Polícia
Violência doméstica é principal motivação de ameaças a mulheres
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De janeiro a dezembro de 2017, o crime de ameaça foi o mais registrado: 20.470 casos no estado e 4.542 em Cuiabá, conforme a Secretaria de Estado de Segurança Pública
Da Redação
A violência doméstica ou familiar lidera as ocorrências envolvendo vítimas femininas tanto no estado de Mato Grosso quanto em Cuiabá. Nestes casos, a violência está diretamente vinculada à imposição do poder, quando alguém obriga o outro a se submeter a sua vontade ou desejo por meio da força ou do medo. De janeiro a dezembro de 2017, o crime de ameaça foi o mais registrado: 20.470 casos no estado e 4.542 em Cuiabá. Os dados são da Coordenadoria de Análise e Estatística Criminal (CEAC) da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp-MT).
Seguindo esta linha, o Anuário de Atendimento da Delegacia Especializada de Defesa da Mulher (DEDM) da Capital também aponta esta tipificação como a mais recorrente no ano passado. Com 1.744 registros, a ameaça é a principal entre o total de 5.571 ocorrências, após realização de atendimentos das vítimas, o que representa 31,30%. Outro dado do mesmo levantamento que reforça a alta incidência de violência doméstica é que entre os 2.958 suspeitos de agressão a mulheres, os dois vínculos que mais aparecem são de conviventes (1.071 ou 36,21%) e de cônjuges (315 ou 10,65%).
Para a especialista em gênero e violência contra a mulher, Aparecida Gonçalves, o aumento do abuso sexual e ao corpo das mulheres sempre foi uma realidade no Brasil, em função da culpabilização da vítima. “Nós conquistamos alguns direitos, mas também temos a mudança do comportamento do homem com relação aos estupros, por exemplo, que eram individuais e agora são coletivos, e infelizmente a maioria tem o pensamento machista de culpar a mulher por estar com roupa curta ou por ter bebido”, ressaltou ela, que também é ex-secretária nacional de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres da Superintendência de Políticas para as Mulheres da Presidência da República.
Ainda de acordo com o Anuário, as duas maiores demandas no Pronto-Atendimento da Delegacia da Mulher de Cuiabá são de medidas protetivas (1.601), com base nos vínculos de relacionamento, convivente, ex-convivente, cônjuge e ex-cônjuge, e de atendimentos sociojurídicos (828). Apesar de constar a incidência de crimes praticados contra a mulher por outra pessoa do mesmo sexo (580), como nos casos de relações homoafetivas, a maioria dos autores de violência de gênero ainda é formada por pessoas do sexo masculino: 2.201.
A titular da DEDM de Cuiabá, delegada Jozirlethe Criveletto, frisou que 134 mulheres procuraram a unidade em 2017 para comunicar o descumprimento de medidas protetivas. “Este também é um dado muito importante, já que nós estamos tratando hoje efetivamente de prevenir essa questão do feminicídio, portanto é fundamental que nós tenhamos ações voltadas a coibir que o agressor descumpra as medidas. Tanto que hoje nós temos a Lei 13.641/2018, que prevê isso como crime, com pena de três meses a dois anos”.
Prevenção ao feminicídio
Do total de 134 vítimas que retornaram à Delegacia da Mulher de Cuiabá para comunicar o descumprimento de medidas já requeridas ao Judiciário ainda no ano de 2017 ou no ano anterior (2016), houve um caso de feminicídio. De acordo com a coordenadora do Núcleo de Defesa da Mulher (Nudem) da Defensoria Pública, Rosana Leite, os homicídios contra as mulheres podem ser prevenidos. “Estes dados do levantamento nos ajudarão a diagnosticar, por exemplo, onde estão os relacionamentos abusivos. A lei Maria da Penha é efetiva e eficaz, pois transfere essa responsabilidade ao poder público, mas nós precisamos saber o que se passa na casa de cada mulher para poder agir”.
Entre as 2.718 vítimas atendidas em 2017 na unidade, 1.230 declararam não terem vínculo conjugal, 530 disseram ter relacionamento de nove anos ou mais de duração, 341 informaram se relacionar com alguém pelo período de dois a quatro anos, e 324 mulheres tinham relacionamentos entre cinco e oito anos de duração. A Delegacia também atendeu 191 vítimas femininas que declararam ter relacionamento com período de sete meses a um ano, 56 que se relacionavam com alguém por até três meses, e 46 entre quatro e seis meses.
Vale ressaltar que as vítimas atendidas declararam não possuir vínculo conjugal no momento do registro, ou seja, podem se tratar de violência doméstica sofrida em relacionamentos pretéritos; casos de convivência interrompida na data da violência sofrida, ocasião em que a vítima já se declara solteira; ou ainda, de vítimas que sofreram a violência por parte de outros familiares que não seja o companheiro. O perfil dos suspeitos segue a mesma linha, já que a maioria (613) se declarou solteira. De acordo com o estudo, em função dos fatos configurados da violência, aqueles que estão em relacionamentos de namoro ou convivência não necessitam regularizar um divórcio, por isso se colocam nesta classificação. Em seguida, vem os conviventes (378) e os casados (352).
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Lei Seca será aplicada em 15 cidades de MT durante eleições; veja horários e municípios
Eleitores de 15 municípios de Mato Grosso terão que ficar atentos às restrições para venda e, em algumas localidades, também para o consumo de bebidas alcoólicas durante o primeiro turno das eleições, marcado para este domingo (4). As regras foram estabelecidas por quatro portarias da Justiça Eleitoral e os horários variam conforme a zona eleitoral.
Em algumas cidades, a chamada Lei Seca começa ainda no sábado (3). A medida atinge estabelecimentos como bares, restaurantes, supermercados, distribuidoras, lanchonetes, hotéis, lojas de conveniência e vendedores ambulantes. O descumprimento pode configurar crime de desobediência eleitoral, além de resultar na apreensão das bebidas.
Restrição mais longa
A maior janela de proibição será registrada em Peixoto de Azevedo, Matupá, Terra Nova do Norte e Nova Guarita. Nesses municípios, a venda e o fornecimento de bebidas alcoólicas ficarão proibidos das 10h de sábado (3) até as 20h de domingo (4), pelo horário de Cuiabá. A determinação representa 34 horas de restrição e alcança bares, mercados, restaurantes, lanchonetes e distribuidoras.
Já em Alto Boa Vista, Luciara, Novo Santo Antônio e São Félix do Araguaia, a proibição começa às 20h de sábado e segue até as 18h de domingo, considerando o horário de Brasília. Como Mato Grosso está uma hora atrás, a restrição corresponde às 19h de sábado até as 17h de domingo no horário local.
Em Vila Rica, Santa Terezinha e Santa Cruz do Xingu, a medida começa à 0h de domingo e termina às 18h, pelo horário de Brasília. A determinação proíbe a venda, o fornecimento e a distribuição de bebidas alcoólicas durante o período estabelecido.
A mesma faixa, das 0h às 18h de domingo, vale para Canabrava do Norte, Confresa, Porto Alegre do Norte e São José do Xingu. Nesses quatro municípios, porém, a regra é mais abrangente: além da venda e distribuição, também fica proibido o consumo de bebidas alcoólicas em bares, restaurantes, supermercados, hotéis, lojas de conveniência, eventos, por vendedores ambulantes e em locais públicos.
Veja a lista
Das 10h de sábado (3) às 20h de domingo (4):
Peixoto de Azevedo
Matupá
Terra Nova do Norte
Nova Guarita
Das 20h de sábado (3) às 18h de domingo (4), no horário de Brasília:
Alto Boa Vista
Luciara
Novo Santo Antônio
São Félix do Araguaia
Da 0h às 18h de domingo (4), no horário de Brasília:
Vila Rica
Santa Terezinha
Santa Cruz do Xingu
Canabrava do Norte
Confresa
Porto Alegre do Norte
São José do Xingu
Nas demais zonas eleitorais de Mato Grosso, incluindo Cuiabá e Várzea Grande, não havia, até a publicação das portarias, determinação de Lei Seca para o primeiro turno. A votação ocorrerá das 8h às 17h no horário de Brasília, equivalente a 7h às 16h no horário de Mato Grosso.
As forças de segurança deverão fiscalizar o cumprimento das determinações. Em algumas das portarias, também há previsão de aplicação da medida caso haja segundo turno, marcado para 25 de outubro.
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