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Toque retal e o tabu que pode ser fatal

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O tabu e a desinformação são os grandes inimigos da prevenção do câncer de próstata, principalmente quando o assunto é o exame de toque retal. E é esse um desafio que precisamos vencer e um dos focos principais da campanha Novembro Azul, que este ano tem como tema “Saúde também é papo de homem”.

A campanha de combate ao câncer de próstata tem o objetivo de informar a sociedade sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce nas fases iniciais da doença. O auge da campanha é 17 de novembro, Dia Mundial de Combate ao Câncer de Próstata.

Antes é preciso entender o que é a próstata. A próstata é uma glândula do sistema reprodutor masculino, pesa cerca de 20 gramas, e se assemelha a uma castanha. Fica localizada abaixo da bexiga. Sua principal função, juntamente com as vesículas seminais, é produzir uma parte do líquido espermático.

É muito importante descobrir a doença nas fases iniciais. O diagnóstico e o tratamento precoces ajudam a diminuir os riscos do desenvolvimento da doença de uma forma mais agressiva. Tratada em suas fases iniciais a doença pode ser curada em aproximadamente 90% dos casos. Porém, é fato que muitos homens não fazem consultas anuais ou check-up de rotina.

Existem dois tipos de exames mais comuns para detectar a doença: a dosagem de PSA, que é um exame de sangue que avalia a quantidade do antígeno prostático específico, uma proteína produzida pelo tecido da próstata e pelas células cancerosas.

Além do PSA, é recomendado o toque retal, que é um exame clínico que detecta alterações na próstata, como a presença de nódulos, endurecimentos ou certas irregularidades. O procedimento dura apenas alguns segundos.

O exame de toque, um dos mais eficazes na hora de detectar o tumor no paciente, ainda é um tabu. Seja por receio, vergonha ou por qualquer outro reflexo de uma cultura de preconceito na qual o exame é considerado uma agressão à masculinidade, o medo de realizá-lo é, na verdade, uma grande negligência para com a saúde do homem. E a falta de cuidado e o tabu podem levar à morte.

Embora muitas vezes este exame seja alvo de piadas e constrangimentos desnecessários, é somente pela via retal que o médico pode fazer a avaliação física da próstata. Desse modo, é possível avaliar o formato, o tamanho e a textura da próstata, além de identificar a presença de nódulos que podem ser indicativos de um tumor maligno.

Daí a importância de manter fazer exames anuais a partir dos 50 anos e quando há casos de câncer de próstata na família, a partir dos 45 , já que um dos fatores de risco dessa doença é a genética.

Além do que, os sintomas do câncer de próstata geralmente só aparecem quando a doença está em estágio avançado e, por isso, com menores chances de cura.

E tem um agravante! O homem muitas vezes não apresenta os sintomas, que são vontade de urinar frequentemente, sangue na urina, fluxo urinário fraco, dores no quadril, costas, coxas e ombros, disfunção erétil, entre outros.

Lembre-se da importância de consultar anualmente o urologista e de realizar os exames periódicos e que não é preciso ter receio do exame de toque, pois ele não traz nenhum tipo de prejuízo à saúde ou à masculinidade do paciente. Pelo contrário: esse exame é necessário para que os homens possam viver mais e melhor.

Mantenha uma alimentação saudável e realize exercícios físicos. Cuidar do corpo e da mente é essencial para manter sua qualidade de vida hoje e no futuro.

Dr. Newton Tafuri é urologista e presidente da Sociedade Brasileira de Urologia em Mato grosso (SBU/MT) – @drnewtontafuri

Foto: Assessoria
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Saúde mental é inegociável

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O que aprendi em 10 anos liderando a pauta de saúde mental? Durante a última edição do Vittude Summit, subi ao palco diante de cerca de 1.800 pessoas e lembrei do primeiro evento que realizamos, em janeiro de 2020. Na época, a expectativa era reunir 200 participantes para discutir saúde mental no ambiente corporativo. Muitos acreditavam que ninguém apareceria: o evento recebeu 280 pessoas.

Poucos meses depois, a pandemia transformou definitivamente a forma como as empresas passaram a enxergar o tema. O que antes era tratado como assunto secundário passou a ocupar espaço nas agendas das lideranças. Em poucos anos, vimos crescer rapidamente o interesse das organizações por estratégias estruturadas de promoção da saúde mental.

Os números que não podem mais ser ignorados

Em 2025, o Brasil registrou mais de 546 mil afastamentos por transtornos mentais, o maior número da série histórica e o terceiro ano consecutivo de crescimento. O dado, porém, mostra apenas parte do problema. Ele considera apenas afastamentos superiores a 15 dias, deixando de fora atestados mais curtos e um fenômeno igualmente preocupante: o presenteísmo, quando o colaborador está presente, mas não consegue desempenhar plenamente suas atividades.

No Censo de Saúde Mental da Vittude, realizado com 175 mil trabalhadores de 35 grandes corporações, identificamos uma perda média de produtividade de 32%. Em outras palavras, de cada R$ 100 investidos em folha de pagamento, cerca de R$ 32 deixam de se converter em trabalho efetivo em função do adoecimento emocional. Ou seja, são perdas financeiras e humanas.

O papel da segurança psicológica

Um dos principais achados do estudo foi a relação direta entre segurança psicológica e saúde mental. Entre os colaboradores que relataram baixos níveis de segurança psicológica, todos os indicadores analisados pioraram significativamente. A ideação suicida passou de 14,75% para 19%, enquanto a propensão ao burnout saltou de 5,94% para 21%. Já entre aqueles que percebiam altos níveis de segurança psicológica, a propensão ao burnout foi praticamente nula.

Esses dados mostram que boa parte do adoecimento está concentrada em ambientes onde as pessoas não se sentem seguras para pedir ajuda ou expressar opiniões. Por isso, saúde mental não depende apenas da oferta de benefícios. Depende, principalmente, da cultura organizacional.

A prevalência de ideação suicida entre os trabalhadores avaliados no Censo (14,75%) foi inferior à observada na população brasileira em geral (18%, segundo estudo do Instituto Cactus). Isso mostra que o trabalho pode funcionar como fator de proteção quando oferece pertencimento, reconhecimento e relações saudáveis.

O problema é que muitos ambientes ainda não oferecem essas condições. Com a atualização da NR-1 já em vigor, o gerenciamento dos riscos psicossociais passou a integrar oficialmente as responsabilidades das empresas.

O que aprendemos na prática

Ao longo desses dez anos, ficou claro que os programas de saúde mental mais efetivos compartilham uma característica: método. Não basta contratar fornecedores ou oferecer benefícios. É preciso diagnosticar riscos, definir prioridades, acompanhar indicadores, testar iniciativas e envolver a liderança de forma consistente durante todo o processo.

Foi dessa experiência que surgiu o Método VITAL — Verificar, Idealizar, Testar, Amadurecer e Liderar — desenvolvido a partir do trabalho com organizações de diferentes setores. O aprendizado é simples: iniciativas isoladas dificilmente produzem mudanças duradouras.

Promover saúde mental exige planejamento, acompanhamento contínuo e compromisso da liderança.

Em dez anos, a pauta amadureceu.

Hoje, o cenário é diferente. Líderes, profissionais de RH, médicos do trabalho e executivos passaram a discutir segurança psicológica, riscos psicossociais e saúde mental com uma frequência que parecia improvável poucos anos atrás.

A atualização da NR-1 consolida essa mudança. E depois de uma década acompanhando essa transformação, vejo que chegamos a um ponto de virada. Ainda há muito a fazer, mas, pela primeira vez em muitos anos, há uma combinação de conscientização, evidências e compromisso institucional capaz de acelerar essa mudança. E isso, sem dúvida, é motivo de esperança.

* Tatiana Pimenta CEO da Vittude



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