FERRAMENTA DE COMBATE
MINISTRO APONTA GOVERNANÇA COMO FERRAMENTA PARA COMBATE A DESIGULDADES EM MATO GROSSO
Somos campeões na soja, no milho e carne, mas também somos os campeões no índice de hanseníase. Temos que zerar isso, temos que ter um Estado bom para todos
Política
Ministro do TCU Augusto Nardes esteve no Tribunal de Contas de Mato Grosso nesta segunda-feira.
O papel da governança no desenvolvimento dos municípios e como instrumento de combate às desigualdades regionais foi apresentado pelo ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Augusto Nardes, nesta segunda-feira (11). Em palestra realizada pelo Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), foram apontadas estratégias para a implantação desta cultura organizacional pelo órgão e por seus fiscalizados.
“Somos campeões na soja, no milho e carne, mas também somos os campeões no índice de hanseníase. Temos que zerar isso, temos que ter um estado bom para todos. Então, ainda há muito no que avançar e o papel do Tribunal de Contas é contribuir com esse avanço. Estamos na vanguarda, já fazendo nossa parte, mas ainda podemos avançar mais e mais”, disse o presidente do TCE-MT, conselheiro Sérgio Ricardo.
Neste contexto, reforçou que a governança cria estruturas que garantem a execução das políticas públicas na ponta, para quem mais precisa. “Esta é uma reunião de trabalho na qual estamos discutindo a vida das pessoas. Estamos aqui para ajudar a fazer política de estado e ajudar qualquer governo que seja, e podemos ajudar muito. Por isso digo que o Tribunal é uma das instituições mais importantes da República”, completou.
Responsável pela criação da Rede Governança Brasil (RGB), uma política para a implantação do conceito em todo o Brasil, Nardes destacou que a posição do TCE-MT é significativa para o desenvolvimento do estado. “O Tribunal é a instituição que faz o controle da administração pública e, com o apoio do governo, nós podemos transformar Mato Grosso e pensar Mato Grosso para 2030 e 2040.”
Em sua palestra, “O Desafio do Brasil – Governança Pública”, o ministro resumiu o conceito em liderança, estratégia e controle. “A governança é a entrega dos resultados e um tribunal que trabalha com números pode ajudar nesse sentido, avaliando e monitorando o tempo todo as políticas públicas. Somente com indicadores você consegue avaliar.”
O procurador-geral do Ministério Público de Contas (MPC), Alisson Carvalho de Alencar, destacou que a partir destes critérios será possível estabelecer um mapeamento entre os 142 municípios mato-grossenses. “A ideia é termos todos esses indicadores para avaliar o dia a dia da gestão pública municipal e estadual, de modo que se possa avaliar a entrega das políticas públicas para a sociedade e a governança pública seja efetivada.”
Durante a manhã, também foram apresentados os resultados alcançados por municípios de Mato Grosso que já adotaram a governança como princípio. É o caso de Primavera do Leste, que segundo o prefeito, Leonardo Bortolin, aderiu à proposta da RGB em 2014.
Presidente da Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM), Bortolin também chamou a atenção para a relevância do TCE-MT na disseminação dessas práticas. “As políticas públicas não acontecem dentro de um mandato apenas, por isso a importância do acompanhamento do Tribunal, não somente para o equilíbrio fiscal, mas no planejamento da gestão.”
O evento reuniu servidores e colaboradores do TCE-MT e do MPC na Escola Superior de Contas. Também participaram do encontro os conselheiros Guilherme Antonio Maluf e Waldir Teis; os secretários de estado de Planejamento e Gestão e de Meio Ambiente, Basílio Bezerra e Mauren Lazzaretti; a diretora-geral da Escola Superior da Magistratura (Esmagis-MT), desembargadora Helena Maria Ramos e o juiz José Antônio Bezerra Filho.
Parceria
Em fevereiro deste ano, Sérgio Ricardo esteve no TCU para firmar parceria com Augusto Nardes e assegurar a implementação da governança pública nos municípios mato-grossenses. A mobilização chamou a atenção de outros membros do TCU e a iniciativa foi elogiada também pelos conselheiros Vital do Rêgo, Antonio Anastasia e Aroldo Cedraz.
Na ocasião, o presidente do TCE-MT apresentou o panorama regional e destacou a importância da ferramenta para os gestores. “Temos 142 municípios, alguns riquíssimos, mas outros muito pobres. Não há outro caminho para que essa realidade mude que não seja a governança. É por meio dela que diversos países, mesmo quando enfrentam dificuldades, conseguem superar os problemas.”
Galeria

Política
Retrospectiva: novo piso salarial dos professores foi destaque entre aprovações da Câmara na área de educação
No primeiro semestre deste ano, a Câmara dos Deputados aprovou a Medida Provisória 1334/26, que criou uma nova regra de reajuste do piso salarial dos profissionais do magistério público da educação básica. O texto, também aprovado no Senado, foi convertido na Lei 15.437/26.
A norma determina que, a partir de janeiro de 2026, o reajuste será baseado na soma:
- da variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) do ano anterior (no caso, 2025); e
- de 50% da média da variação percentual da receita real de cinco anos anteriores (de 2021 a 2025, no caso de 2026) vinda de estados, Distrito Federal e municípios para compor o Fundeb.
A variação real corresponde ao que ficou acima do INPC no período.
A regra também valerá para profissionais contratados por tempo determinado.
De acordo com o Ministério da Educação (MEC), o reajuste do piso em 2026 foi de 5,40%. Esse percentual reúne o INPC de 2025, de 3,90%, e um ganho real de 1,50%.
O piso nacional passou de R$ 4.867,77 para R$ 5.130,63 em janeiro de 2026.
INSS de bolsistas
Na área de educação, os deputados também aprovaram o Projeto de Lei 2950/15, que torna obrigatória a participação do bolsista de pós-graduação como contribuinte individual da Previdência Social para fins de acesso a benefícios como aposentadoria e auxílios.
De autoria do ex-deputado Davidson Magalhães (BA), o texto aprovado pela Casa foi relatado pelo deputado Ricardo Galvão (Rede-SP) e está em análise no Senado.
A contribuição assegurará, por exemplo, cobertura previdenciária em situações de doença, maternidade e incapacidade temporária. Além disso, possibilita a contagem do tempo dedicado à pesquisa para fins de aposentadoria.
A contribuição a ser recolhida pela instituição cedente da bolsa será de 11% sobre um salário mínimo (atualmente R$ 1.621,00).
Com essa alíquota, o acesso à aposentadoria será somente por idade, atualmente em 62 anos para mulher e 65 anos para homem.
Caso deseje aposentadoria por tempo de contribuição ou que o tempo possa ser aproveitado para se aposentar por algum regime próprio de servidores públicos, o interessado deverá complementar a contribuição recolhida pela instituição com mais 9% sobre a base de cálculo, a fim de totalizar 20% de recolhimento.
Escolas sustentáveis
O Programa Nacional de Escolas Resilientes e Sustentáveis foi aprovado pela Câmara dos Deputados para ajudar na adaptação às mudanças climáticas e no uso de recursos naturais.
Pedro Ventura/Agência Brasília
Deputados aprovaram programa que incentiva ações sustentáveis nas escolas
De autoria do deputado Tarcísio Motta (Psol-RJ), o Projeto de Lei 2841/24 foi relatado pela deputada Socorro Neri (PP-AC) e tramita agora no Senado.
O texto prevê ações como:
- a instalação, a manutenção e a melhoria dos sistemas de drenagem, ventilação e climatização;
- utilização de sistemas de energia renovável e equipamentos eficientes; e
- uso racional da água, da energia e gestão de resíduos.
Outras medidas incluem a arborização para evitar incidência solar e diminuir a temperatura média no ambiente, além de reformas e melhorias estruturais para aumentar a resistência das edificações a eventos climáticos extremos.
Cultura nas escolas
A Câmara dos Deputados aprovou ainda no primeiro semestre, a política nacional “Mais Cultura nas Escolas”, objeto do Projeto de Lei 533/24, em análise hoje no Senado.
De autoria da deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), a proposta foi aprovada com a relatoria do deputado Tarcísio Motta, prevendo parceria entre a União, os estados, o Distrito Federal e os municípios com a sociedade civil no setor da cultura.
Segundo o texto, a União deverá apoiar os outros entes federativos na elaboração de um plano de atividade cultural anual para as escolas públicas de educação básica.
Para viabilizar a execução dos planos, poderão ser utilizados os moldes operacionais e regulamentares do Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE).
Cada plano deverá conter as ações, as metas, o cronograma de execução e a previsão de início e término das atividades, envolvendo bens e serviços necessários à realização das atividades artísticas, culturais e pedagógicas previstas.
Números do semestre
No total, foram aprovados no primeiro semestre de 2026, pelo Plenário, 118 projetos de lei, 9 projetos de lei complementar, 20 medidas provisórias, 12 projetos de decreto legislativo, 5 projetos de resolução e 4 propostas de emenda à Constituição.
Reportagem – Eduardo Piovesan
Edição – Marcelo Oliveira
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