MEDIDAS IMPOPULARES

Decretos de Abilio na área de saúde geram críticas do Sindimed e CRM/MT

Instituição que representa a categoria médica pede que MPF apure essa medida de Abílio, considerada arbitrária

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Saúde

Foto: Davi Valle - Secom-Cuiabá

Medidas baixadas recentemente pelo prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), na área de saúde, mereceram pronto repúdio do Sindicato dos Médicos do Estado de Mato Grosso (Sindimed-MT). Conforme a instituição sindical, são decretos prejudiciais ao bom andamento da saúde, e efetivamente prejudicam o usuário SUS. Um deles, cita, é o decreto de Situação de Emergência. 

O Sindimed explica que fará recomendações aos clínicos referentes a essas medidas claramente arbitrárias. Eles já foram orientados para a vigilância que podem vir a sofrer constrangimentos, via filmagens por parte de assessores do prefeito. Ao Ministério Público Federal, é solicitado abertura de investigações para apurar tal conduta e, também, a aplicação dos recursos públicos nessa área.

Abilio justifica que as medidas baixadas vêm ao encontro das demandas detectadas na saúde. Citou ter instituído decreto de Situação de Emergência em face do surto de arboviroses – dengue e chikungunya.

“Esses casos aumentaram de forma fenomenal. Somente em 20 dias, por exemplo, houve acréscimo de 204,5% e 1.913,3%. Diante de tal situação, fomos obrigados a adotar medidas administrativas compatíveis à gravidade desse quadro geral”. Também foram adquiridos medicamentos e insumos para tratamento dos surtos.

Uma outra medida do prefeito se estendeu às UBS da capital – Unidades Básicas de Saúde, para que recebam pacientes. O objetivo, argumenta, é desafogar as UPA(s), Unidades de Pronto Atendimento.

Porém, segundo o sindicato, houve intimidação do Executivo para que os servidores acatassem tais determinações, sob pena de serem penalizados. Além do Sindimed, essa decisão foi igualmente desaprovada pelo Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso.

Na prática, é o alerta conjunto do Sindicato dos Médicos e do Conselho Regional de Medicina/MT, esse decreto municipal é realmente preocupante, e pode prejudicar pacientes catalogados como crônicos. Ambas as instituições instruem para que os servidores da área registrem os atendimentos e cumpram a carga horária definida. E se forem  filmados por membros da equipe de Abilio, devem registrar isso com idênticas gravações.

O Conselho divulgou uma nota em que repudia veementemente esse procedimento adotado pelo prefeito para com os profissionais da área de saúde. Segundo a nota, há claro intuito do prefeito em criminalizar e responsabilizar os médicos pelo caos na saúde da capital. Postura que incentiva negativamente a população para visualizar os médicos na condição de vilões do processo de atendimento, gerando violência verbal e mesmo física contra esses profissionais.

É detalhado, na mesma nota do CRM/MT, a falta de infraestrutura das UPAs e UBAs em relação a atendimentos de urgência e emergência, ao contrário das UPAs. Essas primeiras não foram criadas para tal função, é frisado pelas instituições que representam a categoria médica. É notório que o prefeito insiste em atribuir aos médicos as deficiências que a saúde pública do município registra há anos, diz o CRM/MT.

Na interpretação dos conselheiros, há forçoso intuito de se criar ilusória cortina de fumaça sobre a precariedade da saúde, como se as soluções fossem fáceis, ao alcance geral, e só não acontecem porque os médicos simplesmente não querem.

 

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Saúde

HMC recebe quase metade dos pacientes regulados pelas UPAs e reforça papel estratégico na saúde de Cuiabá

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Da Redação

 

O Hospital Municipal de Cuiabá (HMC) consolidou sua posição como principal unidade de retaguarda da rede municipal de urgência e emergência. Levantamento referente aos meses de maio e junho de 2026 mostra que o hospital foi responsável por 44,8% de todas as transferências realizadas pelas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) de Cuiabá, recebendo 661 dos 1.479 pacientes regulados no período.
Os números evidenciam a importância da unidade na organização da assistência hospitalar. Sozinho, o HMC recebeu quase quatro vezes mais pacientes que o segundo hospital com maior volume de transferências, contribuindo para garantir maior agilidade na internação de pacientes e desafogar as UPAs.
A secretária municipal de Saúde, Deisi Bocalon, destacou que os resultados refletem o fortalecimento da rede pública de saúde.
“Os números demonstram que o Hospital Municipal de Cuiabá cumpre um papel essencial na organização da nossa rede de urgência e emergência. Ser responsável por praticamente metade das transferências das UPAs significa garantir acesso mais rápido à internação, desafogar as unidades de pronto atendimento e oferecer um cuidado mais resolutivo à população. Nosso compromisso é continuar fortalecendo a rede municipal com planejamento, investimentos e ampliação da capacidade assistencial”, afirmou.
Liderança nas internações em enfermaria
O desempenho do HMC torna-se ainda mais expressivo quando analisadas apenas as internações em enfermaria. Nos dois meses avaliados, a unidade recebeu 638 pacientes — 335 em maio e 303 em junho —, concentrando 53,6% de todas as transferências destinadas a leitos clínicos e cirúrgicos da rede.
Nas admissões em Unidade de Terapia Intensiva (UTI), a maior demanda foi absorvida pelo Hospital Municipal São Benedito (HMSB) e pelo Hospital e Pronto-Socorro Municipal de Cuiabá (HPSMC), responsáveis por 27,3% e 24,9% das vagas, respectivamente. O HMC respondeu por 8% das internações em terapia intensiva, reforçando sua vocação como principal retaguarda para leitos de enfermaria.
Além do HMC, o HPSMC e o HMSB receberam 170 e 164 pacientes regulados, respectivamente. Outro destaque foi o Hospital Estadual de Câncer, que registrou crescimento superior a 200% nas transferências entre maio e junho, passando de 25 para 79 pacientes.
Gestão destaca eficiência e qualidade da assistência
A diretora-geral da Empresa Cuiabana de Saúde Pública, Kelluby de Oliveira, atribuiu os resultados ao trabalho integrado das equipes e ao fortalecimento da gestão hospitalar.
“O protagonismo do HMC é resultado do empenho diário de equipes multiprofissionais altamente qualificadas e de uma gestão comprometida com a eficiência e a humanização da assistência. Além de sermos referência em urgência, emergência, politrauma e tratamento de queimados, temos ampliado a oferta de cirurgias eletivas e procedimentos especializados, garantindo mais acesso e qualidade no atendimento prestado aos usuários do SUS”, destacou.
Hospital amplia serviços especializados
Referência estadual em urgência, emergência, politrauma, traumato-ortopedia e tratamento de queimados, por meio do Centro de Tratamento de Queimados (CTQ), o HMC funciona em regime de portas abertas para atendimentos de urgência e emergência.
A unidade dispõe de enfermarias adulta e infantil, Hospital Dia, centros cirúrgicos, salas de medicação e decisão médica, seis leitos destinados à saúde mental e estrutura completa para assistência ambulatorial e hospitalar.
Nos últimos meses, o hospital também ampliou a oferta de procedimentos especializados. Entre junho e julho, iniciou um mutirão de cirurgias de vesícula por videolaparoscopia, com previsão de 30 procedimentos para reduzir a fila de espera do Sistema Único de Saúde (SUS).
Outra ação inédita colocou Cuiabá em destaque no cenário nacional. O HMC promoveu um mutirão exclusivo de cirurgias reparadoras para vítimas de queimaduras elétricas decorrentes de acidentes de trabalho, tornando-se a única unidade do país a realizar uma iniciativa voltada exclusivamente para esse público. Aproximadamente 20 pacientes foram atendidos durante a ação.
Para o diretor técnico do HMC, Dr. Eduardo Andraus, os indicadores confirmam a capacidade da unidade em atender pacientes de média e alta complexidade.
“O HMC foi concebido para ser um hospital de alta resolutividade. Nossa capacidade de receber pacientes regulados das UPAs permite que essas unidades continuem atendendo novos casos de urgência e emergência. Contamos com equipes preparadas, protocolos bem estabelecidos e uma estrutura capaz de atender desde casos clínicos até situações de alta complexidade, como politrauma, queimados e cirurgias especializadas. Os resultados de maio e junho demonstram que estamos cumprindo essa missão com eficiência”, concluiu.

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