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O Direito ao Voto da Mulher

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Foto: Arquivo Pessoal/Deputada Coronel Fernanda

Deputada Coronel Fernanda

Neste domingo, 3 de novembro, celebramos uma das mais relevantes conquistas da história do nosso país: o Dia da Instituição do Direito de Voto da Mulher no Brasil. Esse marco, que há 92 anos inseriu as mulheres no processo eleitoral, simboliza um passo transformador em nossa história social e política. A importância desse direito vai além da permissão formal para escolher nossos representantes. Ele representa a inclusão feminina em debates, decisões e na construção ativa de uma sociedade que se compromete com a igualdade e o respeito às diferenças.

Ao longo da história, o direito ao voto feminino passou a ser uma das principais ferramentas de fortalecimento da nossa voz. Naquele 3 de novembro de 1930, demos o primeiro passo para que nossas opiniões fossem ouvidas e respeitadas. Esse direito garantiu que pudéssemos defender o Brasil que queremos, participando ativamente de decisões que impactam diretamente as nossas vidas e as de futuras gerações. Hoje, ele é fundamental para decidir o nosso futuro, fortalecer a nossa cidadania e honrar o caminho trilhado por mulheres corajosas que, antes de nós, lutaram para garantir uma sociedade mais justa e inclusiva.

A conquista do voto feminino também desafiou um paradigma social: a ideia de que as mulheres estavam confinadas a atividades domésticas, distantes dos assuntos da política. Ainda que muito tenha sido alcançado, sabemos que a luta está longe de terminar. O direito ao voto não foi o fim de uma trajetória, mas o início de uma nova era. Essa vitória deve nos inspirar a continuar acreditando no poder da nossa opinião e no valor das nossas ações. Nosso voto é transformador e, juntas, somos capazes de promover mudanças essenciais em nossa sociedade.

Como a primeira mulher a ocupar a liderança da bancada federal no Congresso Nacional, sinto-me profundamente honrada em carregar este legado e contribuir para que todas as mulheres brasileiras tenham seu espaço nas decisões políticas. Sabemos que, infelizmente, ainda enfrentamos desafios significativos no campo da representatividade feminina. No entanto, a presença feminina no Congresso Nacional, no mercado de trabalho e em todos os setores sociais demonstra que o Brasil já reconhece, em alguma medida, a importância do protagonismo feminino.

Como parlamentar, trabalho diariamente para que cada vez mais mulheres tenham oportunidades iguais, respeito e visibilidade. Precisamos de políticas públicas que promovam nossa inserção nos espaços de liderança, que assegurem nossos direitos e que garantam o apoio necessário para enfrentarmos os desafios impostos. Não é só sobre um direito formal; é sobre o respeito e a dignidade que cada mulher merece, tanto na política quanto em todas as áreas de suas vidas.

Neste 3 de novembro, celebro não apenas o direito ao voto, mas o despertar de uma nova era para a mulher brasileira. A era em que nossa voz ecoa nas urnas e nos espaços de poder, em que nos vemos representadas e respeitadas. Esta data é uma lembrança de que somos parte essencial do Brasil, e de que nosso futuro depende da nossa coragem, união e compromisso com uma sociedade mais justa para todos.

Parabéns a todas nós, mulheres!

*Coronel Fernanda é deputada federal e líder da bancada federal no Congresso Nacional

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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não

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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.

Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.

O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.

A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.

É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.

Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.

Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.

A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.

No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.

Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar



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