Saúde
Câncer: confira os tratamentos que mais avançaram em 2024
Tratamentos menos agressivos e mais eficientes dão esperança para os pacientes com câncer, que devem ter melhor qualidade de vida
Saúde
Os avanços na pesquisa sobre o câncer deram aos pacientes oncológicos novas possibilidades de tratamento em 2024. São estratégias mais eficazes e menos agressivas, uma combinação que proporciona melhor qualidade de vida ao doente.
Câncer de pele
O ano de 2024 foi marcado por um passo importante no tratamento do câncer de pele, com a divulgação das imagens do primeiro paciente a receber uma vacina experimental que pode prevenir a recorrência do melanoma, o tipo mais grave da doença.
A terceira fase do estudo do imunizante está sendo feita com pacientes britânicos. A injeção utiliza uma técnica semelhante à tecnologia de mRNA, usada em algumas vacinas contra a Covid-19. Ela é adaptada de acordo com as células de cada indivíduo e tem potencial para ser usada também na prevenção de cânceres de pulmão, rins e bexiga.
A vacina é produzida pelas farmacêuticas Moderna e Merck/MSD e deve ser usada junto com o Keytruda, um medicamento imunoterápico que potencializa a prevenção da doença. Nos testes de fase 2, o risco de morte pelo retorno do tumor em três anos diminuiu 44% em comparação com as pessoas que usaram apenas o remédio.
“Esta vacina é um marco empolgante para visualizarmos como a terapia individualizada pode potencialmente transformar o tratamento da forma mais grave de câncer de pele no futuro”, disse o vice-presidente sênior da Moderna, Kyle Holen, em comunicado à imprensa em abril.
Câncer de pulmão
O câncer de pulmão é um dos tipos de câncer com maior incidência e mortalidade em todo o mundo. A maioria dos casos é diagnosticada em estágio avançado.
Um estudo publicado este ano mostrou benefícios significativos da imunoterapia para pacientes com carcinoma de pequenas células localmente avançado — um subtipo de câncer de pulmão bastante agressivo, 100%
A imunoterapia, em associação com a quimioterapia e radioterapia, aumentou o tempo de vida dos pacientes. De acordo com o oncologista Igor Morbeck, da Oncoclínicas Brasília, esse é o primeiro avanço no tratamento do carcinoma de pequenas células em anos.
“Há mais de três décadas, nada mudava em relação à sobrevida de pacientes com tumores de pequenas células tratados com quimio e radioterapia. Muitos deles têm recidiva e falecem da doença. Agora, a imunoterapia é colocada na linha de frente desse tratamento, melhorando a sobrevida. É uma ótima notícia”, ressalta o médico.
Câncer de mama
Entre os destaques de 2024, o oncologista Gustavo Fernandes, diretor nacional de Oncologia na Rede Dasa, chama atenção para o tratamento de pacientes diagnosticadas com câncer de mama triplo-negativo em estágio precoce.
Fernandes explica que os cânceres de mama triplo-negativo são muito difíceis de tratar por conta da agressividade. Estudos mostraram que a imunoterapia com pembrolizumabe antes da cirurgia aumentou as chances de remissão.
“É uma grande notícia. O pembrolizumabe é um medicamento em uso para outras doenças e que, agora, passa a ser administrado em pacientes com câncer de mama triplo-negativo precoce, mas com a certeza de que há ganho de sobrevida. Essa é uma situação muito desejável na oncologia”, afirma o médico.
Câncer de esôfago
Um estudo apresentado no encontro anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (Asco, na sigla em inglês) deste ano mostrou que um tratamento menos agressivo pode ser mais benéfico do que o padrão para pacientes com câncer de esôfago.
O oncologista Morbeck destaca que o tratamento com quimioterapia seguida por cirurgia mostrou melhores resultados em comparação com o tratamento padrão de quimiorradioterapia seguido de cirurgia.
“Tumores de esôfago são bem agressivos. Tirar a radioterapia é algo importante para os pacientes, porque eu evito toxicidades, efeitos colaterais que são ruins durante o tratamento. A combinação da quimio com a rádio seguida de cirurgia leva os pacientes com tumor de esôfago à uma situação de desnutrição muito importante. Se eu desintensificar o tratamento, a qualidade de vida é melhor”, afirma Morbeck.
Melhora do peso e disposição do paciente
Pacientes com câncer em estágio avançado têm perda de peso, de massa muscular e de energia expressiva. Isso se deve à presença do tumor no organismo, que tira o apetite do doente e libera substâncias que inibem a fome. Esta condição é conhecida como caquexia relacionada ao câncer.
A caquexia está associada a um risco aumentado de morte devido ao enfraquecimento do corpo, tornando o paciente mais vulnerável a infecções e dificultando a resposta aos tratamentos oncológicos.
Pela primeira vez, um medicamento se mostrou eficaz em melhorar a condição clínica desses indivíduos. O ponsegromab é um anticorpo monoclonal que inibe a citocina circulante GDF-15, que tende a ser encontrada em níveis muito elevados em quadros de caquexia relacionada ao câncer. O uso do medicamento mostrou melhora do peso, apetite e energia para se exercitar.
“O ponsegromab conseguiu fazer com que os pacientes comam melhor e tenham um nível maior de atividade e ganho de peso. Esse é um avanço muito significativo. É o primeiro remédio que funciona para essa questão”, afirma Fernandes.
Terapia-alvo
O câncer é uma doença complexa, com muitos subtipos e mutações que exigem tratamentos cada vez mais personalizados. Um dos focos da Asco deste ano foi mostrar os avanços do tratamento com terapia-alvo para diferentes mutações.
Essa abordagem usa drogas ou outras substâncias para atacar especificamente as células cancerígenas, usando como base as mutações genéticas e determinados genes dos tumores. Como resultado, o tratamento provoca poucos danos às demais células do paciente.
A terapia tem alta precisão e pode aumentar a eficácia de seu combate ao enfraquecer o tumor, já que o divide em partes menores. “Isso é extraordinariamente interessante porque você vai fragmentando a doença”, avalia o oncologista Rafael Kaliks, do Hospital Albert Einstein, em entrevista anterior ao Metrópoles.
Fonte: Metropole – https://www.metropoles.com/saude/avancos-nos-tratamentos-do-cancer-em-2024
Saúde
HMC recebe quase metade dos pacientes regulados pelas UPAs e reforça papel estratégico na saúde de Cuiabá
Da Redação
O Hospital Municipal de Cuiabá (HMC) consolidou sua posição como principal unidade de retaguarda da rede municipal de urgência e emergência. Levantamento referente aos meses de maio e junho de 2026 mostra que o hospital foi responsável por 44,8% de todas as transferências realizadas pelas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) de Cuiabá, recebendo 661 dos 1.479 pacientes regulados no período.
Os números evidenciam a importância da unidade na organização da assistência hospitalar. Sozinho, o HMC recebeu quase quatro vezes mais pacientes que o segundo hospital com maior volume de transferências, contribuindo para garantir maior agilidade na internação de pacientes e desafogar as UPAs.
A secretária municipal de Saúde, Deisi Bocalon, destacou que os resultados refletem o fortalecimento da rede pública de saúde.
“Os números demonstram que o Hospital Municipal de Cuiabá cumpre um papel essencial na organização da nossa rede de urgência e emergência. Ser responsável por praticamente metade das transferências das UPAs significa garantir acesso mais rápido à internação, desafogar as unidades de pronto atendimento e oferecer um cuidado mais resolutivo à população. Nosso compromisso é continuar fortalecendo a rede municipal com planejamento, investimentos e ampliação da capacidade assistencial”, afirmou.
Liderança nas internações em enfermaria
O desempenho do HMC torna-se ainda mais expressivo quando analisadas apenas as internações em enfermaria. Nos dois meses avaliados, a unidade recebeu 638 pacientes — 335 em maio e 303 em junho —, concentrando 53,6% de todas as transferências destinadas a leitos clínicos e cirúrgicos da rede.
Nas admissões em Unidade de Terapia Intensiva (UTI), a maior demanda foi absorvida pelo Hospital Municipal São Benedito (HMSB) e pelo Hospital e Pronto-Socorro Municipal de Cuiabá (HPSMC), responsáveis por 27,3% e 24,9% das vagas, respectivamente. O HMC respondeu por 8% das internações em terapia intensiva, reforçando sua vocação como principal retaguarda para leitos de enfermaria.
Além do HMC, o HPSMC e o HMSB receberam 170 e 164 pacientes regulados, respectivamente. Outro destaque foi o Hospital Estadual de Câncer, que registrou crescimento superior a 200% nas transferências entre maio e junho, passando de 25 para 79 pacientes.
Gestão destaca eficiência e qualidade da assistência
A diretora-geral da Empresa Cuiabana de Saúde Pública, Kelluby de Oliveira, atribuiu os resultados ao trabalho integrado das equipes e ao fortalecimento da gestão hospitalar.
“O protagonismo do HMC é resultado do empenho diário de equipes multiprofissionais altamente qualificadas e de uma gestão comprometida com a eficiência e a humanização da assistência. Além de sermos referência em urgência, emergência, politrauma e tratamento de queimados, temos ampliado a oferta de cirurgias eletivas e procedimentos especializados, garantindo mais acesso e qualidade no atendimento prestado aos usuários do SUS”, destacou.
Hospital amplia serviços especializados
Referência estadual em urgência, emergência, politrauma, traumato-ortopedia e tratamento de queimados, por meio do Centro de Tratamento de Queimados (CTQ), o HMC funciona em regime de portas abertas para atendimentos de urgência e emergência.
A unidade dispõe de enfermarias adulta e infantil, Hospital Dia, centros cirúrgicos, salas de medicação e decisão médica, seis leitos destinados à saúde mental e estrutura completa para assistência ambulatorial e hospitalar.
Nos últimos meses, o hospital também ampliou a oferta de procedimentos especializados. Entre junho e julho, iniciou um mutirão de cirurgias de vesícula por videolaparoscopia, com previsão de 30 procedimentos para reduzir a fila de espera do Sistema Único de Saúde (SUS).
Outra ação inédita colocou Cuiabá em destaque no cenário nacional. O HMC promoveu um mutirão exclusivo de cirurgias reparadoras para vítimas de queimaduras elétricas decorrentes de acidentes de trabalho, tornando-se a única unidade do país a realizar uma iniciativa voltada exclusivamente para esse público. Aproximadamente 20 pacientes foram atendidos durante a ação.
Para o diretor técnico do HMC, Dr. Eduardo Andraus, os indicadores confirmam a capacidade da unidade em atender pacientes de média e alta complexidade.
“O HMC foi concebido para ser um hospital de alta resolutividade. Nossa capacidade de receber pacientes regulados das UPAs permite que essas unidades continuem atendendo novos casos de urgência e emergência. Contamos com equipes preparadas, protocolos bem estabelecidos e uma estrutura capaz de atender desde casos clínicos até situações de alta complexidade, como politrauma, queimados e cirurgias especializadas. Os resultados de maio e junho demonstram que estamos cumprindo essa missão com eficiência”, concluiu.
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