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Diagnosticando sangramento no intestino delgado

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Foto: Assessoria/Divulgação

O intestino delgado é a parte do tubo digestivo que fica entre o estômago e o intestino grosso. O órgão é responsável pela maior parte da digestão e absorção dos alimentos, permitindo que minerais, vitaminas e nutrientes sejam aproveitados pelo organismo.

Qualquer alteração nesta parte do tudo digestivo é difícil de ser analisada pelos métodos tradicionais de investigação por imagem, como a tomografia computadorizada que expõe o paciente à radiação ionizante.

Especificamente sobre o sangramento no intestino delgado, os principais sintomas são vômito com aparência de sangue ou borra de café ou diarreia ou fezes com aspecto de piche. Ao exame físico, palidez cutâneo-mucosa, hipotensão e taquicardia são sinais que se correlacionam com a magnitude da perda sanguínea.

Dois exames são fundamentais para o diagnóstico deste tipo de sangramento: o exame de cápsula endoscópica e a enteroscopia por duplo balão.

A cápsula endoscópica surge como uma solução moderna, segura e precisa para detectar problemas no intestino delgado, especialmente para encontrar hemorragias ocultas no trato digestivo e problemas na superfície interna do órgão, que é uma área difícil de ser avaliada.    

Trata-se de exame simples e totalmente indolor que ajuda a localizar a lesão e determinar a extensão da doença no intestino delgado. A cápsula tem o tamanho semelhante à de um comprimido comum e contém, na sua parte interna, um sistema de câmera com transmissão de imagem sem fio.

O paciente ingere a cápsula com o auxílio de um pouco de água.

Depois, ela percorre cada parte do trato digestivo e do intestino delgado, captando mais de 50 a 70 mil imagens que são transmitidas para um gravador fixado na cintura do paciente. O exame dura em torno de 8 horas e a cápsula, que é totalmente descartável, é eliminada nas fezes de forma natural. Após o exame, as imagens são transferidas para o computador que, a partir de um software específico, são analisadas pelo médico especialista.

A flexibilidade do exame é outra vantagem da cápsula, pois o procedimento pode ser realizado no ambiente ambulatorial, em domicílio ou em pacientes internados, mesmo na UTI, e durante o exame a pessoa pode realizar suas atividades cotidianas normalmente.

Já a Enteroscopia com Duplo Balão consiste na utilização de um aparelho um pouco diferente, que apresenta um balão de silicone em sua extremidade para possibilitar a progressão ao longo do intestino delgado que é móvel.

O aparelho é similar ao endoscópio ou colonoscópio, sendo mais longo. Ele desliza dentro de um tubo para auxiliar a progressão por todo o intestino delgado. O procedimento é realizado sob sedação, analgesia ou anestesia geral venosa para reduzir o desconforto e dura cerca de uma a duas horas.

Nos casos de introdução através do ânus, é necessário o preparo dos cólons através da ingestão por via oral de soluções recomendadas, de modo similar ao preparo para colonoscopia.

A técnica endoscópica favorece aos médicos avaliarem todo o intestino delgado do paciente e alcança parte do tubo digestivo inacessível à endoscopia digestiva alta e à colonoscopia. Além de permitir diagnósticos de diversas patologias do intestino delgado, é possível realizar tratamentos terapêuticos que envolvem o sistema digestivo.

Ambas as técnicas são realizadas em Mato Grosso. O importante é procurar um especialista diante dos sintomas para agilidade no diagnóstico e início imediato do tratamento.

Dr. Roberto Barreto é gastroenterologista e endoscopista, presidente da Sobed/MT e integra as equipes da Clínica Vida Diagnóstico e Saúde, IGPA e do CEC.

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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não

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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.

Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.

O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.

A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.

É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.

Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.

Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.

A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.

No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.

Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar



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