Opinião

O envelhecimento e a audição

Publicado em

Opinião

De todas as privações sensoriais que afetam o idoso, a incapacidade de comunicar-se com os outros devido a perda auditiva pode ser uma das consequências mais frustrantes, produzindo um impacto profundo e devastador em sua vida psicossocial.

A perda da sensibilidade auditiva resultante do envelhecimento é conhecida como Presbiacusia.

A Presbiacusia é caracterizada por uma perda auditiva nos dois ouvidos para tons de alta frequência, resultante de mudanças degenerativas e fisiológicas no sistema auditivo com o aumento da idade.

A perda auditiva em altas frequências torna a percepção dos sons consonantais muito difíceis, especialmente quando a comunicação ocorre em ambientes ruidosos, vindo a comprometer seriamente o processo de comunicação verbal. É frequente observarmos respostas inadequadas, gerando uma imagem de senilidade. A principal queixa dos pacientes com presbiacusia é: “eu escuto, mas não entendo!”

A intolerância a sons de grande intensidade é outra queixa bastante frequente. A diferença entre o que o indivíduo detecta em seu limiar auditivo mínimo e o que ele tolera em seu limiar de desconforto é bastante reduzida. Isso significa que, quando as pessoas falam em fraca intensidade, o idoso não consegue ouvir, mas ao elevarem a intensidade da voz, atingem o nível de desconforto do idoso, o qual reage com irritação: “não grite, pois não sou surdo”.

Mesmo a presbiacusia estando centralizada nas alterações da orelha interna, as outras partes da orelha não escapam dos efeitos do envelhecimento. Na orelha externa frequentemente observamos um aumento do tamanho devido a diminuição da elasticidade da pele e da tonicidade muscular, porém sem nenhum efeito para a acuidade auditiva. Na orelha média poderá ser observada a redução da elasticidade do tecido muscular, calcificação dos ligamentos e dos ossículos, diminuição das características de transmissão, as quais não levam a alterações significativas na audição.

Resumidamente, algumas implicações da deficiência auditiva no idoso:

– Diminuição da percepção da fala em várias situações e ambientes acústicos;

– Alterações psicológicas : depressão, embaraço, frustração, raiva, medo, sentimento de inferioridade causados por incapacidade pessoal de comunicar-se com os outros;

– Isolamento social: interação com a família, amigos e comunidade seriamente afetada;

– Incapacidade auditiva: igrejas, teatro, cinema, rádio, TV e telefone;

– Problemas de comunicação com médicos e profissionais afins;

– Problemas de alerta e defesa: incapacidade para ouvir pessoas e veículos aproximando-se, panelas fervendo, alarmes, telefone ,campainha, anúncios de emergência em rádio e TV;

-Aumento de queda em 40%;

– Maior probabilidade de desenvolvimento de demências.

Qualquer indivíduo que apresente dificuldades decorrentes de uma perda de audição deve ser considerado candidato em potencial ao uso de aparelhos auditivos.

A efetividade dos aparelhos melhorou efetivamente nos últimos anos, facilitando a recepção do sinal de fala, promovendo assim um melhor contato social e auto-conceito mais positivo.

O importante é começar a usar os aparelhos auditivos o mais cedo possível, enquanto o idoso é, ainda, capaz de aprender a adaptar e deseja fazer o esforço necessário para tal.

Por Vanessa Moraes

@fonovanessamares  é fonoaudióloga e audiologista 

COMENTE ABAIXO:
Propaganda

Opinião

Saúde mental é inegociável

Publicados

em


O que aprendi em 10 anos liderando a pauta de saúde mental? Durante a última edição do Vittude Summit, subi ao palco diante de cerca de 1.800 pessoas e lembrei do primeiro evento que realizamos, em janeiro de 2020. Na época, a expectativa era reunir 200 participantes para discutir saúde mental no ambiente corporativo. Muitos acreditavam que ninguém apareceria: o evento recebeu 280 pessoas.

Poucos meses depois, a pandemia transformou definitivamente a forma como as empresas passaram a enxergar o tema. O que antes era tratado como assunto secundário passou a ocupar espaço nas agendas das lideranças. Em poucos anos, vimos crescer rapidamente o interesse das organizações por estratégias estruturadas de promoção da saúde mental.

Os números que não podem mais ser ignorados

Em 2025, o Brasil registrou mais de 546 mil afastamentos por transtornos mentais, o maior número da série histórica e o terceiro ano consecutivo de crescimento. O dado, porém, mostra apenas parte do problema. Ele considera apenas afastamentos superiores a 15 dias, deixando de fora atestados mais curtos e um fenômeno igualmente preocupante: o presenteísmo, quando o colaborador está presente, mas não consegue desempenhar plenamente suas atividades.

No Censo de Saúde Mental da Vittude, realizado com 175 mil trabalhadores de 35 grandes corporações, identificamos uma perda média de produtividade de 32%. Em outras palavras, de cada R$ 100 investidos em folha de pagamento, cerca de R$ 32 deixam de se converter em trabalho efetivo em função do adoecimento emocional. Ou seja, são perdas financeiras e humanas.

O papel da segurança psicológica

Um dos principais achados do estudo foi a relação direta entre segurança psicológica e saúde mental. Entre os colaboradores que relataram baixos níveis de segurança psicológica, todos os indicadores analisados pioraram significativamente. A ideação suicida passou de 14,75% para 19%, enquanto a propensão ao burnout saltou de 5,94% para 21%. Já entre aqueles que percebiam altos níveis de segurança psicológica, a propensão ao burnout foi praticamente nula.

Esses dados mostram que boa parte do adoecimento está concentrada em ambientes onde as pessoas não se sentem seguras para pedir ajuda ou expressar opiniões. Por isso, saúde mental não depende apenas da oferta de benefícios. Depende, principalmente, da cultura organizacional.

A prevalência de ideação suicida entre os trabalhadores avaliados no Censo (14,75%) foi inferior à observada na população brasileira em geral (18%, segundo estudo do Instituto Cactus). Isso mostra que o trabalho pode funcionar como fator de proteção quando oferece pertencimento, reconhecimento e relações saudáveis.

O problema é que muitos ambientes ainda não oferecem essas condições. Com a atualização da NR-1 já em vigor, o gerenciamento dos riscos psicossociais passou a integrar oficialmente as responsabilidades das empresas.

O que aprendemos na prática

Ao longo desses dez anos, ficou claro que os programas de saúde mental mais efetivos compartilham uma característica: método. Não basta contratar fornecedores ou oferecer benefícios. É preciso diagnosticar riscos, definir prioridades, acompanhar indicadores, testar iniciativas e envolver a liderança de forma consistente durante todo o processo.

Foi dessa experiência que surgiu o Método VITAL — Verificar, Idealizar, Testar, Amadurecer e Liderar — desenvolvido a partir do trabalho com organizações de diferentes setores. O aprendizado é simples: iniciativas isoladas dificilmente produzem mudanças duradouras.

Promover saúde mental exige planejamento, acompanhamento contínuo e compromisso da liderança.

Em dez anos, a pauta amadureceu.

Hoje, o cenário é diferente. Líderes, profissionais de RH, médicos do trabalho e executivos passaram a discutir segurança psicológica, riscos psicossociais e saúde mental com uma frequência que parecia improvável poucos anos atrás.

A atualização da NR-1 consolida essa mudança. E depois de uma década acompanhando essa transformação, vejo que chegamos a um ponto de virada. Ainda há muito a fazer, mas, pela primeira vez em muitos anos, há uma combinação de conscientização, evidências e compromisso institucional capaz de acelerar essa mudança. E isso, sem dúvida, é motivo de esperança.

* Tatiana Pimenta CEO da Vittude



COMENTE ABAIXO:
Continue lendo

POLÍTICA

POLÍCIA

ESPORTE

ENTRETENIMENTO

MAIS LIDAS DA SEMANA