"Reconhecimento"
Assembleia promove 1º Prêmio Mato-grossense Tereza de Benguela
Vinte e duas mulheres negras receberam troféus e 160 personalidades foram homenageadas.
Política
A Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), juntamente com o Coletivo Herdeiras do Quariterê, promoveu o 1º Prêmio Mato-grossense Tereza de Benguela, na noite de quinta-feira (18). Mulheres negras, de 22 áreas de atuação, receberam o troféu da premiação. Além disso, houve entrega de Moção de Aplausos e de uma honraria ancestral a homens e mulheres em celebração ao Dia da Consciência Negra.
Entre as mais de 160 pessoas agraciados com Moção de Aplausos está Jussara Curvo, praticante da umbanda desde os 18 anos. “Nós ainda somos muito marginalizadas. As pessoas quando nos veem vestidas nos olham com outros olhos porque ainda tem muito aquela concepção de que a umbanda é para fazer maldade. Mas não é isso, a religiosidade é muito grande. A informação ajuda também e esse prêmio é muito fantástico por dar reconhecimento para essas mulheres negras”, argumenta.
“São ações como essa que valorizam o homem negro e a mulher negra do estado”, resume o servidor do Instituto Federal de Mato Grosso (campus São Vicente), Roseildo Nunes da Cruz, que também recebeu a Moção de Aplausos.
A artista e modelo Lupita Amorim recebeu a estatueta do prêmio Tereza de Benguela na categoria Atuação Negra LGBTQIA+ e estava indicada em outras categorias. “O dia de hoje é muito importante para a juventude negra brasileira e mato-grossense, sobretudo a juventude LGBT e eu sendo uma travesti preta periférica vinda de Várzea Grande, considero muito esse momento de homenagem, que relembra a luta que temos organizado, expondo nossas indignações e propondo outras possibilidades, com a garantia do direito à nossa vida”, afirma a homenageada.
O secretário nacional de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Paulo Roberto, também prestigiou o evento e lembrou que a data também é um dia de reflexão e luta. “Não se pode negar o racismo, o preconceito, a discriminação e a intolerância religioso. É preciso olhar para o passado para ver de onde veio tudo isso, tudo tem uma raiz. Sem isso, não podemos combater a discriminação, sem ver de onde veio tanta desigualdade”, pondera. O senador Wellington Fagundes, além de outras autoridades também acompanharam o evento.
Tereza de Benguela – Uma heroína que viveu no século XVIII, cuja história tem sido resgatada recentemente. Tereza de Benguela era chamada de Rainha Tereza e foi uma grande líder do Quilombo do Quariterê após a morte de seu companheiro, José Piolho, morto pelas forças coloniais.
De acordo com registros históricos, a mulher que viveu no Vale do Guaporé, em Vila Bela da Santíssima Trindade, constituiu no quilombo um sistema parlamentar e chefiou uma comunidade composta por negros e indígenas.
Em homenagem a ela, o dia 25 de julho é oficialmente no Brasil o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra. A data comemorativa foi instituída pela Lei n° 12.987/2014.
Veja abaixo a lista completa de pessoas homenageadas com o prêmio Tereza Benguela e também as que receberam a honraria ancestral:
PRÊMIO TEREZA DE BENGUELA
1. CATEGORIA CIENTISTA DESTAQUE:
FRANCILÉIA PAULA DE CASTRO – FRAN PAULA:
2. CATEGORIA PROJETOS INOVADORES AFRO CULTURA:
BLACK-RAINHAS – GÉSSICA PEREIRA:
3. CATEGORIA CULTURA E ARTE:
ANDRÉ DE LUCCA – ALMERINDA MULHER NEGRA
4. CATEGORIA POLÍTICA:
MARIA DAS NEVES
5. CATEGORIA ATIVISTA:
CZARINA FARIAS DE BRITO:
6. LÍDER EQUIDADE RACIAL:
JOSILEIDE MARLA MEDEIRO:
7. CATEGORIA AFROEMPREENDEDORISMO DESTAQUE:
VIVIAN FASHION
8. CATEGORIA QUILOMBOLA GRIÔT:
TIA GÓIA
9. CATEGORIA AXÉ TERREIROS:
MARIA JOSÉ DA SILVA MATOS
10. CATEGORIA JOVEM TEREZA DESTAQUE:
NAUARA COELHO
11. CATEGORIA RESISTÊNCIA:
MAZÉH SILVA
12. CATEGORIA LÍDER COLETIVO:
EDNA SAMPAIO: VEREADORA POR CUIABÁ /MT;
13. CATEGORIA LIDERANÇA QUILOMBOLA DESTAQUE:
LAURA FERREIRA DA SILVA
14. CATEGORIA ATIVISTAS DO DIREITO:
NARYANNE RAMOS
15. CATEGORIA ATUAÇÃO NEGRA LGBTQIA+:
LUPITA AMORIM:
16. CATEGORIA ANCESTRALIDADE:
VÓ FRANCISCA CORREA DA COSTA:
17. CATEGORIA JOVEM PRODUTORA CULTURAL – ÁUDIO VISUAL:
NAIANE GONÇALVES
18. CATEGORIA MÚSICA AFRO:
MARIANA BOREALIS
19. CATEGORIA CULTURA ARTES VISUAIS:
CRISTINA SOARES
20. CULTURA: MULHER POLÍTICA EM TERRAS QUILOMBOLAS
SOENIL CLARINDA DE SALES
21. CATEGORIA ATUAÇÃO INTERGERACIONAL
NEGA MARY
22. CATEGORIA PRODUÇÃO COLETIVA DE LITERATURA NEGRA
COLETIVO SELO ITAN – ABAYOMI JAMILA (DAIANE SILVA DOS SANTOS) – RONDONÓPOLIS/CUIABÁ/MT.
HONRARIA ANCESTRAL
1. BENEDITA LEITE MENDES
2. BERNARDINA SILVA COELHO
3. FRANCISCA BERNARDINA SALES DA SILVA
4. JACY PROENÇA
5. MARIA DE PINHO
6. MARIA LÚCIA DA SILVA MAGALHÃES
7. MESTRE RAY KINTÊ
8. ONIRCE SANTANA DE ARRUDA
9. ROSINETE MARIA CONSTANTINO DE JESUS
10. CORACI CAMPOS SANTOS – IN MEMORIAN
11. GERALDO HENRIQUE COSTA – IN MEMORIAN
Foto: Fablício Rodrigues/ALMT
Política
Retrospectiva: Câmara aprovou no primeiro semestre regras para definir valor da pensão alimentícia
A Câmara dos Deputados aprovou no primeiro semestre novas regras para pensão alimentícia. De autoria da deputada Maria Arraes (PSB-PE), o Projeto de Lei 2121/25 foi aprovado em caráter conclusivo pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) e seguiu para o Senado.
O projeto estabelece critérios para definir o valor da pensão alimentícia do filho com até 18 anos, tendo como alimentante o pai ou a mãe.
A proposta altera o Código Civil e diz que a fixação do valor deverá levar em conta a sobrecarga de quem tem a guarda de criança ou adolescente e o comprovado abandono afetivo pelo pai ou pela mãe pagador da pensão.
Criança com TDAH
Neste semestre, a Câmara dos Deputados aprovou ainda projeto de lei que institui a Política Nacional de Atenção às Pessoas Diagnosticadas com Transtornos do Neurodesenvolvimento, com foco em pessoas com dificuldades de aprendizagem.
O texto, dos deputados Alex Manente (Cidadania-SP), Amom Mandel (Republicanos-AM) e Any Ortiz (PP-RS), foi enviado ao Senado com a relatoria da deputada Andreia Siqueira (PSB-PA).
Segundo o Projeto de Lei 4225/23, pessoas com dislexia, Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) ou outros transtornos de aprendizagem contarão com adaptações na realização de provas no ambiente escolar, em concursos públicos, processos seletivos e avaliações.
Esse público deverá ter acesso, por exemplo, a:
- tempo adicional para as avaliações;
- ambiente com menos estímulos para distraí-los;
- oferta de pessoa para ler (ledor) o material;
- recursos tecnológicos de apoio; e
- flexibilização de formatos de prova, observadas as normas específicas de cada sistema de ensino ou de seleção.
As regras serão aplicáveis à educação básica, à educação profissional e tecnológica e à educação superior, bem como às políticas de qualificação profissional e de inserção no trabalho, sem prejuízo de outros direitos previstos em legislação específica.
Passaporte estudantil
Estudantes de baixa renda que realizem estudos ou pesquisas no exterior poderão contar com isenção de taxas para emissão de passaportes e outros documentos de viagem.
A Câmara aprovou a regra por meio do Projeto de Lei 861/19. O texto teve origem no Senado e retornou àquela Casa para nova votação, por ter sido modificado pelos deputados.
O texto foi relatado pela deputada Laura Carneiro (PSD-RJ) e beneficia estudantes que pertençam a famílias inscritas no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico) e que tenham renda familiar mensal de até três salários mínimos.
Pais de PCD
A Câmara dos Deputados aprovou a redução da jornada de trabalho, sem prejuízo salarial, para pais de pessoas com deficiência. O Projeto de Lei 2458/25, da deputada Laura Carneiro, foi aprovado em caráter conclusivo na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) e será enviado ao Senado.
Segundo o texto, a norma valerá para trabalhadores contratados pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). A necessidade e o percentual da redução da jornada serão definidos por avaliação biopsicossocial, realizada pelo menos a cada dois anos. Conforme o resultado, o benefício poderá ser ampliado, mantido, reduzido ou suspenso.
Foto: Valquir Kiu Aureliano/Prefeitura de Curitiba
Comunidade terapêutica em Curitiba, Paraná
Acolhimento por drogas
Foi aprovado pela Câmara dos Deputados o Projeto de Lei 1822/24, que permite o acolhimento voluntário de crianças e adolescentes usuários ou dependentes de drogas em comunidades terapêuticas. A proposta agora está em análise no Senado.
De autoria do deputado Pastor Sargento Isidório (Avante-BA), o texto teve a relatoria do deputado Dr. Fernando Máximo (PL-RO).
Segundo o texto, as comunidades terapêuticas acolhedoras poderão realizar esse acolhimento para tratamento por dependência química em conjunto com os pais ou responsáveis legais.
O acolhimento conjunto deverá ser feito em instituições credenciadas e não substitui nem dispensa a frequência da criança ou adolescente à escola básica obrigatória. A exceção é se houver ameaça comprovada à sua vida ou à sua integridade física por parte de organizações criminosas ou grupos de tráfico de drogas em decorrência de envolvimento anterior.
Nesse caso, sua salvaguarda será garantida com decisão judicial ou laudo médico que permita a restrição de circulação em vias públicas durante o programa de tratamento. O estudo continuaria no próprio estabelecimento terapêutico ou em modalidade de ensino compatível com a condição de segurança pretendida.
Essas instituições de acolhimento deverão assegurar a separação entre as crianças e adolescentes dos adultos, em especial no alojamento, dormitório, instalações sanitárias e espaços de tratamento.
Outra modalidade de tratamento é a internação assistida, que deverá ocorrer com o consentimento dos pais ou responsáveis legais e a concordância do adolescente entre 12 e 18 anos, conforme definição do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
A diferença em relação à modalidade hoje existente, denominada voluntária, é que o novo tipo não dependerá de declaração escrita e seu término não está vinculado explicitamente a laudo médico ou pedido escrito da pessoa sob tratamento.
Sofrimento animal
A Câmara dos Deputados também aprovou o projeto de lei que proíbe a produção e a comercialização de produtos obtidos por meio de alimentação forçada de animais – como o foie gras. O texto aguarda sanção presidencial.
Foie gras é o nome dado ao fígado gordo de pato ou ganso, iguaria da culinária francesa obtida com a alimentação forçada desses animais.
Aprovado em caráter conclusivo pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara, o Projeto de Lei 90/20 é oriundo do Senado e prevê penas de detenção de três meses a um ano e multa pelo descumprimento da norma, além de outras sanções estabelecidas na Lei dos Crimes Ambientais.
A proibição abrangerá tanto os produtos in natura quanto os enlatados obtidos por meio do gavage, método de alimentação forçada com a introdução de um tubo na garganta da ave, o que leva à hipertrofia do fígado.
A comercialização dos produtos obtidos já é proibida em alguns países, como Argentina, Austrália e Índia. O texto foi relatado pelo deputado Fred Costa (PRD-MG).
Tarifa mínima de água
A Câmara dos Deputados aprovou projeto de lei que proíbe a cobrança de tarifa mínima de consumo pelos serviços públicos de água e esgoto.
O Projeto de Lei 1845/25, do deputado Carlos Jordy (PL-RJ), altera a Lei do Saneamento Básico e agora está em análise no Senado. O texto foi relatado pelo deputado Kim Kataguiri (Missão-SP).
Segundo o projeto, somente uma das opções da Norma de Referência 13/25, da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), vai bancar os custos recorrentes do serviço que não dependem do volume consumido: a tarifa fixa e básica sem franquia de consumo.
Atualmente, a norma de referência traça regras gerais que devem ser seguidas pelas agências reguladoras da prestação do serviço nos estados e permite o uso de uma parcela fixa calculada com base em uma franquia de consumo mínimo. Nessa situação, quer o usuário tenha ou não tenha consumido o volume definido, ele é cobrado em toda conta.
No entanto, o texto aprovado pelos deputados continua a remeter à norma de referência da ANA a definição dos parâmetros para calcular esse valor fixo.
A parcela variável conforme o volume consumido continua a fazer parte da composição total da tarifa final. Desde que haja disponibilidade regular do serviço ao usuário, a parcela fixa não dependerá da existência de consumo efetivo.
Seguro-defeso
Com a aprovação da Medida Provisória 1323/25, a Câmara dos Deputados fixou novas condições de cadastro e identificação para evitar fraudes no pagamento do seguro-defeso.
Convertida na Lei 15.399/26, a MP também autoriza a quitação das parcelas pendentes em 2026 se o beneficiário atender aos requisitos exigidos em lei.
Segundo o texto, para ter direito ao benefício de anos anteriores, o interessado deve tê-lo solicitado dentro dos prazos legais. O pagamento ocorrerá em até 60 dias depois da regularidade plena do pescador no programa.
Para 2026, o total do seguro-defeso previsto, exceto esses atrasados, é de R$ 7,9 bilhões.
Além disso, o texto prorroga, até 31 de dezembro de 2026, o prazo para os pescadores artesanais apresentarem o já exigido Relatório Anual de Exercício da Atividade Pesqueira (Reap) referente aos anos de 2021, 2022, 2023, 2024 e 2025.
Pescadores artesanais habilitados no Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) e suas associações e cooperativas contarão com os mesmos encargos financeiros de custeio e investimento usados nos programas de reforma agrária, inclusive bônus ou redutores.
Reportagem – Eduardo Piovesan
Edição – Roberto Seabra
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