CULTURA
“Coleção de decepções…”
Hoje é dia do amigo, 20 de julho, e é uma data até propícia; dependendo do ângulo que se olha…
Opinião
A inspiração para criar essa data, partiu do professor de psicologia e filósofo argentino Enrique Ernesto Febbraro, que adotou como fonte a chegada do homem à lua, mas eu prefiro outra referência, tipo assim: “É mais ou menos a metade do ano, hora de renovar os laços de amizade!”
Bom, se a própria Bíblia diz que existem amigos mais chegados que irmãos (pode conferir lá em Provérbios, 18:24), nada mais justo que partir a ideia de um “hermano”, se é que me entendem! (Onde estaria com a cabeça Febbraro? No mundo da lua?)
De toda sorte, achei salutar falar sobre o tema!
Percebem que apenas um amigo verdadeiro é capaz de nos decepcionar?
Digo e afirmo, pois a resposta é bem simples, basta examinar seu próprio coração, vejamos.
Amizades são escolhidas, como fossem uma roupa de grife, você quer que todos vejam e sem hipocrisia, ainda pretende que todos saibam, quem é seu melhor amigo (como se fosse possível ser apenas um!), a própria categoria de “amigo”, já impõe dizer que é o melhor, está no patamar mais elevado. E sabe por que?
Porque nós escolhemos quem será verdadeiramente um amigo, daí que a responsabilidade é toda sua, que fez a escolha, não dá pra colocar na conta do acaso, ou de uma noite muito louca regada a vinho que gerou pensão alimentícia ao seu improvável pai, que dificilmente será seu amigo, percebem?
Bom, justamente, por causa dessa tremenda carga de responsabilidade e impossibilidade de delegar culpas é que um amigo pode sim nos decepcionar.
As outras categorias não decepcionam, no máximo incomodam, sacou?
E tem mais, dentro da própria amizade, existem classificações, alguns são “prata”, outros “bronze”, mas tem uns classificados como “ouro”, que podem ser verdadeiramente decepcionantes!
Tem mais uma coisa, tem amigo escalonado por finalidade! Tem aqueles que são os confidentes, tem aqueles que são os concorrentes, tem até os oportunistas, que só aparecem na hora do almoço ou pra pedir favor, mas amigo é amigo, e por isso mesmo, não concordo muito com aquele lance de que podem ser contados na mão!
Enfim, quanto mais amigos se tem, maiores são as probabilidades de ser decepcionado.
Ah, acabei de lembrar de uma categoria de amigo que derruba todas as estatísticas e conceitos, é o amigo diamante!
Perdura por toda a eternidade, chega ao ponto de decepcionar várias vezes na vida, pois conquistou esse direito, são os amigos que se contam no dedos e foram descritos até na própria Bíblia (já conferiu?).
Bom, amigos eu tenho muitos, no plural mesmo, e já que hoje é “Dia do Amigo”, que você seja sutilmente decepcionado(a), mesmo que seja por um texto meio sem nexo, meio sem noção, igual amigo de ocasião!
(Fred Henrique Gadonski)
Opinião
Saúde mental é inegociável
O que aprendi em 10 anos liderando a pauta de saúde mental? Durante a última edição do Vittude Summit, subi ao palco diante de cerca de 1.800 pessoas e lembrei do primeiro evento que realizamos, em janeiro de 2020. Na época, a expectativa era reunir 200 participantes para discutir saúde mental no ambiente corporativo. Muitos acreditavam que ninguém apareceria: o evento recebeu 280 pessoas.
Poucos meses depois, a pandemia transformou definitivamente a forma como as empresas passaram a enxergar o tema. O que antes era tratado como assunto secundário passou a ocupar espaço nas agendas das lideranças. Em poucos anos, vimos crescer rapidamente o interesse das organizações por estratégias estruturadas de promoção da saúde mental.
Os números que não podem mais ser ignorados
Em 2025, o Brasil registrou mais de 546 mil afastamentos por transtornos mentais, o maior número da série histórica e o terceiro ano consecutivo de crescimento. O dado, porém, mostra apenas parte do problema. Ele considera apenas afastamentos superiores a 15 dias, deixando de fora atestados mais curtos e um fenômeno igualmente preocupante: o presenteísmo, quando o colaborador está presente, mas não consegue desempenhar plenamente suas atividades.
No Censo de Saúde Mental da Vittude, realizado com 175 mil trabalhadores de 35 grandes corporações, identificamos uma perda média de produtividade de 32%. Em outras palavras, de cada R$ 100 investidos em folha de pagamento, cerca de R$ 32 deixam de se converter em trabalho efetivo em função do adoecimento emocional. Ou seja, são perdas financeiras e humanas.
O papel da segurança psicológica
Um dos principais achados do estudo foi a relação direta entre segurança psicológica e saúde mental. Entre os colaboradores que relataram baixos níveis de segurança psicológica, todos os indicadores analisados pioraram significativamente. A ideação suicida passou de 14,75% para 19%, enquanto a propensão ao burnout saltou de 5,94% para 21%. Já entre aqueles que percebiam altos níveis de segurança psicológica, a propensão ao burnout foi praticamente nula.
Esses dados mostram que boa parte do adoecimento está concentrada em ambientes onde as pessoas não se sentem seguras para pedir ajuda ou expressar opiniões. Por isso, saúde mental não depende apenas da oferta de benefícios. Depende, principalmente, da cultura organizacional.
A prevalência de ideação suicida entre os trabalhadores avaliados no Censo (14,75%) foi inferior à observada na população brasileira em geral (18%, segundo estudo do Instituto Cactus). Isso mostra que o trabalho pode funcionar como fator de proteção quando oferece pertencimento, reconhecimento e relações saudáveis.
O problema é que muitos ambientes ainda não oferecem essas condições. Com a atualização da NR-1 já em vigor, o gerenciamento dos riscos psicossociais passou a integrar oficialmente as responsabilidades das empresas.
O que aprendemos na prática
Ao longo desses dez anos, ficou claro que os programas de saúde mental mais efetivos compartilham uma característica: método. Não basta contratar fornecedores ou oferecer benefícios. É preciso diagnosticar riscos, definir prioridades, acompanhar indicadores, testar iniciativas e envolver a liderança de forma consistente durante todo o processo.
Foi dessa experiência que surgiu o Método VITAL — Verificar, Idealizar, Testar, Amadurecer e Liderar — desenvolvido a partir do trabalho com organizações de diferentes setores. O aprendizado é simples: iniciativas isoladas dificilmente produzem mudanças duradouras.
Promover saúde mental exige planejamento, acompanhamento contínuo e compromisso da liderança.
Em dez anos, a pauta amadureceu.
Hoje, o cenário é diferente. Líderes, profissionais de RH, médicos do trabalho e executivos passaram a discutir segurança psicológica, riscos psicossociais e saúde mental com uma frequência que parecia improvável poucos anos atrás.
A atualização da NR-1 consolida essa mudança. E depois de uma década acompanhando essa transformação, vejo que chegamos a um ponto de virada. Ainda há muito a fazer, mas, pela primeira vez em muitos anos, há uma combinação de conscientização, evidências e compromisso institucional capaz de acelerar essa mudança. E isso, sem dúvida, é motivo de esperança.
* Tatiana Pimenta CEO da Vittude
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