Opinião
Comunicação na política: como manter as relações
Opinião
O tema política hoje virou uma guerra entre as pessoas, às vezes amigos e familiares ficam sem se falar por conta de um ser a favor de um candidato e outro apoiar o outro. Para se ter uma ideia, uma pesquisa realizada pela Universidade de Califórnia em Los Angeles (UCLA) e Universidade de Washington (UW) apontou que o jantar de Ação de Graças de 2016 durou uma hora a menos em famílias com candidatos de oposição.
Como é incrível a forma como esquecemos do amor e respeito aos nossos por conta de questão política. Essa troca de valores é muito séria! A política não serve para nada quando ela está acima do ser humano. A função da política é servir para a humanidade e não ser um desfavor para a mesma.
Evitar esse tipo de atrito não é fácil, mas é uma escolha, e a melhor forma de fazer isso é aprender a ter uma comunicação saudável em qualquer ambiente de convívio e fazer uma auto-reflexão: qual é o objetivo da política para a vida? E mais especificamente na minha vida?
Caso perceba que a política não serve ao objetivo desejado, é preciso precaver para não haver exposição acerca de fatos desconhecidos e entrar em discussão só para julgar e sentenciar. Ou seja, pare e pense primeiro, faça uma análise de tudo até que tenha um parecer. O que mais vemos são pessoas retrucarem e esbravejarem acusações absurdas, ao ponto de perderem a razão. Isso é falta de inteligência emocional para gerir o que sente diante de uma discussão política.
Há meios de não concordar e se posicionar de uma maneira muito tranquila ao desacordo. Para isso é necessário trabalhar a psicodinâmica ou o ritmo da fala e você conseguirá verbalizar o que quiser, sem causar mal-estar.
Acredito que temos que aprender, por meio da inteligência emocional, a nos comunicar de uma forma mais assertiva, para que a nossa fala não ative o campo de desorientação mental do outro. Aprender a pensar antes de falar é fundamental. Aprender a olhar o todo! Algumas pessoas enxergam a pacificidade como tolice. Aliás, ao contrário, como diz uma frase antiga: “A palavra é tempo, o silêncio é eternidade”. Ou seja, às vezes é melhor silenciar.
Percebo que muitas pessoas têm o hábito de uma comunicação um tanto violenta quando o assunto é política. Precisamos ter mais cautela com o que falamos, principalmente, quando denegrimos imagens de pessoas reais, que estão próximas a nós, por conta da política polarizada.
A política é necessária, mas não pode ser desserviço à sociedade, lançando a esmo discursos passionais, que chegam ao ódio. Precisamos conversar a política dentro do contexto do benefício social e humano e não usar isso apenas como fomento de discussão e desentendimento, ao ponto do desrespeito e quebra de laços.
A inteligência para desenvolver uma comunicação assertiva inclui também a inteligência espiritual – que é a capacidade de equilibrar a razão e a emoção com base em crenças, valores e ações. É preciso pensar nos processos de comunicação diariamente, para aprender a conversar e não discutir política. Afinal, políticas que favorecem as nações são alicerçadas em valores e ética.
Opinião
Saúde mental é inegociável
O que aprendi em 10 anos liderando a pauta de saúde mental? Durante a última edição do Vittude Summit, subi ao palco diante de cerca de 1.800 pessoas e lembrei do primeiro evento que realizamos, em janeiro de 2020. Na época, a expectativa era reunir 200 participantes para discutir saúde mental no ambiente corporativo. Muitos acreditavam que ninguém apareceria: o evento recebeu 280 pessoas.
Poucos meses depois, a pandemia transformou definitivamente a forma como as empresas passaram a enxergar o tema. O que antes era tratado como assunto secundário passou a ocupar espaço nas agendas das lideranças. Em poucos anos, vimos crescer rapidamente o interesse das organizações por estratégias estruturadas de promoção da saúde mental.
Os números que não podem mais ser ignorados
Em 2025, o Brasil registrou mais de 546 mil afastamentos por transtornos mentais, o maior número da série histórica e o terceiro ano consecutivo de crescimento. O dado, porém, mostra apenas parte do problema. Ele considera apenas afastamentos superiores a 15 dias, deixando de fora atestados mais curtos e um fenômeno igualmente preocupante: o presenteísmo, quando o colaborador está presente, mas não consegue desempenhar plenamente suas atividades.
No Censo de Saúde Mental da Vittude, realizado com 175 mil trabalhadores de 35 grandes corporações, identificamos uma perda média de produtividade de 32%. Em outras palavras, de cada R$ 100 investidos em folha de pagamento, cerca de R$ 32 deixam de se converter em trabalho efetivo em função do adoecimento emocional. Ou seja, são perdas financeiras e humanas.
O papel da segurança psicológica
Um dos principais achados do estudo foi a relação direta entre segurança psicológica e saúde mental. Entre os colaboradores que relataram baixos níveis de segurança psicológica, todos os indicadores analisados pioraram significativamente. A ideação suicida passou de 14,75% para 19%, enquanto a propensão ao burnout saltou de 5,94% para 21%. Já entre aqueles que percebiam altos níveis de segurança psicológica, a propensão ao burnout foi praticamente nula.
Esses dados mostram que boa parte do adoecimento está concentrada em ambientes onde as pessoas não se sentem seguras para pedir ajuda ou expressar opiniões. Por isso, saúde mental não depende apenas da oferta de benefícios. Depende, principalmente, da cultura organizacional.
A prevalência de ideação suicida entre os trabalhadores avaliados no Censo (14,75%) foi inferior à observada na população brasileira em geral (18%, segundo estudo do Instituto Cactus). Isso mostra que o trabalho pode funcionar como fator de proteção quando oferece pertencimento, reconhecimento e relações saudáveis.
O problema é que muitos ambientes ainda não oferecem essas condições. Com a atualização da NR-1 já em vigor, o gerenciamento dos riscos psicossociais passou a integrar oficialmente as responsabilidades das empresas.
O que aprendemos na prática
Ao longo desses dez anos, ficou claro que os programas de saúde mental mais efetivos compartilham uma característica: método. Não basta contratar fornecedores ou oferecer benefícios. É preciso diagnosticar riscos, definir prioridades, acompanhar indicadores, testar iniciativas e envolver a liderança de forma consistente durante todo o processo.
Foi dessa experiência que surgiu o Método VITAL — Verificar, Idealizar, Testar, Amadurecer e Liderar — desenvolvido a partir do trabalho com organizações de diferentes setores. O aprendizado é simples: iniciativas isoladas dificilmente produzem mudanças duradouras.
Promover saúde mental exige planejamento, acompanhamento contínuo e compromisso da liderança.
Em dez anos, a pauta amadureceu.
Hoje, o cenário é diferente. Líderes, profissionais de RH, médicos do trabalho e executivos passaram a discutir segurança psicológica, riscos psicossociais e saúde mental com uma frequência que parecia improvável poucos anos atrás.
A atualização da NR-1 consolida essa mudança. E depois de uma década acompanhando essa transformação, vejo que chegamos a um ponto de virada. Ainda há muito a fazer, mas, pela primeira vez em muitos anos, há uma combinação de conscientização, evidências e compromisso institucional capaz de acelerar essa mudança. E isso, sem dúvida, é motivo de esperança.
* Tatiana Pimenta CEO da Vittude
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