Mato Grosso
Procissão pelos 150 anos de Nossa Senhora da Guia reúne mais de cinco mil fiéis
Mato Grosso
Da Redação
O Ano Jubilar de 150 anos de Nossa Senhora da Guia foi comemorado por mais de 5 mil fiéis, que desde as primeiras horas da manhã deste domingo (07), acompanharam a procissão comemorativa. Neste ano a igreja católica inovou e reuniu 21 paróquias existes em Várzea Grande onde cada uma homenageou Nossa Senhora da Guia, com o andor de suas padroeiras.
O ano de 2017 de muita fé e devoção também comemora os 150 anos de Fundação de Várzea Grande. As festividades de Nossa Senhora da Guia abrem a programação oficial do Jubileu de 150 anos de Várzea Grande e comemora ainda os dois anos de gestão da prefeita Lucimar Sacre de Campos que assumiu em 08 de maio de 2015.
“As bênçãos de Nossa Senhora da Guia abrem a esperança de novos tempos e resguarda a fé que a população têm por sua padroeira. Tenho convicção em nossa missão e a confiança em Deus que todos os esforços da administração municipal serão voltados para a reconstrução de uma Várzea Grande melhor. Sempre plantamos boas sementes e com certeza vamos colher bons frutos. Nossas políticas são voltadas para a população, e os nossos atos promovem a justiça social e prosperidade, pois temos priorizado o desenvolvimento social e econômico com mais educação, mais saúde, mais infraestrutura na concepção de uma cidade mais justa e igualitária”, disse a prefeita Lucimar Sacre de Campos.
A gestora acrescentou ainda que nestes dois anos frente à administração municipal sempre primou pelos princípios da igualdade, transparência, eficiência e, sobretudo, neste momento de comemoração do Jubileu de 150 anos, vamos avançar em todas as áreas, principalmente, na implementação de políticas públicas junto a comunidade.
Jayme Veríssimo de Campos que já foi prefeito por três mandatos e governador de Mato Grosso, além de senador da República, disse que Várzea Grande respira ares de tranquilidade, de perseverança e de que seu futuro voltou a estar em boas mãos. “A diferença não está apenas na credibilidade da prefeita Lucimar Campos, mas no trato, respeito, zelo e transparência com a coisa pública”, apontou o secretário municipal sinalizando que atualmente mais de 100 obras estão em andamento na cidade e com investimentos da ordem de R$ 250 milhões em recursos públicos municipais, estaduais e federais.
Os fiéis percorreram 3 quilômetros pelas ruas de Várzea Grande, ao lado dos andores das padroeiras das comunidades católicas e, principalmente, o de Nossa Senhora da Guia. Como 2017 é ano do Júbilo de 150 anos de Nossa Senhora da Guia, o Rei da Festa foi o Padre Marcos Reis, da Igreja de Nossa Senhora do Carmo. Ele conduziu a procissão com os fiés que vieram de todas regiões de Várzea Grande e de Mato Grosso.
“Este ano é de extrema importância, pois aqui no município de Várzea Grande, Nossa Senhora da Guia completa seus 150 anos como padroeira, enquanto Nossa Senhora Aparecida completa 300 anos de sua aparição. Maria nas orações leva todos os fiéis até a Jesus de forma imediata e como humildade de serva, mas ao mesmo tempo, com autoridade de mãe. Ela nos facilita no caminho da fé e da devoção e permanecendo firmes na caminhada de oração”, disse o Rei da festa padre Marcos Reis.
A dona de casa Maria da Guia, não é filha da terra, mas já reside em Várzea Grande há 27 anos. “Desde que cheguei aqui participo das comemorações da padroeira da cidade. Esta é uma festa que atrai todos os anos milhares de pessoas que assim como eu vem buscar auxílio ou simplesmente agradecer pelas graças recebidas. Acordei às 4 da manhã para acompanhar e não perder o ciclo de oração que fizemos antes de sairmos de nossa comunidade, no bairro 23 de Setembro, já que a nossa padroeira é a Santa Edwiges, e onde nos juntamos com o percurso da procissão de Nossa Senhora da Guia”.
Bárbara Gomes de Trindade, de 19 anos, este ano teve um motivo a mais para acompanhar a procissão. “Ela conseguiu entrar no curso de medicina e essa conquista é também por intermédio de Nossa Senhora da Guia, protetora e mãe de Jesus. Estou aqui hoje para agradecer e pagar minha promessa. Estudei bastante, mas a fé me motivou a não desistir do meu sonho, hoje conquistado”.
A programação do aniversário de Várzea Grande segue nesta segunda-feira (08), às 9h, com a inauguração da Quadra Poliesportiva da Escola Municipal de Educação Básica (EMEB) “Eunice Mello”, localizada no bairro Pirinéu. Já às 16h30, haverá o lançamento das obras da quadra poliesportiva da Escola Municipal “Lenine de Campos Póvoas”, no bairro Parque das Nações.
Além da inauguração e lançamento de obras, a programação dos 150 Anos de Fundação de Várzea Grande terá ainda Show Popular com entrada franca com a dupla Sertaneja Chitãozinho e Xororó na Univag no dia 14 de maio a partir das 22 horas, juntamente com outras bandas.
Fonte: Secom VG
Mato Grosso
Encontro de almas: diligência abriu as portas da paternidade para agente da Infância e Juventude

Das histórias de tantas crianças e adolescentes que ajudou a reescrever, enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete da Silva, atualmente lotado na Comarca de Várzea Grande, encontrou em uma de suas diligências, em 1990, a primeira página de sua própria jornada enquanto pai.
Uma bebê foi abandonada pela mãe na casa da parteira, uma senhora muito pobre e sem condições de cuidar da criança, em Barra do Bugres. Nomeado guardião legal da criança, Aparecido levou a bebê com apenas quatro dias de nascida para casa. Ele e a então esposa cuidaram da recém-nascida até que ela restabelecesse a saúde, ao longo de três meses. O cuidado foi tamanho que o servidor, que também trabalhava como professor no período noturno, deixou este emprego para se dedicar ao cuidado com a menina.
Aparecido revela que não tinha interesse em adotar, mas, após três meses de acolhimento daquela bebezinha, decidiu que queria ficar com ela para sempre e pediu para entrar na fila da adoção. O processo levou tempo, pois investigações foram feitas e a mãe biológica foi identificada. Ela teve que registrar a criança, mas acabou perdendo o pátrio poder e, então a menina pôde participar do processo de adoção. “Ela veio como um presente de Deus”, afirma Aparecido.
Já estava escrito
“Eu acho que tudo já estava escrito pra ser dessa forma. Ele já era meu pai, só foi me buscar”, afirma Érica Taiane Buzato da Silva, 36 anos, filha mais velha de Aparecido, que sente o mesmo. “Pra mim, já existia uma paternidade de verdade, o vínculo, o cuidado e o amor vieram antes da ‘chegada’. Quando ela diz isso, eu sinto que a nossa história confirmou o que a gente viveu todos os dias”, diz o servidor.
Érica conta que seus “pais do coração” sempre foram transparentes em relação à sua origem e que, mesmo passando anos questionando o porquê do abandono, o amor que recebeu da família a levou a superar todas as dores.
“Eu sempre soube que eu era adotada. Fui a primeira filha deles. Depois, eu tive mais dois irmãos e a gente cresceu muito feliz. O meu pai é uma pessoa maravilhosa na minha vida! Não sei nem como agradecer porque, se não fosse ele, eu não sei o que poderia ter acontecido comigo. Sou muito grata ao meu pai e à minha mãe porque cuidaram de mim com todo amor, sem nenhuma diferença de mim e os meus irmãos”, diz.
A gratidão relatada por Érica é sentida também por parte do pai dela. “Me sinto profundamente grato e em paz. Olhando pra trás, vejo que o acolhimento que demos à Érica foi mais do que cuidados: foi amor que sustentou a ela e a mim”, afirma. Em relação à paternidade, que começou com a chegada de Érica em sua vida, Aparecido conta que sempre viu como algo muito simples a educação dada a ela e aos demais filhos, Evili e Lucas. “Nunca vi a Érica diferente, mas sim como filha, igual aos outros”, conta.
Legado construído com exemplo
Aparecido destaca que sempre priorizou transmitir aos filhos valores como honestidade, caráter e determinação para batalhar pelos objetivos. “Eu sempre busquei passar esses valores no comportamento e nas escolhas do dia a dia, sendo honesto, firme e batalhador, para que eles aprendessem com a nossa convivência, não só com palavras”, pontua.
Para Érica, ficaram desses ensinamentos a admiração e o desejo de seguir os mesmos passos do pai. “Meu pai é uma pessoa de muito caráter, muito esforçado, inteligente, batalhador. Eu sei que a vida dele também foi muito difícil. Eu não sou igual a ele, mas tento ser e me espelho nele porque é uma pessoa maravilhosa. Ele me ensinou a ser uma pessoa honesta e a lutar pelos meus objetivos, pela minha felicidade. Eu conto tudo pra ele, então, a gente tem realmente uma ligação muito forte”, afirma Érica.
Ela destaca que se considera parecida até fisicamente com Aparecido. “É estranho, mas eu acho que a convivência faz a gente ficar parecido. Dizem que pai é quem cria, mas, pra mim, é mais do que isso: meu pai é meu porto seguro, minha referência”.
Por sua vez, Aparecido diz ser muito gratificante e emocionante ver os frutos do seu amor de pai. “Saber que a minha presença ajudou a formar o caráter dela e que hoje existe essa conexão me dá orgulho, e também me faz querer continuar fazendo o certo todos os dias”.
Apoio incondicional
Encontrar nos pais um porto seguro fez com que Érica tivesse coragem para encarar de frente seu passado e, depois de adulta, buscar suas origens. “Eu não perguntava por que achava que era algo que machucava eles, de certa forma. Mas, quando eu perguntei, ele foi atrás, conseguiu o contato de outro pai que também tinha adotado a minha outra irmã. Meu pai me ajudou e eu conheci ela e outro irmão, filho dessa minha mãe biológica. E foi muito legal conhecê-los porque faz parte da minha história, de certa forma, porque têm o meu sangue”, relata Érica. Ao reencontrar os irmãos biológicos, sua genitora havia falecido um ano antes.
Da parte de Aparecido, ele conta que ajudar Érica nesse processo de resgatar o contato com a família biológica foi um misto de carinho e responsabilidade. “Eu entendia o desejo dela de conhecer as origens e apoiei esse caminho. Ao mesmo tempo, eu precisava respeitar o tempo dela e garantir que essa busca não virasse dor ou culpa. Ver que ela conseguiu se aproximar com segurança me deixa muito satisfeito”, avalia.

Há oito anos morando na Europa, Érica afirma ser difícil estar longe da família, especialmente em datas comemorativas, como o Dia dos Pais, mas que a única palavra que vem à sua mente nessas horas é gratidão. “Quero que ele saiba que é o melhor pai do mundo, que eu sou muito grata a ele por cada gesto, por cada abraço. Minha maior certeza na vida é que eu amo muito ele. Mesmo distantes fisicamente, graças a Deus somos muito próximos, pois, de certa forma ele me deu a vida”, assevera Érica.
Pai e apoiador, Aparecido confirma que a distância aperta o coração, mas que, ao mesmo tempo, sente orgulho ao ver que Érica está correndo atrás dos próprios objetivos com coragem. “A gente procura estar presente do jeito que dá, com diálogo, apoio e carinho. E isso ajuda a transformar a saudade em motivação”.
Adoção
Enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido ressalta que a Justiça tem um papel fundamental em garantir que toda criança tenha o direito de crescer em um ambiente seguro, com afeto, dignidade e oportunidades. “A adoção não é apenas um ato jurídico; é a construção de uma família baseada no amor e na responsabilidade”, avalia.
Ele lembra que, desde quando adotou Érica até os dias atuais, a legislação evoluiu muito. “Hoje, o processo de adoção é mais estruturado, transparente e voltado, acima de tudo, ao melhor interesse da criança e do adolescente. Há uma preparação maior das famílias, acompanhamento técnico e mecanismos que buscam reduzir o tempo de permanência de crianças em acolhimento institucional, sempre preservando seus direitos”, explica.
Aparecido aproveita este Dia dos Pais para deixar uma mensagem a todos os pais: “Aos pais biológicos, que valorizem o privilégio de acompanhar o crescimento dos seus filhos com amor, presença e responsabilidade. E aos pais de coração, que nunca duvidem da força do amor que escolheram oferecer. A verdadeira paternidade não é definida pelo sangue, mas pela presença, pelo cuidado, pelo exemplo e pelo compromisso de estar ao lado do filho em todos os momentos da vida. É esse amor que transforma histórias, fortalece famílias e constrói seres humanos melhores”, declara.
Érica, por sua vez, afirma: “Adoção não é sobre preencher um vazio, mas sobre transbordar o amor, porque é isso que eu sinto”.
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