Artigo
Dia do Médico: O compromisso de se dedicar à vida
Dr. Rubens Carlos de Oliveira Júnior
Opinião
Neste dia 18 de outubro, em que comemoramos o Dia do Médico, expressamos nossa gratidão a aqueles que se dedicam a salvar vidas. É com satisfação que reconhecemos a nobreza desses homens e mulheres, externada em cada olhar cuidadoso a um paciente. Neste ano, em especial, relembramos e agradecemos a luta travada por nossos heróis na guerra contra o coronavírus.
Ao logo de um ano e meio, período em que fomos assolados pela maior pandemia dos últimos tempos, vimos médicos e médicas colocando sua própria saúde a prova para cumprir o juramento de atuar em prol do bem no exercício de sua profissão.
Assistimos o sofrimento dos nossos colegas afastados da própria família, enlutados pelas vidas perdidas e consumidos pelo cansaço físico e emocional. A tristeza que assolou a todos nós, no entanto, não nos tornou menos imbatíveis no combate à Covid-19 e, por isso, mais uma vez, reforçamos nossa gratidão.
Aproveitamos para também relembrar que foi a partir dessas mesmas virtudes, de colaboração e união, que há 50 anos médicos visionários criaram o Sistema Unimed e é com enorme honra que damos prosseguimento a esse sonho. Juntos, somos o maior sistema de saúde suplementar do mundo.
Prestamos ainda nossas homenagens aos profissionais que perdemos no campo de batalha. Às famílias, gostaríamos de dizer que cada um desses médicos será eternamente lembrado pelo legado que deixaram aqui. Apesar das provas árduas, saímos dos tempos nublados mais radiantes pela certeza de que fazemos parte de uma equipe que não poupa esforços para atender e cuidar do próximo e sabemos que isso não seria possível sem a união ensejada por nosso Sistema.
A vocação do cuidar, a vontade de fazer o melhor e a certeza de que Deus está conosco é o que nos move. Por isso, temos obtido tantos triunfos, dentre eles o fortalecimento da marca e reconhecimento como maior sistema de cooperativas médicas do mundo.
Precisamos ainda agradecer a todos vocês, por terem ajudado a firmar a Unimed Cuiabá como uma das maiores em nosso sistema. Juntos descobrimos que a força que nos move reside na humanidade e na cooperação, tendo como propósito cuidar das pessoas.
Posso dizer, com certeza, da alegria que me toma por fazer parte desta linda história de valorização da medicina, da união e da cooperação.
Parabéns, médicos e médicas pelo nosso dia! Que Deus nos abençoe, nos mantendo firmes no propósito do nosso juramento.
Médico patologista, presidente da Unimed Cuiabá, presidente da Unimed Federação de Mato Grosso e diretor de Desenvolvimento de Mercado na Unimed Brasil.
Opinião
Saúde mental é inegociável
O que aprendi em 10 anos liderando a pauta de saúde mental? Durante a última edição do Vittude Summit, subi ao palco diante de cerca de 1.800 pessoas e lembrei do primeiro evento que realizamos, em janeiro de 2020. Na época, a expectativa era reunir 200 participantes para discutir saúde mental no ambiente corporativo. Muitos acreditavam que ninguém apareceria: o evento recebeu 280 pessoas.
Poucos meses depois, a pandemia transformou definitivamente a forma como as empresas passaram a enxergar o tema. O que antes era tratado como assunto secundário passou a ocupar espaço nas agendas das lideranças. Em poucos anos, vimos crescer rapidamente o interesse das organizações por estratégias estruturadas de promoção da saúde mental.
Os números que não podem mais ser ignorados
Em 2025, o Brasil registrou mais de 546 mil afastamentos por transtornos mentais, o maior número da série histórica e o terceiro ano consecutivo de crescimento. O dado, porém, mostra apenas parte do problema. Ele considera apenas afastamentos superiores a 15 dias, deixando de fora atestados mais curtos e um fenômeno igualmente preocupante: o presenteísmo, quando o colaborador está presente, mas não consegue desempenhar plenamente suas atividades.
No Censo de Saúde Mental da Vittude, realizado com 175 mil trabalhadores de 35 grandes corporações, identificamos uma perda média de produtividade de 32%. Em outras palavras, de cada R$ 100 investidos em folha de pagamento, cerca de R$ 32 deixam de se converter em trabalho efetivo em função do adoecimento emocional. Ou seja, são perdas financeiras e humanas.
O papel da segurança psicológica
Um dos principais achados do estudo foi a relação direta entre segurança psicológica e saúde mental. Entre os colaboradores que relataram baixos níveis de segurança psicológica, todos os indicadores analisados pioraram significativamente. A ideação suicida passou de 14,75% para 19%, enquanto a propensão ao burnout saltou de 5,94% para 21%. Já entre aqueles que percebiam altos níveis de segurança psicológica, a propensão ao burnout foi praticamente nula.
Esses dados mostram que boa parte do adoecimento está concentrada em ambientes onde as pessoas não se sentem seguras para pedir ajuda ou expressar opiniões. Por isso, saúde mental não depende apenas da oferta de benefícios. Depende, principalmente, da cultura organizacional.
A prevalência de ideação suicida entre os trabalhadores avaliados no Censo (14,75%) foi inferior à observada na população brasileira em geral (18%, segundo estudo do Instituto Cactus). Isso mostra que o trabalho pode funcionar como fator de proteção quando oferece pertencimento, reconhecimento e relações saudáveis.
O problema é que muitos ambientes ainda não oferecem essas condições. Com a atualização da NR-1 já em vigor, o gerenciamento dos riscos psicossociais passou a integrar oficialmente as responsabilidades das empresas.
O que aprendemos na prática
Ao longo desses dez anos, ficou claro que os programas de saúde mental mais efetivos compartilham uma característica: método. Não basta contratar fornecedores ou oferecer benefícios. É preciso diagnosticar riscos, definir prioridades, acompanhar indicadores, testar iniciativas e envolver a liderança de forma consistente durante todo o processo.
Foi dessa experiência que surgiu o Método VITAL — Verificar, Idealizar, Testar, Amadurecer e Liderar — desenvolvido a partir do trabalho com organizações de diferentes setores. O aprendizado é simples: iniciativas isoladas dificilmente produzem mudanças duradouras.
Promover saúde mental exige planejamento, acompanhamento contínuo e compromisso da liderança.
Em dez anos, a pauta amadureceu.
Hoje, o cenário é diferente. Líderes, profissionais de RH, médicos do trabalho e executivos passaram a discutir segurança psicológica, riscos psicossociais e saúde mental com uma frequência que parecia improvável poucos anos atrás.
A atualização da NR-1 consolida essa mudança. E depois de uma década acompanhando essa transformação, vejo que chegamos a um ponto de virada. Ainda há muito a fazer, mas, pela primeira vez em muitos anos, há uma combinação de conscientização, evidências e compromisso institucional capaz de acelerar essa mudança. E isso, sem dúvida, é motivo de esperança.
* Tatiana Pimenta CEO da Vittude
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