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Os 54 anos da UFMT: a Universidade é de Cuiabá, é de Mato Grosso e é de todos nós

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Foto: Arquivo Pessoal/ Jociene Pedrini

Jociene Pedrini

A Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) celebra seus 54 anos de história em Cuiabá no dia 10 de dezembro. Mais do que uma comemoração interna, essa data representa um marco para toda a população de Cuiabá.

Ao longo dessas mais de cinco décadas, a instituição contribuiu não só para o avanço do conhecimento, como para o desenvolvimento social e econômico de nossa cidade e do estado de Mato Grosso. Fundada em um momento de intensa transformação e desenvolvimento para Cuiabá, a UFMT acompanhou e impulsionou o seu crescimento.

Assim, em mais de meio século, a instituição se tornou um dos maiores patrimônios da Capital e dos cuiabanos, desempenhando papel essencial na formação de profissionais altamente qualificados e na realização de pesquisas científicas que impactam diretamente a vida da população. Além de desenvolver projetos de extensão voltados à comunidade.

O legado da UFMT transcende os muros da instituição por desenvolver projetos que promovem o bem-estar social e o progresso da cidade. Inclusive, a atual reitora Marluce Souza Silva é enfática ao destacar que a universidade não só forma cidadãos, como transforma a realidade socioeconômica e cultural de Cuiabá.

Neste período, a universidade foi um motor de inovação em áreas prioritárias como saúde, educação e economia. Toda essa potência foi possível graças a um apoio fundamental, com destaque para a parceria histórica com a Prefeitura de Cuiabá, representada pelo prefeito, que se mostrou um grande aliado.

Além disso, contou com o apoio imprescindível dos poderes legislativo e executivo, como a Câmara Municipal da cidade, deputados estaduais, federais, senadores de Mato Grosso e ministros, que contribuíram decisivamente para o sucesso dessa iniciativa.

Aliás, a história da UFMT é marcada pela formação de grandes nomes nas mais diversas áreas do conhecimento. Nossos ex-alunos ocupam posições de destaque no cenário nacional e estadual, seja na política, na medicina, na educação ou na economia. Esses profissionais provam que a educação de qualidade é a base para a construção de uma sociedade mais justa e próspera.

Falar na história dessa importante universidade é como compor uma bela sinfonia, composta de pequenos e grandes sonhos de todos: servidores docentes, servidores técnicos administrativos, nossos estudantes, e toda a comunidade cuiabana e mato-grossense. Pessoas que por aqui passaram e deixaram seu legado, ou das próximas gerações que ainda estão por vir.

Tal qual a poeta e professora Cora Coralina, somos como “aquela mulher que fez a escalada da montanha da vida, removendo pedras e plantando flores”. Portanto, com o coração alegre e festivo, a magnífica reitora Marluce Souza e Silva e todo o seu reitorado tem a honra de convidar toda população para participar do nosso evento de comemoração para os 54 anos da UFMT.

A programação especial será realizada no dia 10 de dezembro (terça-feira), no Teatro universitário, no campus de Cuiabá, com as seguintes atividades: Assembleia Universitária (8h30), Sessão Solene de Entrega de Títulos de Honoris Causa (8h30) e apresentações culturais com a Orquestra e o Coral da UFMT (19h).

Todas as atividades são abertas ao público, com entrada gratuita. Venham desfrutar desse momento único, pensado e planejado como um presente para toda nossa comunidade interna e externa. Afinal, não é apenas o aniversário da nossa universidade, é a celebração dessa força transformadora que é a educação pública e gratuita, um bem de todos!

Jociene Pedrini, Secretária de Comunicação e Multimeios na UFMT (2024/2028), jornalista e professora de Comunicação, secomm@ufmt.br.

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Saúde mental é inegociável

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O que aprendi em 10 anos liderando a pauta de saúde mental? Durante a última edição do Vittude Summit, subi ao palco diante de cerca de 1.800 pessoas e lembrei do primeiro evento que realizamos, em janeiro de 2020. Na época, a expectativa era reunir 200 participantes para discutir saúde mental no ambiente corporativo. Muitos acreditavam que ninguém apareceria: o evento recebeu 280 pessoas.

Poucos meses depois, a pandemia transformou definitivamente a forma como as empresas passaram a enxergar o tema. O que antes era tratado como assunto secundário passou a ocupar espaço nas agendas das lideranças. Em poucos anos, vimos crescer rapidamente o interesse das organizações por estratégias estruturadas de promoção da saúde mental.

Os números que não podem mais ser ignorados

Em 2025, o Brasil registrou mais de 546 mil afastamentos por transtornos mentais, o maior número da série histórica e o terceiro ano consecutivo de crescimento. O dado, porém, mostra apenas parte do problema. Ele considera apenas afastamentos superiores a 15 dias, deixando de fora atestados mais curtos e um fenômeno igualmente preocupante: o presenteísmo, quando o colaborador está presente, mas não consegue desempenhar plenamente suas atividades.

No Censo de Saúde Mental da Vittude, realizado com 175 mil trabalhadores de 35 grandes corporações, identificamos uma perda média de produtividade de 32%. Em outras palavras, de cada R$ 100 investidos em folha de pagamento, cerca de R$ 32 deixam de se converter em trabalho efetivo em função do adoecimento emocional. Ou seja, são perdas financeiras e humanas.

O papel da segurança psicológica

Um dos principais achados do estudo foi a relação direta entre segurança psicológica e saúde mental. Entre os colaboradores que relataram baixos níveis de segurança psicológica, todos os indicadores analisados pioraram significativamente. A ideação suicida passou de 14,75% para 19%, enquanto a propensão ao burnout saltou de 5,94% para 21%. Já entre aqueles que percebiam altos níveis de segurança psicológica, a propensão ao burnout foi praticamente nula.

Esses dados mostram que boa parte do adoecimento está concentrada em ambientes onde as pessoas não se sentem seguras para pedir ajuda ou expressar opiniões. Por isso, saúde mental não depende apenas da oferta de benefícios. Depende, principalmente, da cultura organizacional.

A prevalência de ideação suicida entre os trabalhadores avaliados no Censo (14,75%) foi inferior à observada na população brasileira em geral (18%, segundo estudo do Instituto Cactus). Isso mostra que o trabalho pode funcionar como fator de proteção quando oferece pertencimento, reconhecimento e relações saudáveis.

O problema é que muitos ambientes ainda não oferecem essas condições. Com a atualização da NR-1 já em vigor, o gerenciamento dos riscos psicossociais passou a integrar oficialmente as responsabilidades das empresas.

O que aprendemos na prática

Ao longo desses dez anos, ficou claro que os programas de saúde mental mais efetivos compartilham uma característica: método. Não basta contratar fornecedores ou oferecer benefícios. É preciso diagnosticar riscos, definir prioridades, acompanhar indicadores, testar iniciativas e envolver a liderança de forma consistente durante todo o processo.

Foi dessa experiência que surgiu o Método VITAL — Verificar, Idealizar, Testar, Amadurecer e Liderar — desenvolvido a partir do trabalho com organizações de diferentes setores. O aprendizado é simples: iniciativas isoladas dificilmente produzem mudanças duradouras.

Promover saúde mental exige planejamento, acompanhamento contínuo e compromisso da liderança.

Em dez anos, a pauta amadureceu.

Hoje, o cenário é diferente. Líderes, profissionais de RH, médicos do trabalho e executivos passaram a discutir segurança psicológica, riscos psicossociais e saúde mental com uma frequência que parecia improvável poucos anos atrás.

A atualização da NR-1 consolida essa mudança. E depois de uma década acompanhando essa transformação, vejo que chegamos a um ponto de virada. Ainda há muito a fazer, mas, pela primeira vez em muitos anos, há uma combinação de conscientização, evidências e compromisso institucional capaz de acelerar essa mudança. E isso, sem dúvida, é motivo de esperança.

* Tatiana Pimenta CEO da Vittude



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