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Conheça as etapas da fala da criança

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Foto: Sandra Carvalho/Divulgação

Logo após o nascimento, ou até mesmo no útero, você já pode começar a estimular a capacidade da linguagem no bebê.

Não importa em qual língua o bebê será criado: antes de falar, ele irá balbuciar,gritar e fazer uma série de sons engraçados.

Aprender a falar é um processo que começa no nascimento, quando o bebê experimenta com sua própria voz.

Entre os 5 e 6 meses, o bebe adquire entonação e ritmo, após 6 meses a criança passa a emitir sons com maior elaboração, como consoantes e vogais. Próximo a completar 1 ano, o bebê já consegue formular algumas sílabas.

Por volta dos 12 meses, o bebê começa a emitir mais sons e a tentar dizer as palavras que os pais ou pessoas próximas falam, aos 2 anos repete as palavras que ouve e diz frases simples com 2 ou 4 palavras e aos 3 anos consegue falar informações mais complexas como sua idade e sexo.

É preciso ficar atento aos seguintes sinais: aos 12 meses de idade a criança ainda não faz gestos como “tchau” com as mãos; se aos 18 meses ainda não compreende bem as palavras ou não imita sons; se aos 24 meses não fala frases completas ou apenas imita sons uma avaliação médica criteriosa  do bebê se faz necessária. Entre as causas mais frequentes de atraso da linguagem encontram-se a perda auditiva, o atraso de desenvolvimento, a prematuridade, o autismo e a falta de estimulação.

São vários os fatores que podem interferir no desenvolvimento da fala de uma criança. Os principais são: dificuldade auditiva, falta de estímulos adequados, excesso de Ipad ,joguinhos no celular, muita TV, pouca brincadeira, dificuldades cognitivas, síndromes genéticas, dificuldades na motricidade oral ( crianças que respiram mal, que tem adenóides aumentadas e podem respirar muito tempo pela boca e isso prejudicar toda a musculatura dos órgãos fonoarticulatórios e isso afetar o desenvolvimento da fala), alimentação ( criança que come mal, tudo amassado, pastoso, muito biscoito que derrete na boca sem precisar mastigar, usa bico da mamadeira com furo aumentado), autismo, mutismo seletivo (diagnóstico psicológico feito por neurologista ou psiquiatra infantil, distúrbio específico de linguagem, apraxia da fala ( distúrbio motor que afeta a programação e a execução dos movimentos da boca, língua,dos lábios, da mandíbula,etc,para falar; a criança quer falar mas não consegue falar.

Como estimular o bebê a falar?

1-Observe e encoraje: o bebê dá alguns sinais antes de falar bem. Ele pode estender seus braços para cima para sinalizar que deseja estar no colo, entregar o brinquedo para convidar um adulto a brincar ou empurrar a comida para longe de si para mostrar que está satisfeito. Nessas situações, sorria, faça contato visual e responda para encorajá-lo a, aos poucos, expressar-se pela fala. Parabenize-o por suas tentativas de fala, pois os bebês aprendem e são encorajados a falar quando os pais aprovam seu comportamento.

2- Ouça e converse com o bebê: quando o bebê balbuciar (emitir sons sem significados), responda balbuciando ou usando palavras. Ele tem a tendência a imitar os sons que os pais estão fazendo, variando o tom e entonação para se adequar a linguagem falada a sua volta. Tire um tempinho para “conversar” com ele todos os dias.

3- Use frases elaboradas: para que a criança desenvolva a linguagem, use frases mais elaboradas quando estiver conversando com ele. Por exemplo, quando ele apontar para um brinquedo diga: “Você quer brincar com este brinquedo?” Brincar com ele é divertido , não é mesmo? Não diga simplesmente: “Você quer o brinquedo?”

4- Narre o que vocês estão fazendo: vá narrando o que está fazendo. Enquanto estiver colocando sua roupa, diga que agora vai colocar a calça azul, depois a blusa branca, depois as meias estampadas de coelhinhos e assim por diante. Aproveite também outros momentos do dia como o do banho e da refeição para fazer isso.

5- Tente entender o que ele quer: não fique impaciente quando o bebê não sabe falar direito. Seja paciente e estabeleça um diálogo até compreender o que ele está tentando expressar;

6- Brinque com o bebê: nada melhor do que brincar para ajudar o desenvolvimento da linguagem. Durante a brincadeira, converse com ele, deixe que ele use sua criatividade e que crie suas próprias historinhas em diversos momentos do dia

7- Leia para o bebê: se ele tem um boneco chamado “Zezé”, por exemplo, pergunte se o “Zezé” pode participar do banho. Estimule durante o banho dizendo: “Agora o que você vai lavar? Os pés? O rosto?”

8- Nomeie objetos para ajudar o bebê a construir seu vocabulário, nomeie os objetos que está usando como “copo, prato, escova de dente e roupa.” Dê o objeto a ao bebê e pergunte qual o nome daquilo;

9- Escute música: é uma atividade prazerosa, divertida e que pode estimular muito a linguagem do bebê. Além de cantar músicas infantis, coloque outras canções que ele gosta para tocar. Estimule-o a aprender a letra, mesmo que no início apenas imite a entonação das palavras.

Agora é só curtir as primeiras palavras do bebê. E, se elas não aparecerem , temos que investigar e intervir adequadamente! Para saber mais sobre audição e perda auditiva acesse @fonovanessamoraes. 

Vanessa Moraes é fonoaudióloga e audiologista na Sonicon.
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não

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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.

Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.

O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.

A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.

É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.

Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.

Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.

A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.

No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.

Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar



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