro da agenda nacional. O Congresso eleito em 1986 produziria a Constituição de 1988.

Quarenta anos depois, o pêndulo mudou de direção.
As eleições de 2026 apresentam uma fotografia quase inversa na correlação de forças. O PL elegeu 121 dos 513 deputados federais, ampliando sua bancada em 24 cadeiras e tornando-se, com enorme vantagem, o maior partido da Câmara. A federação PT-PCdoB-PV ficou com 82 deputados.
No Senado, a mudança é ainda mais impressionante. Das 54 cadeiras disputadas, o PL conquistou 19. Considerados também os parlamentares com mandato até 2030 e as alterações decorrentes das eleições estaduais, a legenda deverá iniciar 2027 com 28 dos 81 senadores, contra nove do PT e oito do MDB. Será a maior bancada partidária no início de uma legislatura do Senado desde a Constituição de 1988.

O simbolismo histórico é extraordinário. Em 1986, o PMDB conquistou 38 das 49 cadeiras senatoriais em disputa; em 2026, o PL conseguiu 19 das 54. São magnitudes diferentes, mas os dois resultados expressam momentos de forte reorganização do sistema político. Em 1986, o partido identificado com a redemocratização ocupava o centro do poder. Em 2026, uma força política de identidade predominantemente conservadora assume a maior bancada das duas Casas do Congresso.

Há, portanto, uma interessante simetria histórica. 1986 foi uma eleição marcada pelo desejo de afastamento da ordem política construída durante o regime militar; 2026 revela o fortalecimento de forças conservadoras depois de quatro décadas nas quais direitos sociais, Constituição de 1988 e agendas progressistas tiveram enorme presença no debate político brasileiro.

Isso não significa que o Brasil tenha permanecido progressista durante quarenta anos, tampouco que tenha se tornado integralmente conservador agora. A história política brasileira nunca foi tão linear. Houve governos de centro, centro-direita, centro-esquerda e coalizões extremamente heterogêneas. O próprio segundo turno presidencial de 2026 ainda será disputado, demonstrando que a sociedade permanece profundamente dividida.
Mas o Congresso que saiu das urnas oferece um dado impossível de ignorar: o conservadorismo deixou de ser apenas uma força de resistência às mudanças e passou a ocupar uma posição central na organização institucional do poder.

Em 1986, o eleitor brasileiro ajudou a enterrar eleitoralmente boa parte da estrutura partidária herdada do regime militar. Em 2026, quarenta anos depois, o eleitorado promove outra mudança de eixo.
A história raramente se repete da mesma maneira. Ela trabalha por movimentos, contradições e reações. O pêndulo que em 1986 se deslocou em direção à redemocratização e à expansão dos direitos agora se movimenta em direção ao conservadorismo.
Quarenta anos depois, não estamos assistindo à repetição de 1986. Estamos assistindo, em muitos aspectos, ao seu movimento inverso.

* João Edisom de Souza – Analista político e professor universitário



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