Saúde
Hospital Estadual Santa Casa realiza técnica cirúrgica inédita em Mato Grosso
O secretário de Estado de Saúde, Gilberto Figueiredo, parabenizou a iniciativa do grupo voluntário e enfatizou que a realização da técnica cirúrgica é um marco para Mato Grosso.
Saúde
O Hospital Estadual Santa Casa realizou neste sábado (30.10) a primeira cirurgia pediátrica de reparação da extrofia de bexiga pela “técnica de Kelly” em Mato Grosso. A cirurgia tem o objetivo de corrigir a má formação do aparelho gênito urinário – que engloba a bexiga, uretra e genitália – e promover mais qualidade de vida ao paciente.
O procedimento obteve êxito, durou cerca de 12 horas e envolveu mais de 30 profissionais no Centro Cirúrgico.
A ação foi possível graças a uma parceria com o Grupo Cooperativo Brasileiro Multi-institucional, que conta com médicos especialistas voluntários de diversos estados do Brasil.
“Esse é 35º caso que nós operamos no Brasil. Começamos o projeto em 2019 e já passamos por 12 estados do país. O Grupo Multi-institucional é fruto de um projeto voluntário voltado para crianças atendidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS)”, explicou o o médico especialista em cirurgia e urologia pediátrica, Nicanor Macedo.
De acordo com o médico, o procedimento possibilita a reconstrução completa do aparelho gênito urinário e preserva os tecidos e nervos.
O secretário de Estado de Saúde, Gilberto Figueiredo, parabenizou a iniciativa do grupo voluntário e enfatizou que a realização da técnica cirúrgica é um marco para Mato Grosso. “É um dia histórico para o Hospital Estadual Santa Casa. Somente para essa complexa cirurgia, foi articulada uma equipe de cerca de 35 profissionais, nove médicos especialistas, sendo cinco médicos que vieram de outras unidades da federação. É a Saúde de Mato Grosso fazendo história”, disse.
A extrofia de bexiga é a doença mais complexa das especialidades de cirurgia e urologia pediátrica. Mesmo sendo um procedimento de difícil execução, a “técnica de Kelly” corrige a má-formação em uma etapa e tem apresentado os melhores resultados para os casos de reparação da extrofia. As outras técnicas prevêem mais etapas para a correção.
Com o objetivo de agregar conhecimento, a cirurgia também foi transmitida para profissionais da saúde de todo o país.
“Essa é uma técnica muito complexa, mas nos parece ser a que tem melhores resultados. Mesmo que a extrofia de bexiga seja uma doença rara, existe uma demanda muito grande no Brasil porque tem pouca gente [profissional capacitado] para operar. Nós apresentamos todas as bases da técnica e é um conhecimento muito grande para todos que acompanham. Também é um ganho para nós, porque cada caso traz uma pequena particularidade”, avaliou o dr. Nicanor Macedo.
Para a mãe Margareth Feitosa, de 42 anos e residente do município de Primavera do Leste, a cirurgia vai promover mais qualidade de vida ao filho caçula. “Para mim é muito gratificante esse evento. É um sonho realizado. O meu filho tem seis anos e já passou por sete cirurgias. Esperamos que, com esse procedimento, seja atingido o nosso objetivo”, disse, emocionada.
O paciente é acompanhado pelo dr. José Roberto Lima, médico especialista do Hospital Estadual Santa Casa. A partir desta cirurgia, a expectativa é de que a unidade estadual continue como um polo de referência no Centro-Oeste.
“Fiquei impressionado com a estrutura do Hospital Estadual. O dr. José Roberto, que está conosco desde o início, nos convidou e essa unidade será mais um polo de referência entre 12 estados”, garantiu o dr. Nicanor, que atua no Hospital Estadual da Criança do Rio de Janeiro.
A diretora do Hospital Estadual Santa Casa, Patrícia Neves, avalia que esse tipo de ação colabora para a capacitação dos profissionais da unidade e agrega conhecimento às equipes multidisciplinares. “Nós somos um hospital de referência em pediatria e, para nós, é de suma importância inovar em procedimentos e tecnologias. Esses casos chegam ao Hospital Estadual e eles precisam de profissionais cada vez mais capacitados e voltados para a inovação”, concluiu.
Saúde
HMC recebe quase metade dos pacientes regulados pelas UPAs e reforça papel estratégico na saúde de Cuiabá
Da Redação
O Hospital Municipal de Cuiabá (HMC) consolidou sua posição como principal unidade de retaguarda da rede municipal de urgência e emergência. Levantamento referente aos meses de maio e junho de 2026 mostra que o hospital foi responsável por 44,8% de todas as transferências realizadas pelas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) de Cuiabá, recebendo 661 dos 1.479 pacientes regulados no período.
Os números evidenciam a importância da unidade na organização da assistência hospitalar. Sozinho, o HMC recebeu quase quatro vezes mais pacientes que o segundo hospital com maior volume de transferências, contribuindo para garantir maior agilidade na internação de pacientes e desafogar as UPAs.
A secretária municipal de Saúde, Deisi Bocalon, destacou que os resultados refletem o fortalecimento da rede pública de saúde.
“Os números demonstram que o Hospital Municipal de Cuiabá cumpre um papel essencial na organização da nossa rede de urgência e emergência. Ser responsável por praticamente metade das transferências das UPAs significa garantir acesso mais rápido à internação, desafogar as unidades de pronto atendimento e oferecer um cuidado mais resolutivo à população. Nosso compromisso é continuar fortalecendo a rede municipal com planejamento, investimentos e ampliação da capacidade assistencial”, afirmou.
Liderança nas internações em enfermaria
O desempenho do HMC torna-se ainda mais expressivo quando analisadas apenas as internações em enfermaria. Nos dois meses avaliados, a unidade recebeu 638 pacientes — 335 em maio e 303 em junho —, concentrando 53,6% de todas as transferências destinadas a leitos clínicos e cirúrgicos da rede.
Nas admissões em Unidade de Terapia Intensiva (UTI), a maior demanda foi absorvida pelo Hospital Municipal São Benedito (HMSB) e pelo Hospital e Pronto-Socorro Municipal de Cuiabá (HPSMC), responsáveis por 27,3% e 24,9% das vagas, respectivamente. O HMC respondeu por 8% das internações em terapia intensiva, reforçando sua vocação como principal retaguarda para leitos de enfermaria.
Além do HMC, o HPSMC e o HMSB receberam 170 e 164 pacientes regulados, respectivamente. Outro destaque foi o Hospital Estadual de Câncer, que registrou crescimento superior a 200% nas transferências entre maio e junho, passando de 25 para 79 pacientes.
Gestão destaca eficiência e qualidade da assistência
A diretora-geral da Empresa Cuiabana de Saúde Pública, Kelluby de Oliveira, atribuiu os resultados ao trabalho integrado das equipes e ao fortalecimento da gestão hospitalar.
“O protagonismo do HMC é resultado do empenho diário de equipes multiprofissionais altamente qualificadas e de uma gestão comprometida com a eficiência e a humanização da assistência. Além de sermos referência em urgência, emergência, politrauma e tratamento de queimados, temos ampliado a oferta de cirurgias eletivas e procedimentos especializados, garantindo mais acesso e qualidade no atendimento prestado aos usuários do SUS”, destacou.
Hospital amplia serviços especializados
Referência estadual em urgência, emergência, politrauma, traumato-ortopedia e tratamento de queimados, por meio do Centro de Tratamento de Queimados (CTQ), o HMC funciona em regime de portas abertas para atendimentos de urgência e emergência.
A unidade dispõe de enfermarias adulta e infantil, Hospital Dia, centros cirúrgicos, salas de medicação e decisão médica, seis leitos destinados à saúde mental e estrutura completa para assistência ambulatorial e hospitalar.
Nos últimos meses, o hospital também ampliou a oferta de procedimentos especializados. Entre junho e julho, iniciou um mutirão de cirurgias de vesícula por videolaparoscopia, com previsão de 30 procedimentos para reduzir a fila de espera do Sistema Único de Saúde (SUS).
Outra ação inédita colocou Cuiabá em destaque no cenário nacional. O HMC promoveu um mutirão exclusivo de cirurgias reparadoras para vítimas de queimaduras elétricas decorrentes de acidentes de trabalho, tornando-se a única unidade do país a realizar uma iniciativa voltada exclusivamente para esse público. Aproximadamente 20 pacientes foram atendidos durante a ação.
Para o diretor técnico do HMC, Dr. Eduardo Andraus, os indicadores confirmam a capacidade da unidade em atender pacientes de média e alta complexidade.
“O HMC foi concebido para ser um hospital de alta resolutividade. Nossa capacidade de receber pacientes regulados das UPAs permite que essas unidades continuem atendendo novos casos de urgência e emergência. Contamos com equipes preparadas, protocolos bem estabelecidos e uma estrutura capaz de atender desde casos clínicos até situações de alta complexidade, como politrauma, queimados e cirurgias especializadas. Os resultados de maio e junho demonstram que estamos cumprindo essa missão com eficiência”, concluiu.
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