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Entre o discurso e a prática, o desafio da coerência na política de gênero

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A violência política de gênero é uma realidade que precisa ser enfrentada com seriedade. Mulheres em posições de poder ainda são alvo de ataques que ultrapassam o campo das ideias e atingem sua condição de gênero. Esse é um problema estrutural, que exige posicionamento firme e, acima de tudo, coerência.

Em Várzea Grande, o tema voltou ao centro do debate após a prefeita Flávia Moretti afirmar ser vítima desse tipo de violência. A denúncia é legítima e merece atenção, como qualquer outra. No entanto, o cenário ganha contornos mais complexos quando surgem episódios que colocam em dúvida a uniformidade desse discurso.

O caso envolvendo a vereadora Gisa Barros evidencia essa contradição. Ao relatar ter sido impedida de ocupar espaço em um evento institucional, a parlamentar levantou uma questão incômoda, mas necessária: é possível combater a violência política de gênero enquanto se reproduz, ainda que de forma indireta, práticas que excluem ou diminuem outras mulheres?

A resposta, do ponto de vista ético, é simples: não. A luta contra qualquer forma de violência não pode ser seletiva. Quando o discurso é utilizado conforme a conveniência política, ele perde força e, pior, descredibiliza uma pauta que já enfrenta resistência histórica.

É preciso separar o embate político, que é natural e saudável, de atitudes que carregam traços de desigualdade. Divergir faz parte da democracia. Excluir, constranger ou deslegitimar pela condição de gênero não.

O que se vê, neste momento, é um alerta claro sobre os riscos da incoerência. Quando figuras públicas assumem o papel de denunciar injustiças, elas também assumem a responsabilidade de não reproduzi-las. Caso contrário, o discurso se transforma em retórica vazia.

A sociedade observa. E mais do que discursos bem construídos, cobra atitudes. A coerência, nesse contexto, não é apenas uma virtude, é uma exigência.

Se a violência política de gênero deve ser combatida, que seja de forma ampla, irrestrita e sem distinção de lado. Porque, quando a régua muda conforme o interesse, quem perde não é apenas a credibilidade de quem fala, mas toda uma causa que precisa, mais do que nunca, de ser levada a sério.

Daniel Costa
Jornalista e graduado em Gestão Pública



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Eleição da Mesa Diretora da Câmara de VG é anulada pelo STF

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O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), anulou a eleição da Mesa Diretora da Câmara Municipal de Várzea Grande para o biênio 2027/2028, realizada no último dia 14 de maio. O pleito havia eleito a chapa encabeçada pelo vereador Wanderley Cerqueira. A decisão foi assinada nesta quinta-feira (21), em reclamação apresentada pelo vereador Bruno Lins Rios.

Na decisão, Toffoli entendeu que a eleição ocorreu fora do período permitido pelo entendimento consolidado do STF, que estabelece que as eleições das mesas diretoras das Casas Legislativas só podem ser realizadas a partir de outubro do ano anterior ao início do mandato.

Segundo o ministro, a votação antecipada realizada em maio de 2026 afrontou decisões vinculantes da Corte. Com isso, ele determinou a anulação imediata da eleição.

“Julgo procedente a presente reclamação para cassar a decisão reclamada e anular a eleição da Mesa Diretora da Câmara Municipal de Várzea Grande/MT ocorrida em 14/5/26”, diz trecho da decisão.

Além de invalidar o pleito, o ministro também determinou que o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) refaça a análise do caso observando o entendimento firmado pelo STF.

Com a decisão, a eleição da Mesa Diretora perde validade e o cenário político na Câmara Municipal de Várzea Grande volta a ficar indefinido, reacendendo a disputa pelo comando do Legislativo municipal.



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