Esporte
Terapia, coaching e conversa viram armas contra problemas no Palmeiras
Esporte
Com trabalhos individuais, clube reabilita Deyverson, corrige conduta de Felipe Melo e convence Dudu a ficar
Da Redação
Os jogadores do Palmeiras se acostumaram nos últimos tempos a frequentar um outro ambiente além do campo de treino e dos estádios onde disputam as partidas. Entre sessões de terapia, conversas com a comissão técnica e reflexão, o clube tem conseguido contornar problemas de comportamento e até evitar baixas no elenco.
O atacante Deyverson é um exemplo recente desse trabalho. Depois de ter cuspido no corintiano Richard, o jogador passou a ter encontros com uma psicóloga para aprender a se controlar e a evitar novas expulsões tolas. Após 40 dias sem jogar, ele ganhou chance contra o Melgar, na terça-feira, e marcou um gol. “Sou um cara muito hiperativo, algumas vezes eu erro, como todo mundo. Mas estou aprendendo”, afirmou.
O técnico Luiz Felipe Scolari e o presidente do clube, Mauricio Galiotte, participaram desse trabalho. O dirigente chegou a se encontrar com Deyverson na Academia de Futebol e deu uma bronca nele após o jogador ter gravado um vídeo, que disse ter sido de brincadeira, em que anunciava a saída do Palmeiras. Esses recados foram importantes para alimentar no jogador a vontade de voltar à equipe.
O volante Felipe Melo ouviu recado parecido. O diretor de futebol, Alexandre Mattos, e o técnico Felipão se reuniram com o jogador em agosto do ano passado para conversar sobre o excesso de expulsões. Desde então, ele nunca mais recebeu cartões vermelhos.
Quem é fã de terapia é o meia Bruno Henrique. O capitão do time campeão brasileiro intensificou o trabalho no ano passado com o intuito de se manter tranquilo e motivado. Em outubro, quando estava em grande fase, o jogador contou ao Estado que um dos segredos do seu bom momento era justamente a psicologia. “Todo mundo precisa de terapia. Algumas pessoas não gostam de admitir que têm problema. É um pouco de orgulho”, disse. Já o atacante Willian faz sessões com um coaching particular para ampliar capacidades e traçar metas individuais.
Outra preocupação do Palmeiras é com Miguel Borja. O colombiano desperta no clube, curiosamente, inquietação oposta ao caso de Deyverson, por ser calmo demais. “Falta para o Borja a questão de vibração”, comenta Felipão. Há dois anos no Brasil, o atacante mostrou em alguns momentos dificuldades com a adaptação ao futebol do País, além de timidez.
A mobilização do Palmeiras nos bastidores para resolver problemas dos jogadores se mostrou decisiva com Dudu. No clube desde 2015, ele deixou de ter a fama de temperamental e criador de problemas para se tornar um dos líderes do time no quesito técnico. O craque do último Campeonato Brasileiro também contou a participação da comissão técnica e da diretoria em momentos cruciais.
Em agosto do ano passado, Dudu estava em baixa com a torcida depois de demonstrar insatisfação com a escolha do clube de recusar uma proposta da China por ele. O atacante não vivia bom momento e ouvia algumas vaias nos jogos. Na mesma época, Felipão chegou e chamou o jogador para uma conversa para lhe transmitir confiança.
Dias depois, Dudu marcou o gol da classificação do Palmeiras na Copa do Brasil, diante do Bahia, e correu para abraçar Felipão, para agradecer pelo apoio. O clube voltou a trabalhar pelo atacante no fim do ano passado. A China voltou a querer levá-lo e a diretoria se reuniu com o jogador para convencê-lo a ficar. Além do aumento e da renovação, os dirigentes apresentaram a Dudu um plano de carreira e mostraram como poderia se tornar ainda mais ídolo do clube caso ficasse.
ANÁLISE – Rodrigo Falcão*
‘No futebol, há muita resistência à psicologia’
Nas categorias de base das equipes é bem comum ter psicólogo, até pela questão legal. Já no profissional, poucos clubes têm. Pela cultura do esporte, há uma resistência à psicologia. No futebol tem uma questão machista, de preconceito, de não demonstrar vulnerabilidade e de pensar que fazer terapia é um problema. O futebol é conservador.
Seria fundamental os clubes terem mais psicólogos, até pela questão de pressão e da ansiedade dos atletas. É mais comum ter esse auxílio nos esportes individuais.
Na Europa a cultura é diferente. A seleção da Alemanha tem vários psicólogos, assim como times da Espanha, da Itália e da Inglaterra. Hoje, um técnico precisa delegar tarefas e o psicólogo pode ajudar nisso.
*Psicólogo do Esporte
Fonte: O Estado de S. Paulo / https://esportes.estadao.com.br/noticias/futebol,terapia-coaching-e-conversa-viram-armas-contra-problemas-no-palmeiras,70002755711
Foto: Alex Silva/Estadão
Esporte
Quando perder músculo também ameaça o cérebro
Durante muito tempo, falar em obesidade significava olhar apenas para o peso e para o IMC. Hoje sabemos que isso é insuficiente.
Duas pessoas com o mesmo peso podem ter condições completamente diferentes. Uma pode apresentar boa massa muscular e força preservada. A outra pode acumular gordura, especialmente abdominal, enquanto perde músculo e capacidade funcional.
Essa combinação é chamada de obesidade sarcopênica.
Ela reúne dois problemas importantes: excesso de gordura corporal e redução da massa ou da força muscular. Além de aumentar o risco de fragilidade, quedas, diabetes e doenças cardiovasculares, novas evidências mostram que essa condição também pode estar associada a maior risco de demência.
O que a ciência mostra :
Um grande estudo publicado na revista Clinical Nutrition avaliou dados de centenas de milhares de pessoas e analisou a relação entre composição corporal, força muscular e desenvolvimento de demência.
Os resultados mostraram que tanto a sarcopenia isolada quanto a obesidade sarcopênica estavam associadas a um risco maior de declínio cognitivo. Um dos achados mais relevantes foi a importância da força de preensão manual, medida por dinamometria.
Quanto menor a força e quanto maior sua redução ao longo dos anos ,maior foi o risco observado.
Isso reforça uma mudança importante na forma de avaliar a saúde: Não basta saber quanto peso uma pessoa perdeu. Precisamos saber quanto músculo e quanta força ela conseguiu preservar.
Emagrecer , nem sempre significa melhorar a saúde ?
Uma perda de peso mal conduzida pode incluir perda significativa de massa muscular, principalmente em pessoas mais velhas, sedentárias, submetidas a dietas muito restritivas ou a tratamentos sem acompanhamento adequado.
Mesmo com o avanço dos medicamentos para obesidade, o objetivo não deve ser apenas reduzir o número na balança. O tratamento precisa preservar músculo, reduzir gordura visceral, melhorar o metabolismo e manter a autonomia.
O paciente não deve apenas ficar mais leve. Deve ficar mais saudável, mais forte e funcionalmente mais capaz.
Por que o músculo influencia a saúde cerebral?
A relação entre músculo e cérebro é complexa, mas alguns mecanismos ajudam a explicá-la.
A perda muscular pode piorar a resistência à insulina, reduzir o gasto energético, aumentar o sedentarismo e favorecer inflamação crônica. Ao mesmo tempo, fatores como hipertensão, diabetes, apneia do sono e colesterol elevado afetam os vasos sanguíneos que irrigam tanto o coração quanto o cérebro.
Por isso, preservar músculo é muito mais do que uma questão estética. É uma estratégia de proteção metabólica, cardiovascular, funcional e possivelmente cognitiva.
Como enfrentar cientificamente esse problema ?
O primeiro passo é avaliar mais do que o peso. Circunferência abdominal, composição corporal, força de preensão, velocidade da marcha, capacidade funcional e exames cardiometabólicos ajudam a identificar riscos que o IMC isolado não mostra.
O treinamento de força deve ocupar posição central. Caminhar é importante, mas pode não ser suficiente para preservar ou recuperar massa muscular. Exercícios resistidos, progressivos e individualizados são fundamentais.
A alimentação também precisa garantir quantidade adequada de proteínas e energia, distribuídas ao longo do dia e ajustadas à idade, função renal, rotina e condição clínica.
Além disso, é essencial tratar fatores que aceleram a perda muscular e o envelhecimento vascular, como sedentarismo, diabetes, hipertensão, alterações do sono, tabagismo e obesidade visceral.
Envelhecer bem ,exige preservar força
A obesidade sarcopênica mostra por que o cuidado não pode ser fragmentado. Peso, metabolismo, coração, músculo e cérebro fazem parte do mesmo sistema.
Entendemos que o acompanhamento precisa ir além da balança. Avaliamos composição corporal, força, risco cardiovascular, alimentação, sono, rotina e capacidade funcional para construir estratégias verdadeiramente individualizadas.
Porque o objetivo não é apenas perder peso. É preservar autonomia, proteger o cérebro, fortalecer o corpo e construir saúde antes que a doença se manifeste.
Saúde não é sorte. É rotina.
Dr. Max Wagner de LimaCardiologista — CRM 6194 | RQE 2308 Prevenção cardiovascular, cardiometabolismo e medicina de antecipação.
Maristela Luft — CRN -16431Nutricionista e Mestre em nutrição clínica, composição corporal e cuidado cardiometabólico.
-
Política7 dias atrásMarco legal da IA deve proteger jornalismo e direitos autorais, aponta debate
-
Política7 dias atrásMax Russi admite possibilidade de disputar o Governo de Mato Grosso após incentivo de lideranças
-
Política6 dias atrásNa CMO, especialistas pedem mais recursos para melhorar educação infantil
-
Política7 dias atrásCRE amplia esforço contra barreiras da União Europeia à carne brasileira
-
Cidades6 dias atrásNovo confirma Marcelo Maluf como vice de Wellington Fagundes na disputa pelo Governo de MT
-
Política7 dias atrásComplexo Penitenciário Ahmenon Lemos Dantas ganha quatro novos barracões para ampliar oportunidades de trabalho aos reeducandos
-
Cidades7 dias atrásJayme volta a falar em traição no União e diz que candidatura foi derrotada pelo “poder econômico”
-
Política7 dias atrásEspecialistas alertam para riscos de expansão de data centers de IA no Brasil


Você precisa estar logado para postar um comentário Login