Opinião
Menstruação atrasada não é só gravidez
Opinião
Esse atraso em geral dura até 5 dias ou, no máximo, 1 ou 2 meses. Agora, se o atraso menstrual ultrapassar 3 meses pode indicar amenorreia, que é a ausência de menstruação. Se não existir gravidez, a causa deve ser identificada por um ginecologista e tratada de forma adequada.
Bem, vamos falar mais sobre amenorreia. Se a menstruação está atrasada e a mulher já realizou pelo menos 2 testes de gravidez no último mês e o resultado foi negativo, existem outras causas comuns para a menstruação atrasada
Uma delas é o excesso de atividade física, como acontece com atletas ou pessoas que estão em preparação para alguma prova ou competição esportiva, por exemplo, podem levar a alterações hormonais.
Por outro lado, algumas dietas muito restritivas podem levar a oscilações hormonais que causam alterações na menstruação. Além disso, a redução de aporte de nutrientes faz com que o organismo aproveite a pequena quantidade de nutrientes para funções mais importantes, o que se pode refletir em atrasos ou mesmo ausência na menstruação.
Outra causa podem ser as alterações no sistema reprodutor, como endometriose, síndrome dos ovários policísticos ou a presença de miomas no útero, também podem causar oscilações nos hormônios sexuais femininos, podendo levar a alterações na menstruação.
A pílula ou outros anticoncepcionais de uso contínuo, como fornecem hormônios ao organismo diariamente e sem pausas, impedem que ocorra a menstruação. Porém, podem ocorrer pequenos sangramentos ocasionalmente, mas em diferentes dias do ciclo.
Quando a fase da menopausa começa a se aproximar, é normal começarem a ocorrer atrasos ou mesmo falhas na menstruação. Algumas mulheres podem entrar na menopausa numa idade precoce e não perceber que é essa a causa dos atrasos da menstruação.
No pós-parto, a menstruação só poderá voltar após a mulher parar de amamentar. Porém, é necessário usar métodos contraceptivos durante a amamentação, para evitar uma gravidez.
Em algumas mulheres que deixam de usar anticoncepcional como a pílula, implante ou injeção anticoncepcional, o ciclo menstrual pode demorar cerca de 6 meses a voltar a ser regular, o que é perfeitamente normal, não havendo motivo para preocupação.
Na adolescência, as alterações hormonais são comuns, pois o sistema endócrino ainda está em amadurecimento e o corpo está se adaptando às variações dos níveis de hormônio, podendo não ocorrer ovulação em alguns ciclos menstruais, causando irregularidades no ciclo ou atraso na menstruação.
No entanto, no caso de adolescentes que já tenham completado 16 anos de idade e ainda não menstruaram pela primeira vez, deve-se consultar o ginecologista para identificar a causa pois pode se tratar de amenorreia primária, que pode estar relacionada a defeitos no aparelho reprodutor, como hímen imperfurado, septo vaginal ou ausência de útero, por exemplo.
Há também a questão do estresse e a ansiedade, que podem aumentar a liberação de cortisol na corrente sanguínea, que é um tipo de hormônio que participa da regulação hormonal realizada pelo hipotálamo, no cérebro, e interferir na liberação de estrógeno e progesterona, responsáveis por regular o ciclo menstrual, levando a alterações ou atraso na menstruação.
O recomendado é consultar um ginecologista para identificar a causa e, se necessário, tratar o problema.
Opinião
Saúde mental é inegociável
O que aprendi em 10 anos liderando a pauta de saúde mental? Durante a última edição do Vittude Summit, subi ao palco diante de cerca de 1.800 pessoas e lembrei do primeiro evento que realizamos, em janeiro de 2020. Na época, a expectativa era reunir 200 participantes para discutir saúde mental no ambiente corporativo. Muitos acreditavam que ninguém apareceria: o evento recebeu 280 pessoas.
Poucos meses depois, a pandemia transformou definitivamente a forma como as empresas passaram a enxergar o tema. O que antes era tratado como assunto secundário passou a ocupar espaço nas agendas das lideranças. Em poucos anos, vimos crescer rapidamente o interesse das organizações por estratégias estruturadas de promoção da saúde mental.
Os números que não podem mais ser ignorados
Em 2025, o Brasil registrou mais de 546 mil afastamentos por transtornos mentais, o maior número da série histórica e o terceiro ano consecutivo de crescimento. O dado, porém, mostra apenas parte do problema. Ele considera apenas afastamentos superiores a 15 dias, deixando de fora atestados mais curtos e um fenômeno igualmente preocupante: o presenteísmo, quando o colaborador está presente, mas não consegue desempenhar plenamente suas atividades.
No Censo de Saúde Mental da Vittude, realizado com 175 mil trabalhadores de 35 grandes corporações, identificamos uma perda média de produtividade de 32%. Em outras palavras, de cada R$ 100 investidos em folha de pagamento, cerca de R$ 32 deixam de se converter em trabalho efetivo em função do adoecimento emocional. Ou seja, são perdas financeiras e humanas.
O papel da segurança psicológica
Um dos principais achados do estudo foi a relação direta entre segurança psicológica e saúde mental. Entre os colaboradores que relataram baixos níveis de segurança psicológica, todos os indicadores analisados pioraram significativamente. A ideação suicida passou de 14,75% para 19%, enquanto a propensão ao burnout saltou de 5,94% para 21%. Já entre aqueles que percebiam altos níveis de segurança psicológica, a propensão ao burnout foi praticamente nula.
Esses dados mostram que boa parte do adoecimento está concentrada em ambientes onde as pessoas não se sentem seguras para pedir ajuda ou expressar opiniões. Por isso, saúde mental não depende apenas da oferta de benefícios. Depende, principalmente, da cultura organizacional.
A prevalência de ideação suicida entre os trabalhadores avaliados no Censo (14,75%) foi inferior à observada na população brasileira em geral (18%, segundo estudo do Instituto Cactus). Isso mostra que o trabalho pode funcionar como fator de proteção quando oferece pertencimento, reconhecimento e relações saudáveis.
O problema é que muitos ambientes ainda não oferecem essas condições. Com a atualização da NR-1 já em vigor, o gerenciamento dos riscos psicossociais passou a integrar oficialmente as responsabilidades das empresas.
O que aprendemos na prática
Ao longo desses dez anos, ficou claro que os programas de saúde mental mais efetivos compartilham uma característica: método. Não basta contratar fornecedores ou oferecer benefícios. É preciso diagnosticar riscos, definir prioridades, acompanhar indicadores, testar iniciativas e envolver a liderança de forma consistente durante todo o processo.
Foi dessa experiência que surgiu o Método VITAL — Verificar, Idealizar, Testar, Amadurecer e Liderar — desenvolvido a partir do trabalho com organizações de diferentes setores. O aprendizado é simples: iniciativas isoladas dificilmente produzem mudanças duradouras.
Promover saúde mental exige planejamento, acompanhamento contínuo e compromisso da liderança.
Em dez anos, a pauta amadureceu.
Hoje, o cenário é diferente. Líderes, profissionais de RH, médicos do trabalho e executivos passaram a discutir segurança psicológica, riscos psicossociais e saúde mental com uma frequência que parecia improvável poucos anos atrás.
A atualização da NR-1 consolida essa mudança. E depois de uma década acompanhando essa transformação, vejo que chegamos a um ponto de virada. Ainda há muito a fazer, mas, pela primeira vez em muitos anos, há uma combinação de conscientização, evidências e compromisso institucional capaz de acelerar essa mudança. E isso, sem dúvida, é motivo de esperança.
* Tatiana Pimenta CEO da Vittude
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