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Labirintite e perda auditiva

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Foto: Assessoria/Divulgação

Labirintite é um termo usado para denominar uma doença que pode comprometer tanto a audição quanto o equilíbrio da pessoa.

É causada por uma infecção que atinge a audição e as principais funções do labirinto e suas estruturas, que são responsáveis pela audição (cóclea) e pelo equilíbrio do corpo (vestíbulo).

Ela tem uma ligação muito grande com problemas auditivos como é o caso do zumbido nos ouvidos, podendo em casos mais complexos, levar a perda auditiva temporária, que dura até que a inflamação seja completamente tratada.

A labirintite manifesta -se comumente antes ou após os 40-50 anos e isso acontece por causa das alterações metabólicas do organismo.

O principal sintoma da labirintite é a tontura, mas este é apenas um dos mais comuns. Outros sinais também, podem aparecer, como:

– Vertigem, tontura e desequilíbrio: a pessoa sente que tudo está rodando e há uma dificuldade de se manter em pé. Não é comum o desmaio, mas a recomendação é evitar deitar quando a tontura for excessiva;

– Audição diminuída: pode acontecer de forma mais grave ou mais suave, dependendo de cada caso;

– Perda da audição: pode ser de leve a aguda;

– Alterações gastrointestinais: da mesma forma como as náuseas, é possível ter prisão de ventre e outros desconfortos intestinais;

 – Zumbidos no ouvido: é um som que é originado no ouvido ou na cabeça, produzindo extremo desconforto de difícil caracterização e tratamento;

 – Náusea e vômitos: são os sintomas mais comuns (depois da tontura) e, para aliviá-lo, é importante consultar um médico otorrinolaringologista para prescrever a medicação correta;

 – Sudorese: o excesso de suor acontece em decorrência de outros sintomas que, juntos, aumentam o mal-estar.

A fase mais aguda da doença pode surgir de repente, sem nenhum tipo de sintoma inicial, podendo durar minutos ou até dias. Quando a labirintite é desencadeada por gripe ou resfriado, os sintomas podem demorar mais para surgir, cerca de 1 ou 2 semanas, normalmente.

Quando a labirintite é totalmente causada pela inflamação do labirinto, é comum ocorrer perda auditiva. Quando ela acomete o ramo do nervo auditivo, caracterizando uma neurite vestibular, os sintomas são apenas tonturas e não há nenhum tipo de perda auditiva, pois o ramo coclear fica intacto nestes casos.

O labirinto é responsável por informar ao cérebro o deslocamento do corpo. Quando essas informações não são corretas entre labirinto, visão e outras partes do corpo, como ligamentos e músculos, o resultado é a tontura, onde há a sensação de desequilíbrio, escurecimento da visão, entre outros.

A grande relação entre o sistema do equilíbrio do corpo com a audição são as funções do sistema nervoso central. Muitas pessoas que apresentam problemas de equilíbrio tendem a apresentar, também, sintomas como zumbidos no ouvido, dificuldade para compreender a fala, diminuição da audição e desconforto ao ouvir sons intensos.

A causa pode auxiliar no tratamento desta forma, procure um médico especialista para o diagnóstico correto. As causas podem incluir também: infecções virais como resfriados, sarampo, gripe e febre irregular; crises alérgicas agudas; colesterol alto, pressão alta e diabetes; tumor cerebral algumas doenças neurológicas; disfunção da articulação temporomandibular (ATM); excesso de cigarro e bebidas alcoólicas; excesso de ansiedade e estresse excessivo.

São fatores considerados de risco para labirintite: idade; má alimentação, com excesso de gordura, por exemplo; altas taxas de ácido úrico; tabagismo; otites (que são infecções nos ouvidos); açúcar em excesso; hipoglicemia e diabetes; uso de medicamentos em excesso, como anti-inflamatórios e alguns tipos de antibióticos.

O tratamento costuma ser dividido em 3 etapas: 1- Tratamento dos sintomas: realizado com medicação;2-Tratamento da causa: que a investigação do que ocasionou o problema e realização de exames de audição; 3-Reabilitação do labirinto: a reabilitação é o tratamento fisioterápico da vertigem, ajuda o paciente a estimular o equilíbrio, que pode ser feito com ou sem medicação, dependendo da causa da labirintite.

Quando a pessoa está em crise é indicado não dirigir, evitar excesso de medicações e beber bastante líquido. Evitar situações estressantes e é primordial manter uma alimentação saudável. O cigarro e o álcool tendem a aumentar a labirintite.

É importante respeitar a medicação indicada pelo médico, mesmo que os sintomas cessem. Só se deve parar de tomar, após o período indicado.

Vanessa Moraes é fonoaudióloga e audiologista

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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não

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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.

Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.

O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.

A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.

É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.

Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.

Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.

A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.

No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.

Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar



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