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Tudo o que você precisa saber sobre a hérnia discal cervical

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Por: Carlos Augusto Marques

No Brasil, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a hérnia de disco atinge 5,4 milhões de brasileiros. A doença é caracterizada pelo rompimento do disco intervertebral, o chamado anel fibroso, causando dor nas costas e sensação de queimação ou dormência e pode afetar diversas áreas da coluna e causar dores e sintomas diferentes.

A hérnia de disco torácica afeta a região do meio das costas e é considerada mais rara em função da pouca mobilidade dessa região, por fazer parte da caixa torácica. Nesse caso, o paciente relata dor e dormência no tórax, dor na parte superior ou inferior das costas, dor na região intercostal (entre as costelas), dor abdominal com ou sem perda de sensibilidade. Em alguns casos, também pode ocorrer incontinência urinária e fecal, além de movimentos respiratórios dolorosos.

A hérnia de disco lombar afeta a região mais baixa das costas, causando dor ao longo do trajeto do nervo ciático que vai da coluna vertebral à nádega, coxa, perna e calcanhar; fraqueza nas pernas; dificuldade em levantar o pé deixando o calcanhar no chão; alteração no funcionamento do intestino ou bexiga, por compressão de nervos.

Por fim, quando a hérnia ocorre na coluna cervical ela afeta a região do pescoço, comprimindo a raiz nervosa, causando dor intensa tanto na coluna quanto ao longo do braço, podendo chegar até a mão, com fraqueza e dormência.

Nos casos mais graves também pode surgir diminuição da força muscular e dificuldade para movimentar o pescoço.

Causas da hérnia de disco cervical

A hérnia de disco cervical acontece quando há uma compressão do disco intervertebral localizado na região do pescoço, entre as vértebras C1 e C7, causado na maioria das vezes pelo desgaste da coluna e má postura. Dependendo do grau de deslocamento, a hérnia de disco não causa nenhum sintoma ou pode passar comprimir um nervo, causando as dores.

A doença normalmente atinge pessoas com idade entre 30 e 50 anos. Os principais sintomas são as dores na região do pescoço; dores no pescoço que irradia para os braços, ombros e mãos; formigamentos nos braços ou mãos; perda de força nos braços; dor de cabeça sem nenhuma outra causa.

O diagnóstico pode ser feito clinicamente, levando em conta as características dos sintomas e o resultado do exame neurológico. Exames como raio-X, tomografia e ressonância magnética ajudam a determinar o tamanho da lesão e em que exata região está localizada.

Tratamentos hérnia discal cervical

Após a análise dos exames e consultas, o médico poderá indicar o melhor tratamento para o paciente. É importante ressaltar que nem sempre a hérnia de disco tem cura, principalmente nos casos em que há degeneração do disco ou das vértebras envolvidas. Nesses casos, o tratamento ajudará o paciente a ter uma qualidade de vida melhor e reduzir as suas dores.

O tratamento para hérnia de disco cervical vai variar de acordo com os sintomas apresentados, a idade e até mesmo a rotina do paciente. Casos mais leves podem ser tratados com o uso de medicamentos para aliviar a dor ou até mesmo injeções.  Em muitos casos também são indicadas sessões de fisioterapias.

Na fisioterapia podem ser utilizados equipamentos que ajudam a combater a dor, melhorando os sintomas e a movimentação da cabeça. Também são indicados recursos que aquecem a região do pescoço, facilitando a realização de alongamentos e massagens que diminuem a rigidez dos músculos. No dia a dia, também é possível aliviar a dor com a prática de alongamentos, 2 ou 3 vezes ao dia, sempre que sentir que o pescoço está ‘preso’ e há dificuldade de realizar movimentos.

Nos casos mais graves há indicação de cirurgia. A cirurgia para a hérnia cervical é indicada quando o paciente sente muitas dores que não cessam mesmo com a tomada  de anti-inflamatórios e várias sessões de fisioterapia. Ela é delicada e não significa a cura da doença degenerativa do disco, mas pode diminuir os sintomas melhorando a qualidade de vida do paciente.

A cirurgia mais comum para a hérnia de disco cervical é a discectomia cervical por via anterior com fusão. Ou seja, o disco doente é removido através de incisão feita na região da frente do pescoço e no local é colocado algum material que promova a fusão (junção) do segmento afetado.

Outra opção é a implantação do disco artificial. O objetivo principal é o mesmo que da cirurgia tradicional: a retirada do disco e descompressão dos nervos afetados pela hérnia. O que muda é que ao invés de colocar um material que promova a fusão do segmento, é colocado um disco artificial, que tenta manter a mobilidade daquele segmento da coluna.

Como evitar a hérnia discal cervical

Mudar o estilo de vida é um dos primeiros passos para evitar a hérnia discal cervical. Manter uma vida saudável e distante do sedentarismo é essencial. Realizar diariamente atividades físicas com orientação de um profissional ou alongamentos também contribui para o fortalecimento das musculaturas posturais, responsáveis pela estabilidade da coluna.

Além disso, é importante fazer o controle do peso corporal para não sobrecarregar a coluna e ter cautela ao carregar peso. A recomendação é transportar bolsas e mochilas que não ultrapassem mais de 10% do seu peso. No caso de sacolas, é recomendado dividir o peso em dois volumes para equilibrar o volume.

Ao sentar-se para ler, escrever ou trabalhar, mantenha os pés sempre apoiados e escore as costas no encosto da cadeira. Para lavar ou passar, utilize um banquinho para apoiar um dos pés, o que alivia a tensão lombar.

No caso de mulheres, o salto alto deve ser usado com moderação. Saltos muito altos provocam uma curvatura da região lombar, motivando uma hiperlordose.

Para dormir, evite a posição de bruços, pois ela aumenta a tensão lombar. O indicado é deitar-se de lado e colocar um travesseiro entre as pernas para alinhar a cervical.

 

 

*DR.CARLOS AUGUSTO COSTA MARQUES – CIRURGIÃO DA COLUNA VERTEBRAL

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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não

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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.

Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.

O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.

A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.

É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.

Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.

Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.

A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.

No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.

Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar



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