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Você sabe o que faz o fonoaudiólogo?

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Foto: Sandra Carvalho/Divulgação

Apesar de ser uma profissão ainda pouco divulgada, a fonoaudiologia já é uma solução indicada por muitas escolas e por várias especialidades da medicina, para auxiliar no desenvolvimento da criança, do adolescente, do jovem, adulto e idoso. Com isso, sua atuação vai muito além de “ensinar crianças a falar certo”.

O dia do fonoaudiólogo é comemorado no Brasil em 9 de dezembro. Foi nessa data, em 1981, que a profissão foi regulamentada.

Os fonoaudiólogos são  responsáveis pelo cuidado, estudo e prevenção de todas as doenças e distúrbios da linguagem humana, através da audição, voz,fala e escrita.

Nos bebês recém nascidos, a atuação fonoaudiológica pode ser iniciada na maternidade, auxiliando no aleitamento materno facilitando uma melhor deglutição para o bebê. Ainda na maternidade é realizado o Teste da Orelhinha e aconselhamentos serão fornecidos para essa mãe dependendo do resultado obtido. O que muitos sabemos é que para a criança desenvolver a fala ela precisa de audição e está sendo prejudicada, o uso do aparelho auditivo deve ser iniciado até os 6 meses de idade.

Ao perceber que o desenvolvimento de fala e linguagem não está acontecendo no momento adequado, a fonoaudióloga deve intervir. Na fase do desenvolvimento da linguagem da criança pode apresentar a gagueira que pode ser funcional ou não. Não hesite: procure um fonoaudiólogo e receba as devidas orientações de como se comportar com crianças que gaguejam, pois alguns cuidados podem favorecer a não instalação da gagueira tão mal esperada. Doenças neurológicas, síndromes, autismo também são doenças nas quais este profissional tem capacidade para intervir.

As trocas na fala podem surgir na escrita e, mais uma vez, cabe a esse valoroso profissional sua colaboração.

O profissional também facilita a respiração bucal, a mastigação adequada e consequentemente com a fala.

Dificuldades de leitura, escrita, fala também tem o tempo certo de serem desenvolvidos. Nunca “espere mais um pouco” para saber se esse quadro se modifica. A intervenção precoce é sempre o melhor caminho para o desenvolvimento sadio.

Faça exames de audição todo início de ano escolar. Infeções nos ouvidos, presença de cera nos ouvidos ou até mesmo uma perda auditiva atrapalham e muito o desenvolvimento escolar. Habilidades importantes para a aprendizagem também são avaliadas pelo profissional fonoaudiólogo.

A principal causa da perda auditiva no mundo é o ruído. Ele pode estar presente em nosso trabalho, laser e atividades de vida diária. O uso de fones de ouvido em alta intensidade é uma das causas desta perda auditiva. E aos funcionários que trabalham em ambientes com alta intensidade de ruído, cabe ao fonoaudiólogo orientar quanto a importância de equipamentos de proteção individual bem como realizar os exames de audição periodicamente nestes colaboradores.

Cantores, atores , locutores, pessoas que desejam ter uma melhor dicção, também se beneficiam do trabalho fonoaudiológico para o aprimoramento da voz e da articulação das palavras. Em casos de patologias como nódulos, pólipos e paralisia das cordas vocais há indicação da intervenção deste profissional.

 Quando ficamos mais velhos vamos perdendo algumas habilidades que acontecem naturalmente. É muito comum nos deparamos com idosos com engasgos frequentes, perda de memória e atenção associadas a perda auditiva. É fundamental a atuação do fonoaudiólogo na facilitação da deglutição, nos tratamentos das desordens do processamento auditivo central e na correta seleção e adaptação de aparelhos auditivos. Estatísticas demonstram que 70% das perdas auditivas não tratadas favorecem o aparecimento de demências como o Alzheimer.

Assim, como a Fonoaudiologia atua na prevenção, diagnóstico e tratamento da fala, voz, audição e linguagem, é essencial uma equipe multidisciplinar atuando juntamente. O psicólogo, terapeuta ocupacional, psiquiatra, otorrinolaringologista, dentista, geriatra entre outros, são alguns dos profissionais engajados nestas intervenções.

Os fonoaudiólogos atuam em hospitais públicos ou privados, em clínicas, em centros de saúde, escolas, instituições e empresas.

Como fonoaudióloga, parabenizo meus colegas por esta bela profissão que colabora assiduamente para o que um grande relacionamento aconteça entre as pessoas: a comunicação!

Vanessa Moraes é fonoaudióloga e audiologista na Sonicon, em Cuiabá/MT.

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Saúde mental é inegociável

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O que aprendi em 10 anos liderando a pauta de saúde mental? Durante a última edição do Vittude Summit, subi ao palco diante de cerca de 1.800 pessoas e lembrei do primeiro evento que realizamos, em janeiro de 2020. Na época, a expectativa era reunir 200 participantes para discutir saúde mental no ambiente corporativo. Muitos acreditavam que ninguém apareceria: o evento recebeu 280 pessoas.

Poucos meses depois, a pandemia transformou definitivamente a forma como as empresas passaram a enxergar o tema. O que antes era tratado como assunto secundário passou a ocupar espaço nas agendas das lideranças. Em poucos anos, vimos crescer rapidamente o interesse das organizações por estratégias estruturadas de promoção da saúde mental.

Os números que não podem mais ser ignorados

Em 2025, o Brasil registrou mais de 546 mil afastamentos por transtornos mentais, o maior número da série histórica e o terceiro ano consecutivo de crescimento. O dado, porém, mostra apenas parte do problema. Ele considera apenas afastamentos superiores a 15 dias, deixando de fora atestados mais curtos e um fenômeno igualmente preocupante: o presenteísmo, quando o colaborador está presente, mas não consegue desempenhar plenamente suas atividades.

No Censo de Saúde Mental da Vittude, realizado com 175 mil trabalhadores de 35 grandes corporações, identificamos uma perda média de produtividade de 32%. Em outras palavras, de cada R$ 100 investidos em folha de pagamento, cerca de R$ 32 deixam de se converter em trabalho efetivo em função do adoecimento emocional. Ou seja, são perdas financeiras e humanas.

O papel da segurança psicológica

Um dos principais achados do estudo foi a relação direta entre segurança psicológica e saúde mental. Entre os colaboradores que relataram baixos níveis de segurança psicológica, todos os indicadores analisados pioraram significativamente. A ideação suicida passou de 14,75% para 19%, enquanto a propensão ao burnout saltou de 5,94% para 21%. Já entre aqueles que percebiam altos níveis de segurança psicológica, a propensão ao burnout foi praticamente nula.

Esses dados mostram que boa parte do adoecimento está concentrada em ambientes onde as pessoas não se sentem seguras para pedir ajuda ou expressar opiniões. Por isso, saúde mental não depende apenas da oferta de benefícios. Depende, principalmente, da cultura organizacional.

A prevalência de ideação suicida entre os trabalhadores avaliados no Censo (14,75%) foi inferior à observada na população brasileira em geral (18%, segundo estudo do Instituto Cactus). Isso mostra que o trabalho pode funcionar como fator de proteção quando oferece pertencimento, reconhecimento e relações saudáveis.

O problema é que muitos ambientes ainda não oferecem essas condições. Com a atualização da NR-1 já em vigor, o gerenciamento dos riscos psicossociais passou a integrar oficialmente as responsabilidades das empresas.

O que aprendemos na prática

Ao longo desses dez anos, ficou claro que os programas de saúde mental mais efetivos compartilham uma característica: método. Não basta contratar fornecedores ou oferecer benefícios. É preciso diagnosticar riscos, definir prioridades, acompanhar indicadores, testar iniciativas e envolver a liderança de forma consistente durante todo o processo.

Foi dessa experiência que surgiu o Método VITAL — Verificar, Idealizar, Testar, Amadurecer e Liderar — desenvolvido a partir do trabalho com organizações de diferentes setores. O aprendizado é simples: iniciativas isoladas dificilmente produzem mudanças duradouras.

Promover saúde mental exige planejamento, acompanhamento contínuo e compromisso da liderança.

Em dez anos, a pauta amadureceu.

Hoje, o cenário é diferente. Líderes, profissionais de RH, médicos do trabalho e executivos passaram a discutir segurança psicológica, riscos psicossociais e saúde mental com uma frequência que parecia improvável poucos anos atrás.

A atualização da NR-1 consolida essa mudança. E depois de uma década acompanhando essa transformação, vejo que chegamos a um ponto de virada. Ainda há muito a fazer, mas, pela primeira vez em muitos anos, há uma combinação de conscientização, evidências e compromisso institucional capaz de acelerar essa mudança. E isso, sem dúvida, é motivo de esperança.

* Tatiana Pimenta CEO da Vittude



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