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Várzea Grande trabalha para construir o Hospital da Mulher e da Criança

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Da Redação

Com investimentos da ordem de R$ 7,8 milhões, a área de saúde foi uma das mais contempladas pela administração de Várzea Grande na comemoração do Jubileu dos 150 Anos de Fundação da segunda maior cidade de Mato Grosso.

A grande novidade, no entanto, deve ser a possibilidade de Várzea Grande ter o primeiro Hospital da Mulher e da Criança de Várzea Grande.

O sonho acalentado pela prefeita Lucimar Sacre de Campos poderá se tornar realidade caso emendas parlamentares federais e estaduais que estão em discussão se tornem realidade juntamente com as ações da Administração Municipal.

“A Saúde sempre será prestigiada com recursos extras, pois entendemos que o setor deixou de ser prioridade nas gestões anteriores”, disse a prefeita Lucimar Sacre de Campos que no ano de 2016 investiu mais de 26% no setor quando a Lei determina até 15%.

A prefeita é cautelosa quando o assunto é a construção do Hospital Municipal da Mulher e da Criança, mas admitiu que está trabalhando com determinação para que o mesmo se torne realidade.

O governador Pedro Taques, o presidente da Assembleia Legislativa, José Eduardo Botelho, os senadores Wellington Fagundes e Cidinho Santos, além de deputados estaduais e federais também teriam demonstrado interesse em ajudar na execução do projeto que deverá levar três anos para ser executado.

Durante as comemorações dos 150 Anos de Várzea Grande foram lançadas as obras da Unidade de Pronto Atendimento – UPA do Grande Cristo Rei, que vai levar um ano para ficar pronta e irá consumir até R$ 4 milhões entre obras físicas e equipamentos, além de mobiliário.

AVANÇOS:

Considerado como um avanço a inauguração da Unidade de Saúde dos bairros Ouro Verde, São Simão e Colinas Verdejantes e que  faz parte de um conjunto de 13 unidades lançadas na gestão passada e paralisadas por determinação da Controladoria Geral da União – CGU que detectou irregularidades na execução das obras das mesmas.

“Regularizamos essa unidade e devemos fazer o mesmo com outras duas. Já as demais ainda estamos em tratativa com o Ministério da Saúde para decidir qual o rumo dos recursos públicos federais que foram irresponsavelmente aplicados de forma errada”, disse o secretário de Saúde de Várzea Grande, Diógenes Marcondes.

Ele pontuou que em pelo menos dois bairros existem duas obras idênticas, sendo construídas na mesma quadra, o que foi alvo de investigações por parte dos órgãos de controle. “No bairro Flor do Ipê temos na mesma quadra duas unidades com suas obras paralisadas, isto significa prejuízo para o município e para sua população”, apontou o secretário.

Diógenes Marcondes frisou que a intenção da prefeita Lucimar Sacre de Campos é construir um entendimento com o Ministério da Saúde para não executar parte destas obras e destinar os recursos para construção de uma ou duas novas Unidades de Pronto Atendimento – UPA e outras regiões de Várzea Grande.

“É preciso que as pessoas entendam que apenas a obra física não soluciona os problemas, pois o maior custo é justamente a manutenção, equipamentos, medicamentos entre outros. Nossa maior riqueza são os profissionais médicos, enfermeiros, técnicos, mas eles complementam  uma outra ação que são os equipamentos, medicamentos e as obras públicas”, disse Diógenes Marcondes.

POLICLÍNICAS:

Todas as 5 policlínicas de Várzea Grande estarão reformadas ainda em 2017, segundo a prefeita Lucimar Sacre de Campos que fez questão de lembrar que assumiu em maio de 2015 com todas essas unidades em estado lastimável.

“Já reformamos e equipamos quatro unidades. A do Parque do Lago, do Cristo Rei, Marajoara e 24 de Dezembro e agora iremos reformar a Policlínica do Jardim Glória e assim completaremos mais essa etapa em relação a saúde pública”, assinalou a prefeita.

Ela lembrou que as Policlínicas diferente da UPA e do Hospital e Pronto-Socorro Municipal que fazem atendimento de urgência e emergência, fazem atendimento básico que na realidade é quando se evita as aglomerações nas unidades principais.

Segundo o secretário Diógenes Marcondes, as unidades de saúde tem que fazer a Atenção Básica para evitar a superlotação das unidades secundárias e terciárias. “Muitos tratamentos são solucionados nas unidades básicas dos bairros e policlínicas, então quando temos eficiência na Atenção Básica solucionamos mais de 70% dos casos, ficando aqueles urgentes e emergentes para as demais unidades, o que demonstra que o Sistema Único de Saúde – SUS tem funcionalidade e cumpre seu papel que é atender e solucionar os casos”, disse o secretário.

A prefeita sinalizou que pretende reforçar ainda mais a atuação do setor de saúde nos próximos anos e anunciou que fará concurso para novos profissionais médicos e enfermeiros.

CEO:

Outro avanço que será perseguido nos próximos meses diz respeito a saúde bucal que é responsável por 70% dos casos de doença. Para debelar essa situação, além da questão da educação bucal, a Prefeitura de Várzea Grande vai inaugurar em parceria com o Ministério Público de Mato Grosso através da Promotoria de Várzea Grande, o Centro de Especialidades Odontológica – CEO – que está sendo custeado com recursos privados de uma empresa que assinou um Termo de Ajustamento de Conduta – TAC para não ser punida por crime ambiental.

O CEO que funcionará no centro de Várzea Grande terá 20 gabinetes odontológicos e fará todos os tratamentos tradicionais, lembrando que as Policlínicas e a UPA fazem atendimentos odontológicos, mas de urgência e emergência.

Também é meta de Várzea Grande para 2018 a implantação de outra unidade junto a Policlínica do Parque do Lago, para então promover o atendimento para toda a região do Grande Cristo Rei.

“Vamos avançar em todos os setores, mas não me canso de dizer que Várzea Grande precisará manter o mesmo ritmo por mais duas ou três décadas, consolidando assim o desenvolvimento da cidade e a solução dos problemas que afligem a população. Não nos falta determinação empenho e muita vontade de continuar trabalhando cada vez mais por nossa querida cidade”, disse a prefeita Lucimar Sacre de Campos.

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Encontro de almas: diligência abriu as portas da paternidade para agente da Infância e Juventude

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Foto horizontal dos anos 1990 que mostra o agente da Infância e Juventude Aparecido Donizete abraçado com a filha Érica, que tinha cerca de 10 anos na foto. Ela era uma menina de pele clara com longos cabelos loiros e cacheados.

Das histórias de tantas crianças e adolescentes que ajudou a reescrever, enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete da Silva, atualmente lotado na Comarca de Várzea Grande, encontrou em uma de suas diligências, em 1990, a primeira página de sua própria jornada enquanto pai.

Uma bebê foi abandonada pela mãe na casa da parteira, uma senhora muito pobre e sem condições de cuidar da criança, em Barra do Bugres. Nomeado guardião legal da criança, Aparecido levou a bebê com apenas quatro dias de nascida para casa. Ele e a então esposa cuidaram da recém-nascida até que ela restabelecesse a saúde, ao longo de três meses. O cuidado foi tamanho que o servidor, que também trabalhava como professor no período noturno, deixou este emprego para se dedicar ao cuidado com a menina.

Aparecido revela que não tinha interesse em adotar, mas, após três meses de acolhimento daquela bebezinha, decidiu que queria ficar com ela para sempre e pediu para entrar na fila da adoção. O processo levou tempo, pois investigações foram feitas e a mãe biológica foi identificada. Ela teve que registrar a criança, mas acabou perdendo o pátrio poder e, então a menina pôde participar do processo de adoção. “Ela veio como um presente de Deus”, afirma Aparecido.

Já estava escrito

“Eu acho que tudo já estava escrito pra ser dessa forma. Ele já era meu pai, só foi me buscar”, afirma Érica Taiane Buzato da Silva, 36 anos, filha mais velha de Aparecido, que sente o mesmo. “Pra mim, já existia uma paternidade de verdade, o vínculo, o cuidado e o amor vieram antes da ‘chegada’. Quando ela diz isso, eu sinto que a nossa história confirmou o que a gente viveu todos os dias”, diz o servidor.

Érica conta que seus “pais do coração” sempre foram transparentes em relação à sua origem e que, mesmo passando anos questionando o porquê do abandono, o amor que recebeu da família a levou a superar todas as dores.

“Eu sempre soube que eu era adotada. Fui a primeira filha deles. Depois, eu tive mais dois irmãos e a gente cresceu muito feliz. O meu pai é uma pessoa maravilhosa na minha vida! Não sei nem como agradecer porque, se não fosse ele, eu não sei o que poderia ter acontecido comigo. Sou muito grata ao meu pai e à minha mãe porque cuidaram de mim com todo amor, sem nenhuma diferença de mim e os meus irmãos”, diz.

A gratidão relatada por Érica é sentida também por parte do pai dela. “Me sinto profundamente grato e em paz. Olhando pra trás, vejo que o acolhimento que demos à Érica foi mais do que cuidados: foi amor que sustentou a ela e a mim”, afirma. Em relação à paternidade, que começou com a chegada de Érica em sua vida, Aparecido conta que sempre viu como algo muito simples a educação dada a ela e aos demais filhos, Evili e Lucas. “Nunca vi a Érica diferente, mas sim como filha, igual aos outros”, conta.

Foto vertical antiga que mostra o agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete, com a ex-mulher, duas filhas e o filho ainda crianças, em uma festa. Eles posam sorrindo para a foto.Legado construído com exemplo

Aparecido destaca que sempre priorizou transmitir aos filhos valores como honestidade, caráter e determinação para batalhar pelos objetivos. “Eu sempre busquei passar esses valores no comportamento e nas escolhas do dia a dia, sendo honesto, firme e batalhador, para que eles aprendessem com a nossa convivência, não só com palavras”, pontua.

Para Érica, ficaram desses ensinamentos a admiração e o desejo de seguir os mesmos passos do pai. “Meu pai é uma pessoa de muito caráter, muito esforçado, inteligente, batalhador. Eu sei que a vida dele também foi muito difícil. Eu não sou igual a ele, mas tento ser e me espelho nele porque é uma pessoa maravilhosa. Ele me ensinou a ser uma pessoa honesta e a lutar pelos meus objetivos, pela minha felicidade. Eu conto tudo pra ele, então, a gente tem realmente uma ligação muito forte”, afirma Érica.

Ela destaca que se considera parecida até fisicamente com Aparecido. “É estranho, mas eu acho que a convivência faz a gente ficar parecido. Dizem que pai é quem cria, mas, pra mim, é mais do que isso: meu pai é meu porto seguro, minha referência”.

Por sua vez, Aparecido diz ser muito gratificante e emocionante ver os frutos do seu amor de pai. “Saber que a minha presença ajudou a formar o caráter dela e que hoje existe essa conexão me dá orgulho, e também me faz querer continuar fazendo o certo todos os dias”.

Apoio incondicional

Encontrar nos pais um porto seguro fez com que Érica tivesse coragem para encarar de frente seu passado e, depois de adulta, buscar suas origens. “Eu não perguntava por que achava que era algo que machucava eles, de certa forma. Mas, quando eu perguntei, ele foi atrás, conseguiu o contato de outro pai que também tinha adotado a minha outra irmã. Meu pai me ajudou e eu conheci ela e outro irmão, filho dessa minha mãe biológica. E foi muito legal conhecê-los porque faz parte da minha história, de certa forma, porque têm o meu sangue”, relata Érica. Ao reencontrar os irmãos biológicos, sua genitora havia falecido um ano antes.

Da parte de Aparecido, ele conta que ajudar Érica nesse processo de resgatar o contato com a família biológica foi um misto de carinho e responsabilidade. “Eu entendia o desejo dela de conhecer as origens e apoiei esse caminho. Ao mesmo tempo, eu precisava respeitar o tempo dela e garantir que essa busca não virasse dor ou culpa. Ver que ela conseguiu se aproximar com segurança me deixa muito satisfeito”, avalia.

Imagem quadrada gerada com auxílio de inteligência artificial que mostra o agente da Infância e Juventude Aparecido Donizete e sua filha Érica abraçados, com um fundo verde de um parque. Ele é um homem pardo de cabelo grisalho e ela uma jovem branca e loira.

Há oito anos morando na Europa, Érica afirma ser difícil estar longe da família, especialmente em datas comemorativas, como o Dia dos Pais, mas que a única palavra que vem à sua mente nessas horas é gratidão. “Quero que ele saiba que é o melhor pai do mundo, que eu sou muito grata a ele por cada gesto, por cada abraço. Minha maior certeza na vida é que eu amo muito ele. Mesmo distantes fisicamente, graças a Deus somos muito próximos, pois, de certa forma ele me deu a vida”, assevera Érica.

Pai e apoiador, Aparecido confirma que a distância aperta o coração, mas que, ao mesmo tempo, sente orgulho ao ver que Érica está correndo atrás dos próprios objetivos com coragem. “A gente procura estar presente do jeito que dá, com diálogo, apoio e carinho. E isso ajuda a transformar a saudade em motivação”.

Adoção

Enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido ressalta que a Justiça tem um papel fundamental em garantir que toda criança tenha o direito de crescer em um ambiente seguro, com afeto, dignidade e oportunidades. “A adoção não é apenas um ato jurídico; é a construção de uma família baseada no amor e na responsabilidade”, avalia.

Ele lembra que, desde quando adotou Érica até os dias atuais, a legislação evoluiu muito. “Hoje, o processo de adoção é mais estruturado, transparente e voltado, acima de tudo, ao melhor interesse da criança e do adolescente. Há uma preparação maior das famílias, acompanhamento técnico e mecanismos que buscam reduzir o tempo de permanência de crianças em acolhimento institucional, sempre preservando seus direitos”, explica.

Aparecido aproveita este Dia dos Pais para deixar uma mensagem a todos os pais: “Aos pais biológicos, que valorizem o privilégio de acompanhar o crescimento dos seus filhos com amor, presença e responsabilidade. E aos pais de coração, que nunca duvidem da força do amor que escolheram oferecer. A verdadeira paternidade não é definida pelo sangue, mas pela presença, pelo cuidado, pelo exemplo e pelo compromisso de estar ao lado do filho em todos os momentos da vida. É esse amor que transforma histórias, fortalece famílias e constrói seres humanos melhores”, declara.

Érica, por sua vez, afirma: “Adoção não é sobre preencher um vazio, mas sobre transbordar o amor, porque é isso que eu sinto”.

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT



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