Esporte
Cruzeiro confirma punição da Fifa por dívida de Willian, mas nega perda de pontos
Esporte
Equipe mineira recorre a Corte Arbitral do Esporte para evitar punição pela falta de pagamento da transferência do atacante William, em 2017
Da Redação
O Cruzeiro segue enrolado dentro e fora de campo. Em má fase no Campeonato Brasileiro – está na zona de rebaixamento -, e envolvido em investigações da Justiça, o time mineiro pode sofrer agora uma punição que afetaria a parte esportiva com a perda de pontos. O clube foi acionado na Fifa pelo Zorya, da Ucrânia, por uma dívida referente à aquisição do atacante Willian, hoje no Palmeiras, em 2017, e perdeu o processo em primeira instância em março passado.
Com a derrota, o Cruzeiro foi punido pela Fifa em uma sanção que, em caso de não pagamento da dívida em um prazo de 90 dias, poderia envolver a perda de seis pontos no Campeonato Brasileiro ou em algum outro torneio em disputa. Mas os advogados do time mineiro recorreram na Corte Arbitral do Esporte (CAS, na sigla em inglês) para suspender, ao menos por enquanto, a decisão. O valor do débito com os ucranianos gira em torno de R$ 6 milhões.
Willian chegou ao Cruzeiro em julho de 2013 como parte da venda do meia Diego Souza ao Metalist Kharkiv, da Ucrânia. À época, ele assinou contrato de empréstimo de um ano, com o clube tendo opção de compra de 100% dos direitos econômicos por 3,5 milhões de euros (quase R$ 15 milhões na cotação atual). A dívida inicial era de 1 milhão de euros (R$ 4,25 milhões), mas aumentou devido aos juros.
A pendência do Cruzeiro referente a três parcelas agora é com o Zorya, que passou a ser o responsável pelo processo desde que o Metalist Kharkiv foi excluído da Liga da Ucrânia em decorrência de dívidas. Willian deixou o Cruzeiro e foi para o Palmeiras em 2017, em troca em definitivo envolvendo o meio-campista Robinho.
Em junho de 2017, o Zorya acionou o Cruzeiro na Fifa cobrando o valor devido. A decisão do Comitê Disciplinar da Fifa, favorável aos ucranianos, saiu no dia 22 de março deste ano e determinava que o Cruzeiro deveria realizar o pagamento da dívida. Em maio, o time mineiro recorreu da decisão no CAS e as partes (Cruzeiro, Zorya e CBF) receberam uma carta da Fifa a qual suspende a decisão do Comitê Disciplinar da entidade, por reconhecer a validade do recurso interposto pelos brasileiros.
“O Cruzeiro, conforme nota oficial da Fifa divulgada ontem (terça-feira), não corre nenhum risco de perda de pontos no Campeonato Brasileiro ou qualquer outra competição que esteja disputando. Há um processo tramitando na Fifa, do FC Zorya da Ucrânia contra o Cruzeiro Esporte Clube, relativo à transferência do atleta William Bigode”, disse o clube mineiro em uma nota oficial divulgada nesta quarta.
“O Cruzeiro EC perdeu a causa em primeira instância, mas, em seguida, entrou com um recurso conseguindo uma liminar que foi aceita pela Fifa e pelo CAS – Corte Arbitral do Esporte. Um novo julgamento será marcado dentro de aproximadamente 10 meses. Segundo nosso advogado internacional, Dr. Breno Tanuri, se houver nova derrota, o clube terá 90 dias para efetuar o pagamento da dívida. Diante disso, não há nenhuma verdade quando se fala em perda de pontos”, completou.
Fonte: O Estado de S.Paulo / https://esportes.estadao.com.br/noticias/futebol,cruzeiro-confirma-punicao-da-fifa-por-divida-de-willian-mas-nega-perda-de-pontos,70002915882
Foto: Vinnicius Silva/Cruzeiro
Esporte
Quando perder músculo também ameaça o cérebro
Durante muito tempo, falar em obesidade significava olhar apenas para o peso e para o IMC. Hoje sabemos que isso é insuficiente.
Duas pessoas com o mesmo peso podem ter condições completamente diferentes. Uma pode apresentar boa massa muscular e força preservada. A outra pode acumular gordura, especialmente abdominal, enquanto perde músculo e capacidade funcional.
Essa combinação é chamada de obesidade sarcopênica.
Ela reúne dois problemas importantes: excesso de gordura corporal e redução da massa ou da força muscular. Além de aumentar o risco de fragilidade, quedas, diabetes e doenças cardiovasculares, novas evidências mostram que essa condição também pode estar associada a maior risco de demência.
O que a ciência mostra :
Um grande estudo publicado na revista Clinical Nutrition avaliou dados de centenas de milhares de pessoas e analisou a relação entre composição corporal, força muscular e desenvolvimento de demência.
Os resultados mostraram que tanto a sarcopenia isolada quanto a obesidade sarcopênica estavam associadas a um risco maior de declínio cognitivo. Um dos achados mais relevantes foi a importância da força de preensão manual, medida por dinamometria.
Quanto menor a força e quanto maior sua redução ao longo dos anos ,maior foi o risco observado.
Isso reforça uma mudança importante na forma de avaliar a saúde: Não basta saber quanto peso uma pessoa perdeu. Precisamos saber quanto músculo e quanta força ela conseguiu preservar.
Emagrecer , nem sempre significa melhorar a saúde ?
Uma perda de peso mal conduzida pode incluir perda significativa de massa muscular, principalmente em pessoas mais velhas, sedentárias, submetidas a dietas muito restritivas ou a tratamentos sem acompanhamento adequado.
Mesmo com o avanço dos medicamentos para obesidade, o objetivo não deve ser apenas reduzir o número na balança. O tratamento precisa preservar músculo, reduzir gordura visceral, melhorar o metabolismo e manter a autonomia.
O paciente não deve apenas ficar mais leve. Deve ficar mais saudável, mais forte e funcionalmente mais capaz.
Por que o músculo influencia a saúde cerebral?
A relação entre músculo e cérebro é complexa, mas alguns mecanismos ajudam a explicá-la.
A perda muscular pode piorar a resistência à insulina, reduzir o gasto energético, aumentar o sedentarismo e favorecer inflamação crônica. Ao mesmo tempo, fatores como hipertensão, diabetes, apneia do sono e colesterol elevado afetam os vasos sanguíneos que irrigam tanto o coração quanto o cérebro.
Por isso, preservar músculo é muito mais do que uma questão estética. É uma estratégia de proteção metabólica, cardiovascular, funcional e possivelmente cognitiva.
Como enfrentar cientificamente esse problema ?
O primeiro passo é avaliar mais do que o peso. Circunferência abdominal, composição corporal, força de preensão, velocidade da marcha, capacidade funcional e exames cardiometabólicos ajudam a identificar riscos que o IMC isolado não mostra.
O treinamento de força deve ocupar posição central. Caminhar é importante, mas pode não ser suficiente para preservar ou recuperar massa muscular. Exercícios resistidos, progressivos e individualizados são fundamentais.
A alimentação também precisa garantir quantidade adequada de proteínas e energia, distribuídas ao longo do dia e ajustadas à idade, função renal, rotina e condição clínica.
Além disso, é essencial tratar fatores que aceleram a perda muscular e o envelhecimento vascular, como sedentarismo, diabetes, hipertensão, alterações do sono, tabagismo e obesidade visceral.
Envelhecer bem ,exige preservar força
A obesidade sarcopênica mostra por que o cuidado não pode ser fragmentado. Peso, metabolismo, coração, músculo e cérebro fazem parte do mesmo sistema.
Entendemos que o acompanhamento precisa ir além da balança. Avaliamos composição corporal, força, risco cardiovascular, alimentação, sono, rotina e capacidade funcional para construir estratégias verdadeiramente individualizadas.
Porque o objetivo não é apenas perder peso. É preservar autonomia, proteger o cérebro, fortalecer o corpo e construir saúde antes que a doença se manifeste.
Saúde não é sorte. É rotina.
Dr. Max Wagner de LimaCardiologista — CRM 6194 | RQE 2308 Prevenção cardiovascular, cardiometabolismo e medicina de antecipação.
Maristela Luft — CRN -16431Nutricionista e Mestre em nutrição clínica, composição corporal e cuidado cardiometabólico.
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