Mato Grosso
Em MT, 16 recuperandos conquistam vagas em três universidades públicas
Mato Grosso
Para ter acesso ao mestrado, projeto de extensão será lançado nesta terça-feira para preparar presos e servidores
Da Redação
Dezesseis recuperandos de Mato Grosso foram aprovados na 1ª chamada do SISU/2021. Eles participaram do Exame Nacional do Ensino Médio para Pessoas Privadas de Liberdade (Enem/PPL) e três conquistaram a vaga em Engenharia Florestal, um em Engenharia Mecânica, dois em Engenharia Agrícola e Ambiental, um em Zootecnia, três em Física, um em Ciências Econômicas, um em Matemática, um em Administração, dois em Letras e um em Educação Física.
Dos novos estudantes de ensino superior, nove conquistaram as vagas na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), seis na Universidade Federal de Rondonópolis (UFR) e um na Universidade Estadual de Mato Grosso (Unemat).
Os aprovados cumprem pena na Penitenciária da Mata Grande (4), Centro de Ressocialização de Cuiabá (6), Cadeia Pública do Capão Grande (1), Cadeia Pública de Santo Antônio de Leverger (3), Cadeia Feminina de Rondonópolis (1), Cadeia Pública de Diamantino (1).
Com esses 16 aprovados, atualmente 26 pessoas privadas de liberdade cursam curso superior no Estado, mesmo cumprindo pena em regime fechado nas unidades penais.
“Para ter acesso às aulas, a família por meio dos defensores e advogados solicitam a saída para estudarem presencialmente nas universidades. Cabendo ao juiz decidir se acata ou não a solicitação. Em alguns casos, os estudantes colocam a tornozeleira para ir à universidade. Mas na maioria das situações, o recuperando está perto da progressão e o juiz libera para prisão domiciliar com uso de tornozeleira”, explicou a coordenadora do Núcleo de Educação em Prisões da Secretaria Adjunta de Administração Penitenciária, Fabiana Flávia de Magalhães Nascimento.
Mestrado a presos e servidores
Nesta terça-feira (27.04), às 19h, a Rede MT UBUNTU, junto ao Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário de Mato Grosso (GMF) em parceria com a Secretaria Adjunta de Administração Penitenciária da Sesp lançam o projeto de extensão “Direito Humanos e Justiça em Mato Grosso: O GMF e o Acesso a Mestrados Reconhecidos Pela Capes” via meet, através do link http://meet.google.com/inq-offx-wgm.
O projeto visa realizar mentoria acadêmica para pessoas privadas de liberdade e atualmente conta também com a inclusão de vagas destinadas exclusivamente aos servidores do sistema prisional de Mato Grosso.
“Temos 31 recuperandos com nível superior de Cuiabá e de Rondonópolis aprovados e matriculados no curso de extensão para que possam se preparar ao mestrado acadêmico. Também serão destinadas 20 vagas aos servidores do Sistema Penitenciário para que possam concorrer a vagas em programa de mestrado”, informou Fabiana Nascimento.
Mato Grosso
PM acusado de matar esposa em Cuiabá vai a júri popular
A Justiça de Mato Grosso decidiu levar a julgamento pelo Tribunal do Júri o policial militar Ricker Maximiano de Moraes, acusado de matar a esposa, G.D.S., em maio de 2025, em Cuiabá. Na sentença de pronúncia, o Juízo da 1ª Vara Especializada de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher considerou haver provas da materialidade do crime e indícios suficientes de autoria para que o réu seja submetido ao julgamento pelos jurados. A denúncia foi oferecida pelo Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT), por meio da 15ª Promotoria de Justiça Criminal de Cuiabá – Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher, sob responsabilidade da promotora de Justiça Claire Vogel Dutra. O MPMT imputou ao acusado a prática do crime de feminicídio em contexto de violência doméstica e familiar, com causas de aumento de pena e circunstância qualificadora que dificultou a defesa da vítima. De acordo com a denúncia, no dia 25 de maio de 2025, por volta das 16h40, o acusado efetuou disparos de arma de fogo contra a esposa dentro da residência do casal, localizada no Bairro Praeiro, em Cuiabá. A vítima morreu em decorrência dos ferimentos causados pelos tiros. Conforme a acusação, o crime foi cometido na presença dos filhos do casal, então com três e cinco anos de idade.Na decisão, destacou-se que a materialidade do crime está comprovada por laudos periciais, entre eles o exame de necropsia, que apontou que a vítima morreu em decorrência de choque hemorrágico provocado por disparos de arma de fogo que atingiram órgãos vitais. O laudo de confronto balístico também confirmou que os projéteis encontrados foram disparados pela pistola funcional acautelada ao acusado. Durante a instrução processual, testemunhas relataram que o acusado deixou o local após os disparos levando os filhos para a casa dos avós paternos. Em juízo, o próprio réu admitiu ter efetuado os disparos contra a esposa, alegando que passava por forte perturbação emocional e problemas psiquiátricos. A defesa buscou a absolvição sumária sob o argumento de inimputabilidade por doença mental. No entanto, um laudo psiquiátrico concluiu que o acusado apresentava Transtorno Psicótico Não Especificado (CID-10 F29) e possuía capacidade de entendimento parcialmente preservada, sendo enquadrado na condição de semi-imputável. Diante disso, a Justiça afastou o pedido de absolvição sumária, entendendo que a questão deverá ser apreciada pelo Tribunal do Júri.Ao pronunciar o réu, a Justiça manteve todas as circunstâncias descritas na denúncia do Ministério Público, incluindo o feminicídio em contexto de violência doméstica e familiar, a condição de a vítima ser mãe de crianças, a suposta prática do crime na presença dos descendentes e o emprego de recurso que teria dificultado ou impossibilitado a defesa da vítima. Também foi mantida a prisão preventiva do acusado, que está preso desde a conversão do flagrante em prisão preventiva, ocorrida logo após o crime. Com a pronúncia, o processo seguirá para a fase de preparação do julgamento pelo Tribunal do Júri da Comarca de Cuiabá.
Fonte: Ministério Público MT – MT
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