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Cuidados com a audição e a voz durante a Copa

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Foto: Assessoria/Divulgação

Não é somente o coração que sofre durante os jogos da Seleção Brasileira. Os ouvidos e a voz também!

Mesmo na euforia deste período, é preciso alguns cuidados com a audição devido ao intenso volume dos jogos de artifícios, cornetas e gritos que fazem parte das vibrações.

A poluição sonora decorrente de fogos de artifício e cornetas pode alcançar de 150 a 175 decibéis, sendo que o limite seguro de exposição aos sons recomendado por especialistas é de 85dB.Quando a quantidade recomendada ultrapassa esse limite, há risco de perda auditiva e, em alguns casos, a situação torna irreversível.

A exposição a esse tipo de poluição sonora pode ocasionar consequências severas na qualidade de vida da população, afetando a saúde do indivíduo e suas relações sociais. Os sintomas são diversos, como sensação de pressão nos ouvidos, zumbido, dificuldade para ouvir, tontura, irritabilidade, sensação de ouvido tapado, e estalos nos ouvidos.

Caso um ou mais sintomas permaneçam, mesmo após o término da festa, a pessoa deve procurar um médico otorrinolaringologista para realizar uma avaliação. Vale ressaltar que se o indivíduo já tem predisposição a desenvolver uma perda auditiva ou se, no dia a dia, está exposto ao ruído intenso de forma consistente, ele terá maior probabilidade de desenvolver uma perda auditiva e, portanto, deve ser ainda mais cauteloso.

Gritar é uma das atitudes mais agressivas para a laringe, pois, nesse momento, ocorre ataque brusco entre as cordas vocais. Isso pode causar um inchaço, irritação na mucosa das cordas vocais. O grito deve ser sempre evitado.

O tom da nossa voz em uma conversa normal varia entre 60 e 70 decibéis. Cada vez que aumentamos 3 decibéis no nosso tom de voz, já fazemos um esforço enorme nas cordas vocais. As consequências desse esforço dependem da intensidade, desde rouquidão até sangramento das cordas vocais.

Se a voz não apresentar melhora depois de três dias, é importante procurar um médico otorrinolaringologista especialista em voz. Seguem algumas dicas para recuperar a voz:

– Beba bastante água: a água vai cair na corrente sanguínea e chegar nas cordas vocais 30 minutos depois;

– Faça repouso vocal por dois ou três dias: poupar a voz, ficar sem falar, é fundamental para recuperar a voz;

-Não pigarreie: ficar pigarreando força as pregas vocais e piora o quadro;

-Não fale sussurrando: sussurrar provoca mais tensão na região e piora o quadro;

E se engana quem pensa que gengibre, mel, própolis, bala de menta podem curar rouquidão. Eles têm efeito anestésico na região próxima à corda vocal, mas não ajudam a recuperar a voz. 

Outro mito é tomar conhaque. Ele aumenta o fluxo sanguíneo na região, melhora na hora, mas o efeito rebote é pior. Já a água morna com sal serve para limpar secreções da garganta. Ela não age diretamente na voz, mas se você estiver com inflamação na região, pode ajudar indiretamente.

Passe essas dicas adiante. Vamos comemorar sem agredir nossa saúde!

Vanessa Moraes é fonoaudióloga e audiologista na Sonicon, em Cuiabá (MT)

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Saúde mental é inegociável

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O que aprendi em 10 anos liderando a pauta de saúde mental? Durante a última edição do Vittude Summit, subi ao palco diante de cerca de 1.800 pessoas e lembrei do primeiro evento que realizamos, em janeiro de 2020. Na época, a expectativa era reunir 200 participantes para discutir saúde mental no ambiente corporativo. Muitos acreditavam que ninguém apareceria: o evento recebeu 280 pessoas.

Poucos meses depois, a pandemia transformou definitivamente a forma como as empresas passaram a enxergar o tema. O que antes era tratado como assunto secundário passou a ocupar espaço nas agendas das lideranças. Em poucos anos, vimos crescer rapidamente o interesse das organizações por estratégias estruturadas de promoção da saúde mental.

Os números que não podem mais ser ignorados

Em 2025, o Brasil registrou mais de 546 mil afastamentos por transtornos mentais, o maior número da série histórica e o terceiro ano consecutivo de crescimento. O dado, porém, mostra apenas parte do problema. Ele considera apenas afastamentos superiores a 15 dias, deixando de fora atestados mais curtos e um fenômeno igualmente preocupante: o presenteísmo, quando o colaborador está presente, mas não consegue desempenhar plenamente suas atividades.

No Censo de Saúde Mental da Vittude, realizado com 175 mil trabalhadores de 35 grandes corporações, identificamos uma perda média de produtividade de 32%. Em outras palavras, de cada R$ 100 investidos em folha de pagamento, cerca de R$ 32 deixam de se converter em trabalho efetivo em função do adoecimento emocional. Ou seja, são perdas financeiras e humanas.

O papel da segurança psicológica

Um dos principais achados do estudo foi a relação direta entre segurança psicológica e saúde mental. Entre os colaboradores que relataram baixos níveis de segurança psicológica, todos os indicadores analisados pioraram significativamente. A ideação suicida passou de 14,75% para 19%, enquanto a propensão ao burnout saltou de 5,94% para 21%. Já entre aqueles que percebiam altos níveis de segurança psicológica, a propensão ao burnout foi praticamente nula.

Esses dados mostram que boa parte do adoecimento está concentrada em ambientes onde as pessoas não se sentem seguras para pedir ajuda ou expressar opiniões. Por isso, saúde mental não depende apenas da oferta de benefícios. Depende, principalmente, da cultura organizacional.

A prevalência de ideação suicida entre os trabalhadores avaliados no Censo (14,75%) foi inferior à observada na população brasileira em geral (18%, segundo estudo do Instituto Cactus). Isso mostra que o trabalho pode funcionar como fator de proteção quando oferece pertencimento, reconhecimento e relações saudáveis.

O problema é que muitos ambientes ainda não oferecem essas condições. Com a atualização da NR-1 já em vigor, o gerenciamento dos riscos psicossociais passou a integrar oficialmente as responsabilidades das empresas.

O que aprendemos na prática

Ao longo desses dez anos, ficou claro que os programas de saúde mental mais efetivos compartilham uma característica: método. Não basta contratar fornecedores ou oferecer benefícios. É preciso diagnosticar riscos, definir prioridades, acompanhar indicadores, testar iniciativas e envolver a liderança de forma consistente durante todo o processo.

Foi dessa experiência que surgiu o Método VITAL — Verificar, Idealizar, Testar, Amadurecer e Liderar — desenvolvido a partir do trabalho com organizações de diferentes setores. O aprendizado é simples: iniciativas isoladas dificilmente produzem mudanças duradouras.

Promover saúde mental exige planejamento, acompanhamento contínuo e compromisso da liderança.

Em dez anos, a pauta amadureceu.

Hoje, o cenário é diferente. Líderes, profissionais de RH, médicos do trabalho e executivos passaram a discutir segurança psicológica, riscos psicossociais e saúde mental com uma frequência que parecia improvável poucos anos atrás.

A atualização da NR-1 consolida essa mudança. E depois de uma década acompanhando essa transformação, vejo que chegamos a um ponto de virada. Ainda há muito a fazer, mas, pela primeira vez em muitos anos, há uma combinação de conscientização, evidências e compromisso institucional capaz de acelerar essa mudança. E isso, sem dúvida, é motivo de esperança.

* Tatiana Pimenta CEO da Vittude



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