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Setas realiza 4.328 mil atendimentos de cidadania na Caravana

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A população do Vale do Araguaia foi atendida na sexta-feira e no sábado (28.04 e 29.04), Dias D da Caravana, no Complexo Esportivo Gezil Araújo
Da Redação
A Secretaria de Estado de Trabalho e Assistência Social (Setas-MT) realizou 4.328 mil atendimentos de cidadania durante a sexta edição da Caravana da Transformação, realizada no município de Porto Alegre do Norte (1140 km de Cuiabá).

A população do Vale do Araguaia foi atendida com estes serviços na sexta-feira e no sábado (28.04 e 29.04), Dias D da Caravana, no Complexo Esportivo Gezil Araújo.

Além da população da cidade que sediou o evento, foram atendidos os moradores de Alto Boa Vista, Bom Jesus do Araguaia, Canabrava do Norte, Confresa, Novo Santo Antônio, Santa Cruz do Xingu, Santa Terezinha, São Félix do Araguaia, São José do Xingu, Serra Nova Dourada e Vila Rica.

Os serviços foram realizados no setor de cidadania da Caravana, coordenado pela Setas. Entre eles, estão as emissões de 110 documentos de CPF e 70 certidões (nascimento, casamento e óbito). Somente no setor de estética, coordenado pela Galvan Escola de Cabelereiros, foram realizados 1.838 atendimentos. O Programa Emprega Rede e a Superintendência de Qualificação Profissional da Setas ofereceram bolsas gratuitas do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) e da Unopar de Porto Alegre do Norte. O Centro de Referência em Assistência Social (CRAS), Serviço Nacional de Emprego (Sine) e a Prefeitura da cidade sede da Caravana oferecerem atendimentos gratuitos, em parceria com a Setas.

O governador Pedro Taques reconheceu que ainda há muito para ser feito, mas garante que o Governo tem se dedicado para atender as principais demandas da região. “O Estado deve ir onde o cidadão está e temos nos esforçado muito para vencer todas as barreiras”. Ele, o vice-governador e os secretários de Estado se reuniram com 15 prefeitos, nove vice-prefeitos, vereadores e lideranças políticas dos municípios da região do Araguaia.

O secretário de Estado de Trabalho e Assistência Social, Max Russi, avaliou como positiva a ação do Governo do Estado que, além de serviços deixou investimentos na região, historicamente conhecida como “Vale dos Esquecidos”.  “Essa é uma região que durante muito tempo sofreu com a falta de investimentos. Além dos serviços de cidadania, trouxemos atendimentos de saúde e investimentos. O Governo inaugurou escolas, entregamos uma balsa para auxiliar os indígenas da região do Xingu, e foi feito investimento na área de infraestrutura. Teremos outras edições e é gratificante promover essa transformação. Esse não é mais o Vale dos Esquecidos, seguimos o lema desse Governo de não deixar nenhum mato-grossense para trás”, afirmou.

O motorista Robinei Rodrigues da Silva, de 33 anos, levou os filhos de cinco e seis anos de idade ao setor de cidadania da Caravana da Transformação, para confecção dos documentos pessoais: RG e CPF. O trabalhar avaliou como positiva a ação do Governo do Estado de Mato Grosso, por aproximar a população dos serviços essenciais que garantem a cidadania plena.

“Escutei na rádio o anúncio da Caravana e não pensei duas vezes em trazer os meus filhos para fazer os documentos deles. Já tiramos as fotos e fica pronto na hora. Fomos muito bem atendidos pelas pessoas que trabalham para o Governo. Alguns colegas estavam em dúvida sobre as ações e eu indiquei para muitas pessoas. Além dos documentos, tem vários serviços que facilitam a nossa vida”, relatou o morador de Porto Alegre do Norte.

Quem também aproveitou os serviços da Caravana da Transformação foi a aposentada Solimar Paes Tavares de Almeida, de 65 anos, que precisava fazer a segunda via dos documentos pessoais que foram furtados durante uma viagem à cidade de Goiânia (GO). Solimar estava acompanhada da filha e do neto de quatro meses, que foi incluído no cadastro do programa Bolsa Família.

“Eu estive em Goiânia para a formatura da minha filha caçula, dentro do ônibus coletivo cortaram a minha bolsa e levaram a minha carteira com todos os documentos dentro. Eu aproveitei a Caravana para pedir a segunda via, porque é mais rápido. Em Porto Alegre do Norte não temos como fazer esse serviço, eu teria que ir para outra cidade. O problema é que sem o documento eu nem consigo marcar a minha passagem gratuita por ser idosa. Então, estava difícil pra mim. Agradeço ao governador Pedro Taques por ter trazido esse monte de serviços para a gente”, relatou a aposentada.

Entre os serviços de cidadania ofertados estão: solicitação de 2ª Via das Certidões de Nascimento, Casamento e Óbito, emissão de 1ª e 2ª Via de CPF e de fotos 3×4 para a confecção de documentos, cópias e plastificação de documentos diversos. Todas essas ações foram realizadas sem custo. O Cras ofereceu cadastramento no CadÚnico, no programa Bolsa Família, além de orientações sobre o acesso a programas sociais do Governo e solicitação da Carteira do Idoso.

 

 

Fonte: Setas-MT

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Encontro de almas: diligência abriu as portas da paternidade para agente da Infância e Juventude

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Foto horizontal dos anos 1990 que mostra o agente da Infância e Juventude Aparecido Donizete abraçado com a filha Érica, que tinha cerca de 10 anos na foto. Ela era uma menina de pele clara com longos cabelos loiros e cacheados.

Das histórias de tantas crianças e adolescentes que ajudou a reescrever, enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete da Silva, atualmente lotado na Comarca de Várzea Grande, encontrou em uma de suas diligências, em 1990, a primeira página de sua própria jornada enquanto pai.

Uma bebê foi abandonada pela mãe na casa da parteira, uma senhora muito pobre e sem condições de cuidar da criança, em Barra do Bugres. Nomeado guardião legal da criança, Aparecido levou a bebê com apenas quatro dias de nascida para casa. Ele e a então esposa cuidaram da recém-nascida até que ela restabelecesse a saúde, ao longo de três meses. O cuidado foi tamanho que o servidor, que também trabalhava como professor no período noturno, deixou este emprego para se dedicar ao cuidado com a menina.

Aparecido revela que não tinha interesse em adotar, mas, após três meses de acolhimento daquela bebezinha, decidiu que queria ficar com ela para sempre e pediu para entrar na fila da adoção. O processo levou tempo, pois investigações foram feitas e a mãe biológica foi identificada. Ela teve que registrar a criança, mas acabou perdendo o pátrio poder e, então a menina pôde participar do processo de adoção. “Ela veio como um presente de Deus”, afirma Aparecido.

Já estava escrito

“Eu acho que tudo já estava escrito pra ser dessa forma. Ele já era meu pai, só foi me buscar”, afirma Érica Taiane Buzato da Silva, 36 anos, filha mais velha de Aparecido, que sente o mesmo. “Pra mim, já existia uma paternidade de verdade, o vínculo, o cuidado e o amor vieram antes da ‘chegada’. Quando ela diz isso, eu sinto que a nossa história confirmou o que a gente viveu todos os dias”, diz o servidor.

Érica conta que seus “pais do coração” sempre foram transparentes em relação à sua origem e que, mesmo passando anos questionando o porquê do abandono, o amor que recebeu da família a levou a superar todas as dores.

“Eu sempre soube que eu era adotada. Fui a primeira filha deles. Depois, eu tive mais dois irmãos e a gente cresceu muito feliz. O meu pai é uma pessoa maravilhosa na minha vida! Não sei nem como agradecer porque, se não fosse ele, eu não sei o que poderia ter acontecido comigo. Sou muito grata ao meu pai e à minha mãe porque cuidaram de mim com todo amor, sem nenhuma diferença de mim e os meus irmãos”, diz.

A gratidão relatada por Érica é sentida também por parte do pai dela. “Me sinto profundamente grato e em paz. Olhando pra trás, vejo que o acolhimento que demos à Érica foi mais do que cuidados: foi amor que sustentou a ela e a mim”, afirma. Em relação à paternidade, que começou com a chegada de Érica em sua vida, Aparecido conta que sempre viu como algo muito simples a educação dada a ela e aos demais filhos, Evili e Lucas. “Nunca vi a Érica diferente, mas sim como filha, igual aos outros”, conta.

Foto vertical antiga que mostra o agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete, com a ex-mulher, duas filhas e o filho ainda crianças, em uma festa. Eles posam sorrindo para a foto.Legado construído com exemplo

Aparecido destaca que sempre priorizou transmitir aos filhos valores como honestidade, caráter e determinação para batalhar pelos objetivos. “Eu sempre busquei passar esses valores no comportamento e nas escolhas do dia a dia, sendo honesto, firme e batalhador, para que eles aprendessem com a nossa convivência, não só com palavras”, pontua.

Para Érica, ficaram desses ensinamentos a admiração e o desejo de seguir os mesmos passos do pai. “Meu pai é uma pessoa de muito caráter, muito esforçado, inteligente, batalhador. Eu sei que a vida dele também foi muito difícil. Eu não sou igual a ele, mas tento ser e me espelho nele porque é uma pessoa maravilhosa. Ele me ensinou a ser uma pessoa honesta e a lutar pelos meus objetivos, pela minha felicidade. Eu conto tudo pra ele, então, a gente tem realmente uma ligação muito forte”, afirma Érica.

Ela destaca que se considera parecida até fisicamente com Aparecido. “É estranho, mas eu acho que a convivência faz a gente ficar parecido. Dizem que pai é quem cria, mas, pra mim, é mais do que isso: meu pai é meu porto seguro, minha referência”.

Por sua vez, Aparecido diz ser muito gratificante e emocionante ver os frutos do seu amor de pai. “Saber que a minha presença ajudou a formar o caráter dela e que hoje existe essa conexão me dá orgulho, e também me faz querer continuar fazendo o certo todos os dias”.

Apoio incondicional

Encontrar nos pais um porto seguro fez com que Érica tivesse coragem para encarar de frente seu passado e, depois de adulta, buscar suas origens. “Eu não perguntava por que achava que era algo que machucava eles, de certa forma. Mas, quando eu perguntei, ele foi atrás, conseguiu o contato de outro pai que também tinha adotado a minha outra irmã. Meu pai me ajudou e eu conheci ela e outro irmão, filho dessa minha mãe biológica. E foi muito legal conhecê-los porque faz parte da minha história, de certa forma, porque têm o meu sangue”, relata Érica. Ao reencontrar os irmãos biológicos, sua genitora havia falecido um ano antes.

Da parte de Aparecido, ele conta que ajudar Érica nesse processo de resgatar o contato com a família biológica foi um misto de carinho e responsabilidade. “Eu entendia o desejo dela de conhecer as origens e apoiei esse caminho. Ao mesmo tempo, eu precisava respeitar o tempo dela e garantir que essa busca não virasse dor ou culpa. Ver que ela conseguiu se aproximar com segurança me deixa muito satisfeito”, avalia.

Imagem quadrada gerada com auxílio de inteligência artificial que mostra o agente da Infância e Juventude Aparecido Donizete e sua filha Érica abraçados, com um fundo verde de um parque. Ele é um homem pardo de cabelo grisalho e ela uma jovem branca e loira.

Há oito anos morando na Europa, Érica afirma ser difícil estar longe da família, especialmente em datas comemorativas, como o Dia dos Pais, mas que a única palavra que vem à sua mente nessas horas é gratidão. “Quero que ele saiba que é o melhor pai do mundo, que eu sou muito grata a ele por cada gesto, por cada abraço. Minha maior certeza na vida é que eu amo muito ele. Mesmo distantes fisicamente, graças a Deus somos muito próximos, pois, de certa forma ele me deu a vida”, assevera Érica.

Pai e apoiador, Aparecido confirma que a distância aperta o coração, mas que, ao mesmo tempo, sente orgulho ao ver que Érica está correndo atrás dos próprios objetivos com coragem. “A gente procura estar presente do jeito que dá, com diálogo, apoio e carinho. E isso ajuda a transformar a saudade em motivação”.

Adoção

Enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido ressalta que a Justiça tem um papel fundamental em garantir que toda criança tenha o direito de crescer em um ambiente seguro, com afeto, dignidade e oportunidades. “A adoção não é apenas um ato jurídico; é a construção de uma família baseada no amor e na responsabilidade”, avalia.

Ele lembra que, desde quando adotou Érica até os dias atuais, a legislação evoluiu muito. “Hoje, o processo de adoção é mais estruturado, transparente e voltado, acima de tudo, ao melhor interesse da criança e do adolescente. Há uma preparação maior das famílias, acompanhamento técnico e mecanismos que buscam reduzir o tempo de permanência de crianças em acolhimento institucional, sempre preservando seus direitos”, explica.

Aparecido aproveita este Dia dos Pais para deixar uma mensagem a todos os pais: “Aos pais biológicos, que valorizem o privilégio de acompanhar o crescimento dos seus filhos com amor, presença e responsabilidade. E aos pais de coração, que nunca duvidem da força do amor que escolheram oferecer. A verdadeira paternidade não é definida pelo sangue, mas pela presença, pelo cuidado, pelo exemplo e pelo compromisso de estar ao lado do filho em todos os momentos da vida. É esse amor que transforma histórias, fortalece famílias e constrói seres humanos melhores”, declara.

Érica, por sua vez, afirma: “Adoção não é sobre preencher um vazio, mas sobre transbordar o amor, porque é isso que eu sinto”.

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT



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